O Criminoso Perfeito

16 Capítulo 16 - Ciúmes


Notas iniciais
aeHOOOOOO, primeira fic que atualizo em 2015! Enfim, espero que aproveitem bem

Auruo sorriu ao ver a mesa de café feita por Patrick. Desde quando se confessara o relacionamento dos dois não havia progredido muito, parecia que o ruivo ainda tinha medo de se envolver, mas não estava disposto a desistir.

– Tudo isso é pra mim, Patrick? – Perguntou animado.

– Apenas fiz demais, não se anime tanto. – Respondeu o ruivo sentando na ponta oposta da mesa.

– Vai ficar mesmo tentando se afastar assim?

– Não estou tentando me afastar.

– E por que sentou tão longe?

– Porque eu estava a fim.

– Sim, claro. Se fosse seu chefe, não estaria tão longe.

– Pare de se comparar a ele.

– Isso te incomoda?

– Sim, então pare.

O loiro sorriu, gostava de provocar Patrick, e sabia que essa era uma forma de fazê-lo parar de pensar em Levi. Ele tinha que fazer o outro superar o moreno, ou nunca conseguiria se aproximar o suficiente para fazer com que ele abaixasse a guarda. Ainda tentava fazê-lo sair de casa, mas sempre ouvia uma desculpa diferente.

– Patrick?

– Hmn? – Respondeu Patrick, mastigando um pedaço de pão.

– Vamos sair pra jantar hoje à noite?

– Não posso, tenho que limp-

– Eu te ajudo.

– Mas não preci-

– Eu insisto.

– Mas...

– Sem desculpas hoje, Patrick.

Patrick observou o homem a sua frente, ele sorria triunfante. Sabia o que ele queria fazer, sabia que ele queria se aproximar e fazer com que superasse Levi, mas não sabia se estava disposto a deixar isso. Mesmo assim, resolveu dar uma chance.

– Tudo bem. – Suspirou. – Eu aceito.

***

Erwin mal viu quem o tinha atingido até estar no chão. Só percebeu quem era quando o homem mais alto o pegou pela gola da camisa, e o puxou para perto.

– Mike? – Conseguiu falar, mesmo que sua garganta estivesse quase fechando com o outro apertando a gola.

– Você estava vivo esse tempo todo? – Ele sussurrou, sua voz parecia cheia de raiva. – E nem me avisou! – Gritou ele, antes de dar outro murro, fazendo com que Erwin cuspisse sangue.

O loiro mais baixo observou Levi com a mão na cintura, só esperando algum sinal para sacar a arma. Sabia que Levi teria atirado sem pensar duas vezes, se ele não tivesse reconhecido o homem que agora vinha em sua direção, espumando de raiva. Erwin balançou a cabeça negativamente, fazendo com que Levi relaxasse e deixasse que os dois se resolvessem.

– Eu quase morri de preocupação! – Erwin tinha acabado de levantar quando outro soco lhe derrubou novamente. Mike agora estava ajoelhado em cima dele, segurando-o mais uma vez pela gola. – Eu achei que tinha te perdido! – Lágrimas? Mike chorando? Pensou Erwin – E você estava aqui, ao lado de um assassino!

– Eu não podia falar... – Erwin mal conseguia dizer alguma coisa.

– Como não!?

– Eles iriam atrás de você!

– E acha que eu me importo?

– Você não, mas eu sim! Não queria envolver ninguém, muito menos você! – Disse Erwin por fim, fazendo com que Mike folgasse o aperto. – Alguém tinha que tomar conta da delegacia, eu sabia que você daria conta. Mike me perdoe, mas foi pelo seu próprio bem.

Ao longe, Nanaba observava o desenrolar da briga. Da mesma forma que Levi, o loiro percebeu que não deveria se meter. Não tinha muito contato com Erwin, mas sabia que o atual parceiro o considerava bastante. Nunca antes tinha visto o barbudo se descontrolar daquela forma, mas naquele momento várias coisas começaram a se encaixar. Ele parecia tentando superar alguma decepção amorosa daquela vez em que me beijou, será que... O loiro menor fechou a porta do carro e seguiu até onde Mike ainda estava em cima de Erwin, os dois se encaravam como se falassem um com o outro apenas no olhar.

– Desculpa, Mike... – Continuou Erwin, enquanto o maior saía de cima dele.

– E o que está fazendo com esse cara? – Mike apontou para Levi, que observava tudo calado, de braços cruzados.

– Ele também foi atacado. – Erwin se levantou, mexendo no maxilar que doía junto com o nariz, provavelmente quebrado. Um filete de sangue saia da sua boca.

– Por quê?

– Se eu soubesse, ajudaria bastante.

– Mas não teriam tentado matar vocês dois sem um motivo...

– Eu era um assassino da máfia e ele... – Levi apontou com a cabeça para Erwin, que limpava a roupa suja de poeira e sangue. – era um delegado, já é motivo mais que suficiente.

– Aposto que a culpa é toda sua. – O barbudo seguiu em direção a Levi, sendo parado por Erwin, que colocou a mão em seu ombro.

– Não. Na verdade acho que o objetivo era me matar, já que aconteceu depois que eu saí do hospital, e atacaram meu carro.

– E o que ele tava fazendo no seu carro?

– Longa história Mike, longa história.

– Estou disposto a ouvir.

– Você precisa voltar para a delegacia, cuide de tudo por mim. Acredite, é melhor que acreditem que estou morto.

– Mas Erwin... Você está me escondendo algo, acha que sou idiota?

– É melhor que não saiba.

– Para meu próprio bem? Vá se foder, Erwin. Para com essa desculpa.

– Mike, se descobrirem que eu estou vivo e que você sabe disso, irão atrás de você procurando informações. Eles não vão só te matar, antes vão te torturar e fazer sabe-se lá o que. Apenas siga sua vida. – Erwin suspirou. – Sei que depois de me ver aqui, vai querer que eu mantenha contato, irei fazer isso, prometo. Depois que eu pegar esse cara, poderei voltar.

– Me prometa isso.

– Sabe que não posso prometer.

– Diga que vai se cuidar. – Mike pegou o pulso de Erwin, apertando-o. – E que vai voltar bem.

– Eu prometo. Agora vá logo, por favor, antes que venham aqui e te vejam.

Mike estava relutante a aceitar aquilo, mas se Erwin estava falando era perigoso, e considerando no que o ex-parceiro estava envolvido, sabia que ele tinha razão. Virou-se, passando por Nanaba que o observava, e seguiu em direção ao carro. Suspirou enquanto colocava o cinto.

– Acha que ele fala a verdade? – Perguntou Nanaba depois de entrar no carro e também colocar o cinto.

– Ele não tem motivos para mentir pra mim.

– E se ele estiver envolvido com a máfia? For um corrupto? Não viu que as roupas deles estavam cheias de sangue?

– Eu confio no Erwin, o conheço há anos.

– Mas...

Nanaba queria continuar a falar, mas sabia que seria um caso perdido. Alguma coisa estava errada naquela história, mas preferiu deixar como estava, só esperaria as coisas se desenrolarem. Por enquanto.

***

– Você sabe que não vai poder manter essa promessa, não é? – Começou Levi.

– Sei.

– Então pra quê ficar iludindo ele?

– Mike não precisa saber que posso morrer a qualquer momento enquanto me envolvo nesse mundo, nem que depois de tudo pretendo sumir de uma vez.

– Ele parecia muito emotivo para alguém que é apenas um ex-parceiro.

– Impressão sua.

– Espero que seja. – Levi suspirou.

– Já terminamos?

– Sim, vamos para casa descansar, amanhã de noite temos muita coisa para resolver, finalmente vamos dar nosso primeiro passo.

– Pra onde?

– Em direção ao cara que nos quer morto.

– Vamos enfrentá-lo de frente?

– As coisas comigo funcionam assim, Erwin. – Disse Levi por fim, seguindo em direção ao carro sendo seguido por Erwin.

***

Armin acordou mais tranquilo do que esperava, mesmo que suas costas doessem. Ter dormido no sofá de Jean serviu para acalmá-lo, mesmo que algo dentro de si estivesse inquieto. Por que ele me salvou? Ele não deveria se envolver com isso. Perguntas bombardeavam os pensamentos do menor, deixando-o tenso pela manhã, mesmo que a noite tenha dormido sem pensar duas vezes vencido pelo cansaço.

Ouviu uma porta ser aberta e um Jean sonolento sair dela, vestindo apenas uma cueca.

– Bom dia Armin. – O mais alto bocejou. – Desculpa não ter um colchão para você, espero que não tenha dormido muito mal.

– N-Não Jean... – Por algum motivo ele não conseguia tirar os olhos da cueca boxer de Jean. – Eu dormi bem... Obrigado.

– Bem... – O dono do apartamento coçou a cabeça. – Não tenho muita coisa o que comer aqui, apenas alguns salgadinhos que não seriam saudáveis para comer pela manhã. – Ele sorriu. – Vamos tomar um banho e tomaremos café na lanchonete aqui em frente.

– T-Tudo bem.

– Vou te emprestar uma camisa, pra gente não precisar passar no seu apartamento e se atrasar, beleza?

– Sim.

Jean voltou ao quarto e voltou segurando com uma camisa salmão, entregando-a para Armin, e uma toalha ao redor do pescoço.

– Toma, essa foi a menor que encontrei, espero que não fique muito grande.

– Tudo bem, obrigado mesmo assim.

– Não tem nada. Eu vou primeiro, pode ser?

– Por mim tudo bem.

Armin ficou sentado no sofá encarando a porta do banheiro enquanto o som do chuveiro chegava aos seus ouvidos. Por alguma estranha razão sentia-se feliz por ele estar ajudando-o, mas não era algo como gratidão, parecia mais do que isso, era como se desejasse que aquela ajuda estivesse vindo porque Jean gostava dele. Não, não, não, não, ele já tem o Marco, não posso pensar essas coisas – Repreendeu-se.

Depois de alguns minutos esperando Jean sair do banheiro, chegou sua vez de se arrumar. Ligou o chuveiro sentindo a água fria percorrer seu corpo, mas ainda assim suas ideias não clareavam, estar perto de Jean estava começando a afetá-lo. Passou o começo da manhã toda assim, principalmente enquanto tomavam café e riam de uma besteira que contavam. Chegaram dez minutos atrasados por causa disso.

– Jean! Temos uma matéria em mãos e você chega atrasado? – Começou Marco, indo em direção ao mais alto.

– Foi mal Marco, aconteceram umas coisas, mas já estou aqui, não estou?

– Atrasado, mas tudo bem. – Marco suspirou e virou-se para o menor. – Armin! poderia pegar os papeis e umas fotos na mão da Rico? Por favor.

– Claro! – O loirinho sorriu e saiu em direção à sala da mulher de cabelos claros, mas não antes que Marco notasse a camisa que ele usava.

– Espera um pouco... Por que o Armin está com sua camisa, Jean? – Perguntou Marco, olhando para Jean que parecia estar sem resposta.

– Bem... Por que acha que aquela camisa é minha?

– Porque eu lembro dela.

– Lembra como?

– Porque fui eu que te dei, Jean.

– Aconteceram umas coisas e...

– “E...” o quê? – Perguntou o sardento cruzando os braços.

– E eu tive que emprestar uma camisa para o Armin.

– Aconteceu o quê?

– Bem... Parece que um cara queria violentar o Armin ontem... E eu o salvei. Depois disso o levei pra casa, ele dormiu lá. Desculpa, não achei que ia ficar com ciúmes.

– Meu Deus! – Marco abraçou Jean. – Por que não falou isso antes? E ele está bem? Vou falar com ele...

– Não, deixa pra lá, parece que ele não quer falar sobre isso, não vamos forçar, ok?

– Tem razão. – Marco soltou o namorado e olhou fitou seu rosto. – Você se colocou em perigo para salvá-lo, que fofo!

Jean sentiu seu rosto esquentar quando um sorriso se formou no rosto sardento.

– Não foi nada de mais.

– Claro que foi!

– A-Apenas esquece isso, beleza? – Continuou Jean, virando-se para que Marco não visse que ele corava.

– Tudo bem. Vamos ao que interessa, trabalhar.

Armin já voltava com algumas fotos e papeis na mão, deixando tudo em cima da mesa. Marco sorriu para o menor e passou a mão em seu cabelo, agradecendo. De alguma forma gostava dele, mesmo que desconfiasse que ele nutria algum sentimento por Jean. Tenho que parar de desconfiar de Armin, preciso confiar no Jean, preciso me acalmar.

***

– Mikael... – O loiro chamou o moreno em sua frente, sentado com um copo de uísque na mão.

– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou o moreno engolindo o resto da bebida em um gole só.

– Você... está diferente.

– Estou normal.

– Não, não está.

– Eu... andei pensando sobre o que disse. – Mikael suspirou.

– Sobre?

– Sobre estarmos chamando muita atenção.

– E o que pretende fazer?

– Lembra que você queria alguém para negociar nas viagens, pra que você não precisasse ficar sempre saindo do país? Bem, acho que eu posso ser essa pessoa.

– Mas... Mas... Você é meu guarda-costas!

– Isso é apenas uma desculpa para me manter perto, Ann. Sabemos muito bem que você sabe se virar sozinho e já tem uma dúzia de seguranças confiáveis.

– Mikael... Me perdoe, eu...

– Não Ann, você tinha razão. – Mikael se levantou da poltrona, colocando o copo numa bandeja que ficava em uma cantoneira de madeira polida.

– Mas Mikael...

– Não se preocupe, eu voltarei bem.

– Está terminando comigo?

– Não. Apenas precisamos de um tempo para respirar, apenas isso. – Mikael foi em direção ao loiro, ficando em frente a ele. – Tem um carregamento pare entregar, certo?

– Sim, mas... já enviei outra pessoa.

– Não, tudo bem, eu irei. Precisa de alguém confiável para ver tudo.

– Quero que fique aqui...

– Vai ficar tudo bem, Ann. – O moreno envolveu o rosto do menor entre as mãos. – Volto assim que eu puder.

– Mikael, me escute... – Antonnie não completou a frase, sentindo os lábios do maior envolverem os seus em um beijo cálido e rápido.

– Até mais, Ann.

Notas finais
Esse capítulo ficou pequeno... E com um pouquinhozinho de feels... Só um pouquinho... BEM...