O Cowboy David - como Ele se Tornou o que é!
6 Capítulo 6
Notas iniciais
[ David’s POV]
Ali vem ela...a tal da Lilly. Respirei fundo, e olhei pra mim mesmo, me comparando com aqueles meninos do time de futebol. Eu não parecia assim tão mal, no fim das contas. Calças folgadas, camisas um pouco justas com gola em “V” , uma estampa diferente... sorte minha em ter guardado essas roupas que meu pai vivia me dando de presente e eu nunca usava. Só faltava uma coisa para ficar igualzinho a eles: músculos. Espero que não faça lá muita diferença pra ela.
Caminhei até ela, e de longe senti como se ela me olhasse,e tivesse cochichado com uma daquelas amigas dela.
“Bom sinal, isso é bom sinal.Cabritas sempre falam com amiguinhas quando acham um cara bonitinho”.
Ela abriu então um sorriso, e lançou um olhar para mim com aqueles incríveis olhos castanhos claros.
“bom dia, bom dia, bom dia! Tá dando certo!”
Comecei a me aproximar, prestando atenção no meu andar. Joguei novamente os cabelos para trás, foi quando eu comecei a notar algo de estranho.Lilly e as suas amigas começaram a fazer umas caras estranhas, e a cada passo as caretas iam piorando, e de repente elas começaram a tossir.
-Oi meninas, ocês também tão tudo gripada é?
Não sei qual foi o problema, só sei que entre as tosses Lilly me dizia:
-Sai daqui garoto, eu vou morrer asfixiada com esse perfume...EU TENHO ALERGIA!
A morena completou:
- Eu não tenho alergia, mas você está infestando a escola com isso... seu BREGA!
De repente quando olhei para trás, Chelsea, minha irmã, estava me olhando completamente envergonhada.
-Oi meninas, estava procurando vocês. – Ela disse me ignorando.
-Chelsea, manda seu irmão sair daqui rápido, AGORA! É isso que você tem como irmão? Deus do céu... – Lilly disse entre as tosses.
De costas para mim, minha própria irmã nem se dignou a olhar nos meus olhos.
-Sai David, isso ta brega. – ela disse em uma voz um pouco arrastada.
-Chel, qual o problema com ocê irmã? Para com isso...
-SAI David.
Olhei com desprezo para ela, e para Lilly também. E embora eu estivesse me controlando, meus olhos já estavam ficando marejados.
-Ótimo então Chelsea. Cuidado pra no fim ocê não ficar sozinha e vazia como essa daí – apontei para Lilly – Não tem coisa mais triste. Ela, e você, e essas duas meninas aí, essas sombras...Todas vocês só me dão pena.
[ Fim do David’s POV]
[Lilly’s POV]
Fiquei paralisada, e a voz daquele garoto começou a ecoar na minha cabeça.
“Ficar sozinha e vazia como essa daí”. Era isso que o que ele pensava de mim, que eu era sozinha e vazia, ele tinha acabado de falar que tinha pena de mim.Nunca ninguém tinha me dito algo desse tipo. Eu sempre ouvi que eu era rica, bonita, o que mais eu poderia querer? Mas esse garoto não, ele sentia pena de mim.
Olhei irritada para ele, e perguntei com a voz já alterada:
-Por que você iria sentir pena de mim, seu brega? Eu sou rica bonita, e popular. Anda me diz por que você sente pena de mim?
Ele me olhou com um desprezo cortante, e me respondeu com a voz seca:
-Por que ocê garota, é só uma pobre menina rica. Você pode ta coberta de ouro, mas seu interior é fútil e vazio, assim como suas amigas.
E sem nem me dar chance de responder, ele se virou de costas, e saiu andando. Tentei me controlar, manter minha pose, mas no segundo seguinte eu desabei e comecei a chorar.
Chelsea, Anna e Carol começaram a tentar me consolar, me abraçando, ou xingando o garoto, mas nada adiantava.
-Me soltem! – eu gritei, e me soltando daquele monte de abraços falsos, corri para o lado de fora da escola. Um táxi estava passando, e eu entrei nele.
[Fim do Lilly’s POV]
Quando David entrou na sala, os meninos simplesmente não sabiam o que dizer. No fundo estavam impressionados pela atitude dele. O primeiro a se manifestar foi Pierre.
-Então, David...
-O que é? – Ele respondeu mal humorado.
- Você sabe que o que você fez acaba de zerar suas chances de ganhar o seu baixo, e de fazer parte de nossa banda, não sabe?
-Me deixa em paz, ok. Depois eu penso nisso.
Todos sentaram em suas cadeiras, e o professor de biologia chegou.
Seb estava sentado atrás de Pierre, e se apressou em cochichar:
-Pie, vamos deixar o cara em paz, sério.Ele parece ser legal, e nossa brincadeira está rendendo muita coisa ruim para ele...
-Seb, mas e a nossa tradição? Os garotões vão ficar sem filme esse ano?
Por um momento Seb se calou, mas logo respondeu:
-Tudo bem, mas pelo menos tente fazer ele se machucar o mínimo possível...
Chuck estava do lado de pierre, e resolveu opinar também.
-Pie, é verdade. Antes os calouros que a gente usava não sofriam tanto preconceito quanto ele. No final todos apenas riam da brincadeira e pronto, alguns deles são nossos amigos até hoje... mas com ele está sendo diferente, olha pra o cara. – Chuck sinalizou com a cabeça para o assento de David. Ele estava cabisbaixo, e riscava folhas do seu caderno, parecia escrever alguma coisa também. Lia-se em letras garrafais “ god must hate me”.
-Nós vamos discutir isso depois. Passem um bilhete para o Jeff e para o Pat. Reunião urgente hoje na minha casa.
-Ou eu falo, ou os senhores falam. – A voz do professor Peter ecoou na sala, dando uma bronca nos três.
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