O Corpo De Samantha
7 Capítulo 7
Notas iniciais
- Perdemos o professor Hempkins. Disse com pesar, não muito preocupado em tentar acalmar o zumbido que se formou entre os garotos. Ele parecia estar falando aquilo diretamente para Freddie, e ninguém mais. – Tinha outra pessoa em mente?
- Samantha Puckett. Ela está bem?
- Quando a viu pela ultima vez?
Freddie não queria mencionar que a tinha visto pela ultima antes que a aula do Sr Hempkins começasse. Isso poderia fazer dela um suspeita.
- No almoço, eu acho. Mentiu.
- Nós já estamos indo nos unir ao dormitório feminino. Com certeza, ela está lá. Segura. E bateu os pés, saindo e deixando o garoto em total desespero.
Estar desesperado havia sido algo bastante comum na vida de Freddie nos últimos dias. Algo martelava no fundo de sua cabeça, e ele não sabia se era uma enxaqueca causada pela bebedeira ou uma idéia obscura que havia corrido seu pensamento, e que ele preferia evitar pensar conforme as possibilidades sobre ela pareciam crescer. Não... Seria impossível.
Agradeceu em silencio quando finalmente começaram a organizar fileiras amontoadas para a caminhada até o dormitório feminino. A lentidão dos rapazes causada pelo sono era compreensível, mas ele simplesmente odiava ter que acompanhar o ritmo quase estático deles. Uma lesma seria mais rápida. A caminhada se seguiu, guiada por seus pensamentos autodestrutivos, e em minutos chegaram ao seu destino. Freddie não soube explicar se sentiu alivio ou medo quando a viu sentada na frente do dormitório, mas uma corrente elétrica disparou em seu corpo, fazendo-o correr a frente de todos até ela. Sam levantou-se assim que o viu, braços abertos para abraçá-lo. Ele parou em choque, e esperou que ela se aproximasse dele. De repente, Sam não parecia tão péssima quanto aparentava de manha. Lá estavam seus cachos radiantes, perfeitamente formados e cheios de brilho. Sua pele estava corada, os olhos mais azuis do que nunca e suas pálpebras livres de qualquer olheira. Seu corpo perfeitamente acentuado em seu pijama, os lábios cheios, vermelhos e carnudos. Se não estivesse exagerando, diria que ela nunca fora tão bela.
Ele freou seu abraço, segurando seus braços e decepcionando-a.
- Porque você...?
- Foi você, não foi? Ele a perguntou aos gritos, fazendo-a encará-lo assustada.
- Do que está falando?!
- Do professor Hempkins. Você disse que ia resolver as coisas com ele!
- E resolvi.
- Matando ele?!
- Pedindo desculpas! Freddie, o que há de errado com você?!
- O que há de errado com você! Disse de forma retórica, outra vez empurrando-a para longe de si. – Você estava péssima de manhã e agora... Está maravilhosa! Do mesmo jeito que aconteceu quando apareceu no meu dormitório no dia do show, e na outra manhã já estava perfeitamente bem!
- Eu estava doente! Fiquei o dia todo no quarto e melhorei, onde está o absurdo nisso?
- Se curou rápido demais, não acha? Você não me engana. Não vai me deixar maluco! Você mudou desde aquela noite no bar. Eu não sei o que aconteceu, mas não confio em você!
- Freddie!
- Como pode ter matado o Sr Hempkins?!
- Como pode não achar que está louco?! Olhe para o que você está falando! Eu fiquei o dia todo no quarto queimando as aulas e peguei no sono até quando me acordaram e me mandaram descer! Pode perguntar a minha companheira! E ela não foi a única que me viu o dia inteiro! Muitas meninas viram! Como posso ter matado alguém se passei o dia inteiro lá, trancada e doente?! Os olhos da moça pareciam sinceros. Freddie enfraqueceu as expressões de raiva e enfiou as mãos no bolso do casaco, encarando o chão. Sentiu o corpo dela se aproximar do seu, e de repente, aqueles olhos de sinceridade não estavam mais lá. Ela o olhava com uma expressão sensual e persuasiva, as mãos correndo lentamente em seu peitoral. – Não está desconfiando de mim... Está? Ele se viu tonto pelo cheiro do perfume dela inebriando sua mente. Suas pernas estavam fracas e sem perceber, suas mãos estavam na cintura dela, afagando-a. Sua nuca era levemente arranhada pelas unhas de Sam, e ela beijava seu pescoço, roçando os lábios nele e fazendo o garoto revirar os olhos. – Tá assustado? Perguntou com uma voz irônica, e Freddie assentiu que sim, arrepiando-se ao ouvir a voz dela. – Eu nunca machucaria você...
E o soltou, voltando-se para encará-lo. Freddie enxugou uma lágrima que rolou por sua bochecha com rapidez, sentia o corpo todo enrijecer em temor. Sam sorria para ele de modo diabólico, mas de repente sua expressão se transformava em algo puro, e aquela troca de personalidades acontecia de um segundo para o outro, fazendo o garoto apertar os olhos em perturbação.
- S-s-sam? Disse com a voz chorosa, dando um passo para trás.
E então ela subiu-lhe o olhar, fazendo-o enlaçar as próprias pernas e cair para trás, amedrontado. Freddieward rastejou por alguns segundos e depois se levantou, andando de costas enquanto a encarava, até que se afastou em uma corrida apressada de volta para onde todos estavam. Ele sabia muito bem que havia tomado doses fortes o suficiente para deixá-lo completamente bêbado. Mas o pouco de consciência que o choque pela noticia do assassinato o havia lhe trazido, provava que o que havia visto era real, mesmo quando sua cabeça balançava negativamente, mentindo para si próprio. As orbitas da garota o fitaram dentro da alma, e ele jamais esqueceria aquele olhar. Completamente escuras. Pretas. Vazias.
Seu peito esbarrou nas costas de Dylan e o garoto assustou-se, acalmando-se ao encarar o amigo.
- Epa, calma aí, cara. Está tudo bem? Está suando... Parece que viu um fantasma.
Ele engolia a saliva com dificuldade, como se o que estivesse em sua boca fosse um ácido corrosivo. A respiração lhe faltava, assim como também a força no corpo. Seus olhos caçavam por Sam entre as altas folhagens do prédio, mas não havia nada ali.
- Eu... Ela...
- Você achou a Samantha Puckett?
- Ele foi... Assassinado...
- Eu sinto muito, Freddie. Dylan colocou as mãos em seu ombro, consolando-o. – Fique calmo. As buscas já acabaram e o prédio foi selado. Podemos voltar aos nossos dormitórios.
- C-como ele estava quando o encontram? Vo-você sabe?
- Porque não conversamos sobre isso amanhã? Descanse, cara. Quer que eu te faça companhia hoje?
- Eu prefiro ficar... Sozinho.
- Eu te levo até lá. Vamos.
Ele não negou a ajuda de Dylan. Depois de alguns minutos caminhando sob um silencio embaraçoso, chegaram à porta do quarto do moreno.
- Obrigado. Freddie agradeceu junto com um acenado de cabeça nervoso.
- Vai ficar bem mesmo?
- S-sim.
- Ok. Chame se estiver precisando de alguma coisa.
O moreno assentiu. O breu dominava seu quarto, e ele preferia assim. Não queria ter que encarar as latas vazias ao chão, muito menos a si próprio no espelho. Manteria encoberto os fatos de minutos atrás, mesmo que aquilo fizesse sua mente esquentar como o inferno. Talvez ele realmente estivesse tornando-se um esquizofrênico. Depois de respirar fundo, deitou-se em sua cama, apenas desejando dormir para sempre. Mas não... As malditas lágrimas de desespero começaram a lhe molhar o rosto, enraivecendo-o ainda mais. A tristeza lhe ninava e acalmava, seus olhos estavam quase se fechando, até que sentiu uma mão gelada em suas costas.
Ficou surpreso por seu grito agudo não ter acordado o campus inteiro e levantou-se, acendendo a luz com agonia.
- O que foi?!
- SAI DO MEU QUARTO! Ele gritou para a loira, enxugando o rosto.
- Para de gritar, credo! Quer acordar todo mundo?
- SAI DAQUI AGORA!!!
Ela abaixou os ombros e sentou-se, observando-o.
- Mas a gente já dormiu junto algumas vezes... Ele ajoelhou-se e se aproximou de Freddie, que respirava de modo exageradamente descontrolado. – Eu não vou morder você. Afirmou, acariciando os cabelos do rapaz.
- Essa... Camisa é minha?
Nenhuma resposta. Os olhos dele arregalaram-se ao notar o quão perto Samantha estava de seus lábios. Porém eles se fecharam quando ela os tomou em um beijo leve e quente, cheio de suspiros de ambas as partes. Ela gemeu em sua boca e entrelaçou sua língua a dele, deslizando as mãos em seus cabeços negros. Depois afastou-se, voltando a observar-lo sentada em sua cama, mas não havia mais volta. Freddieward havia entrado em seu jogo. Ele avançou para cima dela, jogando as pernas no quadril de Sam e prendendo seus braços com força, beijando todo seu pescoço e depois voltando a dançar seus lábios junto ao dela, sentindo-a movimentar-se em baixo de si. A blusa dele estava embolada até em cima, e Sam acariciava a pele nua de suas costas, causando arrepios. Por mais prazeroso que aquela caricia estivesse sendo, o olhar vazio de minutos atrás o trouxe de volta a realidade, e ele afastou-se dela com pavor, fazendo-a dar uma gargalhada divertida.
- DROGA, O QUE ESTÁ ACONTECENDO?!!
- Nossa, Benson! Agora sim mostrou quem ta no controle! Debochou, sentando-se assim como ele.
- EU VI VOCÊ, EU VI VOCÊ, EU VI VOCÊ...!
- T-t-t-t-ta gaguejando, ta parecendo até a professora Gillies! Fez piada do nervosismo dele, cruzando os braços.
- EU VOU CHAMAR A POLICIA!
- É, e o que vai dizer? Que vai me processar por assédio sexual?
- O que você quer de mim... Disse, levantando-se e andando impaciente pelo quarto.
- Eu quero... Explicar umas coisas pra você. Não é você que anda me perguntando o que aconteceu naquela noite, no bar?
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