O Corpo De Samantha
16 Capítulo 16
Os primeiros raios de sol tremeluziram através da fina cortina da janela, fazendo os olhos de Samantha se ofenderem. Ela rolou pela cama de solteiro e grunhiu, cansada, levantando-se de supetão ao sentir o colchão um pouco maior do que na noite passada. Acreditava estar sozinha, até que olhou para a lateral esquerda da cama e o viu lá, sentado ao chão com os braços apoiados na beira da cama e o queixo apoiado neles, olhando-a com uma cara apaixonada.
- O que está fazendo aí, esquisito?! Reclamou, levando a mão a cabeça com um grunhido de dor.
- Sua cabeça dói? A minha também... Afinal, foram muitas brigas ontem à noite. Disse, levantando e remexendo suas coisas a procura de uma aspirina.
- Porque está todo arrumadinho? Vai assistir às aulas? Que horas são?
- É, eu ia assistir às aulas... Freddie sentou no colchão e a entregou o remédio junto com um copo de água. – Mas abaixei para procurar algo em baixo da cama e vi você aí, dormindo... E resolvi ficar te olhando até você acordar.
Sam havia achado extremamente fofa a atitude do namorado, e teve que segurar-se para não deixar escapar um “Awwwwn!” de seus lábios. Porém, ela nunca foi a favor de tamanha melo dramaticidade, então apenas sorriu alegre para ele e inclinou-se para beijar-lhe brevemente, sendo impedida por ele, que não contente com um selinho, logo enlaçou em sua cintura e a trouxe para sentar-se em seu colo numa posição mamãe-bebê.
- Não faça mais isso, é irritante. Mentiu, enlaçando os braços no pescoço dele e arrumando-lhe a gola da blusa.
- Desculpe...
- Acho que vamos repetir o período.
- Não vamos nada. É só corrermos para fazer todos os trabalhos atrasados antes que as datas se esgotem.
- Não faço nem dentro do prazo, quanto mais na correria...
- Eu ajudo você, Pucks. Respondeu a ela com um sorriso de lado, fazendo-a sorrir satisfeita. No entanto, o sorriso da loira enfraquecia aos poucos e então se tornou séria, encarando o chão do quarto nervosamente por alguns segundos. – Samms? Falei algo que não devia?
— Não, não, é que...
- O que?
- Eu não sei. Eu posso estar sendo precipitada, mas... Eu tenho medo de não conseguirmos lidar com isso tudo. Você sabe, nós ficávamos estressados com a correria da faculdade o tempo todo e estávamos sempre discutindo por isso, e agora temos um relacionamento e... Eu não quero falhar com você, entende?
- Você não vai falhar comigo. Nem consigo mesma. Muito menos eu em relação a você e a nós dois. Você vai conseguir terminar seu curso e eu vou conseguir terminar o meu. Quando as coisas estiverem loucas, vamos prometer reservar ao menos meia hora de nosso tempo para nós dois. Nem que seja para fazermos os trabalhos juntos em silencio, cada um com seu notebook, mas mesmo assim, juntos. Eu não quero voltar atrás agora. Você quer?
- De nenhuma maneira.
- Então não temos nada a perder. E podemos morar fora do campus se você quiser. E pegar um daqueles apartamentos pequenos perto da praia que você tanto adora.
- Como vai fazer isso?
- Eu tenho umas economias guardadas.
- Não será necessário, Benson... Sorriu, subindo os olhos para encara-lo. – Eu me contento com sua cama de solteiro e não estou nem aí se os outros garotos escutarem meus gemidos.
Freddie gargalhou e a abraçou forte, fazendo-a retribuir o abraço com rapidez.
- Você é demais, Samantha Puckett.
- Eu sei. Disse por trás do ombro do garoto, logo afastando e voltando para encara-lo. – Amo você.
- Também amo você.
E sorriram, trocando uns beijinhos rápidos e risinhos carinhosos até que Freddie sentiu seu celular vibrar em sua pequena mesa de cabeceira. Esticou-se para pega — lo e o expos de modo que ele e Sam podiam ler o que estava escrito na mensagem.
“Freddie, sou eu, Carls. Dormiram bem? Hahahaha. Até parece que dormiram. Bom, Gibby, Spencer e eu passamos a noite no hospital e depois descansamos numa pousada que achamos aqui por perto. Spencer está bem, não foi nada grave. Quando podemos nos ver novamente? Sinto falta de vocês dois. Responde rápido!”
- As insinuações da Carly continuam insuportáveis. Sam reclamou, descendo do colo dele e caminhando para o banheiro.
- Incrível como ela percebe as coisas tão rápido. Disse com uma expressão pensativa, acompanhando a loira com os olhos. – Vai encontrar com eles?
- Você não?
- Bem... Na verdade, queria passar o dia com você. Já que perdemos tantas aulas um dia a mais não faria diferença.
- Não acredito que muita gente vai aparecer para as aulas hoje. Mas... Vamos lá, seria maldade não ficarmos com eles depois de eu ter esfaqueado o Spencie.
Freddie sorriu e caminhou até ela, tirando os cabelos dela de seus ombros e segurando seu rosto.
- Ok... Passamos o dia com eles e depois, você passa a noite comigo.
- Onde vai me levar?
- É surpresa.
Sam revirou os olhos, mas deu-se por conformada, dando um rápido selinho nos lábios dele, e despedindo-se para tomar uma ducha no chuveiro do moreno.
- Quer companhia aí? Ele gritou através da porta fechada, rindo baixinho.
- Você já está limpo!
- Posso tomar banho de novo, ué...
- Eu sei o que você quer, pervertido!
- Ahhh... Fingiu uma lamentação e gargalhou, sentando-se na cama para esperar que ela finalizasse.
- Bom... Talvez mais tarde. Sam disse num tom audível apenas a ele, fazendo-o erguer as sobrancelhas e dar um sorriso satisfeito.
Minutos haviam se passado, e ele continuava deitado em seu colchão, encarando a loira ir e vir, as mãos apoiadas no rosto, pacientemente.
- Vamos encontrar nossos amigos, e não a outro baile. Pra que tanta demora?
- Cala a boca, Benson. A grande pergunta é como posso ter tantas roupas minhas nas suas coisas.
- Você passa mais tempo aqui do que no seu próprio dormitório.
- Ninguém suporta a “Carlysse” daquelas garotas. Nem mesmo você suportaria. Eu só aguento a Carly Shay porque ela é minha melhor amiga.
- Carlysse? Ele sorriu e levantou-se, sentando-se a beirada da cama. – Pelo jeito, você está ficando tão “Carlyzada” quanto elas. Bons tempos os que você só precisava de uma bermuda, uma blusa e um tênis.
- Quer dizer dos tempos eu que eu parecia um garotinho? Ok, Freddieward, eu sei que eu sou o homem da nossa relação, mas você já está pedindo demais.
- Muito engraçadinha. Fez uma careta e levantou-se, enlaçando-se na cintura da loira e admirando os dois em frente ao espelho, dando pequenos beijos em seu pescoço. – Estou brincando. Eu amo todos os seus estilos.
Sam sorriu, deslizando a mão pelo rosto dele.
- Nenhuma preferência?
- Bem... Talvez o da noite passada. E não estou falando da roupa que usou no baile.
- Arg! Sam revirou os olhos e sorriu, remexendo em seus cachos e finalizando toda a sua produção. – Tarado.
- Você que não tem senso de humor.
- Se isso é humor para você, é péssimo fazendo isso. Ainda bem que é inteligente.
- Nyeeh!
- Nyeeh! Mostraram a língua um para o outro e depois sorriram. Sam bateu os lábios para arrumar seu gloss, satisfeita com o que via. – Terminei.
- Aleluia!
- Benson, estou te avisando... O ameaçou com o dedo em riste, fazendo-o erguer os braços em sua defesa.
Logo o carro do moreno estacionava junto à lanchonete que haviam combinado com Carly por mensagem. A excitação de Samantha a fez abrir sua porta antes mesmo de Freddie descer do carro, correndo em pulos de alegria em direção a seus amigos.
- Spencer!!! Gritou, abraçando com força o homem e o fazendo dar alguns gemidos de dor. E de prazer, ao mesmo tempo. Era uma dor prazerosa. – Estou tão feliz em te ver!
- Não foi o que me disse ontem! Ele sorriu, esfregando sua cabeça. – Como está a minha menina?
- Como está você, isso sim! Meu Deus... Eu realmente sinto muito.
- Pare com isso. Beijou sua testa e soltou seu abraço. – Estou ótimo.
- Só sentiu falta do Spencer, é?
- Para de palhaçada, Carly Shay! E abraçou também sua amiga ciumenta, Freddie logo em seguida já cumprimentava aos meninos com abraços e apertos de mãos violentos. Homens. – Tá foda sem você, Carls. As meninas daqui são um saco.
- Nem me fala! Parece que ninguém tem a personalidade que você tem. Senti sua falta!
- Eu senti a sua! E deram gritinhos, fazendo os garotos virar os olhos e se abraçaram como duas garotas de 12 anos.
- Estão chamando a atenção de todo mundo, querem parar?
- Cala a boca, gordo! E sufocou Gibby com um abraço que esquentou o coração do amigo, deixando-o feliz com a recepção da loira. – Ainda não acredito que está cursando Medicina.
- Nem eu mesmo acredito. Disse, fazendo todos rirem enquanto caminhavam até uma das mesas.
Entre risadas, piadas, velhas historias e novas conquistas, passou-se aquela adorável tarde. Era de cortar o coração que seus amigos tivessem que partir tão cedo. Ficaram até demais que o previsto. Deveriam retornar na mesma noite do baile. Na verdade... Não deveriam nada. Todos estavam partilhando a companhia das pessoas mais importantes de suas vidas. Estavam matando longas saudades, revivendo os sentimentos mais especiais que já sentiram. O que era dever, perto disso? Porém, apesar da amizade e amor que um sentiam pelo outro ser eterna, aquele momento não era. E com pesar, despediram-se um do outro no estacionamento daquele lugar tão refrescante, as saudades por soltar dos abraços uns dos outros já apertava a todos os corações. Carly quase chorou ao dizer adeus a sua companheira de fé, parceira de crime e melhor amiga que nunca teve e jamais terá igual. Já Samantha, abriu aos berros, e sabia o quanto Freddie lhe enxeria o juízo com piadinhas por ter feito aquilo. Ou não. O moreno parecia tão sensível quanto ela, sussurrando agradecimentos infinitos e abraçando com força seus amigos, especialmente a Spencer. As coisas poderiam ter sido bem piores se Spencer não tivesse agido com sagacidade para entender o que lhe estava acontecendo. E aquele segredo, levariam todos para o tumulo. Ninguém jamais tocaria nele novamente, também. Pelo menos, esse era o combinado. Mais apesar de tudo, Sam e Freddie tinham tirado uma lição daquilo, especialmente a garota. Aprenderia a ouvir, obedecer e seguir conselhos amigos. Enquanto Freddie havia de certo modo acordado de vez e percebido que não era mais um garotinho. Tinha que tomar posicionamentos de homem, como o que fez na noite em que sua Sam havia voltado para ele. E aos amigos, mais uma vez, lhes mostraram que lealdade é tudo de mais precioso que uma pessoa pode ser abençoada com tal.
Demorou até que o carro de Freddieward parece novamente. Escuro, frio e sinistro. Essa era a descrição perfeita do local que Sam conseguia enxergar através das janelas. Ele desceu e abriu a porta para ela com um sorriso travesso no rosto, estendendo a mão para ajuda — la a descer, mas Sam recusou, cravando as duas mãos nos ombros do garoto e o empurrando para trás, tensa.
- Que merda é essa, Freddieward?! Ele tombou quando Sam o balançou pela gola, segurando-se em sua cintura e depois arrancando as mãos dela de si e as segurando para baixo, tentando tranquiliza – la.
- O que eu fiz?!
- Não gosto desse lugar. Entre, vamos embora.
- O que há de errado com você?!
- Não tem nada aqui!
- Quer se acalmar?! Disse, segurando-a pelo braço e ela parou, encarando-o.
- Desculpa, nerd. É que... As coisas não rolaram muito bem da ultima vez que saímos juntos.
- É, mas você não vai sair de perto de mim hoje. Fica tranquila. Nada vai te acontecer.
Sam desfez o bico e respirou fundo, aproximando-se dele.
- Que lugar é esse? Porque está tão escuro? Só vejo sombras de pessoas em volta mas não vejo o rosto delas. Eu não gosto disso, amor.
- Confia em mim ou não? Vem cá. E pegou sua mão caminhando até a frente do carro e depois a agarrando pela cintura para coloca – la em cima do capô, sentando-se ao lado dela em seguida. – Faz parte da surpresa.
- E em quanto tempo vou descobrir isso?
Ele forçou a vista para conseguir enxergar seu relógio no escuro e depois ergueu as sobrancelhas, abraçando Sam pela cintura e levando-a para deitar sobre seu peito.
- Dez segundos.
Pessoas a sua volta começaram uma contagem de 10 até 1 no momento em que Freddie terminou sua frase, fazendo a loira olhar em volta com curiosidade e o moreno sorriu para ela, tomando sua mão e a fazendo contar junto com ele e com todo o resto. A chegada do 1, uma queima de fogos ardorosa iniciou-se, dando um pequeno susto em Samantha, e depois a fazendo gargalhar por ser tão boba. Freddie contagiou-se com seu sorriso e a abraçou, beijando seus lábios suavemente e depois a acolhendo em seus braços para admirarem o show. Casais como eles se beijavam felizes, amigos registravam o momento com fotos, famílias se abraçavam e gargalhavam em comunhão. Era um cenário realmente harmonioso e agradável. Depois de algum tempo, uma banda de rock alegre começou a tocar no fundo, fazendo com que todos se esticassem para vê-los na areia da praia, cantando junto ao som dos instrumentos e batendo palmas eufóricas. Sam enlaçou-se no pescoço de Freddie, encarando com o mesmo olhar bobo que ele havia lhe dado pela manhã.
- É tão lindo...
- Eu te disse, Puckie. Gostou da surpresa?
- Sim... Mas não estava falando do ambiente. Você é lindo, Benson.
- E você é a garota mais perfeita, engraçada e única dessa praia. É fantástica, Puckett. Não me deixe. Nunca mais.
- Eu não vou.
- E não flerte com o vocalista daquela banda. Não queremos problemas de novo, por favor!
Sam gargalhou e o beijou, encostando as costas dele no vidro frontal do carro e deitando-se sobre ele para aproveitar um pouco mais daquele vento praieiro, daquela musica alegre e daquela queima de fogos que enchia seus olhos e coração de cores.
- Pra que? A intenção daquilo foi você. Sempre foi você, nerd.
De volta ao cenário inicial onde tudo começou, desta vez, Sam sentia-se completa. Não lhe faltava amor para que tivesse a necessidade de chamar a atenção de ninguém dessa vez. Ela tinha Freddie ao seu lado, e tinha em mente mante-lo daquele jeito durante muito tempo, para sempre, se isso não fosse um exagero. Só queria manter sua vida de tranquila de universitária, a qual se queixava tanto antes, e agora via que nunca fora tão perfeita. Tudo o que lhe faltava era o amor dele. Mas quando aquilo terminasse, iriam ter seu apartamento, sua cama, seu lugar, suas coisas. Seu ninho. Por enquanto, tinha que se contentar com alarmes, camas de solteiro, colegas de dormitório indesejáveis e professores severos. Mas ela tinha o homem que mais a fazia feliz neste mundo ao seu lado. E sabe, estava completamente satisfeita com isso.
Fim.
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