O Décimo Terceiro Espírito
4 Despedida
O coração de Serpentarius batia acelerado. “Não, esse não é o momento certo !”, ela pensou, alarmada. Mesmo assim sabia que tinha devia explicações àqueles dois humanos confusos.
“Ele não está pronto”, ela olhou para Marco, implorando para que ele pudesse compreendê-la. Mas não deu certo.
– Serp, o que aconteceu com meu pai...?
Uma gota de suor escorreu pela testa da moça. De repente, uma ideia um tanto arriscada surgiu em sua mente. Não era o melhor dos planos, mas pelo menos ela ganharia um pouco de tempo. Sem pensar em mais nada, Serpentarius esticou seus dois braços e os enroscou em Loki e Capricorn.
– Vamos terminar o treinamento logo !
– O quê ?! – Lucy gritou, assustada com o comportamento agressivo que o espírito tinha acabado de tomar.
– O que está fazendo ?! – Marco também estava boquiaberto.
– Viemos aqui para treinar, certo ?! – Serpentarius explicou, enquanto fazia mais esforço para mantê-los presos – Que outra maneira melhor de treinar do que essa ?!
Capricorn conseguiu colocar a cabeça para fora daquele mar de braços, e o sol refletiu em seus óculos escuros. Arfando um pouco, porém sério, ele disse:
– Nada adianta você usar toda a sua força desse jeito sem antes conseguir se conectar com ele. – e apontou com a cabeça para Marco.
Loki, por outro lado, sabia que daquele jeito ela não iria parar se não conseguisse a luta que almejava. Não lhe restou outra opção senão mostrar seus poderes :
– Lion Brilliance ! – o corpo inteiro do espírito foi coberto por uma luz dourada que ofuscou a visão de todos. Serpentarius sentiu uma dor intensa em suas escamas, e foi forçada a soltá-los.
– GH ! – ela se levantou rapidamente, mesmo um pouco tonta, e tornou a jogar seus braços para cima dos dois, tentando agarrá-los.
Com os braços livres, Loki desviou dos golpes da Serpente com rapidez, estendeu o punho dando um soco no ar e gritou :
– REGULUS PUNCH !
Um leão dourado gigante se materializou da luz saindo do punho do espírito e conseguiu jogar Serpentarius para longe.
– SERP ! – Marco gritou.
Lucy correu até Loki e Capricorn, esbaforida. Estava pronta para ver se estava tudo bem com os dois, mas percebeu que não era com eles que deveria se preocupar.
De repente, todos ouviram um barulho vindo das árvores. Serpentarius, toda suja, arfando e mancando de uma perna, veio andando até os espíritos. Estava acabada, mas mesmo assim não desistiu. Esticou os dois braços e partiu para seu último ataque :
– Serpent Ciph... – mas ela estava tão cansada que mal se aguentava em pé — Serpent... – uma luz esverdeada bem fraca brilhou em suas mãos, mas logo depois se apagou. – Serp.... – e não aguentou mais. Desabou no chão.
Marco, que acompanhara tudo com o máximo de desaprovação, começou a se sentir tonto também. Capricorn percebeu isso e apoiou o rapaz em seus ombros. Lucy e Loki correram até a moça desmaiada.
– Por que ela fez isso...? – Lucy perguntou, limpando a terra do rosto de Serpentarius.
– Não sei, mas foi um comportamento estranho. – Loki se ajoelhou para observá-la mais de perto
– Loki... – Lucy tocou seu ombro, com incerteza – Você acha que... aquela magia negra que você comentou... possa estar se manifestando... nela...?
O espírito a fitou por uns instantes, depois respondeu :
– Não sinto nada. Talvez ela realmente preferiu levar uma surra do que explicar para Marco sobre suas origens.
Lucy se lembrou do livro em sua estante. Tinha uma capa dura e verde-escura, e em letras douradas se lia : “O décimo terceiro espírito”. Nele continham histórias que mais pareciam mitos, o que a fazia duvidar se elas eram ou não reais. Entretanto, nenhuma das histórias mencionava a origem de Serpentarius, tanto é que ela nunca imaginaria que o escritor um dia possuíra sua chave.
– Ela está bem...? – uma voz atrás de Loki e Lucy fez o dois se virarem. Era Marco, apoiado em Capricorn, com um olhar preocupado.
– Está. – Loki respondeu. – Só gastou muito suas forças. Agora precisa descansar. Aliás, vocês dois.
Com a mão trêmula, Marco estendeu a chave de Serpentarius e a mandou de volta para o mundo espiritual.
– Outro dia continuamos o treinamento. – Lucy disse, depois juntou suas coisas e todos desceram a montanha.
Mas o que Lucy não imaginava era que no dia seguinte seria chamada com urgência na guilda. Depois de passar quase o dia inteiro fora, a maga voltou e deu de cara com Cana em sua casa. Ela olhou em volta para ver se suas outras visitas estariam ali, mas as duas estavam sozinhas. Foi nessa noite que Cana lhe contou que estava considerando sair da Fairy Tail.
Alguns dias depois, Lucy decidiu que iria ajudar Cana a ganhar o exame de Classe S da guilda que aconteceria na ilha de Tenrou. Isso não estava em seus planos de ajudar Marco e Serpentarius a treinarem, mas ela precisava ajudar a amiga.
Depois de tudo decidido na guilda e todos prontos para viajarem, Lucy deu uma última passada em seu apartamento, para se despedir do novo amigo que fizera :
– Desculpem ter que ir agora, teremos que adiar nosso treinamento.
– Tudo bem, Lucy. – Marco disse, com uma mochila no ombro direito. – Serp e eu vamos ficar um tempo treinando aqui em Magnolia, então não se preocupe. Sua guilda deve vir em primeiro lugar !
Lucy sorriu, feliz com a compreensão do rapaz.
– Aliás, vocês não vão ficar tanto tempo longe. São só alguns dias, certo ? – ela assentiu com a cabeça – Então, quando vocês voltarem estaremos te esperando. – Marco ergueu o polegar em sinal de positivo.
– Certo ! Ah, se quiser, pode pegar emprestado meu livro !
– Aquele.. que meu pai escreveu e nunca me contou ? – ele perguntou, com um sorriso triste.
– Sim... – Lucy percebeu que talvez era um assunto meio delicado
– Está bem, obrigado. – ele pegou o livro, juntou suas coisas e os dois andaram até a porta. – Até logo, Lucy, obrigado pela ajuda que tem dado. Boa sorte em seu exame, tomara que você e sua amiga vençam !
– Obrigada ! – e ela abraçou o rapaz. – Bom, eu vou indo. Até logo !
A porta se fechou e cada um foi para um lado. Lucy a procura de seus amigos para partir ao exame, já Marco, com o livro em suas mãos, andando em direção ao desconhecido a procura de se tornar um excelente mago.
Mas Lucy não voltou alguns dias depois como prometera.
Fale com o autor