* * * Centro – Atenas, Grécia * * *

Hotel Primórdio – Cobertura — Restaurante

Atena

Peguei o guardanapo e limpei os cantos da minha boca. A torta de creme grego coberta com calda (Galaktoboureko) estava deliciosa!

(Atena) – Adorei a sua escolha para a nossa sobremesa, Julian, estava simplesmente perfeita.

Ele também terminou a sobremesa dele e sorriu.

(Julian) – De fato estava sim, imaginei que você gostaria.

Ele pegou a taça de água e bebeu um pouco, olhou para mim, empurrou delicadamente a sua cadeira, se levantou, abotoou seu terno e ficou do meu lado me oferecendo a sua mão. Com um sorriso me disse:

(Julian) – Me concede o prazer de uma dança?

Coloquei a minha mão na dele.

(Atena) – Será um prazer.

Me levantei e fiquei de frente para ele. Com a expressão de quem iria me contar um segredo, aproximou os seus lábios do meu ouvido.

(Julian) – Se não for muito incômodo, gostaria de dançar aqui, sozinhos, assim a terei com exclusividade.

Eu não queria correr o risco de ver outra cena naquele salão, dava para ouvir a música que tocava perfeitamente da onde estávamos.

(Atena) – Por mim tudo bem.

Ele voltou a me olhar com um sorriso.

(Julian) – Agradeço a gentileza por aceitar. Vamos?

Acenei que sim.

Fomos para a parte mais longe das mesas. O céu estava limpo, era possível ver as estrelas, e os demais topo dos prédios ao redor do hotel, a temperatura estava agradável. Estávamos sozinhos. Fiquei de frente para ele, ele me olhava com um leve sorriso no rosto, colocou uma mão na minha coluna e pegou na minha mão direita, ele delicadamente me puxou colando os nossos corpos, começamos a dançar lentamente acompanhando a música que tocava.

(Julian) – Gostaria de deixar registrado que a sua companhia é agradabilíssima, Saori.

Sorri sem jeito. Apesar de todos os problemas da noite e as minhas intermináveis ausências, ele se portou com muita paciência e gentileza.

(Atena) – Faço das suas palavras a minha, Julian. Agradeço pela sua gentileza e paciência em me esperar ao longo da noite.

Ele puxou um sorriso.

(Julian) – Eu a esperaria a noite toda se fosse necessário, eu não gostaria de estar em nenhum outro lugar que não fosse aqui e agora ao seu lado.

Eu tenho certeza de devo ter corado. Ele ainda me olhava com aqueles olhos azul-claros, mantendo o sorriso puxado me disse:

(Julian) – Não me canso de admirar a sua beleza, Saori, você é simplesmente divina em toda a acepção na palavra.

Ele olhou diretamente para os meus lábios. Abaixei o olhar, não precisava arrumar mais problemas para explicar o inexplicável beijo “espontâneo” do começo da noite! Sentia que logo eu teria que ter uma boa justificativa, mas ainda eu não tinha, então era melhor não arriscar e principalmente não olhá-lo. Respondi olhando para baixo.

(Atena) – É muita gentileza da sua parte, Julian.

Ele colocou a mão suavemente no meu queixo erguendo-o para que eu o olhasse, ele observou cada canto do meu rosto, me fazendo olhá-lo também e com um sorriso perguntou:

(Julian) – Tem alguma dúvida do quão perfeita você é, Saori? No primeiro instante em que eu a vi, eu tive essa lucidez do quanto você é preciosa e magnânima!

Aproximou o seu nariz do meu e fechou os seus olhos, eu sentia a sua respiração no meu rosto. Meu nariz sentia seu perfume de lírios e narcisos diretamente da sua pele.

(Julian) – E ao longo desses anos, nenhuma mulher foi capaz de modificar essa convicção de que você é magnífica!

Ele deslizou o seu nariz suavemente na minha pele em direção ao meu pescoço, me fazendo arrepiar. Ele fez o percurso de volta tocando o seu nariz no meu e sussurrou:

(Julian) – Ainda tem dúvidas de que eu trocaria todo o meu império sem pestanejar para tê-la?

E dessa vez sem me perguntar como geralmente acontecia. Seus lábios tocaram os meus, suas mãos foram para a lateral do meu rosto e mais uma vez, ele buscou o sabor da minha boca e eu pude sentir o sabor adocicado de vinho dos seus lábios, ele me beijava, lento e sensualmente. Sem fôlego, ele separou os nossos lábios e com a sua boca perto da minha, ofegante ele disse.

(Julian) – Saori... seus beijos ... me despertam os desejos mais primitivos.

Ele me olhou e de fato seus olhos estavam cheios de excitação.

Ceerrrtooo, porque eu não desviava o olhar do dele, eu não sabia. Ele fechou os olhos e colocou a sua testa na minha e sussurrou:

(Julian) – Por favor... case-se comigo.

Pelos deuses! A noite estava saindo completamente do meu controle. Eu tentava juntar as palavras na minha mente,

(Atena) – Julian, eu ...

Ele afastou o seu rosto, mas o mantendo próximo, me olhou e deslizou o suavemente o seu polegar nos meus lábios.

(Julian) – Nunca desejei nenhuma outra, como a desejo.

Certo, era hora de colocar as cartas na mesa.

(Atena) – Fico lisonjeada, mas eu realmente não posso me casar com você porque... — respirei fundo — eu já estou noiva.

Ele afastou o seu rosto do meu, aumentando a distância e me olhou como se quisesse entender o que eu acabei de dizer.

(Julian) – Perdão, você disse que está noiva?

Eu confirmei com a cabeça que sim. Ele deu uns passos para trás, estava me olhando ainda sem entender.

(Julian) – Se não for muito inconveniente, posso saber desde de quando?

(Atena) – Hoje, pela manhã.

Julian me olhava ainda sem entender.

(Julian) – Me desculpe, mas então por que me beijou quando chegamos? Porque continuamos nos beijando ao longo deste evento?

A tal pergunta que eu não podia dizer a verdade e não tinha uma boa desculpa pronta. Olhei para baixo pensando em alguma coisa, e eu tinha que mentir. Voltei o meu olhar para o dele.

(Atena) – Eu peço desculpas pela confusão que causei, mas acabei sendo levada pelo clima de romance do evento, pela recordação do seu beijo e estávamos tão perto que não pensei muito, só me permitir sentir.

Ele pensava no que eu acabei de falar. Acho que ele aceitou a tal justificativa porque ele não me questionou mais sobre o beijo.

(Julian) – Suponho que seu noivo seja um dos seus cavaleiros que a cercam.

Acenei que sim.

(Julian) – Você está noiva do sr. Milo?

(Atena) – Sim, estou.

(Julian) — Imaginei que sim.

Julian se virou ficando de frente para a porta e de costas para mim.

(Julian) – O que eu não entendo, é o porquê de não me deixar ciente disso, eu nunca escondi o meu apreço por você, então por que você me esconderia uma informação de tamanha relevância?

Ele voltou a olhar para mim esperando a resposta.

(Atena) – Julian, infelizmente a minha vida amorosa não é nada convencional e sinceramente acho que você não entenderia ainda que eu explicasse a você.

Ele se virou ficando totalmente de frente para mim. Cruzou os braços.

(Julian) – Se não se importar, eu adoraria entender a sua vida amorosa, talvez eu entenda de forma precisa o que está de fato acontecendo.

Respirei fundo.

(Atena) – Eu não saberia por onde começar.

Ele concordou.

(Julian) – Acredito que eu possa ajudar, que tal começar com seu relacionamento simultâneo com o senhor Milo e o senhor Saga?

Fiquei surpresa com a constatação certeira. Talvez nesta noite eu tenha deixado muito na cara.

(Atena) – Ok, até a pouco tempo os dois também eram meus noivos.

Com a expressão de surpresa ele perguntou

(Julian) – Os dois eram seus noivos? Como vai conseguir se casar com dois homens ao mesmo tempo?

(Atena) – Como eu disse, meus relacionamentos não são nada convencionais.

Ele puxou um sorriso de incredulidade.

(Julian) – Faz ideia do que vai fazer com a sua imagem ao descobrirem um casamento onde você tem dois maridos?

Já que o assunto veio à tona era melhor esclarecer tudo de uma vez.

(Atena) – Não estou noiva de dois cavaleiros... estou de cinco deles...

Ele ficou em choque com a notícia.

(Julian) – Receio ter ouvido errado.

Respirei fundo.

(Atena) – Realmente, eu estava noiva de cinco deles, mas atualmente estou noiva de quatro cavaleiros.

Julian repetiu pausadamente.

(Julian) – Quatro?

Acenei que sim.

Ele ainda processava o que ouviu.

(Julian) – Algum problema se eu puder saber de quem se trata?

(Atena) – Milo, Kanon, Mu e Shaka, como eu disse o Saga não faz mais parte da minha vida amorosa.

Ele colocou as duas mãos na cintura e olhando para cima disse puxando um sorriso de incredulidade.

(Julian) – De fato você não para de me surpreender.

Ele voltou a me olhar.

(Julian) – Me desculpe, não a estou julgando, eu só estou surpreso e apenas analisando os fatos que narrou, mas você deve ter seus motivos para estar em um relacionamento nada tradicional, e peço que me perdoe por estar invadindo a sua privacidade, mas eu tenho certeza de que você não analisou as consequências disso!

(Atena) – Consequências?

(Julian) – Isso trará consequências para os seus projetos, não pensou nisso?

Fiquei sem entender.

(Atena) – O que a minha vida pessoal tem correlação com os meus projetos?

Ele puxou um sorriso.

(Julian) – Total correlação, querida, Saori. Nesse exato momento estamos associando a sua imagem diretamente ao seu projeto. Logo tudo o que a envolva é levado em consideração para a sua futura Fundação Kido, a sua fundação carrega o seu nome!

Ele se aproximou colocando as duas mãos no meu rosto.

(Julian) – Esses relacionamentos não podem vir à tona! Como acha que a sociedade vai reagir com isso? Posso garantir que irão reagir muito mal!

(Atena) – De fato não espero que entendam, mas os projetos são maravilhosos por si só!

Ele me olhava e falou com calma.

(Julian) – Realmente você não vem do mundo dos negócios e tem pouco tempo de relacionamento na alta sociedade, mas eu nasci nela, cresci e conheço cada face desse mundo. De fato, até o momento você está conhecendo a parte boa. Você depende da alta sociedade para te ajudar a alavancar a dimensão de cada projeto. Entretanto qualquer coisa que a maioria da população rejeitar, eles não vão se envolver, lembre-se do que eu te disse, eles não querem o anonimato! E eu não quero que conheça o lado cruel da sociedade.

Eu estava sem reação ao que eu ouvia.

(Julian) – O que estou querendo dizer é que esses seus relacionamentos devem continuar em segredo, como estavam até agora, não precisam ser públicos. O que você faz na sua vida privada pertence somente a você.

Balancei a cabeça em negativa.

(Atena) – Isso não é uma opção, Julian, não aguento mais guardar isso! Esses segredos já me geraram perdas irreparáveis.

Ele acariciou a lateral do meu rosto.

(Julian) — Saori, você não tem ideia do que poderá perder se algo como seus relacionamentos vierem a público. Isso é algo sem precedentes!

Ele respirou fundo.

(Julian) – Ainda que queira seguir em frente, você oficialmente pela lei você só poderia se casar com um deles, correto? Nesse caso, quem seria?

Sorri incrédula.

(Atena) – Eu não posso escolher um deles, os amo de forma igualitária!

Ele puxou um sorriso.

(Julian) – Como eu imaginei, que responderia. Percebe que seus relacionamentos na prática permanecem iguais? No final das contas você não se casa com nenhum deles oficialmente. Esses casamentos não estaram em nenhum registro público.

Minha cabeça estava extremamente confusa. Ele continuou.

(Julian) – Não pense que seria julgada porque todos são perfeitos, longe disso, você seria recriminada por não esconder isso. Garanto que já vi e ouvi coisas absurdas, mas o importante são as aparências e são elas regem esse mundo! A hipocrisia dita as regras.

Eu o olhava incrédula pelo que eu ouvia.

(Julian) – Sua vida se tornou pública, eles buscarão qualquer coisa para fazerem noticias com o seu nome e você solteira só vai alimentar a especulação sobre a sua vida pessoal. Qualquer um que se aproxime de você poderá ser um noivo em potencial! Então quero te propor uma solução, mesmo mantendo seus relacionamentos, eu ainda posso me casar com você. Sua vida pessoal para a sociedade estaria resolvida e sólida ao meu lado! Como minha esposa, você poderá usar o meu nome para aumentar seus projetos, você teria a mim para te ajudar, como eu já a ajudo! Ainda que quisessem escrever qualquer coisa sobre você o meu nome pesaria mais, eu conseguiria reverter qualquer problema com um simples telefonema!

Eu o olhava processando esse monte de informação!

(Atena) – Está me propondo a ser sua esposa, ainda que eu já esteja em um relacionamento com outros?

Ele deslizou seu polegar na lateral do meu rosto.

(Julian) – Saori, ainda não entendeu? Você é a única mulher que eu quero! Eu não conseguiria me casar com nenhuma outra, posso te garantir que tentei ao longo desses sete anos, mas eu nunca a esqueci, eu já aceitei que estou condenado a viver com você ou a passar os meus dias sem a sua presença... de qualquer forma, a decisão de ambas está unicamente nas suas mãos... o meu nome estaria vinculado a única mulher que considero digna de carregá-lo.

Ele voltou a aproximar o seu nariz do meu rosto e encostou a sua testa na minha.

(Julian) – Saori, eu peço que reconsidere o meu pedido e aceite se casar comigo!

* * *

Notas finais
Continua...