O Décimo Primeiro Portão

14 Parque de Diversões meio sangue


Notas iniciais
Boa leitura /Laris

(POV Tiago)
Estava andando na floresta havia um tempo considerável, estava tentando rastrear Samantha através de folhas congeladas, pegadas e até um papel de chocolate, pelo jeito ela gosta de chocolate que nem eu! Porém, não parava de pensar em Ikaro... Eu tive que usar o "emoções" com ele para que me deixasse ir atrás da filha de Quione. A minha maior preocupação é qual sentimento o poder irá alterar nele, quando eu usei na Bella o dela era felicidade excessiva, mas como difere as emoções para cada pessoa, tenho medo do que possa ter atingido o Uhira.
–Mas que porra! Essa porcaria de aparelho está com pouca bateria! -Essa é a voz da Samantha. Reconheceria em qualquer lugar... -Aqueles filhos de Hefesto imbecis! Quando voltar vou mandar puní-los!
Ouvi o relincho de um cavalo a uns 10 metros de onde me encontrava. Fui até lá e me escondi atrás de uns arbustos com cuidado para que ela não me visse.
–Anda Snow,sei que estamos perto da Caverna de Ártemis, temos que achar os semideuses antes que cheguem em Denver. -Eu a vi e nossa... Ela possuía os cabelos loiros presos em uma trança única que caia por um dos ombros e o uniforme do acampamento colado ao corpo escrito "chalé 23".-Vai ver garoto, que quando os acharmos, o Christian me deixa em paz! -O cavalo relinchou em resposta ao carinho que Samantha fez ao lado do pescoço do animal. -Isso também! -Ela riu. -Vai ver ele poupa aquele filho de Nêmessis.
Eu!? Ela estava falando de mim? Eu não acredito! Ela pediria pela minha vida? Enfrentaria o Christian por mim? Levantei os braços comemorando e bati nos arbustos a minha volta.
–Droga! -Tentei sair porém a bolsa bateu em outro arbusto. -Merda!
–QUEM ESTÁ AÍ? -Gritou Samantha empunhando a faca.
–Calma Sasa... Sou amigo.
–Se fosse realmente amigo não estaria escondido. Saia daí filho de Nêmessis.
–Como sabe que sou eu? -Levantei cuspido folhas e a vi guardar a navalha.
–Me chamou de "Sasa". -Disse simplesmente. -Diga o que quer. Veio negociar a liberdade? Render-se?
–Err... Não. Na verdade eu fugi.
–Então como ousa vir aqui, se sabe que eu os estou caçando?
–Você não vai me prender...?
–Quero saber o porque de você ter vindo aqui. Depois que me responder eu o prendo.
–Sasa, a Hunter e o Gustav estão aprontando uma armadilha para você. -Ela levantou uma sobrancelha. -Não estou mentindo! Eu vim aqui para te avisar e te salvar.
–Gustav? Isso é ridículo! Derek? Cade as flechas do destino? -Ela empunhou a navalha novamente. -Isca viva, isso é patético!
–Samantha! Para! Não grita assim, o Derek pode te ouvir, se ele souber que estamos aqui estamos ferrados!
–Isso é verdade mesmo?
–Sim.
–Então porque você viria me livrar dessa? Sabe que eu estou do lado do mal.
–Quando você nos capturou, você poupou a vida do Kenon, ele está vivo e bem, se você não tivesse mandado cuidar dos seus ferimentos ele talvez estivesse morto agora. Dívida paga. -Ela pareceu pensar no que eu havia dito. Pulou do cavalo e andou ao meu redor.
–O que me impede de te prender agora e levar ao Christian!?
–Seu bom senso? -Tentei. -Seu coração...?
–Que mané coração!
–Ué! Você estava falando de mim pro cavalo! -Eu apontei pro cavalo que relinchou.
–Estava ouvindo? -Ela colocou a faca no meu pescoço e eu senti o aço gelado de encontro a minha garganta.
–Sasa... Eu conheço um lugar muito legal, em uma cidade perto de Denver, que a gente podia ir.
–E o que te faz pensar que eu iria contigo? -Ela apertou mais a faca contra meu pescoço.
–Ok. Vamos fazer um trato. Vem comigo para esse lugar e, se você não gostar, pode fazer o que quiser comigo!
–O-Oque... Eu quiser?
–Qualquer coisa. Serei seu de corpo e alma.
–C-Corpo...?
–O que quiser. Só me dá essa chance.
–Hum. Gostei da proposta...
–Então vem comigo?
–Aceito. Mas se eu não gostar, poderei mesmo fazer o que eu quiser?
–Sim. -Eu sorri malicioso e ela pulou novamente no cavalo.
–Afasta, Tiago. -Dei 3 passos para trás e ela fez aparecer outro cavalo de gelo. -Para onde vamos?
–É surpresa. Mas vamos apostar corrida até lá.
–Corrida? Isso é ridículo e...
–Vai perder! -Gritei correndo com o cavalo pela trilha e logo ouvir o cavalo de Samantha me seguir a passos rápidos. -Eu vou ganhar!
–A não vai não! -Senti um vento frio atingir minha nuca e me arrepiei. Me virei para ver o que era aquilo e uma bola de neve me atingiu no rosto me fazendo cair do cavalo. -Eu disse que você não ganharia. -Cuspi neve e minha bunda doía, abri os olhos e vi Samantha com um ar de vitoriosa em cima do cavalo sorrindo.
–Quer dizer que você sabe sorrir?
–Não sou feita de gelo. -Eu comecei a rir e ela também. -Levanta.
Quando eu levantei e limpei os vestígios de neve das minhas roupas outra bola de neve me atingiu.
–MASOQUE!? -Gritei com uma bola de neve na minha cabeça.
–Isso foi por você ter ficado ouvindo a conversa dos outros. Agora vamos!
–Isso não vai ficar assim!
–Claro que vai. Qual de nós tem poder de gelo? Eu ou a Samantha? Pois é eu. -Disse se afastando para pegar meu cavalo que pastava não muito longe dali.
Vi no chão um resto de neve que ela havia usado para fazer a bola de neve, catei para que desse uma bola de neve decente.
–Samantha! -Chamei sua atenção.
–O que é peste!? -Quando ela olhou na minha direção eu joguei a bola de neve e acertei bem na sua testa.
–Há! -Comecei a rir loucamente enquanto ela limpava o rosto.
–Ora seu... -Ela moveu as mãos e uma rachada de vento frio me atingiu me jogando contra a árvore. -Não vou mais ao tal lugar.
–Ai... Isso não estava nas regras...
–Você me fez mudar de ideia. -Ela tirou algemas do cinto. -Vou levá-lo logo à minha mãe. -Ela veio na minha direção preparada para me algemar.
–Não! -Levantei depressa colocando as mãos atrás das costas. -Você disse que me deixaria levar você até lá!
–Mudei de ideia. -Ela puxou meu braço e fechou uma das algemas em um de meus pulsos. -Me da a outra mão. -Neguei com a cabeça. -Não me obrigue a congelar você.
–Não. Não vou dar. Tínhamos um acordo. -Ela tentou pegar minha mão a força e enquanto eu puxava minha mão com toda a força, consegui confundir Samantha e prender o pulso dela ao invés do meu. -Olha, me deixa levar você até lá... Por favor.
–Você me algemou!
–Não tive escolha. Já estamos perto do lugar. -Eu puxei a mão algemada presa a dela com força forçando-a a se aproximar de mim. Estávamos muito próximos. -Serei seu, se me deixar te levar lá. -Disse devagar olhando em seus olhos.
–M-Meu? -Ela vacilou e olhou para meus lábios que estavam tão próximos dos dela.
–Uhum. -Disse malicioso e ela deixou escapar um sorriso.
–Então tá... -Ela balançou a cabeça. -Quer dizer, mas é claro que você fará! Vamos logo então.
Sorri de canto com sua confusão e deixei-a soltar as algemas. Subimos nos cavalos e logo estávamos vendo as luzes e a música por entre as árvores.
–Chegamos. -Disse sorrindo instigando o cavalo para que ele fosse mais rápido.
–Chegamos aonde? -Samantha vinha logo atrás de mim e quando saímos de detrás das árvores já pudemos ver a roda gigante. -Um parque de diversões?
–Sim! -Disse animado. -Vamos deixar os cavalos longe, os civis não estão acostumados em ver cavalos de gelo.
–Um parque de diversões!? -Perguntou novamente pulando do cavalo. -Fica Snow! Porque um parque Tiago!?
–Tem algo contra parques de diversão!?
–Não. Na verdade eu nunca fui a nenhum.
–O que? Então você nunca viveu. Vem comigo! — Peguei em sua mão e corri até a bilheteira. -Carlos! Amigo! Quanto tempo!
–Tiago Garcia!? Nossa como cresceu! Nunca mais apareceu.
–Tenho andado meio ocupado... Alguma atração nova desde a ultima vez que vim?
–Chegou o labirinto da morte, montanha do terror, o lago dos cisnes e o quebra ossos. -Disse o senhor super feliz. Eu sempre vinha a esse parque quando era menor, e Carlos sempre me conheceu por ser amigo do meu pai. -Você e sua namorada?
–Não! Quer dizer... Não mesmo. -Disse Samantha apressada.
–A gente ainda não assumiu sabe Carlos? Enfim, tem como arranjar duas meias pro seu amigo?
–Claro rapaz! São 10 dracmas.
–Dracmas? -Samantha olhou para mim confusa.
–Aqui Carlos. -Ignorei-a e entreguei o dinheiro a ele.
–Bom divertimento!
Passamos pela catraca e Samantha perguntou.
–Dracmas? Como assim quase sua namorada? -Comecei a rir.
–O Carlos é amigo do meu pai, mas ele é um semideus adulto que não curtiu o acampamento, então ele foi designado a cuidar do parque de diversões Meio Sangue.
–Parque de Diversões Meio Sangue?
–É. Poucos sabem que existe e muitos menos já vieram até aqui.
–Mas parece um parque comum para mim.
–É porque ainda não estamos nele gata. -Disse pegando em sua mão.
–O que acha que está fazendo? E que diabo é isso de "gata"?
–Ah ta. É que para entrar no parque dos meios sangue, precisa de acompanhante. Nunca entendi o porque. Só entra em pares e se forem namorados. -Dei de ombros. -Até entrarmos você tem que fingir ser minha namorada. -Disse sorrindo.
Mentira. Nunca existiu essa regra. Sorri sozinho. Só queria que Samantha ficasse mais perto de mim, que... Não sei direito. Queria que a loira fosse minha nem que fosse de mentira. Ela pareceu cair na minha mentira e não se importou muito quando a abracei por trás na fila do brinquedo.
–Porque a gente tem que ir primeiro nesse? -Disse segurando meus braços que a abraçavam por trás. -Não gosto muito de brinquedos altos.
–Essa é a entrada. O Raio de Zeus é a entrada para o parque dos meio sangue. Faz sentido. -Eu ri e ela também. -Tem medo de altura?
–Um pouco. Nunca gostei muito de lugares altos.
–Relaxa. Só vai dar MUITO medo então.
–TIAGO! -Ela gargalhou.
–Ei vocês dois, podem vir. -Samantha passou na frente e se sentiu eu fiquei para falar com o rapaz. -O que é garoto?
–Especial. — Entreguei o bilhete verde brilhante. -Somos VIPs.
–Desculpe, faz tempo que um dos VIPs não aparece.
–Não esquenta. -Disse simplesmente e fui sentar ao lado da Samantha.
–O que foi fazer?
–Garantir nossa entrada. -Sorri.
O Raio de Zeus era uma montanha russa muito grande. Quando começou e pegamos velocidade já começamos com um giro de 360 e depois um loop. Eu me divertia e Samantha gritava, não sabia ainda se era de medo ou de diversão. Quando passamos por um túnel, o brinquedo parou de repente e uma voz fúnebre "Passageiros VIPs, retirem-se por favor."
–Nossa deixa. -Ajudei Samatha a sair do carrinho e ficamos vendo o mesmo continuar andando, até que uma luz forte atingiu as pessoas no carrinho e ele sumiu de vista na descida.
–Que luz foi essa?
–Para que não lembrem da passagem. Vem. -Virei de costas para o trilho e fui em direção a parede.
–Ei! Isso é uma parede! Ta doido?
–Nem tudo é o que parece... -Parei na frente da parede e estiquei a mão, essa sumiu.
–Mas como?
–Não interessa como, vem logo! -Eu ri e ela se aproximou. -É só passar pela parede.
–Isso é loucura.
–Talvez. -Disse. -Mas é muito maneiro. Você vem?
–É né? Prometi...
Andamos em direção da parede e o breu tornou-se extremamente claro. Abri os olhos e havia uma placa escrito "Parque de Diversões Meio Sangue" e mais a frente vi alguns sátiros e ninfas assim como alguns meios sangues adultos. Vários brinquedos estavam espalhados e cada um tinha o nome de um Deus. Havia barraquinhas de comida e tiro ao alvo e ainda arco e flecha, onde vi um filho de Apolo acertado todos os alvos.
–Isso é muito legal! -Disse Samantha admirada. -Não tem muita gente, é tudo tão bonito! Vamos no brinquedo de Éolo! -Correu na frente até o brinquedo de Éolo que era um estilingue gigante.
–Ei! Me espera! -Corri atrás dela rindo.
O dia foi especialmente divertido. Samantha escolhia o brinquedo e nós íamos. Nunca a vi tão feliz. Parecia uma criança. Consegui um panda para ela no tiro ao alvo e ela me venceu no arremesso de facas. Fomos na Casa dos Gritos de Hades e na Casa dos Espelhos de Afrodite. Depois de parar para comer pizza na barraquinha de Deméter fomos ao brinquedo do Tiro à Hera, um dos brinquedos mais procurados do parque. Depois fomos ao Demolidor de Hefesto e no Caminho Zumbi de Ares, assim como no Batalha Submarina de Poseidon. Ela gostou muito do Paint Ball de Quione, onde o cenário era uma floresta congelada e nós tínhamos que pegar o time adversário. Eu era o vermelho e Sasa o azul, meu time era eu e mais 2 sátiros e o da Sasa era ela e mais 3 ninfas. Ela gostou muito também do meu favorito o Simulador de Caçadas de Ártemis, onde fomos duas vezes.
Ao termino do dia, resolvemos finalizar com a Roda Gigante de Apolo.
–Todos os nomes fazem sentido, menos esse de Apolo, porque Tiago? -O rapaz estava acabando de prender-nos aos acentos do brinquedo.
–Na verdade, faz todo o sentido.
–Então me diz, porque eu ainda não entendi.
–Melhor do que explicar, é ver.
O brinquedo começou a funcionar e eu havia pago o sátiro que cuidava da manutenção para forjar um bug no sistema e nos deixar presos no alto do brinquedo por 15 minutos. Como havíamos combinado o carrinho parou de andar no topo da roda gigante.
–O que aconteceu? -Perguntou Samantha preocupada.
–Parece que deu algum problema.
–P-Problema...?
–Calma Sasa, to aqui contigo. Nada vai acontecer, prometo.
–Ok. Conversa comigo, eu to com medo...
–Já descobriu o porque da Roda Gigante de Apolo?
–Não. Porque?
–Espera... -Olhei o relógio e olhei para frente em seguida. -Daqui a 3... 2... 1. Olha só.
O por do sol estava bem ali, com raios laranjas iluminando todo o céu que havia ficado com cores em rosa, azul e laranja. A vista da Roda Gigante de Apolo nos proporcionava uma visão do sol se pondo por sobre os prédios de Denver.
–Uau! Tiago! Que lindo!!
–Roda Gigante de Apolo, porque se você souber a hora certa, tem a melhor visão do Sol de todos os tempos.
–É incrível! Amei Tiago! É lindo...
–Lindo mesmo... -Disse olhando para ela enquanto ela ficava admirando igual uma boba a visão do por do sol. -Samantha... -Peguei de leve ao lado do seu rosto e a fiz olhar para mim.
–O que foi...?
–Nada não. Só queria ver seu rosto.
Ela sorriu e eu criei coragem para olhar em seus lábios e depois em seus olhos, num pedido silencioso. Coloquei minha mão em sua nuca e a trouxe para mais perto de mim. Ela fechou os olhos e eu pus fim no espaço que existia entre a gente.

(POV Samantha)
Não sei se me arrependo ou se fico feliz por ter beijado Tiago Garcia. Eu me senti feliz como nunca no Parque de Diversões Meio Sangue. Foi o melhor dia da minha vida. Eu não me sentia uma pessoa má, eu havia esquecido do Christian e de minha mãe me induzindo a fazer coisas ruins, havia esquecido que estava do lado do mal. Tiago também não se importou em ficar comigo, sabendo que eu não sou do "bem".
Todas essas coisas passavam a toda pela minha cabeça enquanto andávamos de mãos dadas em direção a saída do parque.
–Sasa?
–Diz.
–Gostou de hoje?
–Se eu gostei? -Ri alto. -Foi o melhor dia da minha vida!
–Jura!? -Tiago sorriu. -Fico feliz que tenha gostado. -Ele me puxou pra junto dele e pôs os braços em volta nos meus ombros me abraçando de lado enquanto eu segurava sua mão.
Ficamos um tempo esperando o carrinho da montanha russa Raio de Zeus para voltar. Avistei não muito longe uma barraquinha escrito "Maçãs do Amor do Cupido".
–Nossa. Deve ser uma delícia!
–O que Sasa?
–Nada... -Disse dando uma ultima olhada nas maçãs do amor.
–Não, diga Sasa.
–Esquece Tiago. -Ele olhou ao redor e avistou a barraca do Cupido.
–Maçãs do Amor do Cupido... Vamos lá.
–Não, Tiago, você já gastou dinheiro demais comigo hoje. Vamos embora.
–Ora, eu quero comprar uma para você. Sei que você quer. -Disse sorrindo e me puxando na direção da barraca. Maldito sorriso lindo!
–Aiai Tiago, não sei o que faço contigo!
–O que você quiser gata! -Dei um soco no braço dele e ele riu. -Com licença, me vê duas maçãs do amor.
–Como é lindinho? -Disse a ninfa que cuidava da barraca mascando um chiclete e se debruçando em cima do balcão. -Assim você ofende sua namorada e principalmente o Cupido!
–Nós... Não somos namorados senhora. -Tiago explicou.
–Filho, ou você é gay ou muito burro, das duas três. -Tiago abriu a boca pra falar mas nada disse e eu só sabia gargalhar. -Queridinho, não se compra 2 maçãs do amor para se comer com seu amor, só se compra uma. Porque assim como seus corações, vocês vão ter que dividir tudo, porque não começar com a Maçã do Amor do Cupido?
–Eu não sabia que tinha essa regra Madame. -Tentou explicar Tiago.
–Pois aprenda benzinho. -Disse a ninfa dando um tapinha na bochecha do Garcia e se virando para aprontar a maçã.
–Pois aprenda benzinho. -Disse imitando a voz da ninfa logo em seguida rindo.
–Aí é? Pêra aí dona Parker! -Ele começou a me fazer cócegas e eu ria como louca.
Não sei o que ele faz comigo, eu rio a toa quando estou com ele. Não lembro da ultima vez que gargalhei de verdade.
–Para Tiago! Para! -Tentava correr mas ele segurava uma de minhas mãos e fazia cócegas com a outra. -Tiago!
–Ei moleque! Ta pronta. -Tiago me soltou para receber a maçã. -Meu Zeus, depois ainda diz que não estão namorando. -Tiago me olhou e eu dei de ombros.
–Vamos embora, vem. -Disse o puxando para a saída.
–Sua maçã do amor Senhorita Parker.
–Obrigada, Senhor Garcia. -Disse rindo e dando uma mordida na deliciosa maçã. -Nossa, isso é bom.
–Deixa eu provar! -Dei a maçã para ele e ele deu uma mordida. -Caramba, isso é bom mesmo!
Fomos para a montanha russa Raio de Zeus e descemos no parque nos civis. Já era meio noite. Não senti passar tanto tempo assim. Fomos para a saída e encontramos com Carlos.
–Menino Garcia! Pelo jeito o parque te fez bem, nunca te vi sorrindo tanto!
–Na verdade -Me intrometi. -Foi o melhor dia da MINHA vida.
–O que fez com ela Garcia? Pensei que era muda! -Rimos juntos e abracei Tiago e ele me envolveu em seus braços. -Pena já estar escuro.
–Pena mesmo.
–Pena? Isso é uma lástima! Queria que esse dia nunca acabasse... -Disse.
Demos tchau ao Carlos e fomos procurar os cavalos de gelo. Procuramos exatamente onde os deixamos e nada.
–Snow?! Onde está? -Gritei. -Isso é estranho, Tiago, Snow é um cavalo obediente, ele não iria embora quando o mandei esperar. -Pensei um pouco e lembrei. -A não ser...
–A não ser que outro Filho de Quione tenha dado ordens para que fosse embora. -Virei-me abruptamente e dei de cara com Christian e Nathan de braços cruzados e suas feições não eram nada boas. -Olá, Samantha. -Completou Christian.
–Chistian? Nathan? O que fazem aqui!?
–Ora, Sasa. -Nathan frisou bem o apelido que Tiago me deu. -Missão cumprida! Completou seu objetivo, trouxe-nos o Vingador.
–Samantha, o que eles estão dizendo? -Perguntou Tiago.
–É mentira! -Virei para Tiago. -Tiago, não acredite neles, meu objetivo era achar a Caverna de Ártemis!
–Fizemos você acreditar que era. -Explicou Christian.
–Vi os dois -Disse Nathan. -Quando você o levou preso. Estava na cara que o Vingador gostava de você Parker. Quem melhor para trazê-lo a nós?
–Pare de me chamar assim! -Gritou Tiago.
–Samantha Parker, nossa mãe quer matá-la com as próprias mãos pela traição. -Christian disse com um sorrisinho cínico. -Mas ela antes disse que apliquemos punições à altura. -Christian e Nathan começaram a avançar em nossa direção.
–Vocês não tocarão nela. Eu não vou deixar... -Disse Tiago se pondo entre meus irmãos e a mim.
–Então livre-se dele primeiro, Nathan.
Nathan esticou as mãos e rajadas de ventos extremamente fortes jogaram Tiago para a floresta batendo-o contra uma árvore. O vento me pegou e me jogou contra uma árvore próxima. Senti minhas costelas e minhas costas doerem e fechei os olhos. Senti uma mão se fechando contra meu pulso e me levantar a força.
–Porque nos traiu Samantha? -Gritou Christian.
–N-Não era essa a intenção! Eu só...
–Você só nos traiu! -Christian acertou meu rosto com um tapa tão forte que me fez virar o rosto. -Quero só ver o que nossa mãe fará com você.
–O Vingador está voltando, Christian. -Avisou Nathan. -Puna essa traidora Christian.
–Christian! Para! Eu não quis fazer... -Tentei dizer.
–Mas fez! -Ele apertou meu braço com mais força. Levantou sua mão e fez com que sua mão se transformasse em gelo.
–Christian! NÃO TOQUE NELA! -Gritou Tiago, eu o vi saindo da mata. Christian riu e me acertou novamente no rosto.
Minha cabeça rodou e senti sangue quente escorrer pela minha boca. Levantei o rosto devagar e vi Tiago. Não era ele. Não podia ser ele. Seus olhos estavam rubros. Brilhavam de fúria e desejo de sangue. Minha bochecha ardia de dor. Senti Christian me acertar novamente, só que do outro lado do rosto. Mais sangue escorreu e caiu um pouco na minha boca e senti o sabor do sangue fresco.
Nathan se pôs entre mim e Christian e Tiago, o Vingador.
Nathan lutava contra Tiago, porém não parecia obter vantagem de nada. Nathan fez uma tempestade de neve atingir Garcia, porém ele se abaixou e cravou as unhas no solo e a fez tremer, Nathan perdeu o equilíbrio e vacilou apoiando-se no chão. Tiago aproveitou a deixa e pegou Nathan pelo pescoço. As unhas de Tiago triplicaram de tamanho e conforme ele apertava o punho no pescoço de Nathan fios de sangue escorriam por entre seus dedos.
–Nathan! -Christian me soltou e eu cai bruscamente no chão. -Nathan! -Ele correu até o irmão.
Tiago virou o rosto devagar, os olhos vermelhos fitando Christian enquanto esse corria em sua direção. Ele abriu a mão sem tirar os olhos de Christian, que corria em sua direção. Nathan tossia tentando reaver o ar. Christian parou e mirou a terra. Grandes espigões de gelo surgiram do chão perto de Tiago, porém quando algum ia acertá-lo, ele movia o braço e quebrava o gelo ao meio. Sem nunca tirar os olhos do Filho de Quione.
–Tiago! Para! -Gritei. -Christian! Deixa ele em paz! -Levantei e acertei Christian com um jato de neve.
–Você não vai escapar da gente Vingador! -Nathan apareceu e se pôs ao meu lado. Ele me bateu me jogando novamente no chão. -Você não vai sair daqui sua vadia! -Ele congelou meus pés e foi em direção do Tiago.
Garcia estava parado esperando Nathan Benk investir contra ele. Nathan lançava neve, ventos e espinhos de gelo. Tiago somente desviava. Christian ficou ao lado do irmão e pegou em suas pernas arremessando-o para cima de Tiago com uma navalha de gelo na mão.
–NÃO! -Gritei.
Quando Nathan fincou a navalha no braço dele, Tiago retirou uma faca das vestes e investiu rapidamente contra o peito de Nathan. Quando este caiu, sangrando, ele não parou, ficou em cima dele esfaqueando-o. Sangue sujava o rosto e a roupa de Tiago, porém ele não parava de investir no corpo morto de Nathan.
–Nathan! Nathan! Irmão! -Christian correu até o irmão porém Tiago o afastou com um soco e investiu mais duas vezes no corpo inerte de Nathan Benk.
Quebrei o gelo e levantei. Tiago estava ofegante e seus olhos haviam voltado a cor normal. Eu estava chorando e ainda sentia o sabor do sangue quente em minha boca. Cheguei perto dele.
–Tiago...? -Funguei. Vi o corpo de meu irmão morto na frente de Tiago.
–Eu fiz de novo... Eu... -Ele levantou a cabeça e me olhou. Ele chorava. Seu rosto estava cheio de sangue assim como sua camisa estava encharcada de sangue. Em sua mão direita ainda estava segurando a faça que usou para matar meu irmão. -Eu... Fiz de novo...
Vi um movimento a minha direita e virei o rosto para ver Christian se aproximando.
–Christian. Não. -Tentei dizer.
–VOCÊ! -Ele apontou para Tiago. -Você MATOU meu irmão!
–Eu não... Não queria... Eu perdi o controle...
–Você MATOU o Nathan! Assassino! -Gritou Christian.
–NÃO! -Empurrei o filho de Quione. -Não era ele Christian!
–Claro que não era! Era o Tiago de verdade. O Vingador. -Cuspiu.
–Christian...
–Cala a boca traidora! E VOCÊ, vai ter o que merece...
Christian levantou as mãos e apontou-as para Tiago Garcia que não olhava para Christian, mas olhava para mim. Eu empurrei Christian porém estava fraca e ele me afastou com a mão. Uma luz azul saiu dos dedos do meu irmão.
–Samantha... -Foi a ultima coisa que disse antes da luz azul comsumí-lo.
Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.