E lá estava. Um corpo desfalecido em meio a movimentação da rua.

O acidente acontecera a pouco. Um motorista dirigia bêbado e perdeu o controle do veículo, invadindo a pista de mão dupla, se chocando contra o outro que vinha no sentido contrário.

O resgate não demorou a chegar e logo seu corpo já havia sido retirado das ferragens do veículo que conduzia. Os paramédicos agora tentavam a todo custo, reanima-lo. Apresentava ferimentos na cabeça e um filete de sangue escorria pelo canto da boca. Este, agora deitado em uma maca, aparentava estar em torno de seus 30 anos. Cabelos castanhos claros e barba feita, apresentava ser um homem sério.

Já o motorista bêbado, não apresentava ferimentos graves, apenas alguns arranhões. Era apenas um garoto, e estava assustado com o ocorrido. Chorava sem parar.

Aos poucos, pessoas que passavam pelo local, se aglomeravam para ver o que estava acontecendo. Os paramédicos, então decidem usar o eletrocardiograma, que sempre é usado em último caso. Primeira tentativa, nada. Segunda tentativa, nada. Terceira tentativa, quarta, quinta, sexta tentativa... E nada. O choro do garoto, começa a aumentar a medida que os paramédicos começam a perder as esperanças.

As pessoas que ali estavam, sentiam pela perda. Alguma família perdia um membro. Alguma mãe perdia um filho.

Próximo ao local onde tudo acontecia, surge uma figura feminina com longos cabelos escuros e ondulados e expressão angelical. Usava um vestido longo e simples no tom de bege. Ela se aproxima da maca, porém, ninguém a nota. Por um momento olha para o homem desacordado a sua frente.

Ao escutar os paramédicos dizerem que não há mais nada que possa ser feito. Ela coloca sua mão sobre o peito do homem e a mantém até que ele abra seus olhos.

Se olham por alguns segundos, até que o homem a reconhece. Ele sorri fracamente e diz:

— Obrigado!

A mulher então lhe sorri de volta e vai embora. O homem sabe que aquela mulher que um dia o amou, agora cuida dele do céu. E que está sempre com ele.

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