O Cupido
1 Capítulo 1
- Identifique-se, por favor. — pediu o guarda parado de frente a porta, vestido com um uniforme branco pouco formal, com detalhes dourados no colete e na arma. Encarava-o com serenidade.
Eros puxou de dentro de seus trajes um cartão dourado de identificação e falou prontamente.
- Eros, cupido nível 5. Eu tenho uma reunião marcada com Afrodite para esse horário.
O guarda analisou o seu cartão de identificação e depois deu uma boa olhada em seu rosto. Fez isso mais umas duas vezes e então assentiu e abriu a porta que estava guardando.
- Pode entrar. A senhora está à sua espera.
Eros entrou no salão. Ele havia visitado aquele lugar 6 vezes na vida. Quando nasceu, quando finalmente conseguiu sua licença para cupido, quando passou para o nível 2, quando passou para o nível 3, mesma coisa nos níveis 4 e 5. A última vez havia sido 4 anos atrás, e mesmo assim cada detalhe daquele cômodo era conhecido para ele. O chão feito de mármore branco brilhante. O teto repleto de lustres enormes, feitos de pérolas e diamantes. As paredes formavam um arco-íris, e estavam retratadas nela rostos de pessoas diversas, com olhares apaixonados. No fundo do salão um enorme trono em formato de rosa, uma rosa cravejada de pedras preciosas. 2 guardas de cada lado do trono, vestidos da mesma forma que o guarda da porta. E sentada no trono estava ela. A mãe.
- Meu filho... — ela falou no momento em que ele apareceu pela porta. O som de sua voz parecia a mais pura das músicas.
- Mãe Afrodite. — ele respondeu se aproximando dela com rapidez, para poder ver melhor o seu rosto.
A beleza do salão parecia cada vez mais apagada, na proporção que se aproximava da deusa do amor. Eros suspirou com força, apaixonadamente, o que fez com que a deusa sorrisse. E ficasse ainda mais bela. Ela se levantou para recebê-lo.
Seu rosto era delicado, seus traços eram perfeitos, a boca cheia e bem desenhada, rosada. Os olhos tinham uma cor incerta, parecia acinzentada em um momento, e azul forte em outra. Seus cabelos eram amendoados, muito longos e ondulados, sem o menor defeito. Ela não tinha nada de imperfeito. Seu corpo era curvilíneo e muito feminino, bem ressaltado pelo vestido rosa claro, quase transparente, que marcava toda a sua silhueta, com um belo decote ressaltando os seios fartos. A pele branca a macia, seus movimentos eram graciosos e elegantes.
- Seja bem-vindo, querido. — ela lhe deu um abraço muito materno. E ele se embriagou com seu cheiro maravilhoso. — Fico feliz que tenha vindo fazer uma visita a sua mãe.
Afrodite era a mãe de todos os cupidos. Ela era a soberana do amor. Aquela que comandava tudo, que estava acima de tudo. E Eros, sendo um cupido, era mais um de seus milhares de filhos. Mas ainda assim ela tratava cada um deles como se fossem únicos, o que fazia dela idolatrada por todos eles. Inclusive por Eros. Mas ele não devia perder o foco na presença da mãe.
- É muito bom vê-la, mãe. — ele disse com sinceridade, olhando nos olhos dela, e segurando sua mão. — Mas esse não é meu único objetivo aqui.
Afrodite o encarou com curiosidade. Enquanto ele beijava sua mão em sinal de respeito. Estava começando a ficar extremamente nervoso.
- Ficarei feliz em ajudá-lo no que estiver ao meu alcance.
Ele piscou com força e respirou fundo.
- Você está bem? — A deusa tocou seu rosto com preocupação. — Parece muito abatido.
- O que quero conversar... Ou pedir... É um assunto muito delicado, e talvez impróprio.
- Vamos para um lugar mais aconchegante. — ela sugeriu.
Os dois se dirigiram a uma portinha que estava do lado esquerdo da sala, era muito discreta e pequena. Como se fosse para ser despercebida por todos. Ela dava para uma sala, uma espécie de escritório, todos os móveis eram feitos de madeira branca, e era bem quente e aconchegante. Algumas estantes, uma mesa e duas cadeiras.
- Sente-se. — Afrodite se sentou de um dos lados da mesa. E apontou para que Eros se sentasse na sua frente.
Ele obedeceu. E ficou um minuto sem conseguir dizer nada.
- Não quero parece indelicado. — ele olhou para ela com uma careta. — E não sei por onde começar.
Ela abriu um sorriso encorajador.
- Abra seu coração.
- Eu não estou me sentindo bem na minha função. Não consigo ser feliz assim.
Afrodite pareceu assombrada com o que ele disse, colocou ambas as mãos sobre o peito e ficou com a boca entreaberta. Esperando que ele explicasse o que disse.
- Mãe... Eu não quero mais ser um cupido.
- Eros! — ela exclamou seu nome em descrença. — Você é meu filho! Todos os meus filhos são cupidos. Essa é a sua vida! Sua missão!
Eros olhou para os lados em desconforto, a última coisa que queria em sua vida era magoar sua mãe. Ele não gostava de ser ingrato, e sentia que estava sendo muito petulante e estranho ao estar dizendo aquilo. Todos os seus irmãos eram a mesma coisa, faziam o mesmo trabalho, em milhares e milhares de geração aquela era a missão dos cupidos. E não parecia certo querer desistir daquilo.
- Eros... Se você está passando por um nível desagradável, meu querido! Não se sinta mal! Essa é apenas uma fase... Em breve tudo irá ficar bem melhor e bem mais prazeroso...
Quando um cupido nasce, ele passa 3 anos para poder se desenvolver e aprender um pouco sobre o mundo para começar com o seu trabalho. E ele começa no nível 1, e dependendo do seu desempenho e do quanto trabalhou em cada um dos níveis, ele pode passar para o próximo, ou ele pode escolher ficar em um só por toda a vida. É uma escolha. Mas não tem como chegar ao nível 15 sem passar pelo 10! Portanto, aquilo era um trabalho longo, que duraria toda uma eternidade. Eros estava no nível 5, o nível dos namoros rápidos e passageiros. Não era um dos melhores.
- O problema não é o nível, mãe! O problema sou eu!
- Mas eu pensei que você tivesse ambições! Você mesmo me disse quando começou... Que queria chegar ao ultimo nível!
Eros sempre teve o sonho de chegar ao nível 19, o ultimo, quase nenhum cupido chegava nele. Era o mais raro, o mais difícil, o mais trabalhoso. Para chegar lá, era necessária muita experiência e muita garra. Era o nível do "Amor Verdadeiro", o grande amor, o amor eterno, duas "almas gêmeas".
- Mãe... Eu tenho uma ambição. — ele falou corando.
- Que ambição? — Afrodite perguntou, ela parecia muito agoniada.
- Por favor... Não me odeie...
Ela relaxou. E olhou para ele de forma muito terna, tocando seu rosto com carinho, mas ainda parecia nervosa.
- Eu não odiaria um dos meus filhos amados. Mesmo quando eles falam coisas absurdas.
- Eu quero ser um humano.
Um silêncio de choque atravessou a frase. Eros tinha certeza que a deusa do amor, em toda a sua existência eterna, nunca havia ouvido tamanho absurdo. Aquela era a espécie de Eros, ele havia nascido para fazer aquilo por toda a sua vida, amar o seu trabalho, ser um cupido devia ser parte dele, uma coisa tão essencial quanto comer ou dormir para os seres humanos. Ele se sentia bizarro. Sabia que era bizarro.
- Quando... — a deusa não sabia o que dizer. — Quando foi que você...? Como isso pode ser possível? Você quer ser um humano?
- Mãe, por favor. Se me ama, me ajude a ser feliz. — Eros fez uma careta, estava se controlando para não parecer desesperado.
- Eros. Isso é impossível. Isso é um absurdo. — ela respondeu olhando para os lados. — Não... Não sei o que fazer em relação a isso.
- É realmente impossível? — ele perguntou para ela, seus olhos brilhavam, implorando por qualquer coisa que o ajudasse.
Ela pousou a mão sobre a mão dele. Respirando fundo várias vezes.
- Não quis decepcioná-la. — ela disse abaixando o rosto, completamente desajustado.
- Não estou decepcionada. Eu estou... Eu estou surpresa com isso! Você me pegou desprevenida! Nunca, nunca ouvi um pedido desses! Não é natural, querido.
Ele assentiu. Procurando manter a calma. Tinha prometido a si mesmo horas antes que essa seria uma conversa equilibrada. Que ele iria tentar de todas as maneiras, mas que não se exaltaria, e aceitaria caso não houvessem possibilidades. Mas estava sendo mais difícil e estressante do que ele imaginava.
- Eu tenho consciência, mãe. Mas isso está me torturando...
- Quer me explicar? De onde está vindo tudo isso? Será mais fácil para mim, saberei o que fazer. Como surgiu essa ideia na cabecinha.
Enquanto Eros buscava palavras que definissem tudo aquilo que estava acontecendo dentro de si. A deusa lhe concedeu esse pequeno tempo para que pudesse escolher bem suas palavras e organizar seus pensamentos.
- Quando eu nasci... Tudo que eu sempre quis foi ser um grande cupido, trazer o amor e juntar casais que ficariam juntos pelo resto da vida. — Eros repetiu aquilo dito anteriormente. — Mas de uns tempos para cá as coisas mudaram.
- Eu já ouvi alguns cupidos querendo desistir de seus cargos por estarem frustrados, pela falta de amor da humanidade. Mas nunca ouvi um caso como esse. — Afrodite murmurou.
- Eu... Eu quero viver o que eles vivem. Quero me apaixonar, quero ter aqueles problemas. Quero saber como é. O que passa pelo coração deles quando os atingimos. Eu não quero juntar alguém para a vida toda, quero ter alguém para a vida toda.
Ele fez uma pausa, e bebeu um pouco mais de água. Afrodite parecia bem menos chocada. Encarava-o com pena. O que fazia com que ele se sentisse ainda pior. Continuou para provar para ela que tinha um ponto e que poderia fazer sentido.
- Eu vejo aquele olhar... Aquela expressão que os humanos têm quando estão com a pessoa que amam. O sorriso deles... O nervosismo... A emoção... Sempre que converso com outros cupidos, eles dizem que a melhor coisa do nosso trabalho é ver aquilo. Para mim é a pior. Porque eu quero para mim! Eu sinto inveja! Todas as vezes que eu trabalho com um casal, eu me sinto muito mal! Por não ser um dos dois! Por não sentir o que eles sentem... Mãe...
- Querido, Você sabe o quanto para todos nós o amor é sagrado. Ele é nossa vida. Nós respiramos o amor. Toda a nossa existência é em prol deste sentimento. — a deusa disse com os olhos brilhando. — Mas para os humanos, nem sempre é assim! Às vezes, causar o amor é mais fácil e mais seguro do que sentir o amor. E pode ser até melhor!
- Mãe, mas eu não consigo causar o amor sem querer senti-lo. Nós cupidos não amamos.
- Você sempre terá amor dentro de si, Eros. Você sempre será uma criatura repleta de bons sentimentos. Os humanos podem estragar você, eles são egoístas, cruéis, se preocupam demais com as aparências e seguem sempre um padrão. Eles criaram o preconceito. Eles estão destruindo o mundo, estão destruindo a esperança. Nosso trabalho é impedi-los.
O cupido entendia tudo o que ela dizia. Ele já havia pensando naquilo. Tinha muito medo do mundo real. Mas a sua curiosidade e o seu desejo de ser um deles era maior do que o seu temor.
- Eu acredito que eu posso ser uma pessoa melhor. Eu juro que serei bom! Juro que não mudarei meus princípios! Vou acreditar no amor!
- Não duvido da sua boa vontade, filho! Seu desejo é estranho, mas eu posso entendê-lo! Sempre soube que você tinha alguma coisa muito diferente. — ela sorriu com doçura para ele. — Mas tenho medo do que os humanos são capazes de fazer pode você. Eles vão machucá-lo e enfraquecê-lo! E eu não me perdoarei...
- Essa é a vida que eu escolho para mim! Por favor, a senhora espera que eu seja feliz, não é? Eu só quero amar... Só quero ser um deles... Fazer a minha parte! Eu serei forte!
Ela olhou para ele com duvida. Não estava acreditando em sua determinação. Eros havia passado anos sendo um cupido, ele era muito novo, ainda não havia conhecido o verdadeiro sofrimento que o amor poderia proporcionar.
- Eu vejo um potencial em você. — a deusa confessou. — Eros, meu filho, é isso que você deseja?
- Essa é a única vida que eu consigo enxergar para mim... — ele respondeu. Sabendo que era a verdade.
Não conseguia mais se imaginar como cupido pela eternidade. Não queria mais subir de nível, não gostava do seu trabalho. Não tinha felicidade. Só encontrava a alegria nos momentos em que observava os humanos e sonhava que ele era aquela pessoa que estava sendo beijada, que estava sendo amada.
- Isso nunca aconteceu. — a deusa do amor murmurou devagar. — Mas não acho que seja impossível.
- Por favor! — Eros segurou os pulsos da deusa em desespero, e logo se afastou com medo que estivesse sendo muito bruto.
- Mas será preciso uma grande energia... E não posso oferecer isso para alguém que não mereça completamente!
- Eu posso merecer! Faço o que for necessário!
Ela se levantou da cadeira e foi até uma janela no canto do pequeno escritório. Ficou observando a paisagem que estava abaixo dela e de seu palácio flutuante.
- Eros, confio em você. Mas irei precisar de uma prova.
- Qualquer coisa.
- Não será fácil. E irá exigir mais do que um sacrifício. Você terá que ser esperto. E terá que fazer tudo corretamente.
Eros sorriu. E algo em seu peito se encheu de esperança.
- Eu aceito.
Ela de virou para ele, e olhou nos seus olhos. Parecia preocupada, mas tinha um raio de ousadia, como se estivesse prestes a fazer alguma proposta grandiosa a interessante para ambos os lados. Eros aceitaria qualquer coisa.
- Tenho uma missão para você, Eros. E se você falhar, terá que voltar a ser o cupido que sempre foi, seguirá a vida normal de todos nós, e procurará a felicidade na coisa que você nasceu para fazer.
Eros balançou a cabeça positivamente. Era uma oportunidade, um fio de esperança. Para ele já valeria.
- Você não poderá desistir enquanto o seu tempo ainda não estiver se esgotado. Terá que lutar até o final... — os olhos dela estavam arregalados de excitação. Há anos a deusa não fazia um discurso tão diferente, algo tão inovador. — Exigirá uma experiência que vai além da que você possui, meu querido. Então precisará ser esperto!
O pobre cupido já não se aguentava mais de curiosidade. Não queria interromper a empolgação da sua deusa mãe em fazê-lo uma surpresa, mas não pôde se segurar.
- O que é a minha missão? — perguntou.
- Você irá fazer aquilo que os cupidos fazem de melhor. Vai juntar o casal.
Eros não entendeu o que havia de tão difícil naquilo e o porquê de um discurso tão dramático. Era apenas juntar um casal, ele havia passado a vida inteira fazendo aquilo. Mesmo que por toda a sua vida os casais que haviam progredido bastante por causa do seu nível.
- Mas você não terá acesso aos nossos poderes pra fazer isso. Não terá nenhum tipo de magia ao seu auxílio. — sua mãe adivinhou o seu pensamento.- Estará sozinho.
- E como eu vou fazer isso? — Eros perguntou espantado.
- Vou mandá-lo para a terra como um humano. — ela falou cuidadosamente, para não causar alvoroço. — Vou arrumar sua vida na terra cuidadosamente. Terá um lugar para morar, terá certa quantia de dinheiro e estará matriculado na escola certa. Vou lhe dar dois nomes, de um homem e de uma moça. Segundo o meu sistema. — Afrodite pegou seu pequeno computador de mão de dentro da roupa e deu uma olhada no que tinha nele. — Os dois, ao se apaixonarem, serão o "Amor Verdadeiro" um do outro.
- Isso é bom. — Eros sorriu. Sempre foi um sonho seu juntar um casal pela eternidade, e esse seria seu último ato como um cupido.
- Mas isso não será nem um pouco fácil. Não são duas pessoas nada fáceis... Bem, não irei dar nenhuma informação para você sobre esse caso, será parte do seu trabalho descobrir as coisas e resolver.
- Tudo bem. Isso me parece um desafio interessante. — Eros assentiu. — Vai ser bastante diferente. Se eu conseguir juntá-los eu serei humano?
- No período de um ano, os dois terão que ficar juntos. Você chegará à Terra no último dia do verão. Você terá todo esse tempo para fazer com que os dois se apaixonem e ASSUMAM que estão apaixonados um para o outro. Nem um dia a mais. E caso você consiga, sua forma humana será sua forma para sempre, e você poderá continuar normalmente a sua vida como humano.
- Se eu falhar eu volto a ser cupido.
- Sim. E não terá outra chance como esta. Você e eu estamos desafiando a natureza, meu querido. Não vou me arriscar mais uma vez.
Eros percebeu que sua deusa mãe não estava nervosa em relação à COMO ela tornaria ele humano ou mandaria ele para a Terra, ela estava preocupada com as consequências que aquilo traria para a natureza. Não era normal.
- Obrigada por concordar em me passar a missão.
Ela sorriu. E suspirou, olhando para baixo.
- Eros, querido... Não imagina quantas vezes eu tentei resolver o problema desse casal. Eu olho para os dois, e entendo o quanto é complicado. Eles resistem à nossa magia. Os humanos de hoje em dia... — Afrodite suspirou. — Se importam muito com a aparência. Eles não aceitam de apaixonar por pessoas muito... Diferentes.
Cada vez mais o trabalho de um cupido estava ficando difícil. A sociedade estava alienada com muitos padrões e muitos preconceitos. E os humanos não aceitavam qualquer amor. Eles queriam amar uma pessoa perfeita. E poucas magias eram mais fortes do que suas vontades. Eros ainda estava no nível 5, e já tinha muito contato com isso.
- Se a magia não adiantou... Por que eu faria melhor do que cupidos experientes?
Afrodite sorriu, percebendo que a esperança de Eros estava começando a se dissipar. Então voltou a encorajá-lo.
- Meu querido, os humanos possuem uma força muito maior do que a magia. Nós nos aproveitamos das situações para usarmos nossos poderes, os humanos podem criar as situações, você irá interferir como pessoa.
Os dois ficaram em pé. Afrodite deu um abraço em Eros, e deu um singelo beijo em seus lábios, como uma forma de desejar boa sorte para ele.
- Você tem chances, mas vai perceber que os obstáculos serão imensos. — ela segurou sua mão e o arrastou para fora do escritório. — Agora vamos, temos que nos apressar para que você esteja na terra no dia e na hora certa. E não se esqueça, isso só irá terminar quando os dois seres humanos centrais da sua missão ficarem juntos.
Notas finais
(Obrigada a todos que leram!! Beijos)
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