* * * Mansão Kido – Atenas, Grécia * * *

Casa Oeste – Suíter Master

Saga

Sentado na cama eu olhava pela janela, a noite estava clara, a luz da lua clareava o quarto. Olhei para a aliança que eu rodava no dedo. Era a minha certeza de que o que vivi foi real. Tinha medo de que com o tempo eu me convencesse de que tudo aquilo que vivi com ela não passasse das muitas das minhas alucinações. Eu tinha alucinações tão reais que realmente eram fáceis de me confundir, como agora que consigo sentir facilmente o seu cheiro, mas para a minha surpresa ao virar a minha cabeça ela estava no quarto, ou eu acreditava que ela estava.

(Saga) – Atena?

Ela fechou os olhos e olhou para o chão.

(Atena) – Desculpe, eu não sabia que estava aqui.

Droga, é ela mesmo. Me levantei rapidamente, ficando de costas para ela, sequei meu rosto, ela não tinha que ver isso.

(Saga) – Tudo bem, vai precisar do quarto? Eu posso sair.

Eu a olhava pelo espelho, ela ainda estava usando o vestido do leilão, estava maravilhosa como sempre. Respirei fundo.

(Atena) – Não, Saga, não precisa, eu já acomodei o Lune no quarto da frente. Hilda e Lyfia vão ficar na mansão. Pode ficar.

Eu apenas concordei com a cabeça, não iria me virar, não conseguiria vê-la partir.

E ela começou a dar passos para trás.

(Atena) – Mais uma vez, me desculpe.

Ela diminuiu os passos e olhava para o quarto, a cama, a poltrona, para mim. Assim como eu fiz ela também está relembrando o que vivemos aqui, não era justo ela passar por isso.

(Saga) – Não faça isso com você...

Ela me olhou sem entender.

(Atena) – O quê?

Eu virei a minha cabeça e a vi pela minha visão periférica.

(Saga) – Está relembrando da nossa noite nesse quarto, não faça isso com você...

Voltei a olhá-la pelo espelho e agora ela me olhou nos olhos pelo reflexo do espelho.

(Atena) – Tem razão, não tenho que fazer isso comigo.

Dessa vez ela virou as costas e foi em direção a porta. Eu a via pelo reflexo e ela fechou a porta como eu já esperava, mas o que eu não esperava era que ela continuasse ali. Eu me virei para ficar de frente para ela, eu tinha que ter certeza de que de fato ela não havia ido embora.

Ela me olhava, em silêncio. Eu a olhava, ela ainda estava aqui, seu perfume me confirmava isso. Ela fechou os olhos e respirou fundo, os abriu e me olhou diretamente nos olhos. Me perguntou firme, sem alterar a sua voz.

(Atena) – O que você me fez passar, era o que na verdade? Um teste? Os desgastes emocionais que passei com você foram uma espécie de teste para provar a minha força, a minha resistência emocional ao caos?

Ela se abraçou. Fechou os olhos e voltou a me olhar, seus olhos estavam lacrimejando.

(Atena) – Você sabe o que é amar um homem com toda sua força e ver seu amor ser provado dia após dia até o seu limite?

Oh deuses, o que eu fiz! Respirei fundo e respondi baixinho.

(Saga) – Não, eu não sei.

Ela balançou a cabeça em negativa, dessa vez ela não segurou as lágrimas, eu as via descer pelo seu rosto.

(Atena) – Imaginei que não, mas sabe o que é pior?

Ela voltou a me olhar.

(Atena) – É que apesar de todo preço que paguei para te acompanhar nessa montanha russa emocional, o pior é descobrir que todo esse esforço não valeu de nada! Parece que eu estava apenas passando por esse teste imposto por você onde eu não tinha a menor chance de passar. E então, foi isso para você? Um teste? Para saber até onde eu conseguiria chegar por você? Até o quanto de sofrimento eu suportaria por você?

Eu respirei fundo, tinha medo de responder, mas tentei. Falei de forma calma e sincera.

(Saga) – Eu ainda não sei responder a sua pergunta do porquê eu faço essas coisas de ferir a você e a mim mesmo...

Ela respirou fundo.

(Atena) – Sabe qual a sensação que eu fico ao analisar tudo? De saber que fracassei? Eu me sinto irrelevante, inútil, insignificante.

Não, ela não podia pensar assim, eu fui na sua direção e ela levantou a mão sinalizando que parasse.

(Atena) – Não, Saga, por favor.

Olhei para o chão e respirei fundo, ela não me permitiria se aproximar.

(Saga) – Me desculpe.

Sentia meus olhos lacrimejando, mas eu tinha que responde-la, olhando nos olhos dela.

(Saga) – Eu ainda não sei o porquê de mesmo te amando tanto eu procuro algum meio de afastá-la de mim... mesmo sabendo que sem você estou me condenando a morrer em vida...

Mantendo os meus olhos nos seus olhos azuis dela eu fui me abaixando de vagar, ficando em posição de reverência.

(Saga) – Meu amor – Ela fechou os olhos por um momento e voltou a me olhar – Por favor, não deixe que as minhas atitudes impulsivas e egoístas a façam se sentir menos do que você realmente é... – Eu sentia as minhas lágrimas descerem, mas isso não me importava – E você é simplesmente perfeita!

Ela levou a mão ao rosto secando as lágrimas que desciam.

(Saga) – Você não tem culpa por nada disso! Eu sinto muito por tê-la magoado tanto, mas não acredite que você seja menos do perfeita, por favor.

Ela respirou fundo e secando as lágrimas.

(Atena) – Saga...

Fechei os meus olhos momentaneamente absorvendo o meu nome.

(Atena) – Como eu disse, eu estou esgotada, preciso me recompor para seguir com a minha vida, eu só queria colocar uma pedra de vez nesse assunto. Estou cansada de ir ao céu e ao inferno em um intervalo de tempo tão curto entre cada ida.

Ela tinha razão.

(Saga) – Eu sinto muito por tudo isso.

Ela me olhou uma última vez.

(Atena) – Boa noite, Saga.

Virou as costas e dessa vez ela foi para a porta, a abriu e saiu definitivamente do quarto me devolvendo para o medo de ter sido a última vez que pude estar sozinho com ela.

*

Atena

Fechei a porta atrás de mim e encostei as minhas costas nela. Respirei fundo. Não podia ficar remoendo esse assunto, de fato, eu fiz o meu melhor, tudo o que eu pude. Não posso ficar com esse sentimento de culpa. Eu não podia mais me permitir mexer nessa ferida. Ela teria que se cicatrizar. Eu tinha que cuidar de mim e principalmente dos meus amores.

Me afastei da porta e segui para as escadas. Me virei para a cozinha onde eu segui para o lugar que lembraria do quão felizarda eu era. Ele estava sentando e corri em sua direção e o abracei com todas as minhas forças e ele retribuiu o abraço.

(Mu) – Anjo, o que aconteceu?

Balancei a cabeça em negativa, não queria falar.

Ele beijou a minha cabeça e me acalentou nos seus braços.

(Mu) – Prometo que vou cuidar de você, está na hora de irmos para casa.

* * *

Notas finais
Continuar...