A respiração de Freddieward era similar a de uma pessoa sofrendo um ataque de asma. Ele folgou a gravata enquanto tudo a sua volta rodava, passando as mãos no rosto e segurando-se ao vazio todas as vezes que suas pernas falhavam e ele quase ia ao chão, cambaleando. Eles estavam ali, e Sam não. Havia conquistado a desconfiança e a raiva dela tão rápido quanto poderia se piscar. Ela não estava a sua vista e ele não sabia o quanto daquilo poderia agüentar até perder a cabeça de vez.

- Então eles chegaram... A voz afiada dela cortou por trás dele, fazendo sua espinha gelar e todos os seus pelos se eriçarem. Não tinha coragem para se virar. Numa velocidade incalculável e humanamente impossível, inexplicavelmente ela havia chegado até ele, às mãos pousaram com uma força autoritária e dominante sobre si e corriam por peito, os lábios roçavam em seu pescoço, soltando um gemido discreto e provocante. – Porque fez aquilo, Freddie? Porque foge de mim? E beijava o pescoço dele por trás com calor, sua voz suplicava docemente por uma resposta convincente.

As mãos correram até as calças do moreno e pararam onde o fleche lhe guardava o membro, brincando com a intimidade do garoto. A cabeça dele pendeu para o ombro dela e ele fechou os olhos em um gemido evasivo, deixando-a sorrir satisfeita ao sentir que ele estava sob seu domínio apenas pelo fato de tocá-lo. Freddie gemeu baixinho, odiando-se por ser tão fraco em relação a ela. Apertava a cintura da loira com uma força tão grande que fazia com que os nós de seus dedos arroxeassem. Descontroladamente, a empurrou contra o tronco de uma das arvores, arfando quando as pernas nuas pelo corte do vestido dela subiram para seu quadril, o som que saiu dela havia sido o mesmo que ele havia escutado na noite em que seus corpos se encaixaram pela primeira vez. Revirou os olhos ao beija — lá novamente, conseguia sentir o gosto amargo do veneno que era ela invadindo sua boca, seu membro duro como um ferro roçava junto a ela numa dança perigosa. As mãos de Sam correram loucas pelo peitoral do garoto, tentando livrar-se de seu paletó. E o motivo pelo qual ele não poderia deixa — lá tira-lo o lembrou imediatamente de que ele havia caído em seu jogo de sedução vil e envolvente outra vez. Aquela coisa o desestabilizava com uma rapidez realmente admirável. Não, não era Samantha. Enquanto isso não penetrasse em sua cabeça, nada adiantaria. Mas era difícil de acreditar, olhando aqueles olhos azuis, sentindo o toque daquela pele macia e o cheiro de seu perfume. Beijando os lábios que ele tanto amou.

- NÃO!!! Berrou, soltando-a de seus braços e recuando tão rápido que tropeçou e caiu, arrastando-se enquanto tentava ter estruturas para ficar de pé.

- O que você tem aí, Benson? Ela sorria enquanto caminhava para cima dele como se fosse arrancar cada pedaço de seu corpo com os dentes, passando os braços nos lábios para limpa-los e grunhindo em uma gargalhada apavorante. – Eu posso ver?!

- SAM!!!

Ela virou-se assustada e deu dois passos na defensiva, os olhos nervosos e pegos pela surpresa.

- Spencer... Sussurrou, tentando transparecer contente, mas desistiu ao ver que era inútil. Sua expressão fingida de garota inocente era tão sínica que chegou a irar o garoto que estava ao chão.

- O que estão fazendo aqui? E porque o Freddie está no chão?

- Porque não volta pra Seattle? Perguntou com um sorriso ofensivo em seu rosto, fazendo o amigo cabisbaixo.

- Não está feliz em me ver?

- Pareço feliz?

- Sam... Poxa, estava preocupado.

- Spencer, vá embora!!! Freddie gritou, arrumando suas roupas e levantando-se. – Por favor, vá embora!!!

- Porque ele tem que ir embora, Freddie? Você... Você não contou a ele o meu segredo, contou? O moreno tencionou seus músculos, sentindo cada parte de seu corpo tremer. – Você contou... Ela balançou a cabeça negativamente, encarando aos dois com fúria. – SERÁ QUE NÃO POSSO CONFIAR MAIS NINGUÉM?!! Berrou, andando até o moreno e apertando seu pescoço com uma força anormal, tirando seus pés do chão. – Até mesmo em você?! Os olhos dela se apertaram em lágrimas e ela o fuzilou com os mesmos, pressionado cada vez mais a garganta do rapaz até tirar o ultimo suspiro dela. — É tão sujo quanto todos eles! Tão sujo quanto aqueles malditos daquela banda estúpida, não é?!

- Não... Sam...! Forçava-se a ter voz para falar, debatendo-se no ar.

Em um grito ela o atirou para longe e arfando em ódio virou-se para Spencer, depressa e pesadamente caminhou até ele, empurrando a parte de seu vestido que a atrapalhava andar e deixando o corpo à mostra, fazendo-o recuar de seu ataque como um animal cercado.

- Agora você acredita nele?! Debochou.

- Sam, eu só quero ajudar você, por favor!!!

- O que você disse sobre mim quando ele te contou o modo como me assassinaram tão cruelmente, Spencie? Você se preocupou sobre isso? Não... Sua vidinha medíocre de merda era mais importante do que os devaneios de um pirralho, não era?!

- Eu vim até aqui porque estava preocupado com seu bem estar, mesmo duvidando que isso pudesse ser real!

- O Freddie te contou tudo, não contou?! Ele contou como meu sangue espirrava na cara daqueles malditos e de como minha barriga aberta os fazia gargalhar? Contou como eu senti cada facada tirando a vida de mim?! Como era gritava desesperadamente para que parassem, e mesmo assim eles continuavam? Da humilhação que eu senti?! Ele contou o que ele pretende sobre isso?!

- Ele não pretende nada, Sam!!! Ninguém pretende nada!!!

- VOCÊ PRETENDE! QUER TIRA-LO DE MIM!!! NÃO PODEMOS DEIXAR ISSO ACONTECER, CERTO?! E parou, arqueando as costas e fechando os punhos, os olhos negros como a noite o encararam de cima a baixo e uma voz masculinizada e monstruosa disse com possessão em seu tom. — O FREDDIE... É... MEEEEEEEU!!! Esbravejou, parando de caminhar para cima dele e conseqüentemente fazendo-o parar também, segurando sua cabeça e fechando os olhos, pondo um sorriso discreto no canto de sua boca e tentando disfarçar seu ataque de nervos anterior. – Vai me fazer perder a cabeça, Spencie... Eu espero que sua irmãzinha e o outro traidor nem se aproximem disso aqui. Falava com uma calma assustadora agora, balançando os dedos das mãos nervosamente. – Vai ser um banquete, não vai?

- O que está dizendo, é sua melhor amiga!!! A Carly ama você!!! E eu também te amo, minha menina! E o Freddie, e o Gibby! Vocês são os melhores amigos que eu já vi, precisam um do outro!!! Lembra disso, Sam?! De quando você e a Carly eram pequenas, de quando eu levava as duas ao parque! Lembra das tardes de sábado e dos sorvetes que você me fazia pagar, e de como eu amava fazer isso?! Lembra de quando você tinha medo do escorregador alto, eu estava lá embaixo pra te segurar, Sam!!! Estava lá quando me vinha chorando pelos machucados que haviam sido feitos quando tropeçava, ou caia de sua bicicleta! Sam, por favor!!! Eu sei que você está ai!!!

O peito dela subia e descia com rapidez. Uma bomba relógio que prestes a explodir. Os olhos escuros dela faiscavam ensandecidos, como se milhares de navalhas fossem pular de dentro deles direto para a garganta de Spencer. Ele esperava um ataque. Esperava que ela corresse, que explodisse. Bem pior. Diante de seus olhos ele viu os pés da garota saírem do chão. Samantha levitava a uma altura de quase três metros, e um grito extremamente sobrenatural saiu de sua boca, as mãos dela seguravam a barriga com agonia e lágrimas pesadas escapavam de seus olhos. Precisou testemunhar para crer que o desconhecido era real. As palavras de Freddieward valeram-se no momento em que ela cuspiu o mesmo liquido preto e viscoso novamente. E tudo havia voltado para a primeira noite de sua nova perspectiva.

- Isso dói... Ela disse e sorriu, mostrando-lhe os dentes sujos pelo liquido desconhecido.

Seus olhos se fecharam em uma depressão penosa de se ver. De repente, despencou daquela altura, caindo completamente imóvel ao chão. Demorou de dois a três minutos para que o homem pudesse mexer-se dali. Do outro lado daquele descampado, Freddie o encarava imóvel, sentado ao chão, os olhos beirando o desespero.