- Não vou com você a esse show, Sam. Ele apertou os punhos e enrijeceu seus ombros, cansado de ter a mesma resposta para a mesma pergunta. E ele sabia muito bem que o mesmo dialogo viria a seguir.

- Porque não?!

Na mosca.

- Por quê?! Viciados e prostitutas freqüentam aquele bar! Está maluca?

- Não me interessa o bar, ou quem o freqüenta. Estou indo pelo show.

- O show é no bar.

- Você vai ou não?!

- Não, Samantha Puckett. E eu já te disse isso milhares de vezes. Não vou. Nunca. E não me pergunte mais. Ele cuspiu as palavras e voltou sua atenção para seu notebook, arrependendo-se mentalmente por ser tão ríspido. Ele precisava. Ela não pararia de insistir enquanto ele não a fizesse desistir.

Samantha levantou-se bruscamente e bateu os pés com suas botas de salto, girando os calcanhares em direção a porta.

- Então vou sozinha.

A frase da loira fez com que o garoto se levantasse de sua zona de conforto tão rápido quanto um raio.

- Não vai. Sussurrou firme e segurou seu braço por pouco tempo, pois logo Sam livrou-se do domínio do moreno.

- Vai se foder, Benson.

- Aquilo é perigoso.

- Eu gosto do perigoso.

Ele revirou os olhos. Sabia que se odiaria pela escolha que fez, mas não tinha saída. Sacou seu casaco preto de couro de seu cabide e o vestiu, encarando a loira a sua frente que lhe sorria satisfeita. Não conseguiria terminar aquele trabalho de faculdade sabendo que ela estaria correndo riscos naquela espelunca.

- Eu vou com você.

Permaneceram calados no caminho até o bar, exceto pelo barulho das unhas de Sam contra a lataria do carro de Freddie, que quicavam ansiosos e animados. De certa forma, aquilo esquentou o coração de Freddie. Ver que fazia algo que a deixava feliz era gratificante, mesmo quando não havia recebido nenhum obrigado em troca. Desde o ultimo “eu te amo” no elevador da casa de sua amiga até o instante em que a vida os mandou para a mesma faculdade, nada havia passado de uma amizade colorida e tudo continuava no morno. Mas nenhum dos dois poderia negar que o que foi dito naquele elevador continuava verdadeiro.

O barulho de suas unhas perdeu lugar para o rock violento que invadiu as janelas do carro quando o mesmo aproximou-se do tal bar. Homens vomitando ao lado de fora, casais transando em capôs de carros velhos... Um verdadeiro caos, e aquilo era só a parte externa. Um frio passou pela espinha do pobre nerd. Um garoto tão engomadinho acompanhado de uma mulher tão bonita causava estranheza à medida que eles se aproximavam da entrada, e não de modo positivo. Sem ingressos. O negocio era entrar e permanecer ali até que a banda começasse a tocar. Aquilo só mostrava o quão vagabundo o estabelecimento era.

- Me dê à mão. Ele pediu, sussurrando.

- O que?

- Uns caras estavam te olhando como se fossem comer você viva, e não é com a boca.

- Cala a boca, Benson. Só está com medo de você ser comido, e não com a boca.

Ele bufou. Sam aproximou-se do palco, não tão perto, e Freddie a seguiu. Os olhos da loira viajaram de cima a baixo com foco no vocalista da banda. Um sorriso malicioso dominou seus lábios, e aquilo fez o sangue do moreno ferver. Tatuagens, cabelo longo e roupas esfarrapadas. Como ela poderia estar achando aquilo atraente?

Notas finais
Façam uma novata feliz com reviews e recomendações? Vamos lá!