O Cristal e o Diamante

27 O novo romance de Saphyre


Os lábios estavam prestes a se encontrarem. Ambos fechavam os olhos, sentindo ainda mais aquele momento. As respirações ficando sonoras, mas ainda um silêncio inquebrável. Leiftan não suportava mais e encostou seus lábios, fazendo a abertura dos lábios de Saphyre, trazendo a sua língua para dentro da boca dela. Ele puxava-a mais para si, o que deixava mais à vontade. Era a melhor sensação ser tocado pelas mãos suaves dela, que passava entre o peito pouco descoberto até aos braços e ombros. Ela estendeu suas mãos até o pescoço, enquanto ele aprofundava mais aquele beijo. Era gostosa a sensação de poder sentir aquela língua doce como aquela.

“En cada frase oculta de lo que tu digas en un beso hablará

Ya no me queda duda solo ven y escucha

Decidamos comenzar

Por besarte

Mi vida cambiaría en un segundo tú

Serías mi equilibrio, mi destino

Bésame

Y solo así podré tenerte eternamente en mi mente” – Lu – Por besarte

Ele esperava por muito tempo aquele momento acontecer, o que deixava fora de órbita, por realizar o seu desejo de todas as noites. Aquele beijo aos poucos ficava cada vez mais prazeroso, despertando a felicidade de ambos, o entusiasmo de viver juntos para sempre. Ele tomava conta dos lábios da loura, descontrolado, sorvendo-os. Saphyre dava leves gemidos pelos toques objetivos e ao mesmo tempo carinhosos de Leiftan, que uniam suas mãos na cintura, descendo mais um pouco, enquanto ela subia mais suas mãos parando no rosto de Leiftan, se esforçando para ficar a altura. Eles se distanciam ao perder o fôlego.

– Me desculpa, foi difícil digerir toda esta história, Leiftan... Eu... – Disse, mas ele interrompeu.

– Schhh! Eu te amo, Saphyre. Tudo que acabou de acontecer foi mágico. – Disse Leiftan, encantado com o beijo que eles haviam dado.

– Me desculpa mesmo, é difícil eu esquecer o Nevra. Em tão pouco tempo ele se tornou o amor da minha vida, e o homem do meu sofrimento. – Disse, entre lágrimas.

– A partir de agora, Saphyre, eu serei o homem na sua vida. Eu não vou te decepcionar. Confie em mim. – Disse com a sua voz mais firme, olhando determinado para os olhos azuis de Saphyre. Ela sentia o que ele realmente queria.

– Quero que você saiba, Leif... Que quando eu mirei seus olhos pela primeira vez... Eu me congelei. – Saphyre confessou, fazendo Leiftan sorrir bobo.

– Eu fiquei muito encantado com você na primeira vez que eu te vi. Como se eu mudasse tudo que eu achasse do mundo. Vi tudo de outra perspectiva. – Disse, aproximando mais ao rosto dela.

– Então nós dois sabíamos o que ia dar. É incrível quando às vezes nossos sentimentos manifestam antes da razão. – Saphyre sorriu.

– Agora nada vai nos separar. – Leiftan dava mais um beijo que havia dado, porém mais curto.

– Precisamos voltar ao trabalho, hein? – Saphyre lembrava.

– Tem razão. Mas sabe que vai ser um prazer, pois vou ficar ao seu lado. – Leiftan acariciava o rosto dela.

[...]

Taiga e Saphyre estavam crescidas, que nem mesmo suas donas acreditaram. Elas passaram do pequeno tamanho para um metro e meio. Aquela amizade ultrapassava das fronteiras. Sempre unidas fazendo seu passeio rotineiro pela floresta.

– Eu espero que a sua dona tenha melhorado. – Disse a dalafa, com uma cesta pendurada na boca, cheio de ovos e doces que haviam pegado.

– Eu espero que o Leiftan esteja com ela. Só isso. – Respondeu a sabali, também com uma cesta pendurada.

– E o que você acha da gente prepararmos uma ceia especial pra eles na praia? – Saphyre suspirava.

– Que coisinha mais romântica. Pode ser uma boa ideia, pois a praia tem sido deserta. – Taiga debochava da ideia inicialmente, mas passou a pensar na possibilidade.

– Seria muito romântico um monte de velas em volta, uma bela toalha estendida, pétalas de rosas... Ou que tal uma barraca, pra ter mais intimidade? — Saphyre estava sonhadora, dando passos mais rápidos à frente enquanto olhava para cima, alheia com a visão das grandes árvores.

– Se bem que eu aceitaria qualquer coisa pra ver a minha dona com o Leiftan! Faça o que quiser, viada! – Taiga deu permissão.

– Que bom! – Saphyre estava ainda sonhadora, mas Taiga ouviu vozes de Eldaryanos.

– Ei, Saphy! Xiu. – Taiga abordava Saphyre e ia para um canto, escondendo-se entre as árvores. – Estou ouvindo uma conversa. – Continuou, mirando com seus olhos de onde vinha aquele barulho.

– Eu também. – Disse alto.

– Xiu! Vamos ouvir, mesmo que não entendemos muito. – Taiga parava e se concentrava.

– Está fazendo um bom trabalho – Disse um homem, todo de preto, mas seu rosto era coberto pelo capuz.

– Eu sei... Eu sei que estou fazendo um bom trabalho. – Disse uma garota, que revelava a sua identidade: Mariana, uma das membras da Guarda Absinto. Aquela cena era muito confusa para Taiga e Saphyre, mas logo insistiam para ter mais informações.

– Eu quero que você tente se aproximar da tal garota, quero saber se é mesma a Saphyre que eu conheço. Eu ficaria muito feliz ao reencontrá-la. – Disse o homem.

– Deixe comigo, eu vou me aproximar facinho nela, e vou trazer todas as informações que você quiser. – Mariana sorriu malignamente.

– Que bom poder contar com você. Acho que você entendeu bem o valor que eu te propus. Vai ter uma vida muito boa e estável, ainda mais com esta crise econômica. – Disse o rapaz, aparentemente muito feliz.

– Eu queria mesmo é... – Mariana tentava seduzi-lo.

– Faça o seu trabalho, apenas. – O rapaz esquivava do flerte.

– Você viu, Taiga? – Saphyre ficou surpresa.

– Sim.. Eu vi. Pelo cheiro, eu sinto que há traição. –

– Deve ser muito triste trair uma pessoa que te ama tanto. – A dalafa ficava triste, achando que fosse uma decepção amorosa.

– Não falo disso. Falo que alguém está querendo ultrapassar a gente. Eldarya inteira! – Taiga demostrava ira.

– Então estamos em risco. – Saphyre arregalou seus olhos.

– Eu odeio traições, Saphy! Eu vou descobrir quem é que está de papinho com aquela pessoa de preto. Sinto cheiro de traição, e estou gostando nada disso. – Taiga disse firme para a sua amiga.

[...]

– Que? Mas que ridículo o sistema de governo de Eldarya! – Saphyre dizia, em uma reunião geral entre os membros da guarda iluminada e ministros. Miiko, Kero e Leiftan se assustavam.

– Como ousa falar assim? – Um senhor enfrentou-a.

– Vocês recolhem tantos impostos destas pessoas, e tem gente que não tem direito o que comer. Eu não tinha ideia sequer de como era o governo daqui, e agora eu passo a enojar. Eu não sei como o dinheiro dessas obras não foram o suficiente. – Saphyre se revoltava mais ainda. – Era muito melhor quando Eldarya tinha uma forma política de 20 anos atrás. Pelo que eu li a respeito, havia muita liberdade no mercado. Agora vocês querem mais controlar ele, desempregar pessoas, tirar a produtividade que vinha tão bem, mas nos últimos 10 anos vocês acabaram aos poucos com isto. – Completou, deixando o senhor e outros rapazes entreolhando-se boquiaberta.

– Será que dá pra controlar? – Disse um rapaz, levantando-se da cadeira.

– Agora que nós ganhamos a atividade política, eu tenho o meu direito de manifestar irritada com o que está acontecendo. Há famílias desamparadas, ainda mais depois do incêndio. Não tivemos amparo por parte de vocês. O que estavam fazendo este tempo todo? E com o dinheiro que arrecadam? Que é o dinheiro deles. Cada Maana dessa gente merece ser reinvestido. – Saphyre se estressava mais ainda.

– Um momento. Eu convoco vocês para fazer parte da política ativamente e você vem desacatar o presidente? – Outro rapaz o enfrentava.

– Desacatar quem? Ele desacata todo dia com as pessoas. – Saphyre permanecia dura. Miiko, Kero e Leiftan ficavam incrédulos.

– Não vou discutir com alguém que vive aqui há menos de dois anos. – Disse o Presidente, se levantando da cadeira.

– Não preciso ficar a vida inteira aqui pra poder ter moral em alguma coisa. Vi tantas promessas suas vindas do seu governo, e pelo que eu vejo em prática, nada, né? Está querendo enganar a quem, presidente? – Saphyre disse, enquanto o presidente saia da sala.

– Conversemos em outra hora, Miiko. – Disse, ignorando a Saphyre.

– Pegou pesado, hein? Precisava? – Leiftan questionou surpreso.

– Precisa, pois há gente que precisa da competência dele pra poder ter a vida digna. Eu não gostei nada desse presidente. – Saphyre estava estressada, andando de um lado para o outro.

– Imagino que ele vá pensar de nós depois da discussão. – Disse Miiko, envergonhada.

– Ele tem que achar nada. Eu não ligo. O que me preocupa é Eldarya estar em péssimas mãos. – Disse Saphyre.

– Eu agora me lembro da época da Oracle... Eu tinha sete anos... Eram bons tempos, apesar da crise que a gente se encontrava. – Disse Leiftan, pensativo.

– Eu tinha 10, olha só como eu sou velha, tenho 31 anos hoje. Oracle era a alma de Eldarya. – Miiko disse, sorrindo nostálgica. Saphyre deu uma leve risada.

– E eu tinha nem nascido, ou era recém-nascida. Mas é engraçado que... Ás vezes eu chego a pensar que a minha mãe seja igual a Oracle. Eu olho pra ela e parece que eu estou vendo ela... – Saphyre desabafou, deixando os três surpresos.

– Você nunca parou pra pensar que a sua mãe pode estar vivendo aqui? – Perguntou Kero, com muita curiosidade.

– Pois é... Eu estava aqui o tempo todo, vim em um caos, sofri... E não pensei ainda na possibilidade de encontrar a minha mãe. Talvez fosse por eu conseguir ser criada sem ela, ter crescido sozinha, sem uma figura inspiradora de vida... Eu só não entendi o que meu pai disse sobre ela. Que ela sumiu de repente, sem deixar uma carta, recado... Simplesmente sumiu. Ele dizia sempre que ela vivia infeliz. Talvez eu tenha sido um estorvo... – Saphyre lamentava, o que fazia os outros silenciarem, pois sentiam que Oracle é a mãe dela, mas não sabiam como dizer isto, e se era adequado. – Mas... Eu tenho a minha nova família. São vocês. Eu tenho tanta gente que gosta de mim. Tenho você, Miko, que me acolheu muito bem aqui, tem o Kero que me deu muitas palavras de apoio, tenho o Valkyon que não tenho o que comentar. Um grande homem. Agora tenho a Taiga que se aproximou de mim... E tenho você, Leiftan. – Disse muito feliz, pois se sentia muito bem ao lado deles. Ela sorriu radiante para Leiftan. Miiko e Kero sentiam que algo havia acontecido antes entre os dois, e entreolharam-se sorrindo, felizes por eles terem finalmente se acertado.

– Eu senti algo muito diferente aí nesse seu discurso. Você e Leiftan estão... – Miiko foi logo interrompida.

– Sim, eu estou namorando esta princesa. Só se ela aceitar. – Leiftan disse firme, sorrindo muito. Saphyre mirou-o e sorriu mais ainda, dando a entender que aceitava.

– Não acredito que estamos presenciando isto! Kero, vamos ser padrinhos do futuro casamento desses dois. – Miiko se derretia com o romance dos dois.

– Pode deixar, viu? Serão nossos padrinhos desde já. – Disse Leiftan, decidido e se jogando, arriscando naquele amor que tem pela Saphyre.

– Como mudamos de opinião tão rápido assim. Precisamos ainda resolver os problemas de Eldarya, gente. – Disse Saphyre, batendo palmas diversas vezes.

– Como você é estraga prazeres! – Miiko brincou, dando leve tapa no braço de Saphyre.

– Ai! Vocês que mudam de assunto muito rápido. Anda, vamos fazer nossas tarefas. – Disse apressada.

– Mal começou a participar e já está dando ordens! – Leiftan abraçava-a por trás.

– Vai ser difícil trabalhar assim. Eldarya vai decair por nossa causa, hein? Quero ordem! – Saphyre imitava uma general, e dava leves risadas.

[...]

– Você é mesmo muito incompetente. Não aprendeu nada desde que chegou aqui. Não sei o que quer mais fazer. – Ezarel dava bronca em Mariana, que ficava cabisbaixa.

– Tentei fazer o que você pediu, oras. – Disse de um jeito dissimulado.

– Você precisa ainda aprender muito. – Respondeu, enquanto mexia nos tubos de ensaio.

– Você antes fazia tudo sozinho? – Mariana questionou, querendo mais informações.

– Eu fazia praticamente tudo, já passei por um período que eu estava sozinha na guarda absinto. – Ezarel respondeu sem olhar para ela, enquanto ela observava tudo em volta da sala de alquimia.

– E qual o motivo de ter recrutado mais ajudantes? – Mariana insistia.

– Por quê... Espera... O que você quer? Informação? – Ezarel questionou, começando a desconfiar. – Você mal tinha interesse, quase foi expulsa. – Continuou, encarando ela.

– Eu quero saber, apenas. Esconde algo? – Ela debochava dele.

– Eu estava fazendo estudos em cima da peça do grande diamante. – Ezarel dizia com muito desinteresse.

– Uau. O Grande Diamante? Não era apenas lenda? – Perguntou fingindo estar surpresa.

– Claro que não. É um fato, comprovado. Não acompanhou a história de Darkmond? Você é bem leiga, hein? – Ezarel ria de leve, debochando dela.

– Vim do mundo dos humanos, horas. Eu não tenho nenhum sangue eldaryano. – Ela se aproximava mais dele, ele para o que fazia para poder encará-la com desdém.

– Eu não sei se é ainda bem ou lamento. Não sei ainda por que as pessoas insistiram de você continuar aqui fazendo algo. Você é inútil. – Ezarel voltava para seu trabalho.

– Obrigada pela parte que me toca. – Mariana sorriu irônica.

– De nada. Eu faço isso com muito prazer. E não é por me gabar de ser um Eldaryano, é que tem humano por aí que... Se acha. – Ele respondeu com sarcasmo, achando a discussão inútil.

– E você... Guarda este diamante onde? – Mariana teve audácia de perguntar. Ezarel parou para encará-la, como se quisesse xingá-la.

– Eu não revelo pra ninguém. Não confio em você. – Disse de um tom muito rude. – Nem falo pra Miiko se você quer saber. É por segurança. Nem deveria dizer que estou com um pedaço do Grande Diamante por aqui. – Continuou, não dando muita importância para ela. Mariana ficava pensativa, a fim de arquitetar um plano para encontrar a peça.

[...]

Valkyon e Taiga observavam diversos membros de sua guarda treinando golpes com espadas, a fim de prepará-los para uma possível batalha.

– É... Assim que eu gosto. De guerreiros que lutam sem poderes. – Disse ele, cruzando os braços.

– Realmente, conseguimos recrutar muita gente. Fico surpresa. – Taiga sorriu, feliz com os resultados obtidos.

– E quem diria que você me ajudaria. – Valkyon olhou pra ela.

– Pois é, tá vendo que atrás de um grande homem há uma grande mulher? – Taiga disse sarcástica, sorrindo para Valkyon.

– Grande eu sei, mas uma grande mulher... Bem... – Valkyon dava ênfase da pequena altura da morena, debochando dela.

– Palhaço! O que adianta ter uma altura dessas, se você é um tremendo arregão? – Taiga iniciava a discussão.

– Mas na hora H você sabe que eu não broxo. Pelo menos. – Valkyon disse no ouvido dela, bem baixinho. Ela se silenciava, um pouco sem graça pela provocativa.

– Pois a baixinha não deixaria, aposto que com outras, você não seria capaz. – Taiga disse com muita arrogância e confiança em si mesmo. Ela sorriu, deixando o Valkyon da mesma situação que ela havia ficado.

– Bom saber que você sabe que sou um homem fiel. – Dava a volta por cima. Taiga tentava sair daquele diálogo.

– Ei! Vocês duas, não se usa espada desse jeito! – Taiga dizia para duas garotas que estavam treinando, indo até elas para dar orientações. Valkyon a observava com sorriso bobo, admirando a sua beleza e o seu jeito duro de ser.

Saphyre observava o quanto Valkyon admirava Taiga. Sorriu, achando cada vez mais bonito a forma que ele a olha. Ela abordou-o, colocando a mão no ombro dele.

– Está tudo bem aí? – Perguntou, assustando-o.

– Oi. Está tudo sim. A galera está melhorando e muito. Estão prontos para dar segurança para Eldarya. – Respondeu, observando a Taiga ainda.

– É... Eu estou vendo. – Saphyre estava de bom humor, chamando a atenção de seu amigo.

– Ih... O que aconteceu para você estar toda radiante de repente? – Valkyon sorriu para Saphyre, muito feliz por vê-la bem.

– Ai, Valkyon... O mundo estava girando e girando, dando voltas, e eu que fiquei estática nesse tempo todo, sem pensar em viver, procurar uma maneira de ser feliz... Eu e Leiftan... – Respondeu cabisbaixa e sem graça.

– Se beijaram? Estão namorando? – Valkyon perguntou muito ansioso pela resposta.

– Sim. Acho que eu devo dar um passo para frente, e deixar o passado para trás. Nada terá volta. Nada vai trazer o que eu vivi de volta. – Respondeu tão feliz, sentindo muito leve e sem culpa. A sua escolha era definitiva.

– Você deveria ter feito isso há muito tempo. – Respondeu Valkyon.

~ ... ~

Era incrível como o amor entre os dois transformou. Era mágico, pela primeira simples troca de olhares, onde se podia entender tudo sem dizer mais nada. Aquele olhar dizia que o destino estava traçado, de alguma maneira, não importasse o tempo que levaria, e o quanto duraria. Aquele amor nunca se perderia, e sim se transformaria e reinventaria, com carinho e gratidão. Saphyre e Leiftan passavam a viver com a relação totalmente sublime. Era incrível ver como um homem sério passar o dia sorrindo, como se achasse o sentido de viver. Seus 27 anos se transformaram em 15. Como se fosse o primeiro amor de adolescência.

Todos os dias eles davam um pequeno passeio juntos, enquanto Eldarya vivia estável. A esperança de ter Eldarya bem nascia do amor e da vontade deles. Eldarya era a sua casa, onde eles pensam no futuro de seus filhos, da família crescer em um lugar perfeito onde se possam ensinar todos os valores, o sentido da vida, do amor...

– Espero que Eldarya entre na sua forma perfeita, assim viveríamos em paz. – Disse Leiftan, caminhando de mãos dadas em direção à praia. Aquela noite iluminada por vagalumes verdes e azuis davam a magia, onde se libertava ainda mais a vontade de ser feliz.

– Nós vamos conseguir. Eu sinto que temos uma força enorme, enorme... Que todo o mal que existe aqui vai ser extinto. – Respondeu Saphyre, muito entusiasmada.

– Espero que...Tenhamos muitos filhos, e eles viverão em um mundo deles em que possam sonhar em paz, sem estes conflitos todos. Sei que um problema de certa forma é bom, mas estamos batendo muito nesta tecla, e se resolvermos de vez estes problemas, tentamos pensar em várias ideias, evoluir... – Disse ele, olhando para o céu estrelado.

– Você parece comigo falando sobre o assunto. – Respondeu, chegando a praia deserta de Eldarya. A leve brisa e o som das ondas fazia o ambiente ser relaxante e romântico.

– Sobre o quê? Em formamos uma família? – Perguntou, enquanto ele virava-a para si, envolvendo suas mãos na cintura dela.

– Sobre tudo. – Ela sorriu.

– Não acredito que passou dias que estamos juntos. Parece que estou há anos. – Disse antes de dar um beijo rápido nos lábios dela.

– Não acredito que eu consegui atravessar por uma fase difícil. É com o tempo que tentamos pensar e pensar sobre nossas escolhas. Às vezes a vida nos tira para nos dar algo melhor, ou o seu verdadeiro lugar... Ou que deveria ser. – Declarou, enquanto acariciava o rosto dele.

– Eu já sentia que... De certa forma, mesmo que eu não pensasse de cara, que um dia estaríamos nesta situação. E estamos. – Disse ele, sorrindo muito feliz com a realidade em que vivia.

Ambos se beijaram apaixonados, rodopiando pela areia de corpos colados, com o cenário do horizonte do mar, com a lua cheia refletida na água. Uma das cenas mais belas, sendo vistas pela Saphyre e Taiga, que estavam preparando um lugar para os dois.

– Demorou, mas o momento chegou! Olha só que lindo! – Disse a dalafa, ao ter estendido um grande lençol branco com flores que ela gostava, uma cesta de piquenique, e velas em volta.

– Ai, quanto romance água com açúcar! Pra quê tudo isso? – Taiga questionava, achando um exagero os preparativos.

– A sua dona ama coisas assim, tomara que não chova. – Saphyre olhava para o céu.

– Sim. E espero que eles namorem muito! Que ela esqueça o Nevra pra todo o sempre! – Taiga torcia muito para os dois, enquanto observava o romantismo vindo do casal. Saphyre corria para buscá-los. Ela apenas deu uma leve patada na perna de sua xará. Ela se assusta ao vê-la.

– Sasá! O que faz aqui? – Disse Saphyre, afagando o animal.

– Ela parece empolgada. Ela quer mostrar algo, eu acho. – Disse Leiftan, ao ver Saphyre se manifestando, convidando-os para segui-la. Ambos então iam atrás da dalafa, totalmente empolgada e feliz. Queria mostrar ansiosamente o que ela havia feito. O casal vê o cenário todo montado, surpresos.

– Essas duas... – Disse Saphyre, encantada com o preparo e o desempenho vindo delas.

– Realmente. Isto tudo é para nós dois? – Disse Leiftan, dando um leve carinho na cabeça da dalafa. Ela balançava a cabeça positivamente, e se retirava chamando a Taiga ir junto.

– Obrigada, suas fofas. – Saphyre agradeceu, acenando para as duas que saiam da praia.

– Nem precisa agradecer! Agora quero babies! – Disse Taiga, fazendo a Saphyre concordar.

– Isso mesmo. Quero que a minha xará engravide de gêmeos! – Disse a dalafa, enquanto andava pela noite com a sua inseparável amiga.

– Precisamos agora cuidar do nosso pinkuzinho, deve estar dormindo nessa hora, mas temos que dar a papinha. – Taiga se preocupava com o Jipinku, apressando mais os passos com a sua amiga.

– Eu fico admirado com estas criaturas. – Disse Leiftan, se sentando com Saphyre sobre o “palco” montado pelas duas.

– Elas parecem entender mais que qualquer outro Ser Eldaryano. O fato é que Taiga tinha antipatia por Nevra. Mas ela gosta muito de você. – Confessou, sentando-se ao lado dele.

– Pode ser que até ela tenha sentido que o nosso destino estava traçado. – Respondeu, cheio de orgulho e um pouco de arrogância.

– Sim. Eu acho que sim. E vamos ver o que tem dentro desta cesta. – Disse, abrindo ela. Lá tinha frutas exóticas de Eldarya, duas taças de cristal e uma garrafa de vinho.

– Elas sabem mesmo de tudo, hein? – Disse Leiftan.

– Elas manjam até demais pro meu gosto! – Saphyre riu. – E aí, tá afim de saborear a ceia? – Perguntou. Leiftan fechava a cesta, dando a resposta.

– Estou afim de outra coisa. – Respondeu, com seu semblante meio sério, mas seu olhar sorria, porém Saphyre sentia um pouco insegura com a proposta dele.