Notas iniciais
Não enrolei e nem demorei muito não é? Bem, aqui vai mais um capítulo da história "O Céu de Calebe". Espero que gostem e aproveitem!

Como sabem, porque eu expliquei pra vocês, nós da tribo Alopex somos guerreiros, caçadores e temos a fama de “gosto por matar” porque entendemos que nossos inimigos são corajosos e honramos isso. Mostrando nosso olhar gentil pra eles. Mas todos entendem como se gostássemos de matar, assassinar, causar destruição. Não somos monstros, mas entendem como se fossemos.

Essas crianças que queriam meu sangue não estava fazendo nada mais do que seus pais ensinaram em suas casas a fazerem.

“Descubram o novo mundo e vivam ele...”

“Brinquem enquanto são inocentes...”

“Qualquer animal pode-se fazer seu...”

Mas até quando que o animal vai aguentar? Até quando a criança não iria se cansar daquele bicho? Talvez o animal rápido se a espécie dele for leal a humanos. E eu me canso muito rápido também.

Dei um trinco na minha perna que senti a dor aguda, mas aquilo eu deixei quieto. Agora, eu me virava cautelosamente e a primeira pedra que passou por mim eu a peguei, era pontuda, afiada como uma flecha. Esperei os demoniozinhos chegarem até onde estava e escondido no mato, quieto como barulho que fazia observei as crianças, primeiro as ouvi como um berro de um bezerro quando nasce. Era ótimo saber que poderia parar com aquilo.

— Gente! Cadê ele? – perguntou uma menina.

— Credo, parece um fantasma aparece e some depois. – falaram e concordaram.

— Temos que voltar. – era a “boa samaritana” falando. – Deixem o menino.

— “Menino”? Você fala como se fosse um de nós! – falou e pela voz, era Túlio.

— E não é?! Ele é uma criança como nós! Não deveria trata-lo dessa forma!

— Skyler, acho que você está pirando! – disse Túlio. A “boa samaritana” se chamava Skyler então. Fiquei contente em saber, mas continuei prestando atenção.

— Não! – gritou me assustando e assustando os outros também. – Eu não suporto mais esse tipo de brincadeira! Vou voltar!

— Acho que isso é medo dos Lobos Túlio, eu também tô. – falou Charlie.

— É verdade. Tem os lobos... Pegam as meninas que estão sozinhas e depois... – ele fez um barulho que fez Skyler parar. Mas ela prosseguiu. Mesmo depois de hesitar. Corajosa foi a primeira coisa que vi.

Então, pensei que ela poderia ser uma boa companhia. Pelo menos alguém pra papear e compartilhar a cultura dela comigo. Queria entender aquele povo, mais do que minha mãe quando vê tecidos e joias no mercado.

Pude sonhar um pouco pelo menos naquele momento.

— Vamos Charlie... – falou Tulio chamando o comparsa. – O selvagem deve estar aqui por perto. – ele parecia um caçador, isso podia ver claramente...

Eu não era uma criança agressiva. E não estava sendo. Peguei a pedra que parecia uma flecha e cortei meu braço, aquilo era terrível, a dor e tudo mais. Teve de ser o suficiente para, pelo menos, mostrar meu sangue pra eles. Passei em uma das folhas e deixei respingar o caminho como se eu estivesse voltando. Como estava misturado ao sangue, eles não iriam querer ver a mistura e sim ele puro, na minha pele. Via aquilo como uma experiência que eles nunca poderiam ter presenciado e hoje sei disso ainda mais perfeitamente que na época. Eram terríveis? Sim, mas hoje entendo suas intenções.

É como se eles nunca tivessem visto uma foca, só pelas figuras pintadas em quadros ou em seus livros de contos. Então quando veem uma, não pensam duas vezes a não ser pega pra si.

Era isso que eles queriam. Queriam descobrir a nova cobaia, mas naquela época não fazia a menor ideia de nada.

— Ei! Tem sangue aqui! – falou um dos garotos. Eu percebi uma movimentação ao nosso norte, mas imaginei que não deveria ser nada, mas o cheiro de pelo de cachorro era forte. Andando um pouco mais agachado, percebi que tinham pegadas ali próximas, grandes pegadas. Sabia que animal era, não precisava passar a mão na pegada pra ver a quanto tempo ele tinha passado naquela parte do campo. Ouvi um berro de bezerro dessa vez, eram ovelhas que tinham perto dali. Enquanto seguia o rastro. Vi que Skyller estava há poucos metros de mim. Me encolhi e fui vendo até onde havia as pegadas, elas desviavam de Skyller e seguiam a sudoeste, onde as crianças estavam nesse momento.

Eu ergui meu corpo e pensei que deve ter sido graças a pelagem de lobo que Skyller havia se assustado. Até que ela viu meu rosto.

— Você... – falou se cortando. – Corre, rápido! Os meninos vão te pegar!

Eu não entendi muito bem o que ela dizia, já que era rápido e baixo. Eu não pude entender muito claramente o que significava “correr”. Até que ela mostrou o movimento.

— Não posso... – falei então, cortando sua apresentação. Eu fiquei com as mãos na terra agachado e ela não entendeu meu jeito primitivo, mas soube o que ia acontecer assim que uma criança soltou um grito.

— Lobo!!

Todas as crianças, eu vi elas correndo o máximo que podiam. Naquele terreno, naquela área, eu podia correr mais rápido do que elas porque estava acostumado a me meter em encrencas com animais. Eu não vi o lobo direito. Mas ele estava já com sangue na boca assim que passou há cinco metros de nós.

Eu me levantei e vi como ele parou. Pude ouvir o som do seu focinho cheirando o ar enquanto as crianças já chegavam na escola.

— Ei... – sua voz tremia e meus pés também, mas ansiosos pra correr.

Fiz um sinal pra ela se abaixar e falei em sussurros.

— Assim, que ele vir até nós. Você. – apontei pra ela e ela assentiu. – Suba em mim. Vou te livrar. De Tuiä. – depois mostrei as costas e o lobo. Ela pareceu entender.

Mas a confusão ficaria na cabeça de qualquer homem na terra assim que dá de cara com uma selvageria como aquela...

O tuiä tinha dentes grandes do tamanho do indicador, focinho longo e pele grosso, seu tamanho deveria ser capaz de engolir Skyller em uma ou duas bocadas apenas. Seu pelo era cinza como a fumaça e olhos dourados como o sol. Eram terrivelmente notáveis, e com certeza deveria ser muito bonito aquele Tuiä domesticado. Porém, o que poderíamos fazer agora era correr.

Queria dizer que ela fez como havia dito no plano, mas não fez. Assim que ela viu aquele animal grande, ouvi sua respiração ficar mais rápida, como se fosse ter um ataque, depois ela deu um gritinho quando a fera rosnou se preparando pra vir até nós, Skyller não esperou e não foi para as minhas costas. Boba. Eu corro mais rápido do que ela, ainda mais naquela situação.

Ela usava botas e digo que dificulta ainda mais sua corrida. Eu usava as mãos e os pés pra correr. Eu não corria como um animal, mas as mãos são úteis pra acelerar a corrida quando nela tem obstáculos.

A campina parecia acompanhar a corrida de Skyler e do Lobo que começou a correr atrás dela, eu corria não sabia se pegava o lobo ou a menina. Por fim decide pegar a garota, ainda não sabia como lutar contra um lobo de verdade, só javalis que aprendi na viagem.

— Tuiä! – gritei e o lobo olhou pra trás, nisso eu consegui usar suas costas pra pular na direção de Skyler que se ele saltasse, pegava seu pescoço de filhote fácil.

Eu ia cair do lado dela, foi aí que eu peguei sua mão e a puxei pra mim, enquanto a outra se apoiava no chão pra que eu continuasse a correr.

Eu ouvia um uivo e depois outro, logo, o lobo havia parado de nos seguir e voltava pra sua matilha. Parece que haviam pego um cordeiro de um bando afastado.

Skyler chorava nas minhas costas enquanto eu pulava com ela a cerca que mantinha aqueles animais fora da região de nossa escola. Meu rosto estava manchado do meu sangue e de sujeira da terra. Eu estava cansado de correr com alguém nas minhas costas, nunca havia feito isso e muito menos com Yamar. Já estava na hora de buscarem as crianças e o grupinho de pivetes estava reunido contando pra professora o que aconteceu.

Quando ela me avistou sua expressão ficou parecida com quem acaba de ver um espírito. E provavelmente o meu já estava saindo do meu corpo. Caí de exaustão e Skyler ficou perto de mim, ela já havia saído das minhas costas, mas era como se um peso me impulsionasse para baixo. Para a terra.

— Ei, garoto...! – ouvia sua voz chorosa. O corte já havia sido curado.

— Não. Chorar. Mais. – falei, estava difícil falar, mas consegui. Não estava abeira de um colapso, mas estava fadigado ao extremo. Usei tudo de mim pra correr na mesma velocidade que corria quando só estava carregando minhas roupas na neve.

— Segura. Agora... – sorri pra ela que a assustou. Nunca havia visto meu sorriso. Fiz força nos meus braços pra levantar, senti a mão pequena e frágil de Skyler me ajudando. Não precisava de ajuda, mas era complicado ficar de pé sem que eles fraquejem como um filhote recém-nascido.

— Minha nossa! Skyler! Jyhei! – ela nos chamou por nossos nomes e eu acenei. Skyler correu pra professora e notei seu vestido vermelho manchado com um pouco meu sangue. Deu pra notar um pouco já que era mais escuro.

E falando em “notável” Túlio e Charlie nos observavam com medo ainda. Respirei fundo umas três vezes e segui até eles. A professora não entendia nada daquilo, mas entendeu quando eu consegui dizer. Alto e claro:

— Vocês queriam... Meu sangue. – falei ofegante. – Aqui. – mostrei a parte suja apenas do sangue meu, sem mistura e sem nada.

Eles me encaravam assustados.

— Felizes? – perguntei e eles se distanciaram de mim. Vi Charlie correr pra sua mãe com medo de mim e Túlio rir daquela situação e seu pai dar um peteleco na sua cabeça.

Nunca havia visto um cavaleiro desses na vida. Mas quando vi eu o admirei. Alto e com o corpo cheio de armadura pesada, uma cara fechada e com uma espada o tempo todo em sua cintura, ele havia acabado de voltar do castelo pelo que via, o pai de Túlio – que me esqueci do nome – tinha o maior bigode ruivo que já tinha visto na vida.

Tirando pelo filho, seu pai era incrível!

Mas tudo nessa Vida tem um propósito, e quem diria? Que ele viraria meu pior inimigo?

Notas finais
E foi isso! Obrigada a todos que estão vendo e lendo esse conto até um pouco macabro que estou fazendo com muito carinho pra vocês! E tem bastante caminho pela frente! Obrigada de novo pra quem está acompanhando! Grandes abraços e beijos também! >.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.