Nevra estava prestes a beijar Saphyre, quando de repente ambos ouvem um barulho, fazendo eles se afastarem. Era um pequeno Sabali correndo desesperado com muitos ovos em uma cesta, segurando a mesma entre os dentes. Saphyre se surpreendia pela criatura, que tinha um chifre no meio na testa, e um porte médio. Era uma criatura tão adorável, que Saphyre se derretia. A pequena criatura olhava para o Nevra e a jovem, depois de ter se recuado atrás de plantas. Nevra e Saphyre se entreolharam.

– Quem é esta criatura? – Perguntou Saphyre para Nevra, olhando para o pequeno sabali.

– É um sabali. É ainda um filhote. Ela adora ficar por aqui caçando. – Respondeu Nevra, que viu Saphyre se aproximando da criatura.

– Não tenha medo! – Disse Saphyre, afagando-a.

– O nome dela é Taiga, apelidamos por ela ser igualzinha a Taiga. Ela é muito bruta. – Disse Nevra, agachando ao lado de Saphyre que acariciava aquele bicho tão lindo.

– Sério? Não parece ser tão bruta. Ela é tão adorável. – Abraçava-a. Taiga chegava a suspirar por adorar as investidas de carinho de Saphyre.

– Ela gostou de você! Muito mesmo. – Disse Nevra, observando a maneira que Saphyre tinha jeito com a natureza.

– Você é tão bonita, Taiga. – Olhando para os olhos verdes do animal. Ela Respondeu os carinhos lambendo as mãos de Saphyre, gemendo de felicidade.

– E o que você trouxe, bichinha? – Nevra pegou a cesta de Taiga, com vários ovos.

– Isso são ovos? Mas que ovos lindos, todos coloridinhos – Saphyre pegava nos ovos que Taiga havia trazido.

– São ovos de outras espécies de bichos. Não é só ela que existe. Cada um de Eldarya tem um bicho de estimação, sabia? Eu tenho um corvo! – Disse Nevra, deixando Saphyre mais curiosa.

– Sério? Bem, ao menos existe corvo na minha terra. Eu também gosto muito – Respondeu Saphyre, devolvendo os ovos na cesta.

– E você precisa adotar um! Eles servem para protegê-la, e vice-versa. A Taiga cresceu sem um dono, todos nós cuidamos dela. – Nevra lembrava, enquanto Saphyre teve uma ideia.

– Eu quero ficar com a Taiga. – Disse Saphyre, olhando para a criatura. A Sabali se sentia muito feliz, e entendia muito bem o que a jovem queria. Ela se acolhia em Saphyre que a acariciava.

– É uma ótima escolha. Acho engraçado agora, a Taiga ter uma Dalafa que se chama Saphyre, e você ter uma Sabali que se chama Taiga. Irônico, no mínimo. – Ria Nevra, de leve. Saphyre também achava graça.

– É... E ela nem gosta de mim. – Lembrava Saphyre.

– Ela se sente ameaçada, só isso. – Nevra confortava a Saphyre. Enquanto ela deixava a pequena Taiga e levantava-se

– Mas por qual motivo? Eu que tenho que me sentir ameaçada. Ela tem mais potencial que eu. – Saphyre não encontrava alguma lógica.

– Mulheres... São apenas mulheres, algumas sentem inveja das outras por algum motivo. E tem medo de perderem o seu espaço para alguma outra. É normal, eu vivo com essas coisas. Tem muitas garotas que tem isso. – Explicava Nevra, olhando para o céu, e depois fitou Saphyre, que ficou pensativa com os argumentos de Nevra.

– Nenhuma mulher deveria sentir isso. É como se elas fossem escravas de outras, querendo passar a perna. Mas eu acho que elas devem se inspirar nas outras mais vitoriosas para que sustentem forças para conseguirem seus próprios sonhos. – Saphyre respondeu com naturalidade, e o Nevra ficava admirado pelo modo de pensar dela.

– Seu pensamento é muito sobre humano... O que te torna muito especial. – Disse Nevra, balançando a cabeça positivamente. Saphyre sorriu.

[...]

Taiga se escondia na floresta com a Saphyre, uma pequena Dalafa que pedia por muito carinho de sua dona, além de muita comida.

– Não! Você tem que se banhar antes! – Ordenou Taiga, levando a criatura para um rio com uma cachoeira paisagística. Saphyre tinha muito medo de entrar na água sozinha, por quase ter se afogado. Por sorte Taiga havia lhe salvado, e por fim adotando-a.

Taiga olhava para todos os lados para ver se não havia ninguém, ao mesmo tempo deixava algumas coisas que havia trazido. Em seguida olhava para a Saphyre que estava esperando que ela entrasse primeiro. Taiga então tirou sua capa e a sua roupa branca e a roupa intima, ficando nua, exibindo suas curvas muito notáveis para que entrasse com a sua Dalafa para um banho.

– Eu também preciso de um banho, Saphyre. Vamos. – Entrou no rio, ajudando a sua linda criatura entrar também. Saphyre entrava, nadando de cachorrinho na água, ofegante. Ela se firmou nas pedras no fundo do rio, deixando Taiga passar sabão com cheiro de rosas.

– Acho que você gosta, são as suas rosas favoritas! Ezarel que fez pra mim depois de muita insistência minha. – Despejava um pouco de sabão ao longo do corpo muito magro da pequena Saphyre, que era filhote de poucos meses. Ela adorava o banho que a sua dona dava, era tão terapêutico. Taiga fazia aquela pequena criatura ficar toda ensaboada, até fazer bolhas de sabão que se divertia, tentando pegar com as suas patas da frente, fazendo a água agitar.

Taiga se divertia e ria muito, deixando de lado o seu jeito marrento de ser. Saphyre era seu único refúgio, onde depositava o seu amor incondicional. Ela insistia em mergulhar a Dalafa, mas tinha muito medo de se afogar novamente.

– Você não vai se afogar, meu docinho! Vamos, temos que tirar o sabão. – Taiga e Saphyre mergulhavam juntas, fazendo a animal se sentir um pouco mais segura.

Valkyon passava por aquele lugar, mas ainda um pouco distante. Se escondia entre as grandes árvores, de costas. Apenas virava seu rosto para fitar o rio. Taiga levantava do mergulho, de costas para a visão dele. Exibia suas nádegas volumosas, quadris largos e cintura fina distribuídos em 1.54, a altura exata daquela morena.

Ele olhava surpreso, pela primeira vez havia visto a sua companheira sem roupa, e estava muito interessado em ver mais, com a visão mais nítida. Então foi caminhando para mais perto, mas discretamente entre as árvores. Achou então um ponto de vista mais privilegiado, se escondendo, apenas a cabeça descoberta para olhar mais aquela beleza. Ele torcia para que Taiga virasse de frente, mas a moça insistia em ficar de costas, enquanto enxaguava a Saphyre. Depois do enxague, Saphyre pulou para beira do rio, e se sentou em cima de um pano limpo, posto pela dona para poder se secar com aquele calor que estava fazendo por ali.

A moça, despreocupada e com a missão do dia cumprida, foi se aproximando para a cachoeira, para que desfrutasse da água termal caindo sobre seu corpo. A sua terapia diária, naquele mesmo horário.

– Nunca imaginei que você tivesse tudo isso... – Disse Valkyon para si mesmo, olhando encantado para Taiga, sem piscar o olho. Certo calor subia em seu corpo, e seu coração palpitava fervorosamente, fazendo-o respirar descompassado. Seu membro enrijecia, pulsando conforme o agito de seu peito. Ele parava de fitar para cair em si, não sabendo segurar todo aquele sentimento. Uma mistura de amor e fissura para satisfazer e descarregar naquele corpo molhado. Era uma nova fantasia que guardava para si.

[...]

Saphyre, Nevra e a pequena Taiga caminhavam para a sede de Eldarya, ou então o tal castelo. Saphyre gentilmente pegou a cesta de sua bicha para carregar.

– Deixa que eu carrego pra você. Deve estar tão pesado com esses ovos. – Disse Saphyre. Taiga parecia entender e assentiu. Ela via um monte de flores de algodão, que é a sua comida e foi em direção a ela, ultrapassando os dois.

– Ela deve estar com fome – Disse Nevra, observando um pouco do desespero da fome da pequena Sabali, que pegava com a força de seus dentes e mastigava.

– Ela é um encanto. – Disse Saphyre muito encantada ao encontro de Taiga, ajudando-a pegar algumas flores de algodão para colocar na cesta.

– Vamos pegar já um pouquinho pra guardamos? – Disse ela, para a sua companheira. Taiga assentia e concordava com a Saphyre, que relinchava muito fino por ser um filhote, de tanta animação.

– Então eu vou ajudar, e aproveito e pego algo para o meu corvo. – Disse Nevra, aproximando delas para pegarem as flores de algodão, e grãos mágicos que ficavam pelo gramado da floresta, a ração adequada para seu corvo.

– Ele come estes grãos? Parecem pedras preciosas – Saphyre surpreendia ao pegar um grão daquele.

– Sim, ele come isto. Três grãos é o bastante para a refeição dele. – Nevra explicava, enquanto pegava os grãos.

– Este mundo é mágico mesmo. Parece um sonho. – Saphyre ainda estava surpresa, cada vez mais encantada com tudo que aprendia naquela terra.

– Mágico é a sua presença. – Nevra flertava-a, pegando na mão de Saphyre que estava vazia, após pegar uma boa quantidade das flores de algodão. Saphyre fitava-o, muito corada. Taiga parecia entender que algo estava rolando, apesar de ser apenas um filhote. Ela então clamava por carinho de sua dona, lambendo sua outra mão, para a surpresa de Saphyre.

– Oh... Calminha, Taiga. Eu vou dar muito carinho e atenção pra você, viu? – Cada vez mais apaixonada pela fofura. Taiga apesar de filhote, tinha tamanho de um cachorro de porte médio, mas ainda um pouco delicada. Seus pelos eram brancos e tão macios que Saphyre era capaz de viciar de tanto afagá-la.

– Uh... Pelo jeito eu também vou clamar por muita atenção pela sua dona, viu, Taiga? Espero que não seja tão bruta como a outra Taiga – Nevra disse enquanto afagava também a pequena, que abanava o rabo.

– Vamos? – Levantou Saphyre com a cesta na mão.

– Vamos sim. Taiga, venha! Acho que precisa descansar. – Disse Nevra, assobiando para Taiga. – Ela é capaz de ficar dia e noite caçando, é incrível como ela tem muita energia apesar de filhote. E é muito esperta! – Completava Nevra, mas dessa vez para Saphyre.

– Imagino. – Respondeu Saphyre, aparentemente feliz com o passeio.

[...]

– Estou cada vez mais preocupada! – Exclamava Miiko com muita fúria. Seu cajado faiscava junto.

– Realmente nós precisamos nos fortalecer, e treinar mais as outras guardas. Precisamos urgente de pegar estes cristais. – Leiftan disse calmamente, mas com ar de muita preocupação, coçando a sua nuca, sem o que pensar.

– Estamos muito bem na parte bruta da coisa, Miiko. Acho que o Nevra precisa rápido treinar bem a Saphyre para ser um item adicional. – Disse Kero, sendo fitado pelo Leiftan, parecendo concordar.

– Você acha que uma humana é capaz? Eu acho que me arrependi, viu? – Bufava Miiko, descartando totalmente a presença da nova recruta.

– Calma lá. O guarda no Nevra não requer capacidades especiais, e sim ser um bom espião. Acredito que a Homo Sapiens Sapiens tem muita inteligência para isso, não? Eles fizeram a Primeira e a Segunda Guerra, fizeram várias coisas, inventaram, aprimoraram a tecnologia. Eu não acho que um humano seja incapaz, sendo que a nossa espécie tem suas particularidades especiais e não saímos de uma boa revolução – Discursava Kero, parecendo entender muito de história do mundo humano. Miiko olhava surpresa para Kero, enquanto Leiftan sorria, aparentemente concordando com o que o Elfo disse.

– Eu concordo. Perfeitamente. Os humanos não são tão desprezíveis. Aliás, não são. – Complementou Leiftan.

– E Miiko, acho desnecessário esta perseguição, eu acho que a Saphyre pode se integrar perfeitamente aqui, poxa! – Kero apresentava seu semblante de irritação, com bochechas coradas.

– E estamos encarregados de fazer isso. – Completava Leiftan.

– Aah! Pra quê? Para o Nevra ficar distraído em suas tarefas pra ficar com a Saphyre pra lá e pra cá vivendo um romanceio clichê? –Disse Ezarel que aparecia, de onde estava escondido para ouvir a conversa.

– Ouvir conversa dos outros é feio. – Disse Leiftan, muito sério olhando para Ezarel.

– Ridículo é ainda deixar a Saphyre nesse mundo que não é dela! – Revoltava-se, levantando o tom de voz.

– Sabe o que eu acho? Eu cansei de enfrentar gente grosseira! – Kero aparentava estar muito irritado, avançou em Ezarel e pegou ele pelo colarinho de sua blusa.

– Que isso? – Perguntou Ezarel, muito surpreso com a atitude do calmo Elfo.

– Eu estou cansado de tanta hostilidade pra cima da garota, e vocês não conhecem o que ela passou antes de vir pra cá, sai julgando e atirando tudo para todos os lados, acha que isso é certo? Já parou pra pensar que ela pode ser uma fada? Ninguém sabe, nunca se sabe. – Grunhia Kero, parecendo enfrentar pela primeira vez alguém com aquela atitude. Miiko e Leiftan entreolharam surpresos com a atitude.

– Eu pago pra ver que a Saphyre seja que nem a gente. Duvido muito! – Ezarel ria na cara de Kero, enquanto ele soltava-o, empurrando. Ezarel tentava se equilibrar no chão enquanto arrumava a sua roupa. Kero voltava para seu lugar inicial da conversa, ainda muito irritado.

– Eu quero fazer esse teste! Há de quem contrariar! Vou chamar a Saphyre e amanhã mesmo ela vai fazer este teste. E se for confirmado, tente ao menos ser gentil com a garota. Ela fez nada de mal aqui! – Levantava o tom de voz, exaltando-se.

– Eu acho uma boa ideia. – Comemorou Leiftan.

– Há algum motivo especial nisso. – Disse Miiko, que insistia que Kero tinha algum motivo particular.

– Saphyre me contou um pouco dela. – Revelou Kero, sentando-se em um degrau da sala do cristal.

– Sério? – Surpreendeu-se Leiftan, sentando-se ao lado de Kero, querendo ouvir mais.

– Sim... Saphyre hoje tinha um casamento marcado. – Leiftan paralisou pelo que Kero disse, que estava muito calmo. Miiko e Ezarel entreolharam-se, e deram passos sincronizados a frente, perto de Kero.

– Casamento marcado? – Leiftan questionou um pouco decepcionado.

– Com um cara que ela não gosta. O Seu pai que forçou o casamento, em troca de bens de valores muito altos. Então a Saphyre havia fugido na noite de sua festa que celebrava a despedida de solteiro. Então... Ela parou em um bosque do mundo dela e encontrou um portal que parava em Eldarya. – Explicava Kero, olhando para os semblantes de cada um que estavam presentes. Leiftan se aliviou um pouco, enquanto Miiko e Ezarel ficaram atônitos.

– E o que isso tem a ver? – Miiko demonstrava indiferença.

– E o que tem a ver? Bem... Ela só foi criada pelo pai durante a vida inteira. A sua mãe... A abandonou quando era criança, ou desapareceu... E aí que tá! Ela não sabe ao certo o paradeiro de sua mãe, então pode haver possibilidade... – Kero explicava, enquanto arrumava a armação de seu óculos sobre o seu nariz.

– Que ela possa estar aqui ou ter algum vínculo com este lugar. Eu entendo agora... – Respondeu Miiko, pensativa.

– Então... Saphyre fugiu de um casamento e parou aqui? – Leiftan ainda processava as informações iniciais de Kero, com seu olhar muito alheio.

– Sim... E segundo ela, foi a melhor coisa que ela fez da vida. Que o rapaz não tinha caráter. – Respondeu Kero, colocando a mão no ombro de Leiftan. Ezarel ficou reflexivo, um pouco sentindo com o acontecido.

– Muita coragem! Abrir a mão de tudo... É admirável. – Ezarel murmurou com dificuldades, não acreditando, boquiaberto.

– Que foi, Ezarel? – Levantou sua cabeça, mirando para ele.

– Sim. Ela diz preferir mil vezes a hostilidade que fizemos do que viver com mordomia e com muito dinheiro em mãos... Isso é algo tão... – Ezarel permanecia boquiaberto.

– Falei desde o início. Aquela jovem não tem nada de ameaça para nós. Temos é mais que apoiá-la. Não temos como devolvê-la para sua casa, portanto... – Finalizou Leiftan, defendendo seu ponto de vista formado desde o início.

– Então... Façamos o teste. – Miiko foi convencida, embora que não gostasse muito da ideia.

[...]

Valkyon voltava para sede, muito nervoso, com seu corpo implorando para um banho frio. Seus passos chamavam a atenção de algumas pessoas que estavam em volta. Ezarel saia da sede e trombava com ele que estava indiferente .

– Ih... – Ezarel Grunhiu, surpreso por Valkyon não ter dito mais nada, e nem notado sua presença.

– Ei, Ezarel, o que deu no Valkyon? – Chegou Nevra com a Saphyre e a pequena Taiga.

– Sei lá o que deu nele. – Ezarel virava pra trás, fitando Valkyon que estava cada vez mais distante.

– Uau, deve ter visto alguma coisa que ele deixou tão alheio- Disse Saphyre. Ezarel a fitava de maneira estranha.

– Bom... Saphyre, eu preciso apresentar o seu quarto! E claro, eu vou providenciar o seu uniforme. – Disse Nevra, ainda incansável, pegando na mão de Saphyre e levando para o corredor dos guardas. Ele fitava a Taiga, que parou no percurso. Chamou-a gesticulando com a outra mão, para que entrasse também. A pequena criatura corria atrás deles.

– Nossa, aqui é muito grande, ainda não fui nesse corredor inteiro. – Disse Saphyre, olhando para os lados, perdida.

– Bem. Ainda bem que sobrou um quarto. – Nevra abria a porta e apresentou o quarto para Saphyre. Era um pequeno cômodo com uma cama sem colchão, um guarda roupa e um espelho enorme. A decoração era simples, mas aconchegante.

– Uau... Menor que o meu antigo quarto. – Saphyre entrava curiosa.

– Não ligue por não ter colchão. A gente tirou nessa semana, este quarto estava muito empoeirado. Um dos integrantes veio limpar aqui como uma punição. Eu tenho um sobrando, eu colocarei aqui. – Disse Nevra, colocando a Cesta de Taiga numa cômoda que tinha próximo a cama. Saphyre aliviou-se por pensar que dormiria na cama sem colchão.

– Eu agradeço a gentileza. – Saphyre disse sem jeito, com bochechas quentes e coradas.

– Você precisa se sentir em casa. – Respondeu Nevra.

– E... Bem... Eu não posso ficar parada, não é? Eu parei nesse lugar, sem roupas, sem documentos, dinheiro, nada... Não há emprego? – Saphyre questionou com muita preocupação, e Nevra ria.

– Que emprego o quê! Ser da minha guarda é um emprego, sabe? Miiko dá maanas todo mês, ou em toda semana. – Explicava ele, aproximando-se dela.

– Ah... Entendi... É, vai ser duro recomeçar a minha vida aqui. – Continuou a loura, com expressão confusa.

– Calma, calma... Uma coisa de cada vez. Ah, acabei me esquecendo... Comprei algumas roupas básicas pra você, enquanto você estava fazendo o teste com o Kero. – Lembrou Nevra, abrindo a porta do guarda roupas, tirando a sacola de roupas, para a surpresa de Saphyre.

– Que? Você estava pensando em mim? – Saphyre disse com olhos arregalados, enquanto Nevra entregava-lhe a sacola.

– É que eu me coloquei em seu lugar. Pensei em tudo para se sentir confortável. – Respondeu, acariciando o rosto dela, enquanto Saphyre abria a sacola e tirava algumas roupas. Tinha uma camisola de seda branca transparente e curto, algumas roupas intima e dois conjuntos de roupas básicas. Ela ficava um pouco envergonhada por Nevra ter escolhido até roupas intimas. Corou-se.

– Obr—Obrigada. – Ela não conseguia nem falar de tanto nervosismo.

– De nada... – Ele respondeu de um jeito muito meigo.

– E... Vocês tomam banho como? – Esquivava-se de sua timidez.

– Temos chuveiro, que foi uma ideia de um humano que havia pisado em Eldarya. Mas... A água é tão fria, que algumas pessoas preferem tomar banho de banheira com água esquentada, ou vão pra cachoeira termal. Mas se quiser, eu mostro a você o banheiro. Você vai gostar. – Explicava Nevra.

– Eu vou tomar banho, frio mesmo por estar calor, né? – Respondeu Saphyre, sem jeito.

– Claro. Enquanto isso, vou arrumar a sua cama, está bem? E não adianta falar que estou te ajudando demais pois não é verdade. — Nevra silenciava Saphyre, que relutava em dizer que não precisava se preocupar com ela. Ele a levava para conhecer o caminho ao banheiro , que não era muito longe, eram poucos metros daquele imenso corredor.

[...]

– Agora você comeu tudinho! Dei todo o pote! – Disse Taiga, chegando na sede com a Saphyre, que estava feliz de barriga cheia, apôs comer demais. Valkyon aparecia, e parou ao vê-la. Ela reagiu surpresa, não entendendo o motivo de Valkyon a olhar tão estranho.

– Ih... O que houve? – Questionou Taiga, de braços cruzados.

– Nada... Nada... Nada! – Respondeu Valkyon contrariado, e voltou para trás, a fim de se esconder ou fugir. O que parecia é que seria muito difícil Valkyon guardar o grande segredo que a via visto ela nua no rio.

– Eu, hein? Tá vendo, Saphyre? Esse tipo de animal reagem de maneiras estranhas em certos momentos. Ainda bem que você é tranquila- Disse para seu animal, que parecia entender o que se passava naqueles momentos. Ela olhou para sua dona, de maneira compreensiva. Ambas entraram na sede, já que estava ficando muito escuro.

– Se não é a bruta! – Bradou Ezarel. – Eu estava te procurando. Tem novidades : Saphyre vai fazer teste se ela é mesmo humana ou como nós!- Completou, anunciando a novidade para Taiga, que olhava surpresa para o Azulado.

– Como assim teste? Saphyre é humana! Isso é inútil! – Respondeu a morena, revoltada.

– Isso é o que vamos ver. Tenho uma ideia para saber mesmo se é uma humana, e hoje mesmo! – Ezarel sorriu perverso, enquanto Taiga se interessava mais pelo assunto.

– Ih... Lá vem suas ideias! Você vai fazer o que estou pensando? – Ela respondeu sorrindo, parecendo entender o que Ezarel estava lhe dizendo.