O Criminoso Perfeito
2 Capítulo 2 - O primeiro passo
Notas iniciais
Levi finalmente chegou em casa depois de um dia cansativo. A noite anterior tinha sido longa, já que ele tinha ido “trabalhar”, e durante todo o dia havia ficado observando a equipe do Erwin na investigação da cena, e por isso ainda não tinha dormido.
Quando chegou, foi recebido por seu mordomo.
– Boa noite mestre, ainda bem que chegou, eu já estava ficando preoc-
– Ah, Patrick, coloque logo isso para lavar – Respondeu Levi tirando a camisa branca com uma mancha de sangue – Depois te dou a calça, mas coloque logo a camisa de molho pra tirar essa maldita mancha. O que tem para o jantar?
– Fiz frango assado, mestre.
– Ótimo, esquente enquanto vou tomar um banho. Já jantou?
– Sim, mestre.
– Tudo bem. Pegue um vinho também.
– Sim, mestre.
Patrick Ral observou seu mestre se afastar a passos largos. Ele tinha consciência do trabalho de Levi, mas isso não importava para ele. Levi tinha salvado Patrick das mãos dos homens de um rival de Don Valentino alguns anos antes, quando este fora confundido com uma garota por causa do seu rosto delicado.
Seus cabelos ruivos, seus olhos cor de âmbar e sua estatura pequena, além da personalidade doce e prestativa, sempre o fazia ser alvo de vários aproveitadores que o confundiam com uma garota e o perseguiam. Naquela noite ele estava fugindo dos homens mandados por um agiota para assassinar seu pai, e depois de presenciar a tragédia, conseguiu se safar porque o alvo de Levi eram justamente eles. Ele ainda lembrava de cada frase daquela noite:
– Você também é um deles? – Indagou Levi com a arma apontada para a cabeça de Patrick.
– N-n-não. Eu estava fugindo deles... Eles mataram meu pai e tocaram fogo na minha casa.
– Sinto muito. Se eu souber que você deu com a língua nos dentes, eu vou até o inferno atrás de você. Entendeu?
– S-sim.
– Ótimo, agora anda, sai daqui.
– E-eu não tenho pra onde ir...
– Isso não é problema meu, agora sai daí, preciso limpar essa bagunça antes que os policias cheguem.
– Você sabe pra onde eu posso ir?
– Como eu vou saber? Você tem um trabalho?
– Não, ainda sou menor de idade.
– Pelo menos sabe fazer alguma coisa dentro de casa? Lavar, limpar, cozinhar?
– Sim. Eu praticamente vivia sozinho, já que meu pai sempre saia de casa e minha mãe morreu quando eu era menor.
– Ótimo, me ajude a limpar essa bagunça e pode vir comigo. Ganhei uma casa grande do meu empregador e dá muito trabalho cuidar dela sozinho. Posso te dar casa, comida e um salário, até você conseguir se virar sozinho.
– O-o-obrigado! Não irei te decepcionar!
Patrick sorriu ao lembrar-se de tudo, principalmente das ultimas palavras de Levi. No fundo ele sabia que o mestre , mesmo com toda sua personalidade reservada e distante, só queria um pouco de companhia. Algum tempo depois Levi contou a ele que a historia dos dois era parecida, já que seus pais também tinham sido mortos por agiotas, e que ele não teve a mesma sorte de Patrick ao encontrar alguém para ajudá-lo, e acabou entrando no mundo do crime.
Ele sentia-se feliz ali, sempre ajudando a pessoa que salvou sua vida, tendo a liberdade de fazer o que quisesse, mas nos últimos meses Patrick começou a perceber que seu sentimento, que ele achava ser apenas gratidão por Levi tê-lo salvado, estava mudando. Desde o começo, tanto o moreno quanto ele não se importavam quando Levi andava apenas com uma cueca samba-canção pela casa, mas agora era diferente. Toda vez que ele presenciava o mestre com pouca roupa, ou até mesmo sem nenhuma (o que acontecia toda vez que Levi insistia que a toalha estava suja e se recuava a se enxugar com ela, então Patrick tinha que levar uma nova), o ruivo sentia seu rosto começar a queimar e seu corpo reagir de forma anormal. Antes que percebesse ele tinha começado a cheirar as roupas de Levi toda vez que ele chegava em casa.
Patrick olhava para a camisa suada e recém tirada de Levi e estava começando a sentir o súbito desejo de cheirá-la, quando ouvir a voz rouca do mestre chamar seu nome.
Hoje era o dia do “essa toalha está imunda, traga outra”.
O ruivo pegou uma toalha limpa e correu em direção ao banheiro, ainda com a camisa de Levi nas mãos, para encontrá-lo completamente nu segurando a toalha.
– Essa toalha está imunda. Traga outra.
– Aqui está, mestre.
– Já esquentou o jantar? – Perguntou Levi enrolando-se na toalha limpa.
– Não, senhor.
– Tsc. Deixe pra lá, vou tomar um pouco de vinho e dormir, não estou com fome. Pegue o resto da minha roupa, e depois de colocar para lavar, pode ir dormir.
– Sim, mestre. Boa noite.
Depois de pegar o resto das peças de roupa de Levi, que estavam impecavelmente dobradas em cima da pia de mármore do banheiro, Patrick saiu do banheiro enquanto Levi enxugava-se. Ele seguiu até a lavanderia, onde colocaria as roupas para lavar, mas algo o impediu. Antes que percebesse, ele estava abraçado à camisa de Levi, sentindo o cheiro do mestre, uma mistura de perfume e suor, quando ele lembrou do que havia visto no banheiro e sua imaginação começou a vagar. Ele olhou para as outras peças de roupa e localizou a cueca preta do mestre.
“Não posso fazer isso... Se eu fizer, isso pode virar um costume...”
Foi naquele momento que percebeu que já havia virado um costume. Ele já cheirava a camisa de Levi toda vez que colocava as roupas na máquina de lavar, então da camisa para a cueca seria fácil, e foi justamente o que ele fez. Patrick pegou a cueca de Levi e aspirou seu cheiro enquanto lembrava que minutos antes, esta envolvia as partes intimas do mestre. Ele começou a sentir que ficara excitado e passou a imaginar Levi entrando nele, possuindo-o, violando-o. Com a mão livre ele começou a se masturbar pensando na cena: Levi em cima dele penetrando-o, enquanto sussurrava seu nome com a voz rouca e o fazia gemer de prazer.
Quando menos percebeu, já havia gozado sem querer na roupa de Levi. Desesperado, e com medo de que não manchasse, ele colocou as peças na máquina de lavar e saiu apressado da lavanderia.
“Eu preciso parar com isso, não posso continuar me masturbando enquanto cheiro as roupas do meu mestre. Mas o que me resta fazer? Ele nunca irá me notar mesmo...”
Aflito, Patrick subiu as escadas e foi para seu quarto, onde, novamente, teria sonhos eróticos com Levi.
***
– Eren, se você não acordar agora, vamos nos atrasar.
A voz firme partia de Mikael, que já estava completamente arrumado e tentava acordar o seu irmão ainda adormecido.
– Que? Que horas são? – Respondeu Eren em um estado entre dormindo — acordado.
– São sete e quarenta e oito. Só temos doze minutos pra estar na delegacia.
– MEU DEUS MIKAEL! POR QUE NÃO ME ACORDOU ANTES?
Eren quase tropeçou nos lençóis enquanto corria para o banheiro. Mikael quase riu vendo a cena, mas preferiu ir preparar algo rápido para o irmão comer, já que sabia que este não conseguiria comer com calma.
Depois de menos de três minutos no banheiro, Eren saiu correndo enrolado em uma toalha, completamente molhado em direção ao quarto dele. Depois de preparar um sanduíche e um copo de suco para Eren, Mikael decidiu enxugar o caminho de pegadas que o irmão tinha deixado.
– Eren, se vai sair molhado do banheiro, pelo menos enxugue os pés — Disse Mikael entrando no quarto sem cerimônia.
– AH, não tenho tempo para isso, depois eu limpo...
Eren ainda se enxugava quando o rapaz de cabelos negros parou na porta do seu quarto e ficou observando-o completamente nu. Mesmo sendo irmãos, o olhar dele demonstrava algo mais. Era como se Mikael estivesse analisando o corpo de Eren.
– O que é que tanto olha?
– Você mudou.
– Como assim?
– Quando éramos menores, você não tinhas estes músculos. Você ficou maior... Em vários sentidos.
– Sério que você vai ficar olhando para meu pau desse jeito?
– Algum problema? Está com vergonha?
– Somos irmãos, por que eu teria vergonha?
“Porque olhando pra você desse jeito, a única coisa em que eu penso é comer você” pensou Mikael, mas ele apenas respondeu:
– Nada. Só me pergunto o motivo de estar incomodado.
– Ah Mikael, deixa eu me vestir em paz! – Disse Eren empurrando o irmão, e trancando a porta do quarto.
Mikael ficou parado por alguns segundos antes de sair da frente da porta fechada. Sim, eram irmãos, de mães diferentes, mas eram irmãos. Mesmo que da parte de Mikael o sentimento não fosse apenas fraternal. Ele sabia o quanto era perigoso desejar o irmão, pelo fato de ter que conviver com ele, e até mesmo vê-lo sem roupa. Diversas vezes ele pensou em se mudar, sair de perto do Eren pra tentar esquecê-lo, mas sabia que não adiantaria, e no final das contas ele ainda se sentia responsável pelo mais novo.
Mas reprimir esses desejos só estava fazendo mal a ele.
O garoto de cabelos negros percebeu que não poderia viver o resto do tempo em que morassem juntos apenas calado, se masturbando às escondidas, uma hora Eren iria perceber. Ele era meio lento com essas coisas, mas qualquer um perceberia que ele não via o irmão de forma pura, inocente, mas sim com olhos desejosos.
– Vamos. – Disse Eren saindo do quarto enquanto fechava o ultimo botão da camisa.
– Finalmente.
– Eu dirijo hoje.
– Nem pensar, da ultima vez você quase matou uma velhinha que atravessava a rua inocentemente.
– Não tenho culpa se ele estava atravessando na hora errada!
– O sinal estava amarelo, Eren.
– Tanto faz. Me dê a chave.
– Não, eu dirijo. Pegue o suco e o sanduíche que estão na mesa, e vamos. Já escovou os dentes?
– Você é o que agora? Minha mãe?
– Pergunto isso porque sei como é avoado – Respondeu Mikael dando um peteleco na testa de Eren.
– Sim, claro que escovei. Você precisa parar de me tratar como uma criança – Resmungou Eren antes de engolir o suco e pegar o sanduíche.
– Vou parar de te tratar como uma criança quando você parar de agir como uma — Mikael pegou as chaves do carro e saiu deixando Eren para trás – Tranque a porta quando sair.
Eren resmungou alguma coisa que Mikael não conseguiu entender enquanto trancava a porta. Os dois podiam ter a mesma idade, mas a forma de agir de Eren sempre o deixava no patamar de “irmão mais novo”, isso o irritava, mesmo considerando Mikael como irmão mais velho.
– Trancou?
– Sim.
– Tem certeza?
– Porra Mikael, anda logo, vamos chegar atrasados.
– Já estamos atrasados Eren – Respondeu Mikael enquanto sorria e dava a partida no carro.
***
– SANGUE DE CRISTO, ERWIN! VOCÊ ESTÁ HORRÍVEL!
– Pode gritar mais alto Hanji? Acho que alguém do outro lado da delegacia não ouviu.
– Sério, você está péssimo. Olha essas olheiras, você está pálido! Precisa de café urgentemente, espera um pouco aqui que eu vou pegar.
– Se eu tomar mais café, meu sangue vai se resumir a café e energético. Estou bem. Sério.
– Claro que está bem, e eu sou o coelhinho da páscoa. Corta essa, o que aconteceu com você? Precisa parar de levar trabalho pra casa, ou isso vai acabar te matando.
– O que vai me matar é outra coisa... Mas enfim, o que temos da pericia dos corpos?
– Calminha aí – Hanji colocou a cabeça para fora da sala antes de gritar — Ô MOBLIT, TRAZ DOIS COPOS GRANDES DE CAFÉ AÊ!
– Hanji, pode parar de gritar, por favor?
– Dor de cabeça?
– Sim, dormi mal. Costumo ficar com dor de cabeça depois de dormir mal.
– Tenho um analgésico na bolsa, quer?
– Por favor.
Hanji saiu da sala de Erwin em busca do analgésico. Quando finalmente ficou sozinho, Erwin pôde lembrar-se do motivo que não tinha deixado que ele dormisse: Levi. Lembrar do nome do moreno fez com que ele se arrepiasse e recordasse de tudo que havia acontecido na noite anterior. Cada gemido, cada palavra, e principalmente da ultima frase:
“Da próxima vez todo seu gozo estará dentro de mim, Erwin. Estarei aguardando ansiosamente esse dia, até lá, divirta-se nas cenas dos meus crimes.”.
O loiro encostou-se na cadeira e suspirou. Aquilo o estava enlouquecendo. Não conseguir encontrar e prender Levi, e ainda ter que aturar as ligações dele, onde apenas ouvia uma respiração ofegante, estava fazendo com que ele saísse do foco principal da força-tarefa dele, que era incriminar e prender Don Valentino. O devaneio estava tomando conta dele quando ouviu a porta abrir e Hanji aparecer com dois copos de café, com um comprimido em cima de um deles e um jornal embaixo do braço.
– Toma – Disse Hanji entregando o café com o comprimido para Erwin.
– Obrigado. E o corpo?
– Ah, sim, o corpo não tinha nada, como sempre. O cara era um viciado e tinha um buraco de bala na cabeça. Levi é muito meticuloso em seus crimes. Já viu o que os jornais estão falando dele? Agora o chamam de “o limpador da máfia”.
A mulher de cabelos castanhos jogou o jornal em cima da mesa de Erwin, que o pegou torcendo o nariz.
– Eles não perdem a oportunidade de ganhar dinheiro com essas coisas.
– Claro, são jornalistas, mas não pára por aí, olha o que estão falando sobre você.
– Sobre mim? – Erwin folheou o jornal até encontrar a matéria e ler a parte que falava da sua força-tarefa e leu em voz alta — “O delegado Erwin Smith que comanda a força-tarefa ‘limpeza da máfia’, agora tem uma grande responsabilidade nas mãos, prender Don Valentino e seu cobrador misterioso, o assassino frio que vem fazendo a limpeza nas ruas”. Puta que pariu, nem colocam pressão em cima de mim, não é? E ainda deram um nome à força-tarefa? O que eu fiz de tão ruim pra merecer isso?
– Você deu o azar de ser o melhor delegado da região e pegar esse caso – Respondeu Hanji antes de tomar um gole do café.
***
Eren e Mikael chegaram quinze minutos atrasados.
Apesar de não ter trânsito, os dois demoraram mais do que esperavam para chegar na delegacia. Ao chegarem, foram recebidos por um delegado com olheiras enormes e com um aspecto de cansado.
– Finalmente, achei que não veria vocês hoje – Disse Erwin.
– Desculpa delegado, foi minha culpa... – Começou Mikael.
– Mentira! Eu que acordei tarde, a culpa é minha, não precisa envolver o Mikael, eu.. – Interveio Eren.
– Tudo bem, se acalmem. Vocês também ficaram até tarde e esse é o primeiro caso de vocês, entendo que estejam cansados, apenas evitem atrasos. Agora vamos, precisamos rever a cena do crime e interrogar algumas pessoas, alguém pode ter visto alguma coisa.
– Sim, senhor! – Respondeu os irmãos ao mesmo tempo.
Então a equipe estava de volta ao local do crime.
Para a infelicidade de todos, e para confirmar as suspeitas de Erwin, não havia nada ali. Nenhuma pegada, nenhuma digital, nem mesmo os cartuchos das balas. Como sempre, ninguém tinha visto e nem ouvido nada. Era mais do que óbvio que era trabalho profissional e que eles precisavam saber quem seriam os possíveis devedores de Don Valentino para assim ter uma chance de pegar o assassino no flagra, mas a lista de pessoas era grande demais, e eles não podiam simplesmente monitorar cada viciado na região. O dia tinha sido improdutivo e sem pistas, fazendo com que todos voltassem abatidos para a delegacia.
– Não acredito que teremos que esperar que Levi ataque novamente para poder prendê-lo, isso claro, se conseguirmos provar – Erwin a mão pelo rosto suado e abatido antes de continuar – Isso está me cansando.
– Uma hora ele vai cometer um deslize, tenho certeza – Respondeu Eren.
– Não, Levi não comete erros. Precisamos pensar antes dele, prever seus passos, mas como?
– Pode pegar qualquer outra pessoa que trabalha pra Valentino e obrigar ela a falar sobre Levi – Disse Mikael.
– Ninguém conhece Levi, já fizemos isso. A única coisa que nos dizem, e que todo mundo sabe, é como ele é na aparentemente, mas mal sabem se “Levi” é o nome dele mesmo, pode ser até mesmo um nome falso.
– Será que ele trabalha mesmo sozinho? – Eren voltou a perguntar.
– Pelo que dizem sim, mas o trabalho é perfeito demais para ser feito por uma pessoa só. A menos que ele tenha tempo.
– Se ele tem tempo, significa que ele sabe quando agir, conhece os passos da pessoa. Mas quem será a próxima vitima dele? Só saber quem ele está observando.
– Esse é o problema Eren, não sabemos. Agora vão pra casa, já está tarde, amanhã continuamos.
– Tudo bem delegado Erwin, boa noite.
– Boa noite Eren. Boa noite Mikael.
– Boa noite delegado – Respondeu o moreno.
Os irmãos entraram no carro e estavam a caminho de casa quando Mikael parou em um pequeno mercado um pouco antes da garagem deles.
– Preciso comprar algumas coisas para o jantar.
– Tudo bem, não demore. Vou na frente, estou apertado e preciso ir no banheiro.
– Ok, vê se fecha a porta direito e toma cuidado.
– Porra Mikael, você não cansa de agir como se fosse minha mãe?
– Vai logo Eren, você não estava apertado?
Eren resmungou algo (como sempre fazia quando sabia que não adiantava discutir com Mikael a respeito da sua super proteção), e saiu do carro junto do irmão, mas ao contrário dele que entrou no mercado, seguiu em direção ao apartamento deles. A rua estava vazia e só se podia ouvir os passos dele ecoando pela rua.
Mas Eren não estava sozinho.
E ele iria descobrir em breve.
***
Algumas horas antes
– Vai sair mestre?
– Sim.
– Trabalho de novo?
– Sim. Arrumou o porão como te pedi?
– Sim.
– Já preparou o jantar?
– Sim, mestre. Preparei um pouco mais, como pediu.
– Ótimo. Teremos visitas hoje.
– Visitas? O senhor não costuma convidar ninguém pra vir aqui.
– Pois é, mas essa pessoa não será convidada — O moreno colocou o casaco com capuz preto e verificou os bolsos pra ver se não faltava nada – Estou indo Patrick, até daqui a pouco.
***
A súbita sensação de perigo veio antes que Eren pudesse perceber alguma coisa.
Ele simplesmente não ouviu e nem viu o que vinha atrás dele, a única coisa que sentiu foi um pano branco ser colocado em seu rosto.
E então tudo escureceu.
***
Uma hora depois de ter mandado todos da delegacia para casa, Erwin finalmente saiu e foi para casa. Era uma mania ficar vendo as possíveis provas e o resultado das análises mesmo depois de ter acabado seu horário de trabalho. Ele finalmente achou que poderia ter uma boa noite de sono quando ouviu o telefone tocar assim que chegou em casa e trancou a porta.
Um arrepio percorreu seu corpo, como se ele soubesse quem estava no outro lado da linha.
Como sempre, ele atendeu antes do segundo toque.
– Alô?
– Olá senhor delegado Erwin, venha buscar algo que eu acho que pertence a você.
– O que você pegou dessa vez? O que quer de mim?
– Não é bem o que, mas sim quem eu peguei dessa vez.
Antes que Erwin pudesse responder, a linha ficou muda.
O loiro ainda pensava no que poderia significar aquela ligação, quando seu celular tocou. Dessa vez não era Levi, mas sim Mikael. Mesmo estranhando ver uma ligação do seu subordinado, ele atendeu rapidamente.
– Olá Mik-
– O Eren sumiu, alguém pegou ele.
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