Notas iniciais
os erros gramaticais contidos são opcionais, para lembrar o sotaque caipira.

-David meu fio!ajuda aqui a mãe a carregar essa caixa!

Gritava Dona Maria. Em poucos segundos o garoto apareceu na sala, onde sua mãe se encontrava. David , sua irmã Chelsea, e sua mãe Maria moravam muito bem no Texas.Eles eram donos de muitas terras, e de ricas fazendas. David tinha cabelos lisos e negros, muito bem penteados para trás com a ajuda de gel para os fios não saírem do lugar. Usava uma camisa xadrez, em tons de laranja, de algodão . Uma calça jeans um pouco justa, um cinto com uma grande fivela, e botas de couro da melhor qualidade, e claro, como todo bom cowboy, um chapéu. Ele e sua irmã viviam uma vida tranqüila no campo, porém como todos sabem, o campo não oferece tudo o que uma cidade grande pode oferecer. Ao término da oitava série de David, e a sétima de Chelsea, Dona Maria percebeu que seus filhos não poderiam ter uma educação de ponta se continuassem lá, e decidiu que o melhor, é que os meninos fossem morar com o pai, em Montreal.E aqui começa nossa estória...

-Me dá essa caixa mãe – disse David, retirando a caixa das mãos da mãe. – A senhora não pode ficar carregando tanto peso! E a Chelsea? Já entrou no carro?

-Sim, sim. Mas ande logo com isso meu fio, que ocês podem perder o vôo!

A caixa parecia não ter peso algum para David, que sem grandes dificuldades a colocou no bagageiro da pick-up.

-Ai meu Deus, já está tudo pronto? – perguntou Dona Maria preocupada – Tem certeza que ocê não esqueceu nada fio?

-Tenho mãezinha, nem a Chelsea.

-Então se adiante e entre logo nesse carro! – Ela deu leves empurrõezinhos nas costas do filho, como que á apressá-lo.Dona Maria entrou, e olhou para o banco traseiro, verificando se seus filhinhos estavam bem agasalhados.

-Mãe, anda logo – disse Chelsea enquanto retocava o batom – estamos atrasados.

-É verdade Mãe, não queremos perder o vôo. – Completou David.

-Vou sentir falta de vocês filhotes...Não esqueçam de escovar os dentinhos sempre tá? – acariciou o queixo dos dois, virou-se novamente para frente, colocou o cinto, e pisou fundo no acelerador, em direção ao aeroporto.

[Já em Montreal...]

A loira parou em frente á escadaria da escola, suas duas amigas pararam logo atrás dela. As três usavam óculos escuros, mini-saias jeans, e botas cano longo de salto altíssimo.Mas a loira se diferenciava das outras duas, ela se destacava. Usava uma blusa branca que caía pelos ombros, deixando-os á mostra, e para marcar a cintura, amarrou uma faixa com estampa de zebra, o que fazia as botas que eram pretas combinar perfeitamente. Ela abaixou os óculos até a altura do nariz, e espiou o cenário.

-Não disseram que iam reformar esse lixo durante as férias? – riu levemente – Carol, Anna, vamos. – recolocou os óculos no lugar, e continuou sua marcha em direção a escola.

Quando ela passou pelos portões, todos os olhares se lançaram para ela. Lilly era o tipo de garota que atraía as pessoas de todo jeito. Fosse por inveja, fosse por admiração, ela sempre brilhava de alguma forma. Ela tinha cabelos com lindas ondas, que iam até a cintura. Seu rosto tinha lindos traços: uma boca grande e carnuda, o nariz delicado e levemente arrebitado, os olhos profundos, de cor castanho claro e com um brilho que poderia iluminar um salão inteiro, e claro, um lindo corpo completamente proporcional e bem recheado nos lugares certos, podemos assim dizer.
Anna e Carol eram duas morenas também muito bonitas, eram gêmeas, mas a beleza de ambas era ofuscada pela da de Lilly. Todas ricas, todas bonitas, e todas populares.

- E aí Lilly? – um moreno perguntou enquanto ela passava pelo corredor, procurando seu armário.

-Desculpe, não falo com estranhos. – respondeu rapidamente, e as risadas ecoaram, deixando o moreno completamente desconcertado.

-Ai finalmente,! Achei meu armário. Carol, minhas chaves. – a loira retirou os óculos escuros, estendeu a mão para uma das gêmeas,porém mantendo o olhar apenas no armário, esperando as chaves. -Um minutinho só Lilly! – a morena procurou apressadamente as chaves na sua bolsa cor de rosa da puma, e enquanto ela remexia na bolsa, o barulho de espelhinhos, batons, chaveiros e outras coisas mais ecoavam no ouvido das outras duas companheiras.

-Carolzinha... – Lilly disse cerrando os dentes — meu bem... Eu quero... Minha chave... AGORA!

-Ai, calma Lil! – Carol sacudia as mãos no ar desesperada – eu vou achar, só mais um minutinho!

-Garota, você sabe que para sequer andar comigo, tem que ter competên...AI!

-Ô moça! Descurpa! É que eu sô novato aqui, e to me sentindo meio perdidão...será que ocê podia me dizer onde é a sala 1b?

-Que “descurpa” o quê hein caipira? Você sabe com QUEM você ta falando? – Ela olhou o caipira dos pés a cabeça.

-A moça me vai discurpar, mas ela inda não me disse o nome dela não! – Ele retirou o chapéu da cabeça, e segurou sobre o peito, como num cumprimento. – Eu me chamo David Desrosiers.

Lilly revirou os olhos, achando aquela cena patética.Colocou as mãos na cintura, e começou a rodear David, olhando da cabeça aos pés, dos pés a cabeça.

-Está bem então, Daví.

-É David, moça.

-David. Que seja. Eu vou te informar uma coisinha.

David continuava parado, como a presa que estava sendo rodeado pelo lobo.

-Nesse colégio, seu... Brega, as pessoas abrem passagem para mim, entendeu? – ela chegou mais perto do ouvido dele, e continuou em um tom cruel – ninguém fica no meu caminho, fui clara?

Nesse momento Carol interrompeu.

-Lil, achei a chave! – ela sacudiu a chave no ar.

-Ótimo! Agora caipira, se manda. E se quer um conselho, ninguém se veste de cowboy aqui em Montreal.

Ela se virou de costas, e deixou David completamente sem ação, ainda com o chapéu sobre o peito.
Notas finais
comentem gente! beijinhos da Mary.