O Crisântemo Proibido

6 Borboleta em asas de seda


Erva daninha em flor
Ao escutar o seu nome
vejo-a de outro modo

Taigi

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Youruici seguia apressada, trazendo Ichigo preso pela mão. Ágil e fagueira como uma gata,nem parecia que arrastada o rapaz ruivo e aturdido atrás de si. Em uma conversa apressada, explicou que o levaria até Hirako Shinji, que lhe passaria a coreografia a ser executada aquela noite.

- Mas, e o Ayasegawa-san? Não era ele que iria se apresentar hoje?!

- Bem, ele está um pouco... indisposto. Mas o que importa agora é que você será o substituto dele!

A naturalidade com que ela falava deixava o pobre rapazinho mais tenso. Ele desconfiava que aquilo tudo era uma pratica desesperada na tentativa de não aborrecer um cliente de tamanha importância.

- Aqui está ele, Hirako-san. – falou Youruichi enquanto fazia com que Ichigo entrasse na sala.

O loiro abriu seu sorriso fácil e característico ao ver o rapaz com a expressão contrariada e confusa.

- Ai,ai, as camareiras terão trabalho redobrado pra deixá-lo apresentável para essa noite...

- Como é que é?! Ai! — gemeu Ichigo, após ter a mão atingida pelo golpe do leque de Shinji.

- Vou deixar com você, Shinji. Irei agora falar com as camareiras para aprontarem tudo para o Ichigo. – a mulher saiu do recinto tão rápido quanto entrou, já preparada para ordenar aos criados o que iriam fazer.

- Pode ir sem medo, Youruichi san.- falou por fim Shinji, virando-se para Ichigo, sempre escancarando seus belos dentes num sorriso confiante.

Ichigo ao ver aquela fieira de dentes a mostra pensou imediatamente que estava sendo jogado para a toca de uma hiena faminta.

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As delicadas lanternas de papel pendiam na fachada da Ohana no Kikku.

Os proprietários da famosa casa de chá estavam a postos na entrada. Urahara Kisuke, com um meneio de seu leque ocultou o rosto e cochichou para a esposa, que estava a seu lado:

- Está tudo arranjado?

- Deixei Ichigo aos cuidados de Shinji e das camareiras. Mas vamos ter que distrair o daimyo até que Ichigo fique pronto.

- Ah! Se depender de mim, agirei com a maior naturalidade possível, Youruichi san! Aliás, os meninos conseguem fazer isso melhor do que eu!

Youruichi riu-se. Ela conhecia bem o marido que tinha. Urahara tinha um dom de representação incrível. Ele podia convencer qualquer um de que o céu era verde.

Depois de uma rápida troca de olhares, ambos se aperceberam da comitiva que se aproximava. Chegaram juntos a entrada, ladeados por alguns servos. Curvaram-se respeitosamente para a impressionante figura de um homem que levava consigo as insígnias da posição nobre que mantinha.

- Irashaimasse, Aizen sama!

O daimyo retribuiu a saudação sorrindo placidamente e, sem mais se demorar, seguiu pela entrada acompanhado de uma pequena comitiva, ao que os donos da casa lhe deram prontamente a passagem.

- Oh, é sempre uma honra e uma grande alegria para nós recebê-lo em nossa casa, Aizen sama. – curvou-se Urahara novamente.

- E é sempre um grande prazer voltar a sua casa, Kisuke san.

- Bondade sua, Aizen –sama. Nos acompanhe, por favor. – falou Youruichi igualmente solícita.

Os criados da casa os reverenciavam com um sorriso e saiam do caminho depressa. Alguns ficavam impressionados com a galante presença do nobre. Aizen Sousuke era realmente um homem muito atraente. De porte altivo e elegante, o lorde estava no fim da casa dos trinta, no que refletia numa beleza máscula e madura. Seus olhos castanhos refletiam uma aura sedutora, ao mesmo tempo em que o brilho que irradiavam deles era de uma calma frieza.

-Ah! Não imagina o quanto Ulquiorra sentiu sua falta durante o tempo em que ficou fora, Aizen sama!

- Pobrezinho, chegou até a recusar a visita de outros patronos.

- Ele o está esperando ansiosamente!

Entre os que integravam o pequeno grupo do senhor feudal,estavam dois samurais que estavam a seu serviço. Um deles mantinha-se sempre sorridente, encarando tudo com uma certa dose de ironia. Ajeitou alguns fios de cabelos prateados enquanto conversava com o companheiro que estava a seu lado.

- Fazia bastante tempo que eu tinha visto tamanha animação nessa casa. Todo mundo vai estar ainda mais prestativo esta noite, especialmente os meninos. – deu então uma risadinha maliciosa.- Todos eles ficam ouriçados quando vêem Aizen sama. Quer dizer, todos menos o meu Izuru.

O outro continuava calado. Sua cara não era das melhores. Ichimaru Gin então deu um leve tapinha no ombro de seu colega.

- O que é isso? Trate de se animar! Afinal, eles com certeza devem ter reservado um kagema bem bonitinho pra te servir mesmo com essa sua cara feia... Grimmjow kun.

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O amplo salão estava lindamente decorado com delicadas lanternas de papel, evidenciando com sua luz amarelada os belos painéis ricamente ornados com pinturas de flores. Uma música alegre era tocada, enquanto o sakê e a comida eram servidos a farta pelos kagemas elegantemente vestidos a seus clientes. Era um espetáculo de cores, beleza e melodias.

Em lugar de destaque, estava o daimyo, muito bem acomodado. Ao seu lado,estava Ulquiorra, majestoso, trajando um pesado e rico quimono negro bordado com fios dourados. Muito discretamente, mirava seu patrono apaixonadamente. Quanto maior o tempo que não o via, maior era o amor que lhe nutria. Apesar de sempre manter seu aparente distanciamento, Ulquiorra sentia-se que se morresse aquela noite, morreria feliz, por ver que seu amado senhor regressara para vê lo novamente . Aizen contava-lhe uma história ocorrida durante sua viagem, o quanto eram maçantes os oficiais de Kyoto, e o desejo crescente de retornar a Edo e visitar Yoshi-cho.

Os donos da casa se aproximaram de seu cliente. Sentaram –se e curvaram-se respeitosamente diante dele, e em seguida, Urahara tomou a palavra:

- Espero que tudo esteja do seu agrado Aizen sama.

- Estou apreciando cada momento Kisuke san, como em todas as vezes que venho visitar sua casa.

- Ouvir algo assim do senhor nos deixa realmente honrados, Aizen sama!

- A propósito, Kisuke san, fui informado de que irão me apresentar um novo garoto.

-Ahn? Ah, sim,sim, ele ficou apto para entreter a pouco tempo. Seu nome é Kurosaki Ichigo.

Ulquiorra virou-se para Urahara. Ao que parece, ele não havia tomado conhecimento da mudança de última hora. Voltou-se com um meneio de cabeça para o dono da casa de chá e falou para ele:

- Ichigo? Realmente, o senhor gosta mesmo de surpreender, Kisuke san.

Urahara não deu ouvidos ao irônico comentário de Ulquiorra, continuando sempre a sorrir escancaradamente.

- E esse garoto... é bonito? — perguntou Aizen, sempre cordial.

- Se ele é bonito? Com toda certeza, Aizen sama! Nem parece que ele é desse mundo de tão belo e gracioso que ele é. As vezes me pergunto se ele desceu diretamente dos céus para cá.

O Lorde feudal sorriu placidamente, mas com um leve toque de sarcasmo. Estendeu a taça de porcelana para Ulquiorra que o serviu prontamentecom o sakê.

- Acredito que não esteja brincando dessa vez, a julgar pelo que faz com os clientes mais, digamos, ingênuos.

O proprietário da casa de chá riu um tanto sem graça. Pigarreou e respondeu para o daimyo:

- Desculpe-me, mas acho que não entendi bem, o que o senhor quis dizer , Aizen sama. Como pode eu, um simples proprietário de uma kagemajaya brincar com os meus respeitáveis patronos?

- A não ser que você tenha a intenção de oferecer alguma oportunidade a pobres garotos que jamais teriam um único olhar de desejo direcionados a eles.

Urahara disfarçou menos o mal estar. Sabia também que era alvo do olhar de reprovação de Youruichi, que ao contrario dele, sabia impor limites em certas 'brincadeiras' que poderiam por em risco a reputação da casa de chá. Aparentemente sem se aperceber do que se passava entre o casal, Sousuke tomou um pouco de sakê, e em seguida,falou para Kisuke:

- Vamos então fazer uma pequena aposta: caso o garoto que se apresentar seja de meu agrado, você receberá uma generosa compensação de minha parte.

Kisuke e Youruichi ouviam a tudo atentamente. O daimyo era seguro no que falava e prometia. Com toda certeza, seria uma generosa quantia em estava muito bom, bastava ouvir agora, o outro lado da proposta.

- E, no caso do senhor não se agradar dele? O que eu poderia oferecer?

Nesse instante, Ichimaru Gin, que estava próximo a eles e atento a conversação, levantou a mão longa e ossuda:

- Perdoe minha intromissão nessa conversa tão interessante Aizen sama, mas eu poderia sugerir a contraparte de Kisuke san ? Porque creio eu que seria mais interessante algo que não fosse de valor monetário...

- Tem a minha permissão Gin. Fale sua sugestão.

- Caso o senhor não venha a gostar do rapazinho, sugiro que nosso querido Urahara Kisuke vá trabalhar em seus campos, plantando crisântemos, a exata quantia que o senhor pretende oferecer em dinheiro.

o samurai de cabelos prateados falava cada palavra com tranquilidade e alegria cruéis. A absurda proposta foi desfiada por ele como algo comum. Kira mantinha seu olhar chocado para seu patrono. mesmo com a convivência frequente, ele ainda não havia se acostumado com essa parcela de frieza e crueldade que Ichimaru ostentava as vezes.

Urahara pareceu baquear diante daquela aposta. E ficou ainda mais pálido ao perceber que o senhor feudal se inclinou a aceitar aquele disparate. Tanto ele quanto Youruichi sabiam que deveriam aceitar, temendo que o daimyo se ofendesse caso houvesse recusa.

Mostrando seu melhor sorriso enquanto abanava seu leque tentando dissipar as gotas de suor que se formavam em sua testa devido ao mal estar que sentia, Urahara falou:

- Mas que proposta mais espirituosa e desafiadora! Estamos de acordo, então!

-No entanto, eu garanto que o senhor ficará encantando com Ichigo, Aizen sama... – emendou Youruichi.

- O estarei aguardando.

No outro lado da sala, estava Grimmjow, que já aquela altura, havia perdido a conta de quantas doses de sake já havia tomado. Vez ou outra lançava um olhar de desdém para Ulquiorra. O rapaz de cabelos negros nem fizera menção de notar a presença do samurai.

- Danna, cuidado com os olhares. O daimyo pode acabar não gostando de te ver com olhos tão gulosos pra cima de Ulquiorra nii san... – falava Luppi com sua vozinha graciosa;

Grimmjow olhou para seu acompanhante contrariado.

- Do que está falando?

- Nada, danna san. Mais sake?

Por que o jogaram justamente para aquela criaturinha tão irritante? O samurai bufou de raiva enquanto estendia a taça para ser enchida novamente e ser esvaziada na mesma rapidez. Desde o começo Grimmjow imaginou que ir a essa comemoração era uma má idéia. Infelizmente não pode recusar, afinal, o convite foi feito pelo próprio daimyo, para quem ele servia, não?

Talvez o único fato que o motivasse era a possibilidade de ter o garoto ruivo por companhia. Queria vê-lo novamente, provocá-lo, excitá-lo, fazer ele se derreter em seus braços, sentir o calor daquele corpo, o aroma daqueles cabelos que lembravam o fogo.

Ichigo tinha algo que os outros até então não tinham. A maneira do ruivo de resistir, de negar algo que ele desejava com todo fervor faziam Grimmjow mais obstinado em lhe quebrar a resistência. E aqueles olhos. Aquele olhar arrogante e intransigente, que o irritava profundamente, mas que também ele estranhamente admirava. Ichigo o desafiava, o tempo todo, mesmo inconscientemente. E era disso que o samurai gostava. Desafio a ser vencido.

Mas nem sinal dele. O que teria acontecido?

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- Muito bem Ichigo. Mostre pra mim algum passo da dança que você viu da minha última aula. Essa foi a dança que escolhi especialmente para a ocasião. – ordenou Shinji para Ichigo.

O rapaz então fez uma sequência a qual foi logo reprovada pelo professor.

- Mas que ótimo, Ichigo! Está um pouco mais elegante que um pato atravessando a estrada.

O ruivo bufou irritado. Já estava a ponto de largar tudo e sair daquela sala. Eles todos que se danassem com seu precioso daimyo.

- Eu fiz a sequência correta, disso não pode reclamar Hirako san! Me diga o que esta faltando?

Hirako pôs o shaminsen que tocava de lado cuidadosamente, levantou-se e foi ter com o rapazinho.

- Falta vida para sua dança, Ichigo. – Shinji falou, erguendo o queixo do rapaz com uma das mãos.- Você tem que por uma coisa na sua cabeça: não basta somente saber os movimentos e executá-los com perfeição, você tem que saber seduzir o seu espectador através deles. Deve insinuar "um algo mais" enquanto dança. No fundo, é isso o que eles procuram.

- Eu...

- Você sabe que pode. Sabe que não é feio... – Shinji sorriu maliciosamente enquanto seus dedos deslizavam pelas mechas acobreadas do rapazinho, fazendo que o mesmo sentisse o rosto ruborizar. — Dê a eles o que eles querem. Nada mais, nada menos.

Hirako então levou Ichigo para que se mirasse em um espelho. Pôs as mãos em seu ombros, e falou, abaixando o tom de sua voz:

- Você quer mostrar a todos aqui nessa casa do que você é capaz, não é? De que não é apenas o garoto xucro e problemático, que é deixado pra segundo plano em tudo.

Ichigo então ergueu o rosto, mirando a própria imagem de seu reflexo no espelho. Seus olhos ganharam um brilho de motivação que ele nunca teve antes. Hirako abriu mais o sorriso e abrindo os braços dramaticamente, falou em voz alta:

- Me mostre a sua verdadeira capacidade, Kurosaki Ichigo. Vamos, dance! Tente me seduzir. — falou o mestre, pegando novamente em seu instrumento e dando os primeiros acordes.

O rapaz fez a mesma dança, mas, diferente da primeira vez, os movimentos ganharam uma vivacidade e graciosidade próprias, como se a música tivesse possuído Ichigo e ele apenas seguia o que a melodia lhe ditava, entrando em comunhão com ela, tornando-se um só.

Hirako sorriu de plena satisfação.

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Shinji riu e deu uma batida com a mão no obi que prendia o finíssimo kimono que Ichigo trajava. Este havia sido uma das novas aquisições da kagemaya. Um belo e bem trabalhado traje de seda púrpura, onde se vislumbravam as folhas de aceres, detalhes em padrões geométricos e a delicada figura bordada com fios dourados de uma fênix, cuja longa cauda se prolongava quase ate a barra do kimono.

- Indo direto para o covil do tigre... – pensou o professor enquanto acompanhava o rapaz até o salão onde estava acontecendo a festa. estava satisfeito por Ichigo, mas ainda o melhor era não se precipitar. Ele conhecia bem o homem que estava naquele salão. E sabia o quanto ele poderia ser imprevisível. Mas no seu intimo, algo lhe dizia que a escolha de Ichigo não poderia ter sido a mais acertada. Pelo menos aquela vez, a reputação daquela casa de chá iria continuar intacta.

Ambos viram quando Youruichi saiu de uma das salas e foi até o seu encontro.

- Até que enfim estão aqui! E então? Como ele se saiu, Hirako san?

- Acima das minhas expectativas, Youruichi san! Comigo por perto, não haveria de ser diferente. – disse Shinji sorridente, trocando um olhar cúmplice com o rapaz ruivo.

- Tomara que sim. A vida e a honra do meu marido estão nas suas mãos. – falou a dona da casa de chá, olhando séria para o Ichigo. – Vou anunciar a sua entrada. Fique logo de prontidão, Ichigo.

Ichigo voltou-se para Hirako e o indagou se ele não o acompanharia. O louro deu uma risada e disse que não seria necessário.

- Prefiro a companhia de um bom sake e do luar deslumbrante dessa noite. – virou-se, fazendo menção de partir, aparentemente sem maior interesse sobre o desempenho de Ichigo. – Só lembre-se do que eu te falei. Seduza aquele tigre. Não por mim ou por essa casa, mas por você mesmo.

O rapaz ainda observava Hirako partir quando ouviu anunciarem seu nome solenemente, e em seguida, abrirem as portas corrediças para que entrasse no salão. Ichigo ainda respirou fundo antes de entrar. Caminhou elegantemente para o centro da sala. O silêncio repentino só era quebrado sutilmente pelo barulho da seda do quimono púrpura sendo arrastada pelo tatame. Ele então se posicionou, ignorando o burburinho que os outros kagemas faziam ao ver a sua entrada.

Assim que ouviu os primeiros acordes, Ichigo começou a dançar, acompanhando a música em movimentos firmes, mas graciosos. O rapaz sentia a música como se ela fosse uma extensão de seu corpo. Deu um volteio, tirou habilmente o leque que trazia na dobra de seu quimono e o abriu, cobrindo parte do rosto, ficando de frente para o daimyo, que assistia a tudo com atenção apurada. Segurou mais um pouco seu olhar no senhor feudal e o desviou sutilmente, com outro volteio, estendendo o braço com o leque aberto. Isso bastou para que Aizen Sousuke se inflamasse de desejo pelo rapaz ruivo. E não era apenas o olhar do lorde que estava fixado no jovem. Olhares de surpresa, admiração, inveja eram direcionados para a desenvoltura com que Ichigo dançava.

Grimmjow apertava o tecido de seu hakama com força. Mal se continha pela surpresa e pela atração em ver Ichigo dançando em meio a todos de uma maneira tão graciosa que sua primeira vontade era de arrancá-lo dali e o levá-lo para que ficasse somente com ele, longe dos olhos famintos dos convidados. O samurai tomou das mãos de Luppi a garrafa de sake e serviu-se, mandando a bebida garganta abaixo quase no mesmo instante.

- Mas quanta sede, danna... – alfinetou Luppi, vendo o notório interesse do samurai no ruivo.

Grimmjow apenas se limitou a dar um resmungo para Luppi. Nesse instante, os olhos de Ichigo se encontraram com os do samurai. Por muito pouco o rapazinho não perdeu a concentração ao ver Grimmjow naquele salão. Por um breve momento sentiu todos os seus músculos tensos, como se estivessem congelados. Mas conseguiu se concentrar novamente, desviou rapidamente o rosto do samurai,e tentou se concentrar apenas no lorde feudal, tentando esquecer que Grimmjow estava no mesmo lugar, com os olhos azuis tão fixos nele, que Ichigo podia sentir a intensidade daquele olhar resvalando em sua pele, com o mesmo toque de uma carícia carregada de desejo.

Ichigo sentia-se arrebatado por essa sensação e isso veio se refletir em seus movimentos, dançando não somente pela música, mas por saber que aquele a quem nutria um profundo desejo estava ali, a lhe observar com desejo inflamado. Continuou, seus movimentos adquirindo maior agilidade, maior intensidade, até chegar com o passo final, executado com desenvoltura.

Ao final da dança, Ichigo ajoelhou-se e curvou-se em um cumprimento formal, enquanto ouvia os aplausos calorosos dos convidados. O daimyo mantinha um sorriso no canto da boca. Virou-se para Urahara, que inclinou-se para ouvir o que o lorde tinha a lhe dizer.

- Uma das virtudes de um homem é reconhecer quando se é derrotado. Creio que ganhou a aposta, Kisuke san. Ichigo é realmente encantador.

A expressão do rosto de Urahara relaxou em uma aliviada alegria. Se desmanchou em elogios e cumprimentos para Aizen. Gin tinha um sorriso escancarado e maroto enquanto via a cena.

- O senhor sabia que Aizen sama se agradaria de Ichigo o tempo todo, não foi, danna? – perguntou Kira, ao que o samurai assentiu com um riso contido.

- Não fique com esse olhar de reprovação pra mim, Izuru chan... Foi só uma brincadeirinha. Acha realmente que eu ia pôr em risco a vida do dono dessa respeitável casa de chá de um jeito tão fútil, se eu não tivesse certeza de que Aizen sama iria ficar encantado por seu irmãozinho? – Gin interpelava o outro, falando displicentemente, enquanto brincava com os fios dourados de seu cabelo.

O rapazinho apenas baixou os olhos mordeu os lábios. Concluiu que a brincadeira cruel de seu patrono agora não tinha importância, já que Ichigo recebeu o devido reconhecimento. Também concluiu que a partir daquela noite, as coisas iriam mudar para o ruivo. E iriam mudar para melhor.