O Criminoso Perfeito
18 Capítulo 18 -Traição
Notas iniciais
Mikael olhou para a janela do jatinho onde estava e se surpreendeu com sua aparência. Nunca pensou que cortar o cabelo significasse tanta coisa, mas depois que o fez, parece que o peso que sentia nas costas também se foi com os fios negros. Fazia uma semana que estava em negociações em outro país representando Antonnie e finalmente podia voltar. Sorriu ao lembrar-se do que precisava fazer, do que precisava dizer. Queria sentir-se novamente em casa, e melhor, junto de quem nunca deveria ter saído de perto.
Quando finalmente chegou, pôde sentir os pingos de chuva em seu rosto e sorriu. Havia um motorista mandado por Antonnie para buscá-lo, então o seguiu em direção ao carro escuro onde ficou durante todo o caminho calado. O moreno sentiu o coração acelerar quando chegaram a uma casa grande onde o loiro ficava. Entrou cumprimentando os guardas que balançaram a cabeça em reverência, indo diretamente à sala principal. Encontrou Antonnie ao telefone.
–... bom que gostou das armas, espero que possamos negociar mais vezes... – Continuava o menor, parando por alguns segundos ao ver Mikael passar pela porta, observando-o – Sim, ainda estou na linha, foi apenas meu guarda-costas que acabou de chegar. Realmente, ele é um bom negociante. Ligue-me caso queira comprar novamente. Até mais.
O loiro saiu de trás da mesa e esperou que Mikael falasse alguma coisa, mas ele apenas o olhava com o rosto impassível. Pensou que talvez ele ainda estivesse irritado com alguma coisa; não sabia o que dizer, apenas se aproximou.
– Mikael...
Antes que Antonnie continuasse a falar, Mikael segurou o rosto do menor com as duas mãos e o beijou, deixando-o atônito. O loiro fechou os olhos e quando ia retribuir, Mikael quebrou o contato; os rostos ainda próximos o suficiente para sentirem a respiração um do outro, as testas coladas.
– Ann.
– Mikael...
– Me perdoe.
–Pelo quê?
– Por ter sido um idiota, por ter forçado algo, por não ter entendido seu lado.
– Não precisa pedir desculpas... Eu...
– Você – Mikael colocou um dedo nos lábios do menor, calando-o – não fez nada de errado. Eu deveria entender que não é fácil pra você comandar essa família sozinho. Eu quero estar ao seu lado, Ann, e eu vou ficar não importa o que aconteça.
O moreno voltou a beijar Antonnie, dessa vez sendo correspondido no mesmo instante, sentindo-o puxar levemente sua camisa social azul clara. Minutos depois trancaram a porta para mais privacidade e um pouco de tempo a sós.
Sim, era bom estar finalmente de volta.
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Patrick tinha acabado de colocar alguns pratos na pia quando Auruo entrou na cozinha sorrindo.
– Se vai me atrapalhar, pode sair.
– Não, vim te ajudar.
– Jura? Não estou vendo você me ajudar.
– Por que está mais azedo do que antes, Patrick?
– Não estou azedo. – O menor virou-se para a pia, disfarçando o leve rubor que começava a tomar conta do rosto.
– Está sim. – Auruo se aproximou de Patrick – Isso tudo porque confirmei o que desconfiava há alguns dias atrás?
– N-N-Não sei do que está falando...
– Que você talvez esteja gostando de mim também. – Sussurrou no ouvido do rapaz.
– Imaginação sua. – Patrick virou-se, dando de cara com Auruo que ainda sorria.
– Não me pareceu imaginação quando você me beijou também.
– Foi um impulso, apenas isso.
– Que tal tirarmos a prova de novo?
– Sem chance. Você já jantou, agora vá embora.
– Você sabe muito bem porque venho todos os dias aqui, mesmo que o jardim já esteja em perfeita ordem. Porque fico até tarde conversando com você, porque faço piadas idiotas e tento ao menos entender como é o cara por quem você se apaixonou.
– Porque você quer me comer, apenas isso.
– Porque eu sou louco por você! Porque eu faria qualquer coisa por você!
– Não minta pra mim!
– Por que eu mentiria?
– Eu não sei!
– Não sou como o cara que só te comeu e te largou aqui nessa casa sozin- Antes que Auruo completasse a frase, sentiu o tapa de Patrick em seu rosto.
– Nunca mais fale dele assim.
– E eu menti? –Auruo estava com o rosto virado e a cabeça baixa, ainda sentia os dedos do menor em sua pele – Sim, ele te salvou, mas você se prendeu a ele de uma forma absurda, não pode ficar aqui esperando alguém que não vai voltar. Nem seja porque ele não quer, talvez ele nem possa.
–Ele...
– Deixe pra lá, meu trabalho aqui está feito. – O maior finalmente olhou para os orbes âmbar de Patrick – Fique bem, Patrick.
Auruo se virou para sair, mas sentiu seu braço ser segurado por Patrick antes que saísse da cozinha.
– Não... vá...
O pedido saiu mais baixo do que Patrick gostaria, mas o que importava é que Auruo parou onde estava e virou-se. Antes que o menor pensasse no que havia feito, Auruo envolveu o rosto dele com uma mão e o beijou. Ao perceber que Patrick passou a retribuir, o maior envolveu sua cintura com o outro braço e o trouxe para mais perto, apoiando-o no armário da cozinha.
– Patrick... O que...
– Cale a boca. Apenas, cale a boca.
Patrick puxou Auruo novamente pela camisa, sentindo-se feliz. Auruo tinha razão, tinha negado a si mesmo durante todo o tempo, mas precisava de alguém ao seu lado e durante os dias em que estava junto ao outro, podia sentir-se mais animado e vivo que nunca. Auruo segurou suas coxas fazendo com ele sentasse na bancada da cozinha.
– Não, eu já limpei tudo aqui. Meu quarto fica perto.
– Você quer que eu...
– Auruo. – Patrick segurou o rosto do outro com as mãos – Não faça com que eu me arrependa disso.
Auruo pegou Patrick no colo e o levou até onde ele havia indicado, colocando no chão assim que passaram pela porta do quarto. Patrick o puxou mais uma vez beijando-o, antes de andar em direção à cama com os braços envolvendo o pescoço de Auruo.
– Patrick, eu...
– O quê? – Perguntou o menor começando a puxar a camisa do outro.
– Eu... bem, não sei como...
– Você é virgem?
– Bem... Nunca fiz com um cara... então sim.
– Você nunca... – Continuou Patrick, parando para fitar os olhos do outro.
– Você é o primeiro cara por quem me apaixono.
– Bem, isso é meio... – O menor sorriu enquanto corava – Nunca esperei que ouviria alguém me dizer isso.
– Pois é...
– Mas pelo menos você faz de ideia de como... hmn... Dois caras transam, certo?
– Sim. Eu já assisti uns vídeos.
– Tudo bem. Eu vou te ajudar. Comece tirando a roupa.
– Tudo bem.
Patrick levantou-se e pegou o lubrificante que guardava dentro de uma das gavetas e voltou-se para Auruo, corou ao ver o outro completamente nu e ereto.
– Agora vire para lá.
– Por quê?
– Vou tirar minha roupa.
– Mas a gente...
– Não quero que veja eu me despir.
– Patrick...
– Não.
Ainda relutante Auruo se virou enquanto Patrick tirava a própria roupa, mas não esperou até que o outro lhe dissesse que poderia olhar. Recebeu uma embalagem de lubrificante na cabeça.
– Eu não disse que poderia olhar!
– Mas o que é que tem olhar para o cara com quem vou transar?!
– Isso é vergonhoso!
– Mas Patrick!
– Cale a boca e venha logo.
Patrick deitou-se na cama virando o rosto enquanto Auruo se posicionava de joelhos entre suas pernas. Sentia-se exposto e sem graça, nem quando havia transado com Levi havia se sentido daquela forma. Observou Auruo passar um pouco de lubrificante em seu membro antes de falar.
– Bem... E agora?
– A-A-Acho que não preciso ficar te falando tudo, Auruo.
– Mas...
– Continue logo, droga. – Murmurou por fim.
Auruo apoiou os braços nos lados da cabeça de Patrick, sorrindo ao ver o rosto corado do menor. Abriu um pouco mais as pernas do outro e lambuzou o próprio dedo, introduzindo-o na entrada de Patrick para lubrificá-lo. Mal notou a embalagem cair no chão quando penetrou o menor rapidamente, fazendo-o arquear as costas.
– Seja mais calmo, Auruo!
– Desculpe. Está doendo?
– Um pouco... mas continue logo.
O loiro inclinou-se para beijar Patrick, sentindo-o envolver seu pescoço com os braços; passou a estocá-lo lentamente, com medo de que o machucasse muito, imaginando se ele não estaria sentindo muita dor. Pensou em parar, mas já estava em um momento em que não poderia voltar atrás.
– Pode ir mais rápido, Auruo. – Sussurrou Patrick movimentando o quadril, deixando os movimentos mais intensos.
– Assim vou machucar você.
– Não. — O outro segurou o rosto de Auruo com uma mão, fitando seus olhos – Eu quero que vá mais rápido.
Patrick soltou um gemido alto ao sentir que Auruo fazia o que lhe fora pedido, indo mais rápido e mais fundo, atingindo em cheio sua próstata. Agarrou o pescoço de Auruo trazendo-o para mais perto, sentindo seu membro ser friccionado pelos dois corpos. Ouviu o outro grunhir antes de sentir algo sendo jorrado dentro de si, indicando que Auruo havia chegado ao orgasmo.
– Já? – Perguntou ao vê-lo sair de dentro de si.
Antes que pudesse falar mais alguma coisa, Auruo percebeu que o outro não havia chegado ao clímax como ele e envolveu seu membro com a boca, chupando-o rapidamente até que ele chegasse ao orgasmo. Saiu correndo para o banheiro cuspir o gozo do outro.
– É – Começou Patrick ao ver Auruo voltar – acho que vamos ter que treinar bastante até que isso saia aceitável.
– Eu não vou me importar.
– Aposto que não. – Concluiu sorrindo.
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Armin observou o céu pela janela e franziu a testa. Chovia e ele não tinha levado nenhum guarda-chuva, nem casaco. Ainda tremia e esperava que a chuva forte se transformasse em um chuvisco para que pudesse arriscar ir para casa, quando ouviu alguém a seu lado.
– Vai ficar aqui nesse frio, Armin? – Perguntou Jean sorrindo.
– Não trouxe nada para chuva, a meteorologia me enganou mais uma vez.
– Ela sempre diz o que não vai acontecer. – Sorriu – Mas... Bem, quer uma carona?
– Não sabia que você tinha carro. Achei que o carro era do Marco.
– Na verdade é da mãe dele, eu não sei dirigir. Ainda.
– Ah, entendi.
– Mas a carona é de guarda-chuva. – O maior demonstrou o guarda-chuva que trazia na mão – Você vai pegar o ônibus, certo?
– Sim, não dá pra ir andando nessa chuva.
– Realmente.
– Mas não vamos sair agora. Bem, ainda faltam alguns minutos.
– É. Se a gente sair mais cedo, Nile vai enfiar uma cadeira em nossa garganta.
– Talvez. – Armin riu um pouco, fazendo com que Jean sentisse o peito se aquecer de alguma forma – Melhor não arriscar.
– Verdade.
Jean se sentia estranho de alguma forma perto do menor. Ele tinha um rosto doce e inocente, sempre disposto a ajudar, e toda vez que o maior ficava junto de Armin, sentia uma necessidade de protegê-lo, de abraçá-lo... Repreendeu-se por pensar assim, tinha namorado, não poderia traí-lo, mesmo que Armin mexesse com ele.
Estavam seguindo em direção à saída quando percebeu que Armin tremia. Segurou sua mão causando espanto no menor.
– Jean...
– Desculpa, eu... só achei que... estava com frio.
– Um pouco, mas logo estarei em casa, então está tudo bem.
– Eu não trouxe nenhum casaco... se não eu te dava.
– Tudo bem. Tudo bem mesmo.
Os olhos azuis de Armin pareciam ainda mais bonitos para Jean naquela tarde escura e nublada. Todos na Redação sabiam que o menor sentia algo por ele, até mesmo Marco já havia comentado diversas vezes a respeito, mas ele sempre tentou ignorar para o bem de ambos, já que amava Marco e não queria iludir o garoto. Por algum motivo estar ali, depois de dias sem o namorado que estava viajando a pedido da mãe, fazia com que Jean sentisse uma súbita vontade de abraçar Armin. Quando menos percebeu estava colocando uma mecha loira atrás da orelha de Armin.
– Jean...?
Antes que o menor pudesse falar alguma coisa, Jean inclinou-se e o beijou levemente, sentindo os lábios frios. Afastou-se tão subitamente quanto havia se inclinado, ouvindo uma voz atrás de si.
– Então é assim que sente minha falta?
– Marco? – Assustou-se ao ver o namorado bater a porta do carro do outro lado da rua – Não é bem assim... – Tentou se explicar vendo o outro atravessar a rua, fuzilando-o com os olhos.
– “Não é bem assim”? Seu filho da puta! – O sardento deu um murro em Jean, fazendo com ele caísse no chão – Eu venho aqui preocupado com você, acabei de chegar de viagem, e vejo você se pegando com o Armin! Parece que você aproveitou bem o meu tempo fora!
– Marco... Ele não... – Armin tentou intervir, o pânico crescendo dentro de si ao ver que havia causado uma briga entre eles.
– Não tente defendê-lo, Armin! Todo mundo sabe que você é a fim dele, e mesmo assim você nunca deu em cima dele até agora.
– Eu não dei em cima dele! Eu sabia que estavam namorando! Eu nunca faria isso.
– E por que ele te beijaria?
– Eu não sei! Por que não pergunta a ele ao invés de ficar me acusando?!
– Realmente eu... Desculpa Armin, a culpa não foi sua. Sei que não faria isso, a Mina sempre me dizia que você só o observava de longe, nunca deixou claro que gostava dele. Eu...
– Você pediu pra Mina ficar de olho na gente? – Perguntou Jean levantando-se – Não confia em mim?
– Eu queria confiar em você, se eu não chegasse e encontrasse você beijando outra pessoa!
– Desculpa, Marco.
– “Desculpa” porra nenhuma! Vá se foder, Jean.
O sardento sentia os olhos começarem a arder, indicando que logo começaria a chorar. Virou-se sem olhar mais uma vez para o namorado, a cabeça não conseguia raciocinar direito. Correu em direção ao carro, ignorando os pedidos de desculpa de Jean que vinha logo atrás. Não queria ter que dirigir naquele estado, mas precisava sair dali o mais rápido possível.
Saiu em disparada pensando em mil coisas diferentes, sem perceber o caminhão que vinha em sua direção.
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Antonnie sorriu quando Mikael envolveu suas mãos na dele, apoiando-as em seu peito. O moreno passou a mão nos cabelos loiros colocando-os para trás, antes de apoiar seu queixo na cabeça do outro.
– Por que cortou o cabelo? – Perguntou Antonnie, quebrando o silêncio que havia se instalado no quarto antes de dormirem.
– Ele estava ficando grande demais, poderia começar a atrapalhar.
– Eu gostava dele grande – O loiro olhou para cima, encontrando os orbes negros de Mikael – principalmente quando se soltava acidentalmente quando você dormia. Ou quando... bem... no meio do sexo. – Concluiu sentindo o rosto esquentar.
– Se quiser eu deixo ele crescer de novo.
– Não, você fica bem de qualquer forma, apenas não me acostumei a ver você de cabelo curto assim. Quando nos conhecemos ele até era um pouco grande.
– Sim, eu não me importava de cortar o cabelo naquela época.
– E agora se importa?
– Não muito.
O loiro voltou a aconchegar-se nos braços de Mikael e fechou os olhos, estava prestes a dormir quando ouviu seu celular vibrar em cima do criado-mudo.
– Esperando a ligação de alguém? — Perguntou Mikael.
– Não. Talvez seja algum comprador de outro país que tem um fuso horário diferente.
– Talvez.
Antonnie sentou-se na cama e pegou o celular, não se surpreendeu ao ver escrito ‘Número Desconhecido’ na tela.
– Alô?
– Olá, Antonnie.
– Ah, você. O que aconteceu para me ligar a essa hora?
– Eu sabia que estaria acordado, por isso liguei.
– Na verdade eu já estava indo dormir.
– Me perdoe, prometo ser breve. Na verdade minha proposta pode beneficiar a mim e a você, então acho que deve me ouvir.
– Resuma.
– Quero te propor uma parceria.
– Por que eu faria uma parceria com você?
– Porque a pessoa que eu quero pegar, uma hora também te causará problemas.
– Quem me garante?
– Acredite em mim.
– A ultima coisa que farei é acreditar em você, Levi.
– Já menti alguma vez?
– Isso não te impede de começar agora.
– Não vou te forçar a nada, mas minha proposta ficará de pé até que você veja com seus próprios olhos.
– Eu posso resolver isso sozinho.
– Veremos.
E então a linha ficou muda.
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Já estava amanhecendo quando Jean conseguiu finalmente pegar no sono. Agradeceu aos céus por sua folga ser no outro dia, pois sabia que estaria totalmente sem condições de sair da cama depois de passar a noite em claro pensando no namorado.
Quando finalmente seu corpo decidiu ceder ao cansaço, acordou assustado ao ouvir o celular tocar incessantemente.
– Alô?
– Jeanbo!
– Ah, oi mãe. O que aconteceu?
– Ainda não sabe?
– Sabe do quê, mãe?
– Do Marco.
– O que aconteceu com ele? – De repente o coração do loiro passou a bater mais rápido do que o normal.
– A mãe dele acabou de ligar pra cá... e...
– “E” o quê, mãe? Fala logo!
– Ele morreu, querido. Em um acidente ontem de noite.
As outras palavras de sua mãe não foram ouvidas, nada mais foi ouvido quando Jean deixou o celular cair e encostou-se a parede, chorando como nunca antes.
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