O Corpo De Samantha
12 Capítulo 12
- SAM!!! SAM!!! O menino apenas gritava do outro lado do campo, assustado demais para se aproximar. – Não... Não!!! E decidiu correr até a moça, Spencer seguiu seu gesto do outro lado, impedindo-o de toca — lá. – Me solta!
- NÃO!!!
- SAM!!! SAM!!!
- NÃO É A SAM, FREDDIE!!! Berrou, segurando o rapaz com força e olhando nos olhos, emocionado. – Eu acredito em você... Eu deveria ter acreditado antes!!!
- Temos que fazer alguma coisa!!!
- Não há nada a ser feito, Freddie... Ela... Ela se foi naquela noite. E o que restava dela se foi agora.
- NÃO!!! Arrancou seus pulsos das mãos de Spencer e ajoelhou-se ao lado dela, deitando sua cabeça em seu colo e agitando seu braço com violência. – Acorda, meu amor!!!
- Freddie... Spencer tentou afastá-lo, sendo completamente ignorado.
- Sam, por favor!!! Sammy, não faz isso comigo!!! Por favor.... Eu amo tanto você!!! Eu te aceitaria de todas as maneiras! Não me importa se você continua sendo quem é, só abra os olhos, por favor!!! Eu preciso de você comigo, Sam, de qualquer jeito!!! Por favor!!! Não!!! Deitou sua cabeça junto ao ombro dela, abraçando sua cintura com força e puxando seu corpo imóvel e frouxo para junto de si. Acariciava seus cabelos a berros, beijando cada parte de seu rosto. – Eu não deveria ter te deixado ir! Eu deveria ter cuidado de você, meu amor!!! A culpa é toda minha!!!
Spencer passou os pulsos nos olhos vermelhos pelas lágrimas, tossia engasgado pelo desespero ao mesmo tempo em que tentava afastar Freddie da garota. Depois de certa relutância, conseguiu fazer o garoto deixa — lá, girando – o e dando as costas para Sam na tentativa de fazer com que Freddie não pensasse em voltar para lá. O rapaz apertava forte o terno do amigo, e juntos choravam em um desespero ritmado. Ele tentava pensar em algo para dizer ao garoto, mas o remorso, a culpa e a dor que sentia pela negligência ao pedido de socorro do garoto o consumiam. Apenas segurava a cabeça de Freddieward com firmeza, assim como o resto do corpo tremulo dele.
Freddie sentia que aos poucos, o carinho de Spencer o tranqüilizava, mas saber que sua Sam estava deitada atrás dele, morta, fazia com que aquela sensação de vazio eterno nunca mais o deixasse. As mãos de Spencer ficavam mais lentas e fracas aos poucos em sua cabeça, até que o corpo dele enrijeceu num grunhido engasgado e caiu para o lado, mostrando – a novamente ali, sorrindo para ele. Sua estaca estava nas mãos dela, sujas pelo sangue de Spencer . Freddie afastou-se, horrorizado demais para socorrer Spencer ou tentar falar-lhe algo.
- Jamais vou deixar você, meu amor. Ela girou a estaca para trás das costas, deixando claro que não tinha intenção de feri – lo também.
- VOCÊ... ESFAQUEOU O SPENCER!!!
- Ele queria tirar você de mim...
- NÃO QUERIA, SAM!!! ELE QUERIA NOS AJUDAR!
- Não preciso de ajuda. Só preciso de você.
- NÃO!!! FIQUE LONGE DE MIM!!!
- Mas você disse que me queria de volta!!!
- EU QUERO A MINHA SAMANTHA DE VOLTA!!! EU NÃO QUERO VOCÊ!!! VOCÊ NÃO É A MINHA SAM!
- Não sou sua?
- NÃO!!! Berrou tomado pelo ódio, o peito aberto não demonstrava medo, mas sim a necessidade de um confronto. – Vai embora das nossas vidas. Eu não preciso de você!
Ela acenou com a cabeça e sorriu, tirando suas mãos das costas e reluzindo com a estaca na frente de seus olhos.
- Sendo assim... Não preciso de você, também. Seu dedo indicador deslizou pelo objeto cortante, e ela levou o sangue de Spencer até sua boca, fazendo Freddie engulhar. Com a mesma velocidade que levitou, seus pés saíram do chão, dando uma rápida corrida pelo ar e parando perto a Freddieward, que desarmado, só pôde correr. – Não adianta, Freddieward Benson! Você vai pro inferno... COMIGO!!!
Corria tão rápido, que ao espia –lá por cima dos ombros, Freddie tinha sempre a impressão de que ela estava colada a suas costas. Sábio plano, o do garoto. Sem saber, a estava atraindo para o mesmo lugar de onde tudo começou. A concentração de energia demoníaca e o sacrifico de sua alma estavam presos naquele local. E depois de minutos correndo, não tinha mais fôlego. Tropeçou e apoiou-se em uma das arvores, passando o braço pela testa e tossindo pela falta de ar. O barulho da cachoeira o ensurdecia, porém a voz eloqüente e estridente dela logo apareceu a sua frente, mais ou menos a um metro de si.
- Ora, ora... Olhe só onde nós estamos, outra vez!!! Posso sentir o cheiro do sangue dela nas minhas narinas. Disse, deixando perfeitamente claro para Freddieward crer que de uma vez por todas, Sam havia ido embora daquele corpo há muito tempo. Nem mesmo falava como ela, mais. – Sangue doce... Tão pura. Apesar de você ter tirado a inocência dela de mim.
- Ela nunca foi sua!!!
- Agora ela é. Não pretendo sair de longe dela. A Sam é realmente, uma menina encantadora!!! Vamos lá, Freddie... Você deve ser esperto o bastante para interpretar o que leu. Não sabe que o único modo de ter a Sam de volta, é tendo-a morta?
- Eu sei que a Sam ainda me ama.
- Será mesmo? Ora, ela tinha que se virar com você, afinal não fez muitos amigos por aqui e você era o único conhecido dela. No final, ela só estava mantendo as aparências ao dizer a você que o amava. E quando foi a ultima vez que ela disse isso mesmo? Na cama? Tudo caiu no esquecimento depois, Freddieward... A Sam te disse depois disso que ainda te amava? Aproximou-se de Freddie, andando em círculos em volta dele. – Não disse... Não é? E sabe por quê? Porque isso acabou para ela... A Sam parou de amar você. Você se tornou indiferente pra ela. Apenas mais outra pessoa que ela tinha que aturar, assim como todo o resto que virá comigo está noite.
- Como pode saber tanto sobre ela?!
- A mente da Sam também é minha. Eu consigo ouvir os pensamentos dela.
- VOCÊ NÃO SABE DE NADA!!!
- E VOCÊ SABE?! Parou atrás dele, obrigando Freddie a tentar espia – lá pelo canto dos olhos. – Não tem como ter certeza. É melhor começar a me aceitar na sua vida. E abriu-se em uma gargalhada, que tinha apenas metade da voz de sua amada. A outra era algo sinistro, frio e maligno. Tomado pela ira, medo e desconfiança, virou o punho com força na intenção de acertar seu rosto, tendo falhado no momento em que ela segurou a mão do garoto com força, olhando-o em seus olhos desesperados. – Tão fraco. Debochou e o atirou para longe, correndo para cima dele e sentando-se com as pernas abertas sobre seu corpo, dominando-o. – Olha onde estamos, Freddieward!!! Você está deitado exatamente no local onde sua amada gritou pelo seu nome pela ultima vez!!! “Freddie, por favor!!! Freddie!” Imitou a voz da garota, fazendo – o cegar de tantas lágrimas que embaçaram seus olhos. – Ela esperava que você viesse... E você não apareceu. Quão decepcionante isso pode ser?!
- SAM!!! OLHE PARA MIM, SAM!!! EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AI!!!
Ela sorriu, trincando a faca para cima enquanto dominava Freddie com uma das mãos, com tranqüilidade.
- Sente falta dela? ENTÃO JUNTE-SE A ELA!!!
- VÁ PARA O INFERNO!!! Berrou, chutando-a para longe e levantando-se para cima dela, deixando-a vermelha de ódio ao cair. – VEM!!! Desafiou, abrindo os braços. – Vem me matar.
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