O Criminoso Perfeito
6 Capítulo 6 - Uma decisão
Notas iniciais
Erwin se sentia muito mal por Mikael.
Mesmo que ele não soubesse o que aconteceria, e o que encontraria na casa de Levi, a culpa era dele por ter arrastado o rapaz até lá. De uma forma ou de outra ele pensava que Mikael deveria saber, mas ele não merecia aquilo.
Depois de chegar em casa ainda chocado, decidiu que tomaria um banho, comeria alguma coisa rápida – que provavelmente estaria jogada na geladeira –, e iria dormir. Já esperava não encontrar nem o rapaz nem Eren na delegacia no dia seguinte, mas pensava no que poderia fazer com Levi. A culpa não era dele se Eren quis ir até lá, mas ainda sentia raiva do moreno.
Decidiu que resolveria depois, com mais calma. Precisava provar logo que os assassinatos foram feitos por ele, então talvez, depois de Levi atrás das grades, pudesse ter um pouco de paz. Não só ele como Mikael e Eren. O loiro ainda pensava no que faria quando ouvir alguém bater na porta. Não fazia idéia de quem poderia ser àquela hora, e por precaução pegou sua arma antes de espiar pelo olho mágico. Se surpreendeu ao ver que era Mikael.
Com uma mochila grande nas costas e um pouco tonto, ele parecia abatido e a beira de um ataque de nervos, muito diferente do Mikael calmo e até mesmo distante que Erwin sempre via na delegacia, sendo um dos melhores policiais com quem já trabalhou.
– Me desculpe estar aqui essa hora, mas... Eu não sabia mais a quem recorrer capitão...
Assim que abriu a boca para falar, Erwin percebeu que ele tinha bebido.
– Mikael? O que aconteceu? Entre.
Erwin deu espaço para o rapaz, que entrou cambaleando e sentou no sofá da sala enterrando o rosto nas mãos.
– Primeiro tira essa mochila das costas e me conta o que houve – Começou o loiro sentando-se ao lado de Mikael no sofá.
– Capitão Erwin... Eu... Posso ficar aqui? – Perguntou o garoto antes de tirar a mochila das costas e colocar no chão, encostada no sofá.
– Claro, mas e o Eren?
– Eu não quero mais ver ele – Respondeu Mikael, enterrando novamente o rosto nas mãos.
– Vocês brigaram por causa do que aconteceu?
Pelo suspiro cansado de Mikael, ele percebeu que sim.
– Olha, sei que você está irritado com ele, mas foi uma escolha do Eren. Tentei fazer o Levi ficar longe dele, mas foi ele que quis estar lá. Não sei o motivo, talvez ele esteja começando a gostar do Levi, talvez seja algum tipo de masoquista, mas não pode brigar com seu irmão por causa disso, e nem abandoná-lo nesse momento difícil.
– O senhor não entende... – Falou Mikael entre os dedos.
– Entendo que está decepcionado com ele, também estou, mas você precisa apoiá-lo.
– Não quero mais chegar perto do Eren.
– Só por causa disso? Todos fazem escolhas erradas Mikael, por que está com tanta mágoa dele? Sem contar que ele não tem uma namorada ou algo assim, se ele não tivesse sido violentado pelo Levi, seria até compreensível.
– Capitão, você me acha uma pessoa ruim?
Mikael tirou o rosto das mãos e olhou para Erwin. Seus olhos estavam vermelhos e ele percebeu que provavelmente o moreno teria chorado. Mesmo sendo compreensível que Mikael tivesse decepcionado com o irmão, ele ainda se perguntava o motivo dele estar tão abatido.
– Não. Você é um ótimo garoto Mikael. Atencioso, faz tudo perfeitamente bem, perceptivo, ágil, inteligente...
– Então por que não sou o suficiente para o Eren?
Foi nesse momento que Erwin entendeu tudo. O problema de Mikael não era o fato de o irmão ter feito o que fez, mas sim porque ele gostava de Eren de outra forma. Muitas coisas passaram a fazer sentido.
– Eu... Eu não posso ser o suficiente?
– Mikael, você...
Erwin percebeu o esforço que o moreno fazia para não chorar, mas não sabia como ajudá-lo. Mesmo não sendo muito velho, ele pensou que se tivesse um filho, ele poderia ter a idade do rapaz, e se sentiu triste por ele.
– Mikael, me responda, você é apaixonado pelo Eren? – Perguntou o loiro aproximando-se do rapaz.
– Bem... Eu...
– Não vou julgar você – Continuou, colocando a mão no ombro do moreno – Isso não tem nada a ver comigo, só quero entender o que está acontecendo.
– Sim... Sou apaixonado pelo Eren desde que começamos a morar juntos... Eu quis evitar, eu quis parar com isso, é doentio, eu...
Mikael parecia que começaria a chorar a qualquer momento, então Erwin apenas continuou ouvindo pacientemente. Mesmo não sabendo o que fazer naquele tipo de situação, achou mais sensato não falar nada, e apenas deixar que ele colocasse tudo para fora.
O problema foi quando o moreno começou a chorar. Erwin nunca sabia como reagir com alguém chorando, e vê-lo daquele jeito o deixou preocupado. Ele queria ajudar Mikael, mas também não queria que ele ficasse brigado com Eren. Decidiu não forçar as coisas.
– Você pode ficar aqui o tempo que precisar – Disse Erwin quando finalmente Mikael se recompôs.
– Eren precisa de ajuda...
– Eu sei. O quer que eu faça?
– Ele precisa de acompanhamento psicológico, e de um tempo afastado.
– Estava pensando nisso, vou providenciar isso amanhã, agora se acalme.
– Não quero dar problemas para o senhor, só ficaria aqui essa noite...
– Não, tudo bem. Pode ficar aqui, me sentiria mal se algum dos meus homens precisasse de ajuda e eu não pudesse dar.
– Será que tem algum apartamento pequeno perto da delegacia? Não posso ficar para sempre aqui.
– Tem uma pensão para rapazes uma rua depois da delegacia, eu morava lá antes de comprar essa casa, mas já falei que você pode ficar aqui.
– Não vou ficar dando problemas aqui. Obrigado por tudo, mas amanhã alugo um quarto e vou pra lá. Também quero ficar um tempo sozinho.
– Tudo bem. Agora come alguma coisa e toma um banho, depois disso vai dormir pra esfriar a cabeça. O banheiro fica naquela entrada à direita.
– Tudo bem. Obrigado de novo. Acho que o senhor também deveria ir dormir.
– Realmente estou precisando. Boa noite.
– Boa noite capitão.
Depois de deixar Mikael acomodado na sala com lençóis e travesseiros, Erwin tentou dormir. Só tentou. Teve uma noite agitada e sem sono, os pensamentos tomavam conta da sua cabeça e por mais que ele quisesse, não sabia como resolver o problema de Mikael, a partir do momento em que ele estava apaixonado pelo próprio irmão, mas de uma coisa tinha certeza, não poderia mais deixar Levi chegar perto de ninguém daquela delegacia. Decidiu que faria uma visita a ele no dia seguinte.
***
Horas antes
– Por favor, Mikael me escute!
– Escutar o que? Que você ficou com seu fogo e foi ver aquele cara? Não Eren, já chega!
Depois de largar o irmão com a marca da sua mão no rosto e quase chorando na casa de Levi, Mikael saiu sem dizer uma palavra e foi para casa, seguido por Eren, que chegou segundos depois dele. Não adiantava falar mais nada, tudo que Eren quisesse argumentar não faria sentido para o que o moreno tinha visto.
– Me perdoe!
– Perdoar? O que você quer que eu perdoe?
– Eu não queria te magoar... Eu...
– Não queria, mas fez. Parece que aquela noite não valeu nada pra você.
– Claro que valeu!
– Ah sim, valeu muito, NO DIA SEGUINTE VOCÊ FOI DAR PARA O CARA QUE TINHA ESTUPRADO VOCÊ! CLARO QUE VALEU!
Mikael foi em direção ao quarto, onde pegou uma grande mochila e começou a colocar suas roupas e alguns utensílios de uso pessoal.
– O que você está fazendo?
– Indo embora, não está vendo? Você quer Levi, que fique com ele.
– Mas Mikael... Eu estava confuso...
– Confuso? Me poupe! Por isso que parecia tão normal, mesmo depois de tudo que aconteceu a você, e eu ainda me senti culpado... Não passo de um imbecil.
– Não Mikael, eu que sou um imbecil, por favor, me perdoe.
– Não tem nada para perdoar, somos apenas irmãos, certo? Foi um erro achar que algum dia você me veria de outra forma.
– Você não pode ir... Não posso ficar sem você... – Eren já estava com o rosto todo molhado pelas lágrimas.
– Claro que pode, já está bem grandinho. Vai saber se virar bem.
– E pra onde você vai?
– Agora se importa comigo?
– Não fale assim, sempre me importei.
– Sim, claro que sim.
Eren ainda chorava desesperadamente, mas Mikael não conseguia sentir pena do irmão, só queria sair dali. Mesmo que não tivessem namorando ou algo assim, aquilo foi uma traição para ele, se sentia um completo idiota por pensar assim, e por ter imaginado que pudesse ficar junto dele daquela forma.
– Mikael... Não vá... Por mim...
– É por você mesmo que eu vou – Respondeu o moreno fechando a mochila e colocando no ombro – Você precisa de ajuda psicológica, não de mim.
O garoto correu até o irmão, que já estava na porta, e o abraçou por trás. Não sabia o que fazer, mas tinha dar um jeito de não deixá-lo ir. Mikael sentiu as lágrimas do irmão caírem na sua camisa e lutou para não chorar também, pelo menos não ali, na frente de Eren. Não pretendia desaparecer de uma vez da vida de Eren, só queria dar um tempo, deixar as coisas acalmarem e muito provavelmente voltaria se conseguisse esquecer o que sentia por ele.
Mas ele sabia que não conseguiria.
– Adeus Eren – Continuou Mikael, soltando-se dos braços do garoto.
Mikael saiu pela porta deixando Eren ajoelhado no chão, chorando.
***
– Acho que depois daquilo, aquele garoto não virá mais aqui – Levi cruzou as pernas e encostou-se na poltrona com uma taça de vinho na mão, em frente a ele, sentado no sofá, Patrick segurava uma xícara de café entre as mãos.
– O senhor acha que ele gostou do que fizemos com ele? – Patrick ainda parecia incomodado com o rumo que as coisas haviam tomado.
– Sim, se não tivesse gostado, não teria voltado. Um masoquista, claro.
– Acho que aquele outro, o moreno, não deve ter gostado...
– Claro que não gostou. O cara passou uma parte da vida apaixonado pelo irmão, e quando vê, ele ta querendo dar pra outra pessoa, claro que iria reagir daquele jeito. Não se preocupe com isso, o problema é dele, não nosso.
– O detetive Erwin também não pareceu gostar muito.
– Pois é, tenho certeza que ele virá tirar satisfações.
– Aqui? Quando?
– Provavelmente amanhã. Ou o mais rápido possível.
– O senhor não parece estar preocupado com isso.
– Não estou, por que estaria?
– Não sei... Ele quer te prender, isso não te preocupa?
– Ah não, ele não vai conseguir provar os assassinatos, principalmente sem provas, e depois de ontem, nem mesmo o estupro, só o seqüestro. No final Eren garantiu minha estadia fora das grades. Quanto a ele vir aqui, eu até quero que ele venha, darei um jeito para que ele pare de fugir dos próprios desejos.
– Acha que ele quer o senhor?
– Não acho, tenho certeza – Respondeu Levi levantando-se e colocando a taça em cima da mesinha de centro.
– E como sabe disso?
– Porque também o quero – Continuou o moreno indo em direção ao quarto, deixando Patrick e seus ciúmes na sala.
***
Erwin estava com dor de cabeça. Depois de uma noite mal dormida, ele acordou com a cabeça pesada, mas sabia que precisava ir para o trabalho. Encontrou Mikael ainda dormindo, com o travesseiro ainda molhado, indicando que ele teria chorado boa parte da noite. Decidiu dar o dia de folga para o rapaz, mas sabia que assim que ele acordasse e visse o bilhete que havia deixado, onde dizia que tinha ido para a delegacia, Mikael sairia e iria também.
Depois de ter a noticia de que uma das inúmeras testemunhas que encontrara não havia ajudado muito, apenas dizendo o que eles já sabiam, ligou para a psicóloga da policia, dizendo que um de seus homens precisava de acompanhamento. Tinha acabado de dar o endereço de Eren e desligado o telefone, quando alguém bateu na porta.
Como ele esperava, era Mikael.
– Bom dia capitão.
– Bom dia Mikael. Achei que tinha te dado o dia de folga.
– Se eu parar, ficarei pensando nisso, acho melhor tentar esquecer e continuar minha vida.
– Uma boa idéia.
– Também acabei de ver a pensão que o senhor falou, aluguei um quarto, depois vou passar em casa e pegar o resto das minhas coisas.
– Tem certeza que vai largar o Eren?
– Sim. Também queria dizer que não quero mais ser o parceiro dele. Pelo menos por enquanto.
– Eren vai ficar afastado por um tempo, acabei de providenciar isso. Liguei para a psicóloga da policia, ela vai acompanhá-lo e dizer quando ele estiver apto para voltar.
– Obrigado mais uma vez por tudo.
– Por nada. Agora não sei quem poderá ser seu novo parceiro. Você podia ser meu assistente, mas isso iria prendê-lo na delegacia, o que seria um desperdício. Aliás, espere um minuto – Erwin pegou um papel que Hanji havia colocado em sua mesa assim que ele chegou – Acho que tenho alguém em mente. Tem um policial que será transferido para cá. Ele se mudou recentemente e como Eren está afastado, virá a calhar – Ele olhou para o relógio – Já deve está chegando.
Alguém bateu na porta fazendo os dois pararem de falar.
– Acho que acabou de chegar – Continuou Erwin levantando-se – Entre.
Mikael se virou para ver quem entrava e se surpreendeu. O rapaz parecia ter a mesma idade que ele, mas era um pouco mais baixo. Tinha cabelos loiros e um olhar um tanto entediado e de poucos amigos. Não parecia o tipo de pessoa que falava muito, ao contrário de Eren, mas talvez fosse alguém confiável e tão bom quanto ele.
– Bom dia, o senhor é o delegado Erwin? – Começou o loiro mais baixo.
– Sim. Você deve ser o policial transferido.
– Exatamente, me mudei há pouco tempo, e como aqui teve um policial suspenso, me mandaram pra cá.
– Ótimo. Aí está seu novo parceiro Mikael. Apresentem-se.
– Mikael Ackerman – Começou o moreno estendendo a mão.
– Ann Leonhardt – Respondeu o loiro apertando a mão do outro.
***
– Está tudo certo.
– Ocorreu tudo bem? – Um homem robusto se sentou e acendeu um charuto.
– Sim, tudo como planejado.
– Não desconfiaram de nada?
– Nem por um segundo.
– Ótimo, continue com o bom trabalho.
– Farei isso.
Don Valetino encostou-se na poltrona, sorriu, e deu um gole em seu vinho.
Bom garoto – Pensou antes de sorrir.
***
Depois de um dia agitado com a transferência de Ann, Erwin finalmente pôde descansar. Ele tinha ficado preocupado com o fato de Mikael e Ann serem do tipo que não conversam muito, mas os dois pareceram se dar bem. Principalmente depois de Hanji começar um jogo onde todos da delegacia se apresentariam, deixando o rapaz loiro mais a vontade. Agora precisava resolver um problema pendente fora da delegacia.
Quando a delegacia finalmente ficou vazia já era tarde da noite, mas mesmo assim Erwin pegou as chaves do carro e foi para a casa de Levi. Ao chegar lá, como sempre, a porta foi aberta antes mesmo de ele tocar uma segunda vez a campainha. Só que ao contrário do que normalmente acontecia, quem atendeu a porta foi Levi.
– Olha só quem temos aqui. Por que será que eu sabia que você viria?
– Anda adivinhando, ou seguindo meus passos?
– Você é muito previsível Erwin, por isso.
– Maravilha, já que você que veio atender a porta, falarei logo.
– Ah não, faço questão que entre. Está um pouco frio, não quero ficar conversando nesse frio.
– Não estou com frio, e não pretendo demorar.
– Você não está, mas eu estou. Acabei de sair do banho e só estou com esse kimono.
Erwin estremeceu ao saber que Levi vestia apenas um kimono, e sem que percebesse, já estava observando-o, a procura de um sinal de alguma roupa por baixo.
– Seja lá o que você esteja procurando, não vai encontrar. Eu estou usando apenas esse kimono, mais nada. Agora você vai deixar esse seu medo de lado e entrar, ou vou ter que te largar aí?
– Do que acha que eu tenho medo?
– De comprovar o que nós dois sabemos.
– O que?
– Você vai descobrir, quer dizer, você vai ver.
Mesmo relutante Erwin seguiu Levi pelo corredor, mas dessa vez não foram em direção à sala principal. Eles seguiram para o segundo andar, indo parar em um cômodo que parecia a sala principal, mas tinha algumas modificações. Não tinha uma mesa, apenas dois sofás grandes, duas poltronas, um grande tapete vermelho, uma lareira e alguns quadros. Erwin não sabia porque Levi o tinha levado até ali, mas não estava gostando daquilo, o cômodo era aconchegante demais, e ele temia passar mais tempo do que pretendia e acabar cedendo aos próprios desejos, embora isso fosse justamente o que tanto ele quanto Levi queriam.
– Onde está Patrick?
– Depois de lavar a louça ele foi dormir. Talvez você não saiba, mas já está tarde, pessoas normais estão dormindo agora – respondeu Levi sentando-se na poltrona e cruzando as pernas.
– O que não deve se aplicar a você, suponho.
– Nem a você. Não vai sentar?
Depois de um tempo pensando se deveria fazer aquilo, Erwin se sentou no sofá quase em frente à poltrona de Levi, dando para visualizar todo o corpo do moreno. O kimono que Levi usava estava meio aberto, mostrando parte de uma tatuagem que começava no peito e ia em direção ao braço. Naquele momento ele percebeu que Levi sempre usava camisas de manga longa, e a única vez em que havia visto as tatuagens do moreno, foi na sala de interrogatório, quando acabou transando com ele.
– O que são essas tatuagens?
– Interessado nelas? – Levi ajeitou-se na poltrona, mostrando ainda mais as pernas que estavam evidentes desde que sentara, e abriu um pouco mais o kimono, mostrando o começo das tatuagens – É uma espécie de marca que os “soldados” da máfia ganham. Cada uma possui um significado diferente. Essa, que começa aqui – Ele usou o dedo para apontar o começo da tatuagem, logo embaixo do mamilo direito – e toma parte do meu braço, indica que sou um “soldado” especial, com certo prestígio. Se alguém de outra família da máfia me vê, saberá que sirvo diretamente a Don Valentino. Esse lobo aqui – ele mostrou a tatuagem que estava no pescoço – é o símbolo da família Valentino.
– E a das costas?
– Essa? – O moreno virou-se e abaixou ainda mais o kimono, deixando metade do corpo nu e mostrando um dragão negro bem desenhado que tomava suas costas– Diz que sou um assassino da máfia.
– Então você admite isso?
– Por que não? Você sabe a verdade, do que adianta mentir?
– Vou conseguir provar seus crimes, Levi.
– Não, não vai. Por que quer tanto se livrar de mim?
– Questão de justiça.
– Você sabe que não matei ninguém inocente, eles sabiam o que aconteceria se fossem procurar Don Valentino por dinheiro e depois não pagassem.
– Isso não te dá o direito de matá-los.
Levi levantou-se e colocou novamente a parte de cima do kimono nos ombros, embora ele continuasse aberto, mostrando parte do peitoral definido do moreno.
– Eu tirei pessoas podres e viciadas das ruas, deveria me agradecer ao invés de querer se livrar de mim – Começou Levi indo em direção a Erwin.
– Não quero me livrar de você.
– Realmente, é bem melhor que eu esteja fora da cadeia, ajudando vocês, principalmente você, em vários aspectos – Continuou ele levantando a parte do kimono, dando espaço para abrir as pernas, e se sentando no colo de Erwin.
– Por que você adora ficar me provocando? – Erwin parecia tenso.
– Porque quero ver essa sua fachada de bom moço cair, só por isso.
O moreno passou a beijar o pescoço de Erwin, que parecia cada vez mais tenso.
– Você precisa relaxar Erwin... – Levi mordeu a orelha do loiro enquanto se esfregava em seu colo – Está gostando disso, eu sei – Sussurrou ele no ouvido de Erwin.
– Por que eu, Levi? – Erwin soltou um suspiro quando sentiu a respiração quente de Levi em seu pescoço.
– Não sei, mas eu gostei de você, desde o momento em que o vi – Levi passou a mão pela virilha de Erwin, que pareceu prender a respiração – Eu quero você Erwin. Como nunca quis ninguém.
Erwin sabia que não deveria confiar em Levi, mas não conseguia agüentar mais, nem ignorar seus desejos. Decidiu entrar no jogo quando o moreno o encarou e se aproximou o suficiente para que seus lábios ficassem bem próximos, mas sem se tocarem.
– Não quero ser mais uma peça em sua mão, Levi.
– Eu estou sendo uma em sua mão, não é? Mesmo que você negue, estou colocando meu trabalho de lado para te ajudar.
– Também não quero ficar te usando. Isso foi um acordo.
– Mas eu quero que você me use, da forma que quiser.
Levi reduziu a distancia entre os lábios dos dois até que eles se tocassem. Antes que percebessem um simples selinho tinha se transformado em um beijo ardente, que ambas as partes ansiavam, com línguas, saliva e desejo. Erwin segurou a cintura do moreno e o trouxe para mais perto de si, enquanto o outro colocava os braços ao redor do seu pescoço e agarrava seu cabelo. Só pararam quando o ar finalmente faltou.
– Eu também quero você, Levi. Agora.
– É bom ouvir isso – Levi sorriu e se levantou do colo de Erwin – Vamos para meu quarto.
Pegando a mão de Erwin, Levi seguiu por uma porta que havia na sala e foi em direção a seu quarto. Quando finalmente chegaram, o moreno jogou Erwin sentado na cama e o encarou.
– Tire os sapatos e a calça. Rápido.
Levi observou Erwin tirar os sapatos e abrir a calça, mas nem esperou o loiro tirá-la e abriu o kimono, expondo seu corpo completamente nu. Erwin se levantou e Levi foi até ele, encaixando a mão entre sua pele e a calça, antes de empurrá-la para baixo. Depois de Erwin cair novamente sentado na cama, o moreno esperou que ele se ajeitasse, encostando-se na cabeceira, e sentou em seu colo, começando a abrir os botões de sua camisa azul clara.
– Parece que você já está duro, Erwin – Começou Levi, esfregando-se mais uma vez em seu colo – Mas antes de continuar, vamos tirar essa camisa – Continuou a falar, antes de jogar a camisa no chão do quarto.
Erwin segurou o cabelo de Levi e o puxou para trás, enquanto trazia-o para mais perto com o outro braço, e começava a beijar e morder de leve seu pescoço.
– Pare de me provocar Levi, sente de uma vez em mim – Falou Erwin enquanto Levi soltava suspiros.
– Você está com muita pressa.
– Sim. Sente. Agora.
– Acalme-se, antes vou fazer uma coisinha.
Levi encarou Erwin e sorriu. Pegou o membro já excitado do loiro e afastou-se, se posicionando de modo que pudesse chupá-lo. Começou lentamente, certificando-se de que o lambuzaria com saliva o suficiente para que pudesse sentar com facilidade, e que não fosse doloroso para ele.
– Agora sim.
Depois de lubrificá-lo com a própria saliva, Levi segurou o pênis de Erwin e o posicionou em sua entrada antes de sentar nele. Erwin soltou um suspiro quando o sentiu envolver seu membro e pegou alguns travesseiros para se encostar e apoiar as costas.
Levi começou devagar, colocando as mãos nos ombros de Erwin para se apoiar, até aumentar a velocidade e passar a apoiar-se nas coxas do loiro, jogando a cabeça para trás. Erwin tinha desejado durante muito tempo aquilo, e passou a observar atentamente a expressão de prazer do moreno enquanto segurava o membro de Levi, começando a masturbá-lo.
– Mais rápido Levi.
O moreno o encarou corado de prazer e ofegante, mas fez o que Erwin dizia, aumentando a rapidez com a qual se movimentava, para frente e para trás, enquanto gemia alto, fazendo sua voz ecoar pelo quarto. Não se importava que Patrick acordasse, apenas queria continuar a sentir Erwin cada vez mais fundo nele. Chegou ao orgasmo antes de Erwin, que o encarava com um sorriso malicioso no rosto molhado de suor, embora estivesse menos cansado. O loiro levantou a mão com a qual o masturbava e a colocou na frente do seu rosto.
– Lamba.
Aquela expressão agressiva e dominante de Erwin sempre o excitava, deixando-o com o desejo por mais. Levi segurou a mão grande de Erwin e começou a lamber seu próprio gozo, enquanto encarava a satisfação estampada no rosto do outro.
– Como é seu próprio gosto?
– Bom, melhor que o seu.
– Ah é? – Erwin sorriu maliciosamente – É o que veremos.
Erwin segurou a cintura de Levi e o empurrou na cama, ficando por cima, mas sem sair de dentro dele. Levi voltou a ficar excitado quando Erwin passou a penetrá-lo com rapidez, fazendo-o gemer alto novamente. O mais baixo agarrou-se a Erwin, arranhando suas costas enquanto ele o masturbava e continuava com o ritmo rápido de estocadas. Levi chegou ao clímax mais uma vez, abraçando o outro com força. Quando sentia que chegaria ao orgasmo, Erwin saiu de dentro de Levi.
– Continue com a boca.
Levi sentou-se e envolveu o membro de Erwin com a boca, no momento em que ele gozou.
– Agora engula.
– O meu continua sendo melhor – Respondeu Levi passando a mão nos lábios para limpar o que ele não havia engolido – Não é bem melhor quando você para de fingir ser bonzinho? – Continuou ele deitando na cama ao lado de Erwin.
– Preciso parar de entrar nos seus joguinhos – Erwin deitou-se apoiando a cabeça no travesseiro – Ou vou acabar me enrolando mais ainda.
– Tenho algo pra você.
Levi se levantou e foi em direção ao criado-mudo, quando voltou, trazia em uma mão um envelope ricamente decorado, e na outra alguns crachás.
– O que é isso?
– Don Valentino dará uma festa mês que vem, aonde irá se reunir com vários outros chefes da máfia. Achei que iria querer entrar – Respondeu Levi entregando tudo para Erwin.
– Por que está me dando isso?
– Uma recompensa.
– Pelo que? Pelo que acabou de aconteceu?
– Exatamente. Se você for um mau garoto e vier sempre aqui, posso te ajudar ainda mais.
– O que é isso, sexo com recompensa?
– Apenas um incentivo. Também prometo nunca mais colocar as mãos no Eren, mesmo que ele apareça aqui.
– Você fez aquilo de propósito não foi? Sabia que eu viria aqui, e queria que eu visse.
– Na verdade não. Fiz aquilo porque ele veio aqui, não foi meu objetivo expor o garoto daquela forma. Mas acho que agora ele vai acalmar o fogo dele.
– Espero que sim – Erwin se levantou da cama procurando as peças de roupa espalhadas pelo quarto.
– Já vai? Durma aqui.
– Amanhã preciso trabalhar, talvez outro dia.
– Quando?
– Talvez quando eu precisar da sua ajuda de novo.
– Ou quando sentir vontade de me comer mais uma vez.
Erwin parou de se vestir e olhou para Levi. Seria difícil resistir à vontade de vê-lo novamente, e ele não estava disposto a continuar negando isso.
– Acho que vai ser antes que imagina Levi.
– Espero que sim. Vou estar te esperando.
– Eu sei que vai.
O loiro terminou de se arrumar e saiu, deixando o moreno sentado na cama com um cigarro na mão. Sabia que o veria novamente em breve, mesmo tendo consciência de que não seria uma boa idéia.
Estou cavando minha própria cova – Pensou, enquanto dava partida no carro e voltava pra casa.
***
Uma semana havia se passado desde que estivera na casa de Levi, e Erwin já sabia como agiria na festa de Valentino. O plano era ele entrar como convidado, enquanto Mikael e Ann, que a essa altura já pareciam se dar bem, estariam como empregados. Hanji e o resto do pessoal estariam fora, dando suporte e comunicando qualquer problema que pudesse afetar a operação. Depois de meses andando em círculos sem ir a lugar algum, ele finalmente teria a chance de pegar Valentino no flagra, só precisava vê-lo negociando drogas e armas com os outros. Ainda de quebra, se tivesse sorte, ainda poderia pegar outros chefes da máfia.
Erwin estava exultante e ansioso quando alguém bateu na porta. Esperava que fosse Hanji perguntando onde almoçaria, mas se surpreendeu ao ver as figuras que entraram.
– Quanto tempo Erwin. Fico feliz vendo que está bem.
Ele se levantou para abraçar o homem que tinha acabado de chegar. Fazia anos que não via seu antigo parceiro.
– Quanto tempo! Como você está Mike?
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