O Cortar Das Asas
1 Capítulo único
O cortar das asas.
Anjo. Era assim que me chamavam , não apenas pela minha “beleza angelical” , mas também por ser a melhor aluna, a amiga mais atenciosa, a filha mais obediente. Aquela que nunca aprontava, sempre respeitava as regras.
As pessoas que rotulavam assim mesmo não me conhecendo. Eu era mesmo assim? Nem eu sei quem sou. Mas de uma coisa eu sei, não gosto dessa vida. Digo, dessa realidade, entende?
Porque eu não posso ter uma vida igual dessas histórias que leio? Matando monstros, correndo perigo, fugindo. Sendo tratada como heroína por vencer uma batalha e salvar pessoas.
Sempre que digo isso a alguém, eles falam a mesma coisa.
“Esquece isso Emma, é tudo conto de fada, não existe”.
Mas porque dizem que é conto de fada? E se...e se não for?
Minha aventura começou quando eu voltava para casa, depois de ter ido ao cinema com uns amigos.
Passei por uma rua escura, e presenciei uma casal sendo assaltado.
Um assaltante segurava um canivete, enquanto o outro segurava uma arma.
Chegou minha hora, vou provar que conto de fadas existem.
Aproveitei a distração , e ataquei o cara que segurava o canivete.
Pequei uma adaga na minha bolsa, eu havia comprado ela em uma feira de antiguidades, e a guardei sempre na bolsa , na espera de poder usa-la, e esse momento havia chegado.
Fui por trás dele, e dei um corte profundo em seu pescoço, ele se virou assustado e enfiou seu canivete em minha coxa, logo depois caiu no chão, formando uma poça de sangue abaixo de si.
Fechei os olhos, tentando conter um grito de dor. Tirei rapidamente o canivete da minha coxa.
O outro cara estava distraído roubando os itens valiosos do casal, e nem percebeu seu cumplice morto no chão.
Silenciosamente, fui por trás dele, e cortei seu pescoço, mas não fundo o suficiente. Ele se virou, e deu um tiro em meu braço, mas com a dor que sentia, ele largou a arma no chão, e eu aproveitei esse momento, e o esfaqueei, depois de enfim mata-lo.
Me virei para o casal, esperando o agradecimento mais o homem pulou em cima de mim , “querendo me deter de mata-los”. Assustada , peguei a arma no chão e o matei com três tiros.
A mulher chorava desesperadamente.
Eu cheguei perto dela, segurei seu rosto com minhas mãos ensanguentadas , abri um largo sorriso maníaco, e sussurrei “Relaxa senhora, todos os monstros morreram , todos se foram, os monstros foram embora”.
Ela soltou um grito , os vizinhos haviam ouvido e chamaram a policia, que apareceu poucos minutos depois.
Eles cuidaram dos meus ferimentos, eles me interrogaram, eu dizia que havia matado os monstros , mas ninguém me escutava.
Não fui presa, fui internada em um manicômio por estar alucinando.
Hoje eu percebo que não matei monstros.
Matei pessoas.
E admito que nada daquilo existe.
A imaginação cria asas.
Faz você voar para longe.
E eu? Fiz o melhor que pude.
Cortei minhas asas.
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