O Defensor

4 Capítulo 4 - Bolha.


Notas iniciais
Olá meninas!!
Quero dedicar o capítulo para as DEZ novas leitoras que ganhei ontem!
=)
Também dedico para: carolhrosa, StarGirl e Débora Potter; amei os reviews e sejam bem-vindas por aqui!
Ivina, StarGirl e ANA RAPOSO: obrigada por favoritar!

Às demais meninas que tem acompanhado a fic: o meu MUITO OBRIGADO por lerem!

Sem mais delongas, vamos ao capítulo de hoje!

Boa leitura ^^

As aulas da tarde passaram rapidamente e eu era o mais atento de todos, tomava nota de tudo e me concentrava apenas em ter anotações decentes para entregar a ela. O sinal finalmente tocou e eu arrumava minhas coisas apressadamente.

– Hey cara, não vá assustar ela hein! – James falou baixo sorrindo de canto.

– Pode deixar que eu vou tomar cuidado. Isabella é alguém que preciso conhecer aos poucos. – disse sério e ele assentiu.

– Isso mesmo. Eu sinto que ela tem medo de se decepcionar com as pessoas e sofrer mais ainda... – ele sorriu fraco e eu concordei – Mas tem algo que você pode fazer por ela e acredito que terá mais sucesso que eu, Tân e Vic: você pode fazer com que ela recupere a confiança em si mesma. – disse piscando e eu olhei atônito.

– Eu? – ele assentiu. – Porque acha isso? – ele sorriu sincero e respondeu.

– Porque vejo que está determinado a cuidar dela. – acenou se despedindo e me deixou ali com cara de bobo.

É claro que eu ainda não entendi realmente o que ele quis dizer... Mas tenho coisas mais urgentes para resolver. Fui à secretaria entregar minha caderneta e estava quase chegando ao meu carro quando eu vi um grande grupo de alunos conversando e um casal de gêmeos rindo, “Ora, ora... Só podem ser os ‘queridinhos’ da FHS... Me aguardem!” pensei e gargalhei maleficamente em meu pensamento, se fizesse isso de verdade chamaria a atenção e eu mesmo sendo grande não sou dois; apanhar não me pareceu um jeito agradável de terminar meu dia.

Passei na ótica e retirei os óculos, Eric disse que já tinha levado no hospital para que o Dr. Félix o conferisse.

– Obrigado cara, me poupou mais uma viagem! – ele sorriu satisfeito e me olhou sério enquanto entregava os óculos.

– Não foi nada... Bella é míope e tem dois graus e meio em cada olho... – olhei assustado, isso poderia causar pequenos acidentes se ela estivesse sem os óculos. – E como você mesmo viu ela quase caiu na porta da loja... – assenti me lembrando de como meu coração falhou uma batida – Enfim, aqui estão! Qualquer coisa que precisar volte aqui. – apertei a mão dele e agradeci.

Dirigi tranquilamente até a minha casa e estacionei, peguei meu caderno e a sacola da ótica; atravessei a rua e toquei a campainha. Meus olhos arregalaram quando escutei o barulho de coisas se chocando e estava quase abrindo a porta eu mesmo quando ela o fez.

– Oi! – disse levemente corada e com a expressão meio irritada.

– Olá! — sorri divertido e ela bufou abrindo espaço para que eu entrasse. Ela me guiava para a sala e levei um susto quando ela bateu no sofá e antes que virasse de pernas pra cima eu soltei as coisas que carregava no sofá e suspendi Isabella pela cintura rapidamente.

– Senhor, que susto! – ela exclamou com as bochechas muito coradas e eu rapidamente a soltei, ela sentou-se no sofá e eu estava quase roxo tentando segurar as palavras dentro da minha boca. Quase soltei que ela estava linda naquela calça de moletom e regata. “Calma, respira! Ela ainda não lida bem com elogios ‘casuais’... Calma...” voltei ao meu mantra enquanto me sentava ao seu lado.

– Essa foi por pouco hein? – ri baixo e ela desviou seus olhos dos meus.

– Mal de ser míope. Tropiquei nos móveis o dia todo! – bufou irritada e eu contive o riso, não sei por que, mas fiquei com medo dela se irritar e me chutar porta afora.

– Mas isso está perto de ser resolvido. Tome. – disse estendendo a sacola para ela, que apressadamente abriu-a e pegou a caixinha abrindo com destreza e finalmente colocando os óculos com cuidado, já que seu rosto estava machucado.

– Linda... – murmurei baixo demais e torcendo para que ela não tivesse ouvido. – E então? – disse tentando mudar de assunto.

– Agora eu enxergo! – riu baixo e eu sorri abobado. – Obrigada mais uma vez. – assenti e peguei o caderno.

– Aqui estão as anotações de hoje... Estão seguidas, marquei as matérias no alto da folha. – disse lhe entregando o caderno e ela assentiu agradecendo. Notei que ela ainda evitava contato visual e resolvi puxar assunto.

– Desculpe a indelicadeza, mas não perguntei como você está... Sentiu dores? – ela negou maneando a cabeça.

– Estou bem. Dormi quando cheguei e não pude fazer muita coisa, já que sem óculos eu fico com medo de cair da escada... Então resolvi ficar quieta aqui embaixo sem zanzar muito pela casa. – ela deu um sorriso curto e eu fiquei feliz ao perceber que ela estava mais falante.

– Fico contente que esteja se sentindo melhor. – disse olhando em seus olhos, mas ela rapidamente desviou o olhar.

– Hum... Eu agradeço mais uma vez... Obrigada, de verdade. – ela me olhou por segundos nos olhos e eu assenti surpreso. E rápido demais ela se levantou e foi saindo da sala, entendi que ela estava pedindo educadamente para que eu saísse, já que estava visivelmente desconfortável.

– Já disse que não tem de quê Isabella. – disse sorrindo carinhosamente e ela torcia os dedos nervosa. – Eu queria conversar mais com você, gostei da sua companhia. – disse amável e tentando parecer despreocupado.

– Ah! Eu... – ela me fitou surpresa. – Tenho que colocar as anotações de hoje em dia... E quanto à companhia, se não se importar eu prefiro que fique longe de mim... Será melhor pra você....– eu já esperava que ela fosse querer me manter afastado, exatamente como hoje de manhã.

– Como preferir... – resolvi concordar com ela, que soltou um leve suspiro de alívio. – Mas saiba que estamos na mesma turma, então já somos colegas. – ela arqueou uma sobrancelha. – De turma! – completei a frase e sorri. Ela suspirou derrotada e eu resolvi consertar a situação.

– Eu não quero forçar nada... Só quero que saiba que estarei ao seu lado quando precisar. – me aproximei cautelosamente dela me abaixando um pouco para encontrar seu olhar. – Sempre! – disse num sussurro e ela se afastou rapidamente.

Já estávamos em frente à porta e eu achei mais seguro não prolongar o momento “Acho que se eu insistir em ficar mais um pouco e oferecer uma carona para amanhã é capaz dela se intimidar...” minha mente me mandava mensagem de alerta e ela abriu a porta.

– Sabe que se precisar de algo é só dar um grito não é? – disse num tom sério e ela assentiu. – Aqui estão os números da minha casa e do meu celular... Caso precise de algo... – estendi o cartão e ela o pegou sorrindo de canto.

– Pode deixar, eu vou ficar bem. Logo, logo minha mãe chega e ela é enfermeira, então estou sob cuidados médicos em casa. – disse rindo baixo e eu ri também.

– Até amanhã. – disse enquanto assentia.

– Até... E bem-vindo à Forks! – disse corando e entrando logo que eu saí pela porta.

Enquanto entrava em casa eu repassava todo o meu dia atípico. Subi diretamente para o meu banheiro e tomei um banho, quando voltei para o quarto eu reparei que a janela de frente pra mim estava iluminada, mas as cortinas estavam fechadas, ela era transparente, mas atrapalhava consideravelmente a visão de quem tentava olhar de fora. “Isabella se fechou numa bolha... E eu não posso furá-la ou simplesmente puxá-la de lá. Eu preciso que ela me deixe entrar na bolha.” Cheguei a essa conclusão enquanto vestia meu pijama e observava aquele quarto iluminado.

– Edward! Vem jantar querido! – saí de meus devaneios ao ouvir minha mãe me chamando e desci rapidamente. Entrei na cozinha e fui correndo lhe dar um beijo no rosto e um abraço em meu pai.

Nos sentamos à mesa e meu pai me olhava curioso, ri baixo e minha mãe ergueu uma sobrancelha descofiada.

– Então querido, como foi o primeiro dia de aula? – meu pai riu baixo ao ouvir a pergunta e eu fiz cara de deboche.

– Foi tudo bem mãe, mas acho que a senhora já está sabendo do que aconteceu de manhã. – meu pai tossiu pra disfarçar o riso e eu gargalhei. – Até parece que um certo médico fofoqueiro não contou! – ri mais ainda e os dois me acompanharam.

– Mas é claro que ele me contou, só quis entrar no assunto de maneira sutil! – ela disse piscando pra mim enquanto nos servíamos e começávamos a comer.

– Foi tudo bem... Eu a deixei em casa antes de ir pra escola, aliás, ela mora aqui em frente. – sorri torto e meus pais se olharam sorrindo.

– Hum, então isso é bom! Já que você pareceu gostar dela... – minha mãe me olhava carinhosa.

– Sim, eu gostei. Os óculos dela quebraram por causa do tombo, e ela aceitou que eu lhe desse um par novo de presente. – meu pai abriu a boca num ‘o’ surpreso e eu olhei pra ele com cara de “Rá! Consegui Dr. Cullen!”.

– Sério que ela aceitou o presente? – minha mãe perguntou e ergui as sobrancelhas pra ela. – É que seu pai me disse que ela é muito tímida e extremamente desconfiada... – eu assenti concordando.

– Sim, ela é. E hoje na escola descobri o motivo... Ela se isolou de todos, vive numa bolha... – eles me olhavam atentos. – Isabella sofre Bullying desde o primeiro ano do Ensino Médio. – eles me olharam incrédulos.

– Mas e os pais dela? E a equipe da escola da escola? – minha mãe perguntava atônita. Então lhes contei toda a história que ouvi no almoço, incluindo o emprego da mãe e a morte do pai.

– Isso é absurdo! E como a escola não faz nada? – minha me questionava.

– Bom, pelo que entendi, ela sofre agressões que são camufladas pela turma dos gêmeos e também por outros alunos que se sentem intimidados pela gangue. – eles me olhavam estupefatos. – E pelo que meus novos amigos me contaram, por conta do emprego de sua mãe, Isabella deve conseguir camuflar os machucados.

– Nisso eu acredito. – meu pai falou. – Depois que você foi dar uma volta pelo hospital eu perguntei a ela o que tinha acontecido... Ela apenas disse que tropeçou e caiu de frente. Ou seja, ela desmentiu sua versão dos fatos, já que você disse que ela foi atingida pelas costas por uma bola.

– Ela disse a mesma coisa para o Eric, o cara que trabalha na ótica. Eu achei melhor nem desmentir... Já que ela ficou muito encabulada por eu ter ficado o tempo todo perto dela... – suspirei pesaroso e minha mãe nos serviu a sobremesa e veio me afagar os ombros.

– Querido, tenha calma... Não sei te explicar o porquê, mas sinto que você está determinado a cuidar dela. – eu arregalei os olhos me lembrando do que James havia me dito mais cedo. Olhei para o meu pai que assentiu concordando.

– Eu sinto a mesma coisa. – eu balançava levemente a cabeça, incrédulo. – Mas como conversamos hoje mais cedo, vá com calma. Não sabemos direito como e quando essas agressões ocorrem e quais as causas. Ganhe a confiança dela e combine com seus amigos maneiras de darem um flagra nessa turma. – concordei maneando a cabeça. – Mas cuidado para não colocá-la em risco.

– Pode deixar pai. – levantei-me e dei-lhe um abraço – Eu vou ajudá-la. – dei um beijo de boa noite em minha mãe e subi para o meu quarto.

Entrei no meu quarto com as luzes apagadas e pude vê-la sentada no chão da pequena sacada de seu quarto, me aproximei da janela e vi que estava com meu caderno em mãos, e atentamente copiava algumas palavras em seu caderno. Sorri abobado ao notar que ela é bonita “Ela parece ter talento e eu só preciso descobrir como ajudá-la a brilhar...” pensei do nada e maneei a cabeça “Ainda não sei por que sinto tanta necessidade de estar com você... Estou me enganando em pensar que quero apenas ajudá-la...”. Resolvi que era melhor dormir, ouvi o barulho do carro dos meus pais, estavam de saída para o plantão. Fechei os olhos e rapidamente dormi.

No dia seguinte acordei e enquanto me arrumava em meu quarto eu pensava em uma maneira de pegar meu caderno com ela e ter a chance de conversar de novo com Isabella. Mas meus planos foram por água abaixo quando me aproximei da janela e a vi entrar no carro acompanhada de uma morena muito parecida com ela, “deve ser a mãe...”. Suspirei derrotado e me apressei em descer e tomar o café e sair o mais rápido que conseguisse.

Cheguei à escola e estacionei na primeira vaga que vi, o dia estava com um sol fraco e de novo, muitos grupos de alunos estavam sentados no jardim. Gelei ao lembrar da cena de ontem e procurei por Isabella inutilmente, ela não estava lá. Avistei meus amigos sentados na escadaria e fui até eles cumprimentando as meninas com beijo na bochecha e apertando a mão de James.

– Bom dia! – eles disseram todos juntos e Vic não perdeu tempo em me bombardear com perguntas.

– Como foi ontem? Levou as coisas pra ela? Você sabe se ela veio hoje? – eu e os outros rimos de sua ansiedade e me sentei um degrau abaixo deles para responder.

– Foi tudo bem até... Acho que posso considerar uma vitória ela ter me recebido na casa dela por dez minutos. – sorri e eles assentiram entusiasmados. – Descobri ontem que somos vizinhos e ela veio de carona com a mãe... Ela saiu mais cedo que eu. – Tânya fez uma expressão pensativa.

– Ela foi direto pra sala. Sempre que vem de carona com a mãe ela chega mais cedo e vai direto pra dentro do prédio. – James e Vic concordaram e eu me levantei. – Ela apenas chega junto com o resto da escola quando vem caminhando.

– Excelente informação. – disse sorrindo. – Vocês vão entrar já? Preciso pegar meu caderno com ela... – eles negaram com a cabeça e James se precipitou.

– Nós vamos esperar o sinal, se formos os quatro juntos ela pode sentir-se acuada. – concordei e fui entrei no prédio, caminhava apressado procurando a sala, a primeira aula seria de Espanhol.

Entrei na sala e logo avistei Isabella sentada no canto da sala, perto das janelas. Notei que ela vestia uma roupa casual simples, o que lhe dava um ar despojado. “Linda!” essa palavra piscou na minha mente e eu balancei a cabeça tentando fazer ela sumir antes que eu falasse besteira perto dela. Resolvi dar um pigarro baixo, ‘anunciando’ que tinha mais alguém na sala, já que ela parecia estar muito concentrada na leitura de um livro que tinha o título em Espanhol. Ela ergueu os olhos por cima das lentes e murmurou um ‘Bom Dia’ quando viu que eu me aproximava e rapidamente pegou meu caderno que estava sobre sua mesa o estendeu para mim.

– Obrigada. – murmurou e voltou a ler.

– Bom dia Isabella, e de não tem de quê. – disse amável enquanto pegava o caderno. – Você sabe os lugares vagos dessa sala? — disse rindo baixo. E ela me olhou com cara de quem diz ‘ainda estamos no segundo dia de aula’, ta, eu sei que foi péssimo, mas eu precisava puxar assunto e tentar aos poucos entrar em sua bolha. – É que não quero pegar o lugar de ninguém... – disse dando de ombros como quem se desculpa.

– Bom, como a turma é a mesma, os lugares vagos são os que estão a minha volta. – disse apontando para o da frente e os três do lado. Agradeci e vi ela enrijecer de leve ao ouvir o sinal e vários alunos entrar na sala conversando alto e rindo. Escolhi o lugar ao seu lado e me acomodei. James e as meninas entraram na sala e cumprimentaram Isabella, que lhes respondeu corando e sentaram se ao meu lado, deixando as carteiras que me cercavam vazias. “Estão respeitando seu espaço” pensei e nem tive tempo de olhar para os lados. A professora entrou e se apresentou aos novos alunos e rapidamente começou a explicar o que seria trabalhado durante o ano e pediu que escolhêssemos um livro em Espanhol para ler durante o ano, ela queria ‘treinar’ nossa leitura em outro idioma. Pelo canto dos olhos vi Isabella esconder rapidamente o livro que estava lendo antes do início da aula e concluí que sua atitude queria dizer ‘não quero chamar atenção’, já que Lauren chamou a professora e pediu indicação de títulos, isso fez com que a professora passasse metade de uma aula nos dando indicações que todos anotavam atentos. Na segunda aula ela passou alguns exercícios de revisão e eu furtivamente olhava para o meu lado esquerdo e observava por poucos segundos o quanto ela parecia entretida realizando as atividades, visivelmente envolta por uma bolha.

As aulas seguintes foram todas do mesmo jeito, ela sentava-se no fundo da sala e eu ao seu lado, meus amigos ao meu lado e as carteiras que a cercavam sempre ficavam vazias. Ela observava com atenção tudo o que era explicado e anotava freneticamente em seu caderno. Um pouco antes do sinal do almoço tocar ela saiu apressadamente da sala carregando sua mochila e sumiu. Fiquei aflito, mas James disse que ela tinha um lugar seguro onde ela gostava de almoçar e ler.

– Como sabe desse esconderijo dela? – perguntei.

– Tânya a seguiu uma vez, quando notamos que ela ‘desaparecia’ durante o almoço e descobriu onde ela fica. Lógico que por enquanto você não vai saber onde é. – disse me olhando com cara de ‘vou te ajudar a manter o controle’ e eu bufei contrariado.

O resto do dia seguiu normal, nenhuma ameaça e nenhuma agressão física, já que Lauren a chamou de Nerdella durante uma das aulas, o que provocou risos na turma. Vi ela corar ao olhar na minha direção e eu sussurrei “Você não é nada disso!” e ela sorriu fraco e voltou a olhar pra frente. Não consegui vê-la na hora da saída, já que ela parece ter o dom de ‘aparatar’. Me despedi do trio dinâmico e dirigi calmamente até em casa. Observei que as cortinas da sala de sua casa estavam abertas, deduzi que ela já estava lá.

O resto da semana se passou da mesma forma, trocávamos poucas palavras durante o dia e ela conversava um pouco com Tânya e Vic e depois desaparecia para o seu esconderijo na hora do almoço. Nós três estávamos atentos a cada movimento de Tyler e Lauren, mas felizmente eles estavam mais ocupados em se exibir para um grupo de alunos novos, então para minha alegria Isabella teve três dias de sossego e tranqüilidade durante as aulas.

Na sexta-feira tudo estava bem tranqüilo, até a última aula antes do almoço, quando professor Turner, de Física, passou uma lista de exercícios que deveria ser entregue na aula seguinte, após o almoço.

– Muito bem turma, reúnam-se em duplas, no máximo em trios. – uma pequena algazarra começou a se formar e ele organizou a turma. – Hey, pra ficar mais organizado, quero que se juntem com quem está mais próximo. – dito isso, James olhou pra mim e fez um três com a mão e inclinou a cabeça na direção de Isabella, eu rapidamente encostei minha carteira na dela.

– Podemos fazer juntos? – perguntei a certa distância e ela assentiu.

– Sim. – disse olhando rapidamente em meus olhos. – Posso copiar os exercícios? – assenti e comecei a separar algumas folhas para rascunhar os cálculos.

– Podemos fazer durante o almoço... O que acha? – perguntei e ela me olhou de canto. – Está um tempo fresco, então podemos nos sentar nas mesas do jardim... – ela sorriu fraco e respondeu:

– Podemos almoçar e depois resolvemos o resto. Já terminei de copiar... – ela me estendeu a folha. – Quer começar já? – ela perguntou tímida e assenti sorrindo.

Já passava da metade da aula quando começamos a atividade e notei que ela fazia tudo vagarosamente, como se quisesse ganhar tempo. Eu resolvia metade dos exercícios e ela a outra; notei sua facilidade com a matéria e fiquei admirado. Terminei minha parte e ela insistiu em revisar e passar a limpo. Enquanto ela fazia isso eu olhei para onde Lauren estava e vi que se concentrava em resolver as atividades de maneira rápida e Tyler se desdobrava para ajudá-la. Quando voltei a olhar para Isabella vi que ela já tinha terminado de passar a limpo e nossa atividade estava pronta. Ela estava escrevendo nossos nomes ao pé da folha quando o professor Turner resolveu rondar a sala e foi tudo tão rápido que nem tive tempo de ajudá-la. Ele passou por nossa carteira e viu a folha antes que Isabella escondesse e retirou de suas mãos; sorriu ao ver que estava pronto.

– Vejo que este ano está começando muito bem pra você, Isabella. Parabéns! – disse sorrindo pra ela, que corou violentamente. Olhei preocupado para os lados e vi que Lauren a olhava com muita raiva. O sinal tocou e antes que saíssemos o professor anunciou.

– Bem, Isabella e Edward já entregaram a lista, os demais alunos devem entregar na próxima aula. Nos vemos na volta do almoço. – disse se despedindo e deixando a sala. Senti que Isabella estava em alerta arrumando suas coisas apressadamente.

– Nosso almoço juntos ainda está de pé? – lancei-lhe as palavras como se fosse um bote salva-vidas.

– Sim... – ela sussurou. – Mas preciso ir ao banheiro, te encontro na fila do refeitório. – disse e saiu andando rápido.

–Pra onde ela foi? – Vic me chamou.

– Ao banheiro... – disse e logo vi Vic sair da sala feito um borrão deixando suas coisas para Tânya e James guardar.

– O que aconteceu? – perguntei e James já saía apressado com Tânya em seu encalço.

– Lauren saiu da sala antes de Isabella e isso não é bom sinal, ela estava com uma cara de demônio. – arregalei os olhos e saí em disparada atrás deles. Antes que avançássemos muito encontramos com Vic no corredor e ela tinha a expressão de puro ódio.

– Aquela vagabunda me enganou! A segui até o banheiro e quando cheguei lá ela estava sozinha. – comecei a ficar muito preocupado. – Isabella não está em nenhum banheiro daqui do térreo! – ela batia os pés de raiva e Tânya saiu em direção às escadas.

– Vou procurá-la nos dois banheiros do primeiro andar. Qualquer coisa eu te ligo Jay. – nós assentimos e nos dividimos para procurá-la.

– Estou sentindo um aperto ruim cara... – James me disse com a expressão muito preocupada e pela primeira vez eu senti meu coração ficar apertado.

“Onde você está Isabella?” pensei enquanto corria em direção ao pátio dos fundos da escola.

Notas finais
Por favor, não me matem por ter parado na parte mais tensa... hehehe.
Volto amanhã com mais um capítulo!

Beijos