O Corvo
15 Epílogo
Notas iniciais
Não demorou para as pessoas do Vilarejo irem assistir ao Gubner pendurado na árvore, ou melhor, o que restou de carcaça dele. Elas assistiam em silêncio, já que não havia nada para ser dito. Não ousaram xingá-lo, pois não havia necessidade. Seu estado já era deplorável.
Reuniram-se naquela mesma noite para celebrar a recém adquirida liberdade. Comeram e beberam o que conseguiram roubar do imenso depósito do falecido governador. A felicidade pairava sobre todos, pela primeira vez.
No dia seguinte, Amanda subiu ao palco, onde o governador se pronunciava. Ao falar, impressionou-se com a coragem e força que adquirira desde que conheceu o Corvo.
— Homens e mulheres. Idosos e crianças. Falo à todo o povo do Vilarejo do Oeste. É com imensa satisfação que afirmo: somos agora um povo livre! – todos celebraram, atirando chapéus para o alto. – Não seremos mais governados. Cada um deverá ser responsável por suas atitudes. A única punição será aos que violarem a liberdade do outro. Se plantarmos bons frutos, bons frutos colheremos. Podemos nos alimentar e compartilhar o alimento. Hoje à noite, queimaremos o dinheiro em uma imensa fogueira. Porque estes papeis, apenas faz com que as pessoas se destruam – ela parou de falar por um momento. – É com imensa tristeza que anuncio que o nosso libertador, se foi. Se sacrificou por nós.
Todos ficaram surpresos, emitindo múrmuros que se alastraram.
— E é por isso, que devemos ser a sociedade que ele sempre sonhou. Igualitária e livre! Sem hierarquias, sem pobres e ricos. Uma sociedade limpa em que a justiça impere. Vamos disseminar isto ao mundo! Há pessoas que ainda vivem sob domínio de outras. Vamos salvá-las! – o povo vibrou fortemente, concordando com ela. – Para que o passado nunca seja esquecido, contem a seus filhos a história deste Vilarejo. Contem a história do Corvo.
Ao terminar o discurso e sair do palco, avistou uma ave negra que pousou sob seu braço. Ela acariciou-a e olhou no fundo de seus olhos. Lá enxergou os olhos do Corvo. Amanda percebeu que ele agora era omnipresente. Estava em tudo e em todos. Ele a acompanharia para sempre onde houvesse justiça e esperança.
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