O Criminoso Perfeito
10 Capítulo 10 - Recomeços
Notas iniciais
A cabeça de Mikael ainda estava desnorteada.
O moreno finalmente chegara em casa depois de uma visita a Erwin no hospital, e ainda pensava no que o loiro havia dito: Eren está melhor e depois do que aconteceu com Ann, em breve estará de volta. Aquilo o pegou de surpresa, ainda não estava preparado para lidar com Eren, principalmente do golpe que sofrera de Ann.
Ann não, Anntonie.
Só de lembrar o nome do loiro sentia seu sangue ferver, não de raiva ou revolta, mas de desejo, ainda lembrava-se da primeira e única vez deles. Seu pequeno caso com o filho de Valentino havia sido mais produtivo do que o com Eren, e o tinha feito mais feliz, de certa forma sabia que Ann correspondia aos seus sentimentos, mesmo tendo feito o que fez. Queria poder sentir raiva do loiro, caçar e prendê-lo, mas sabia que não conseguiria, queria se convencer de que não sentia nada por Ann.
Mas ele sentia, e estava consciente disso. Era justamente essa “falha” que o fazia sentir raiva de si mesmo.
Depois de receber a noticia da volta de Eren, voltou cabisbaixo para casa, sabia que uma hora teria que ver o irmão, e se fosse pra reviver e lembrar-se do passado, que fosse o mais rápido possível, não queria prolongar seu sofrimento, teria que encará-lo de vez. Estava tão absorto em seus pensamentos que nem percebeu a carta no chão da sua entrada, provavelmente jogada por debaixo da porta. Sem nomes, sem endereços, apenas um envelope branco nobremente adornado que envolvia um bilhete simples. Antes mesmo de ler, sabia de quem era.
Permita-me explicar tudo, da ultima vez não consegui dizer o que estava pensando, nem como as coisas acabaram assim. Não peço que me perdoe, apenas que me escute antes de me odiar.
Te espero no mesmo lugar de sempre, no mesmo horário de sempre.
Anntonie
***
A campainha tocou pegando Patrick de surpresa.
O ruivo havia ficado em casa depois de Levi ter saído para “resolver” alguma coisa que ele não sabia, e o rapaz ficou responsável por receber o novo jardineiro que tinha sido contratado pelo moreno. Patrick estava tão distraído pensando na forma como Levi andava distante desde que Erwin levara um tiro, que quase derrubou o prato que enxugava. Colocou tudo em cima da pia e correu para receber o mais novo trabalhador da casa, talvez assim não se sentisse mais tão sozinho.
Foi recebido por um sorriso aberto e alegre de um loiro vestido com um macacão jeans.
– Bom dia! Senhor Levi? – Começou o estranho.
– Não... Sou o criado dele – Patrick forçou uma expressão animada – Você deve ser o jardineiro que mestre Levi contratou, certo?
– Sim! Sou novo aqui e me mudei para um apartamento perto daqui. Seu patrão deu sorte de achar um jardineiro desocupado perto da primavera, fica mais difícil achar gente que cuide do seu jardim nessa época.
– Imagino.
– E então, ele está?
– Mestre Levi? Não, mas entre – o ruivo deu passagem para que o loiro entrasse – Vou te levar para o jardim e te mostrar as coisas.
Pelo pouco tempo em que estiveram juntos, Patrick pôde perceber que o homem gostava de falar, não que se incomodasse, mas era algo diferente do que estava acostumado, já que ele era bem diferente de Levi. Guiou o novo jardineiro pela sala, e seguiu em direção ao jardim, onde mostrou um pequeno quarto afastado onde ficavam as ferramentas necessárias.
– Não sei se o senhor trouxe suas próprias ferramentas, mas é aqui que guardamos alguns utensílios para o jardim – Começou o ruivo.
– Ah, sim. Não precisa me chamar de “senhor”, não sou muito mais velho que você — o loiro sorriu.
– Ah... Tudo bem – o ruivo estendeu a mão, que logo foi aceita com um aperto firme – Me chamo Patrick Ral, e você?
– Auruo Bossard.
***
O loiro esfregou a têmpora quando ouviu baterem na porta.
– Entre.
Um moreno baixo com cara de poucos amigos entrou e fechou a porta atrás de si.
– Então era você esse tempo todo... – o visitante sorriu – Nunca iria desconfiar.
– O objetivo era esse. Obrigada por ter vindo, Levi.
– Mesmo que não me chamasse, eu faria questão de vir – Levi puxou a cadeira do lado oposto ao loiro – Posso sentar?
– Claro.
– Então, o que gostaria de falar comigo, novo chefe da família Valentino?
– Justamente sobre isso – o loiro suspirou – Vou enterrar o nome Valentino.
– E qual vai ser o nome agora, Anntonie? O que pretende?
– Pretendo sair desse ramo sujo e escroto que meu pai envolveu nossa família, vou modificar todo, a começar pelo nome.
– Vai ser bonzinho agora? Dentro da lei?
– Não disse isso, mas mudaremos os símbolos, nomes, e a partir de agora, seremos a família Leonhardt.
– Vai continuar no ramo do tráfico?
– Sim, mas apenas o de armas. Meu pai tinha medo de se envolver mais nesse ramo e colocar a cabeça a prêmio, mas eu não.
Levi observou os olhos azuis determinados de Anntonie e sorriu. Sim, ele era um garoto corajoso, e iria conseguir ser melhor e mais forte que Valentino.
– E pra quê me chamou aqui?
– Pra perguntar se continuará conosco ou pulará fora. Alguns já vieram conversar comigo a respeito disso, alguns acham que meu pai fugiu e ainda está vivo.
– Claro que eles desconfiariam, você tocou fogo na própria casa para encobrir o corpo, muito esperto, mas se descobrirem que foi você que matou seu próprio pai...
– Não farão nada, serei melhor do que ele, e além disso ninguém gostava daquele velho escroto.
– Isso é verdade, provavelmente te apoiarão.
– Na verdade já estão apoiando, quem quis sair, eu deixei, mas quem ficar estará embaixo das minhas regras. E então?
O moreno encostou-se à cadeira e sorriu, aquilo seria interessante de se acompanhar.
– Bem... Acho que ficarei para ver o que pode acontecer.
***
Depois de conseguir reunir toda a coragem necessária, Mikael decidiu visitar o irmão. Sabia que o garoto só voltaria para a delegacia quando o Erwin tivesse alta do hospital, mas tinha que pegar o resto das roupas que ficaram onde morava anteriormente, então uma hora ou outra teria que encará-lo.
Pegou uma mochila grande e seguiu em direção ao apartamento que antigamente dividia com seu irmão. Quando chegou, precisou usar sua chave, já que não o encontrou em casa. Estava colocando o resto das coisas na mala enquanto suspirava aliviado, quando ouvir a porta ranger. Soube que seu momento de paz havia acabado.
– Mikael? – O garoto entrou no quarto relutante, enquanto o moreno se virava para vê-lo.
– Oi Eren.
– V-V-Você voltou mesmo? – A expressão de alivio estampada no rosto de Eren fez o coração de Mikael vacilar, mas ele não poderia se deixar levar pelo momento.
– Bem, não. Na verdade vim pegar o resto das minhas roupas.
– Então nunca irá me perdoar mesmo...
– Eren – o mais alto se levantou e ficou na frente do irmão. Colocou a mão na cabeça dele sentindo a maciez do cabelo castanho antes de continuar – Eu já te perdoei.
– Então por que está indo embora de vez?
– Não estou indo embora de vez, eu moro perto da delegacia, nos veremos todo dia, somos irmãos, falarei com você normalmente.
– Mas não vai morar mais aqui?
– O aluguel você consegue pagar, sabe fazer as compras sozinho. Pode ser meio difícil aprender a cozinhar, mas vai ficar bem. Pode ficar com o carro, quando me estabilizar, como um pra mim.
– Sinto sua falta Mikael...
– Eu sei – O moreno terminou de colocar o resto das roupas e fechou a mochila antes de colocar nas costas e seguir em direção à porta – mas está na hora de você começar a andar sozinho, com as próprias pernas.
***
Erwin finalmente pôde sentir o cheiro de ar fresco. Depois de passar quase um mês no hospital, sentir outro cheiro a não ser o forte odor de produtos hospitalares fez bem. Muito bem. Tão bem que ele parecia estar tendo uma alucinação quando viu um moreno baixo encostado em seu carro esporte.
Talvez os remédios estivessem afetando-o de forma negativa.
– Achei que nunca sairia de lá, delegado. Pensei que nunca mais poderíamos nos divertir de novo – o moreno sorriu, apertando um botão e destravando o carro – Vim te buscar.
Não, aquele, definitivamente era Levi.
– Eu provavelmente estava muito grogue pra te dar a chave do meu carro.
– Você não precisava dele, então peguei as chaves na delegacia, onde você largou. Agradeça por cuidar dela depois – Levi fez a volta no carro e sentou no banco do motorista, antes de gritar para fora: — Seus braços estão bons, certo? Então pode entrar sozinho no carro.
Erwin suspirou, a ultima coisa que queria era ver Levi novamente antes de se recuperar, principalmente depois de duas visitas inesperadas e no meio da noite, que resultaram em gemidos abafados e mais uma semana com o braço doendo.
– Se você não tivesse aparecido e me obrigado a transar com você no quarto de hospital, talvez eu já estivesse em casa – o loiro entrou e fechou a porta antes que Levi desse a partida no carro.
– Ah, me poupe, você tava de pau duro, pronto pra bater uma, o que queria que eu fizesse?
– Claro que eu estaria assim! Você me mandou vídeos seus se masturbando!
– Eu estava entediado, Valentino tinha morrido e não tinha nenhum trabalho, meu criado andava cansado, não poderia ficar abusando dele.
– Então resolveu me encher?
– Claro – Levi sorriu antes de se virar e encarar o loiro – Não vai me dizer que não gostou.
– Vá se foder Levi, você quase me mata, e não pense que a enfermeira não percebeu a mancha que ficou no lençol. Até hoje ela me perguntou se não queria ajuda pra me “aliviar”.
O moreno não pôde evitar jogar a cabeça para trás e rir alto antes de falar:
– Quanto tempo de licença médica você tem?
– Me deram um mês e meio, devo ter mais uns quinze dias. Por quê?
– Ótimo. Acho que podemos passar em sua casa, pegar umas roupas e ficar um tempo em um lugarzinho reservado.
– No que você está pensando?
– Tenho uma casa meio afastada daqui, eu a uso quando quero fugir de alguém. Eu ficaria preocupado com o Patrick, mas agora ele tem companhia, então podemos ir tranquilamente.
– Você vai me arrastar para uma casa no meio do mato, só eu e você?
– Algum problema?
– Ah não, imagine. Só que você vai me obrigar a te foder toda hora.
– E isso é ruim?
– Por favor, tenha um pouco de pena do meu pênis.
– Quem olha assim, até pensa que você não gosta.
Erwin não teve como contestar, mesmo que ficasse exausto, sabia que faria quantas vezes Levi quisesse, e em todas elas conseguiria uma ereção. Só de pensar, quase teve uma.
– Então vamos passar na sua casa, pegue algumas roupas leves, é perto de um rio, quem sabe o que poderemos fazer nele...
– Essa sua mensagem escondida dentro dessa frase me assustou.
– Não era pra estar escondida, você sabe muito bem o que quero dizer – Levi sorriu e continuou em direção à casa de Erwin.
***
Mikael apertou mais o casaco contra o corpo e puxou o cachecol vermelho assim que saiu da delegacia e sentiu o vento bater em seu rosto. Estava frio, final de inverno, e provavelmente choveria naquela noite, mas nada que o fizesse se sentir mal, na verdade até gostava desse tempo, o que não gostava era das lembranças que aquele cachecol trazia. Eren que o havia dado, e só de lembrar do irmão, sentiu seu coração pesar. Será que ele tinha sido muito frio com o irmão? Esperava que não, de certa forma era o melhor para os dois, Eren realmente precisava ser separado dele se quisesse viver.
Ao contrário do que imaginou, o sentimento era como o de um pai vendo o filho crescer e precisando ensiná-lo a andar com a próprias perna. Era difícil, mas necessário. Decidiu não pensar mais nisso, agora tinha outros problemas para resolver.
Desde que lera o bilhete, sabia onde deveriam se encontrar. O lugar onde tudo começou, onde passaram a se conhecer melhor, a conhecer os segredos um do outro. Atravessou a rua e andou um pouco até chegar ao bar onde tinha bebido com seu ex-parceiro pela primeira vez. Não demorou muito para ver uma silhueta pequena com capuz, encolhida no começo do beco ao lado do bar. Não precisou falar nada para saber quem era.
Quando se aproximou, viu a pessoa levantar o rosto, se virar e entrar no dito beco, fazendo com que ele prontamente o seguisse. Quando finalmente chegou aos fundos do bar, que dava para um antigo depósito abandonado, viu o menor parar e se virar. Automaticamente parou também.
– Obrigado por vir – o mais baixo abaixou o capuz, revelando o rosto pálido e com o nariz rosado por causa do frio.
– O que você quer?
– Conversar com você.
– Conversar mais o quê? Dizer o que eu vi com meus próprios olhos? Não se dê ao trabalho, Ann. Quer dizer, Anntonie – As palavras saíram tão cheias de mágoa que o moreno quase se arrependeu de tê-las dito quando viu a reação do loiro.
– Eu preciso explicar.
– Não precisa explicar mais nada.
– Preciso sim. Eu tive que fazer o que fiz, não sabia que me envolveria tanto com... vocês.
– Pare de mentir, você fez porque quis, se não quisesse fazer, teria parado e me dito a verdade.
– E colocar sua cabeça a premio? Meu pai te mataria se soubesse que estava entre os planos dele! Se soubesse que eu dei pra trás por sua causa!
– E você daria para trás se não tivesse essa possibilidade?
– Eu... – Anntonie desviou os olhos azuis dos negros de Mikael e corou – Não sei... Talvez meus planos não dessem certo se eu fizesse isso.
– Que planos?
– O de tomar o controle da minha família.
– Como assim tomar o controle? Não me diga que... Você... Seu pai...
– Sim, eu matei meu pai.
Aquilo pegou Mikael de surpresa, e de alguma forma fez com que sua mágoa diminuísse, embora soubesse que a mágoa era apenas uma desculpa para negar o que realmente sentia.
– E por que faria isso?
– Para limpar nosso nome, eu irei refazer a família, mudarei tudo. A começar pelo nome.
– Não se chamará mais Familia Valentino?
– Não, agora será Família Leonhardt.
Mikael olhou para aqueles olhos azuis determinados e teve certeza que ele faria tudo que precisasse para colocar aquilo em prática, mesmo que significasse magoar as pessoas que amava. Imaginou se no lugar dele não faria a mesma coisa.
– Então foi por isso que fez tudo isso?
– Sim.
– E o que aconteceu entre nós dois?
– Aquilo... foi real.
– E o que você disse – o moreno deu um passo em direção ao mais baixo – também foi?
– Tudo. Eu senti sua falta Mikael, não teve um dia sequer no qual eu não me condenei por fazer aquilo com você, por ter deixado as coisas chegarem a esse ponto. Você deve me odiar agora, e com razão, não tiro esse seu direito.
– Não te odeio, só me senti... traído.
– Eu não faria isso com você se não precisasse. Me perdoe.
– Não sei que problemas você tem, o julguei sem conhecer. Ainda acho errado o que fez, mas não sinto ódio, ou raiva... O que me deixava furioso era a possibilidade daquele dia ter sido em vão, ter sido uma mentira.
Os dois estavam a pelo menos um passo de distancia do outro. Mikael não parou de olhar para os lábios que durante todo esse tempo imaginou tomar para si outra vez.
– Em outras circunstancias, poderíamos ter tido mais tempo para nos conhecer, quem sabe até ter algo a mais juntos. Eu só queria dizer isso mesmo, agora não dá mais, já comecei todos os meus planos, voltar atrás colocaria tudo a perder – O loiro fez reverencia desajeitada, o moreno percebeu que ele queria fugir, talvez ele realmente sentisse o que dizia... E se sentia, valia a pena tentar novamente...
Anntonie se virou para sair quando sentiu Mikael segurar seu pulso, não queria mais continuar ali o olhando, se queria esquecê-lo, deveria fazer de uma vez.
– Por favor Mikael.. Eu...
O moreno o puxou e empurrou em direção à parede prendendo-o, seus rostos ficaram a centímetros um do outro, podendo sentir as respirações próximas.
– Você falou tudo que queria, agora vai me escutar – Começou o mais alto.
– O que você ainda tem a dizer? Não podemos continuar com isso.
– Não teve um dia em que não lembrei daquela nossa vez, em como percebi que você não era tão casca grossa como aparentava – Mikael se aproximou ainda mais, ficando perto o suficiente para sussurrar no ouvido do outro – Como gemia meu nome...
Anntonie suspirou ao lembrar, ainda podia sentir as mãos de Mikael excitando-o, os corpos juntos em uma mistura de suor e água.
– Eu serei o novo chefe de uma família da máfia, você é um policial – o loiro sentia a respiração do outro em seu pescoço, e seus lábios se movimentarem enquanto falava.
– Nunca ouviu falar que não se deve misturar trabalho com vida pessoal?
O mais alto se afastou o suficiente para encarar os olhos azuis de Anntonie. Mesmo que negasse, o desejava, e saber que esse sentimento era recíproco, tornava tudo melhor.
– Como consegue me desejar, mesmo depois de tudo? – Perguntou o loiro.
– Eu não sei.
A resposta veio como um sussurro, mas também poderia ser um grito de rendição antes de investir nos lábios finos do mais baixo. Tinha perdido muito tempo pensando em como queria odiá-lo, mas no fundo sabia que apenas o queria possuí-lo outra vez... e outra vez... e outras vezes...
Anntonie agarrou os cabelos negros trazendo o dono deles para mais perto de si, enquanto Mikael enlaçava sua cintura com os braços. Era como se eles fossem antigos amantes que não se viam por meses, ou anos, e precisavam demonstrar tudo que sentiam de uma vez só.
Quando o ar se fez necessário, nenhum dos dois parecia querer se afastar, o contato só foi quebrado quando o celular de Anntonie tocou, fazendo com que ele o atendesse ainda ofegante.
– A-Alô?
Mikael observou a expressão do loiro se fechar, provavelmente a vida dele andava corrida e cansativa, mas não o interrompeu enquanto ele escutava o que a pessoa queria dizer. Depois de alguns minutos apenas ouvindo e concordando, ele desligou e se virou para o moreno.
– Preciso ir.
– Não... Logo agora? –Mikael o abraçou novamente, enterrando a cabeça em seu ombro.
– Eu ainda tenho várias coisas para resolver – o loiro segurou o rosto do outro entre as mãos, e o levou para mais perto do seu – Eu queria ficar, mas não posso. Mando uma mensagem de texto com meu novo endereço. Pode aparecer sempre que quiser, mas apenas a noite, não quero que ninguém o veja e você fique “marcado”.
– Tudo bem.
Anntonie se soltou dos braços do moreno e saiu, deixando-o um pouco triste, mesmo sabendo que aquele não seria um adeus permanente, apenas um “até mais”. Mikael seguiu em direção a seu quarto e em poucos minutos já começava a tirar suas roupas para um banho quente quando ouviu um aviso sonoro indicando uma mensagem. Sorriu ao ver de quem era. Parece que finalmente as coisas começaram a ficar mais simples para ele.
Era o que achava.
***
– Porra Erwin! É apenas algumas roupas, o que mais está pegando? Puta merda.
– Dá pra se acalmar, Levi? Também estou pegando escova de dente, creme de barbear... Essas coisas.
O mais baixo já estava cansado de esperar o loiro quando este saiu da casa e a trancou. Erwin precisava de mais uns dias de descanso, embora soubesse que Levi não os daria tão facilmente. Suspirou cansado e sorriu, não se importava se quem o cansasse fosse Levi.
– E então, para onde vamos?
– Uma casinha afastada daqui, quase fora da cidade.
Uma fina chuva começava a cair enquanto o silêncio tomava conta do veículo. Levi colocou uma musica lenta e cantarolava quando olhou pelo retrovisor e sua expressão se fechou.
– Puta merda, tem alguém nos seguindo.
– Quem? – Erwin se virou, e mesmo com os vidros começando a ficarem embaçados por causa da chuva, pôde ver um grande carro preto atrás deles.
– Se eu soubesse... Pode ser um inimigo seu, ou meu, ou de ambos. A lista é grande demais.
– Ninguém manda você ser desse ramo.
– Você fala como se também não tivesse.
– Tem como despistar eles?
– Com quem você acha que está falando? Claro que tem, mas vai ser foda com essa chuva, principalmente nessa estrada.
– Faça isso.
Levi acelerou o carro enquanto Erwin continuava a olhar para trás, constatando que seus perseguidores faziam o mesmo, em alguns segundos sentiu uma batida forte, que fez todo o veículo sacudir.
– Pega o volante, vou meter três balas na cabeça desses imbecis!
– Chega Levi! Daqui a pouco vamos bater em alguma coisa, ai eu quero ver se vai conseguir sobreviver pra fazer isso.
O moreno fechou ainda mais o semblante e tentou acelerar mais, mas lembrou-se das curvas que a estrada fazia, e de como seria perigoso se saíssem dela.
– Não posso mais acelerar, ou vamos sair voando da estrada e cair em uma ribanceira dessa.
O carro perseguidor bateu mais uma vez neles, fazendo com que fossem ainda mais para frente.
– Se fizerem isso de novo, ai sim cairemos – Concluiu o loiro.
Uma grande curva já começava a aparecer quando Levi desacelerou um pouco o carro para contorná-la, mas seja quem for que tivesse atrás deles, não pretendia parar. Quando girou o volante para fazer a dita curva, só sentiu que o carro de trás batia novamente, dessa vez com mais força. O asfalto molhado, a chuva e os vidros embaçados só ajudaram ainda mais para que saíssem da pista, sendo empurrados de lado pela grande picape negra.
A ultima coisa que lembrariam antes de cair, seria os faróis acesos e a música agressivamente alta que vinha do outro veículo.
Fale com o autor