O Demônio E O Soldado
3 Capítulo 3 - Exército
Estávamos conformados, não tinha muita escolha. Era seguir em frente e pronto. Pelo menos até descobrimos o que os demônios estavam planejando para trazer Lúcifer de volta.
Os dois meses haviam passado muito rápido. Eu e Demi resolvemos tirar folga de tudo. Íamos para um lugar onde seriamos úteis. Íamos servir o exército. Não tínhamos idade para nos alistarmos, então eu fui até o quartel e hipnotizei o general. Esse era o lado de bom de ser vampiro, podia hipinoitizar quem eu quisesse. Claro que mexer com a mente das pessoas por qualquer motivo não era legal, mas esse era um caso especial, tinha que ser feito, Ou eu e minha irmã ficaríamos loucos. Demoramos um pouco para resolver se iríamos ou não, no que seriamos úteis, e até se esqueceríamos o Sam. Não, não poderíamos esquecer o Sam. Mas mesmo assim a escolha foi unânime. Mais cedo eu hipnotizei o motorista do ônibus que levarias os militares para o exército, fiz ter a idéia que ele ‘’tinha’’ que passar hotel em que estávamos instalados. E foi assim que aconteceu.
Demi pegou todo o material de que iríamos precisar: roupas, armas, e todo o resto. Poderíamos levar o que quiser, e fazer o que quiser, pois ninguém podia contra o nosso controle de mente. O ônibus tinha chegado. Eu e Demi fomos pegar as coisas rapidamente.
Demi começou a correr e a gritar
- Espera, Espera! – Demi saiu do hotel correndo.
O ônibus estava indo embora. Demi voltou pro quarto de hotel, furiosa.
- Que merda Mike, achei que tinha hipnotizado ele.
- Mas eu hipnotizei, disse que era pra passar aqui. – Me defendi.
- Você podia ter mandado ele esperar pela gente, espertinho.
O ônibus espera apenas um minuto até os militares entrarem, talvez eu fosse o culpado.
- Eu dirijo. – Demi falou antes de eu abrir a boca.
- Ok. – Respondi sem questionar.
Demi estava toda animada, parecia que era a primeira vez que ia dirigir um carro. Ela pegou as chaves do Impala e correu para o carro, abriu a porta e entrou. Eu fui com calma, abri a porta e sentei no banco do carona. Demi estava mesmo histérica.
- Ahh, que emoção. – Ela colocou em ponto morto, ligou o carro e meteu o pé no acelerador.
Eu fiz uma cara de deboche.
- Ah, você nunca me deixa dirigir. Agora eu quero mais é curtir mesmo.
Era exatamente isso que estávamos tentando fazer, era isso que queríamos fazer. Curtir. Quem sabe assim aliviaria os pensamentos sobre o Sam.
Demi acelerou ainda mais.
- Onde fica o exército mesmo? – Ela disse com a língua entre os dentes.
Eu ri. – Fica logo ali Demi.
Ela me olhou torto.
- Ali onde? – Ela perguntou.
- Ah sei lá Demi, vai dirigindo aí. – Eu não fazia a menor idéia de onde estávamos.
- Ok, a primeira estrada de terra que eu ver, eu vou entrar.
- Faça isso. E cuidado pra não bater.
- Fica quieto aí. – Demi era uma ótima motorista, exceto quando estava dentro de um carro.
A viagem foi um pouco agitada. Demi encontrou a tão esperada estrada de terra e meteu o pé. O carro balançou o percurso todo. A estrada estava vazia, mas havia marcas de pneus, pneu de um caminhão. O caminhão do exército. Além do mais eu podia ouvir o barulho do coração batendo e as veias pulsando.
- Demi, o Srgt não vai brigar com agente?
- Relaxa, eu dou um jeito quando chegar. – Demi ligou o som.
Estava tocando Cobra S.
- Agente ta perto, olha a placa. – Demi apontou para uma placa grande onde dizia que o quartel estava a três quilômetros.
Demi olhou pelo retrovisor.
- O ônibus esta quase atrás da gente.
- Caralho. Como isso? – Perguntei surpreso. O ônibus tinha saído na nossa frente.
- Amor, eu estou dirigindo, né? E além do mais o ônibus para a todo minuto para pegar os milicos.
- Ah deve ser. – Eu estava sorrindo agora. Um sorriso sarcástico.
Demi estava indo muito rápido, parecia que o carro ia decolar a qualquer momento. Ela avistou uma curva para entrar no quartel e virou bruscamente. Eu me embalei pro lado e dei de cara no vidro do carro. Senti uma dor invadir minha cabeça que foi passando logo depois. Olhei no vidro onde eu tinha batido a cabeça, estava manchado de sangue. Coloquei a mão na minha cabeça onde estava o ferimento e vi que estava se regenerando.
- Dá pra ir com mais calma?
- Desculpa. – Demi deu uma risada tímida.
Chegamos à entrada, que estava sendo guardada por um homem com bigode, alto, forte e armado, muito bem armado.
Ele mandou parar, para a infelicidade de Demi.
- Onde pensam que vão? – O homem de bigode não sorriu.
Demi abriu mais a janela do carro e fitou o olhar nos olhos castanhos do guarda.
- Somos militares. Viemos servir o exército. E você vai avisar o Sargento que estamos aqui e dizer que chegamos mais cedo. Não vamos enfrentar problema algum. Ok?
O guarda estava com uma cara de bobo alegre. Ainda estava olhando para Demi.
- Problema? Que problema? Podem ir, Sejam bem vindos.
Demi deu um sorrisinho, seguindo de um beijinho mandando pelo ar. Ela acelerou de novo.
- Eu adoro isso. – Disse ela muito alegre.
Ela continuou seguindo a estrada e no final fez um cavalinho de pau. Ela queria acabar comigo e com o carro. Ela estacionou, eu saí do carro para que ela pudesse se trocar lá dentro, e eu me troquei atrás do carro. Eu peguei uma mala preta, cheia de armas, como pistolas, metralhadoras e o arco e flechas da Demi. Se alguém perguntasse o que era, teríamos que usar o hipnotismo. Então nós dois saímos, fomos andando de vagar até que avistamos uma fila masculina e outra feminina.
Eu segui para a fila masculina, que não tinham muitos homens. E Demi foi para a fila feminina, onde já havia muitas mulheres de uniforme.
Quando cheguei à fila fiquei em posição de sentido. Demi também. O ônibus estava chegando agora.
O Sargento saiu de uma das casas do quartel, Ela alto e forte, e usava um óculos escuro. Ele ficou parado na frente das filas indianas, e eu percebi que ele ficou encarando a mim e a Demi, minha irmã também percebeu isso. Me cutucou e me avisou que ele estava nos olhando. As filas estavam ficando completas.
O sargento começou a gritar. Um ajudante dele deu um rifle para cada um de nós.
- Atenção soldados. A partir de agora a única família de vocês, será o rifle. Tratem-no como se fossem sua única esperança de vida. Nomeiem com o nome de seus namorados e namoradas. Se não tiverem um parceiro ou parceira, nomeiem com o nome de sua mãe.
Ele abaixou o tom de voz e houve um pouco de euforia nas filas.
Eu olhei para o meu rifle.
- Samantha? – Franzi o cenho.
Demi olhou para mim.
- Melhor que Barney. – Continuei dizendo.
Demi pegou o rifle dela e ficou olhando, parecia intrigada e curiosa, ela olhou para mim séria e disse.
- O nome do meu rifle é Ian ok?
- Seu namorado se chama Ian? – Perguntei.
- Você sabe que não.
Eu estava meio confuso, queria entender o porquê desse fascínio pelo Ian, só por que interpretava um vampiro em uma série americana, Demi o amava.
- Esquece. – Disse por fim.
O Sargento continuou falando.
- Como vocês sabem...
Eu não sabia de nada.
- ... Hoje, vão para a selva. Terão que sobreviver Três dias lá dentro. Terão que se virar lá, achar abrigo e comida. E voltem vivos, fui claro?
Ouvi Demi dizer bem alto, Sim senhor. Eu fiquei em silencio e nada aconteceu.
- Juntem-se em três. – Terminou o sargento.
Demi veio para mim, quase pulando de alegria. – Mikeeeee!
- O que? – Eu disse muito rápido.
- Agente vai juntos, horas.
Eu olhei para ela, comecei a contar nos dedos. Dei um sorrisinho sínico.
- Demi, somos dois, percebeu?
- Ah, sério? Nem tinha percebido.
Demi começou a olhar para os lados, como se estivesse caçando.
— Eu vou pegar o mais gatinho. – Disse ela.
As pessoas estavam todas atumontuadas, tentando achar um trio que prestasse. Demi começou a andar e viu um rapaz meio perdido no meio daquela bagunça. Ele estava sozinho, e possivelmente não tinha uma dupla para fazer o trio. Demi o puxou com força e levou-o até mim.
- Ele vai com agente. – Disse olhando para mim.
Eu olhei para o rapaz.
- Pode ser? Perguntei a ele.
- Er, claro. Estava mesmo difícil arranjar alguém aqui. – A voz dele era um pouco rouca, mas agradável.
- Como é seu nome? – Perguntei.
- Diego.
Depois de um tempo de apresentação, fomos caminhando em direção a mata. Durante o percurso vimos vários grupos caminhando. Mais umas horas depois era impossível se encontrar com alguém. A mata era imensa. Demi sugeriu um lugar para levantarmos acampamento. Era um lugar bastante limpo e do lado havia uma árvore caída que oferecia um belo encosto. Armamos a barraca, escondi as armas num lugar onde ninguém acharia e fizemos uma fogueira. Não havia comida nem água. Demi foi atrás de umas árvores a arranjou água para passar a noite pelo menos. Não tinha muito que fazer lá... Por enquanto ninguém estava com fome, e até que alguém reclamasse, eu iria descansar. O sol já estava sumindo, a fogueira continuava ardendo em chamas.
Depois de duas horas. Olhei no relógio que agora estava acusando nove horas da noite. Diego reclamou de fome e eu fui atrás de comida.
- O que você vai trazer Mike? – Demi perguntou.
- Não sei, o que acham de coelho? – Perguntei fingindo repugnar o estranho cardápio. Mas na verdade era o meu prato preferido. Sangue de coelho.
- Está ótimo. – Disse Diego encostado em um tronco.
Eu saí atrás da comida. Deixando Demi e Diego sozinhos. Eu sabia que Diego ia dar em cima da minha irmã, por que ela era gostosa. Mas Demi tinha cabeça e jamais ia trair seu namorado. Assim como eu jamais iria trair a Samantha.
Diego chegou perto de Demi.
- Enfim, sós, não é?
Demi achava Diego muito charmoso. E queria ser simpática com ele.
- Pois é. — Ela respondeu balançando a cabeça disfarçadamente.
- Então já podemos começar. – O tom de voz de Diego mudou imediatamente.
Demi entendeu o que ele queria, mas se fez de desentendida.
- Começar o que? – Ela se virou e fitou os olhos castanhos de Diego.
No mesmo momento em que ela olhou fixamente dentro do olhar de Diego, a pupila castanha escureceu rapidamente. Tornou-se uma pupila negra ofuscante e brilhosa. Parecia uma jabuticaba no escuro com o reflexo da fogueira.
- Ah, logo você vai saber. – O demônio sorriu.
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