Notas iniciais
Bonitos!!!!!!! Como vocês estão? Gostaria de agradecer a todos os que estão acompanhando tanto esse spin-off quanto a fanfic principal. o/ Obrigada pelos reviews! Vocês são meu combustível. ^^ Em homenagem a isso, aqui está um cap. bem happy para vocês. Enjoy o/ P.S.: Não consegui colocar as fotos de todos os personagens no capítulo anterior da fanfic principal, mas, como a Meggie é dessa história, vou colocar ela aqui...

POV. GREG (Brooklyn Beach -­ 1986)

Já fazia mais de uma semana que eu tinha ido falar com a Lizzy sobre ela e o Chris. Porém, mesmo fazendo o que eu podia sem interferir diretamente, eu mais desejei que acreditei que meus conselhos fossem surtir efeito. Quando a primeira semana se passou e eu não vi nada mudar entre eles, me desanimei e decidi não me meter mais; afinal, não parecia fazer diferença. Mas uma surpresa me esperava na semana seguinte: os dois chegaram conversando e rindo, como se nada de errado tivesse acontecido com eles. Fiquei tão surpreso que eles tiveram que chamar minha atenção.

“Greg?”, Lizzy me chamou, estalando os dedos na frente do meu rosto. “Você está bem?”

“Parece que viu fantasma”, Chris completou.

Balancei a cabeça para clarear os pensamentos e encarei os dois.

“Não é nada. Só fiquei surpreso com-- Nada. Esqueçam.” Achei melhor não tocar no assunto já que eles estavam bem. “Vocês terminaram o trabalho de Álgebra?”

Grunhindo alto, eles começaram as reclamações do dia, e eu sorri de canto. É… Voltamos ao normal…

Depois de acenar ‘tchau’ para os dois, comecei a subir a rua na direção oposta. Minha casa era relativamente perto da escola; eu podia ir de ônibus — estaria em casa em 5 minutos -, mas a pé eu tirava 15 minutos, então acabava indo para casa andando. Me ajudava a pensar.

Eu estava bem feliz pelos dois idiotas que eu chamava de melhores amigos. Óbvio que aquilo era só um começo, e eu esperava que fosse muito além de eles só se falarem normalmente. Eles ficavam bem juntos e, principalmente, ficavam felizes.

Enquanto pensava nisso, vi, pelo canto dos olhos, um carro passando devagar ao meu lado. Acompanhei com o olhar até ele parar no meio fio mais a frente. Passei por ele, achando que o motorista havia parado, mas logo o carro apareceu novamente no meu campo de visão, rodando lentamente ao meu lado. Fiquei tenso, mas continuei andando. Observei o vidro do passageiro baixar e parei de andar; o carro me imitou. Mesmo com medo, me abaixei um pouco e olhei para dentro do carro, me surpreendendo ao reconhecer o rosto e a voz.

“Quer dar uma volta?” Sorri ao vê-la.

“Meggie... Está me seguindo agora?” Ela fez uma cara fingida de descaso.

“E se estiver? Algum problema?” Voltando a sorrir, ela completou: “Entra.”

Entrei no banco do passageiro, estranhando o carro desconhecido, mas ela não me deu tempo para pensar. Logo sua boca estava na minha, tirando o ar dos meus pulmões. Ofeguei e correspondi ao beijo, colocando as mãos em sua cintura. Uma dormência boa tomou conta do meu corpo, me impedindo de pensar qualquer coisa. Não que eu estivesse muito interessado em pensar, para falar a verdade.

Não nos víamos desde o dia do beijo — apenas nos falávamos por telefone já que ela tinha estado muito ocupada ajudando o irmão na filial da empresa -, e eu estive ansioso a semana inteira. Sentia uma impaciência profunda em fazer qualquer coisa; passava a maior parte do tempo pensando nela. Imaginando se ela estaria pensando naquele beijo tanto quanto eu estava, se estaria com tanta saudade quanto eu. Mas como ela não mencionava nada sobre o beijo nas ligações, eu também não me atrevia a perguntar.

Senti seus dedos em meu pescoço, e um arrepio desceu pela minha espinha. Ousei apertar sua cintura e recebi um suspiro pesado em resposta, me deixando feliz. Minha cabeça rodava levemente pela sensação de prazer que eu sentia.

Afagando meu rosto, ela se afastou um pouco, e nossos olhos se encontraram. Nós dois estávamos ofegantes e sorríamos sem graça um para o outro.

“Senti sua falta”, ela quebrou o silêncio, tirando toda a dúvida que eu vinha tendo naquela semana.

Tentei achar minha voz o mais rápido que pude.

“E-eu também.” Ela sorriu, seu rosto corado ficando ainda mais lindo. Seus olhos desviaram dos meus, e eu procurei algo para dizer. Ainda não estava acostumado com aquela situação e não fazia a mínima ideia de como agir. “Ah-- Carro novo? O que aconteceu com o Acura Integra?”

“Devolvi para a locadora”, ela respondeu, o rosto voltando lentamente à cor natural. “Era só temporário enquanto o meu bebê chegava de Londres”, disse, abraçando o volante, e eu ri.

Olhei melhor o carro e reconheci o modelo.

“É, Porsche e branco combinam melhor com você, e parece que é gosto de família.” Ela revirou os olhos com a minha última afirmação.

“Dan me copiou. Eu sempre disse que quando tirasse minha carteira ia querer um Porsche, mas o pai deu um para ele primeiro.”

“Qual o modelo desse? 959?” Ela assentiu.

“Sim. Dan tem um 944. Pelo menos posso jogar na cara dele todo dia que meu carro é mais rápido.” Ri ao ver como era evidente a infantilidade de se ter um irmão.

“Imagino que ele não deva gostar nenhum pouco.” Ela deu de ombros.

“Eu nunca liguei e não é agora que vou começar. Mas, então”, ela falou, me olhando, “onde vamos agora que me livrei daquele trabalho burocrático infernal? Hoje você escolhe.” Pensei um pouco.

“A gente-- podia ir para a minha casa e-- pedir alguma coisa para comer.” Ela considerou.

“Boa ideia. Da última vez que vi seu sofá ele parecia muito confortável.” Rimos e ela continuou: “Pode ser comida chinesa?”

“Claro.”

Ela sorriu e deu partida no carro. Poucos minutos depois, entrávamos na minha casa.

“Pode ficar à vontade.” Ela assentiu e retirou o casaco, pendurando-o no cabide.

“Qual o restaurante chinês mais próximo?”

“Acho que é… o Shun Lee. Fica a dez quadras.”

“Então vai ser rápido. Posso ligar?”, ela perguntou, apontando para o telefone.

“Claro. O número deve estar em um cartão dentro da agenda do telefone.”

“O que vai querer?”, perguntou depois de achar o cartão do restaurante.

“Pode escolher. Gosto de tudo do Shun Lee.”

Ela assentiu e ligou. Acabamos pedindo yakisoba, rolinhos primavera e dois biscoitos da sorte.

“Pronto. Deve chegar daqui a po--”, ela parou de falar de repente, olhando fixamente para algo perto da televisão.

Segui seu olhar, sem entender seu interesse.

“O que foi?”

Ela levantou do sofá onde havíamos sentado e se aproximou da TV, se abaixando quando chegou bem perto e tocando o aparelho que estava embaixo.

“Eu não acredito que você também tem um Nintendo NES. Onde conseguiu?”, ela me olhou.

“Eu tinha um Atari, mas, quando lançaram esse, penhorei meu Atari e comprei.” Observei-a, chocado. “Você joga video game?” Ela me olhou, ultrajada.

“Claro que sim. Como acha que eu matava meu tédio em Londres? Só dá para aguentar aquela cidade fria com muito café, rock e video game. Quais jogos você tem?”

Mesmo bastante surpreso por encontrar uma garota que jogasse video game, reprimi a vontade enorme de rir e indiquei a caixa que estava ao lado do console.

“Todos os meus jogos estão aí. Pode olhar.”

Ela pegou a caixa e voltou a sentar no sofá ao meu lado, com a caixa no colo. Abrindo, ela começou a olhar. Fiquei ainda mais surpreso ao ver que ela conhecia praticamente todos os jogos que eu tinha. À medida que olhava, ela separava alguns, colocando-os no meu colo. Por último, vi seu sorriso ficar maior ao segurar meu cartucho de Super Mario Bros.

“Esse foi o meu vício nos últimos tempos que passei em Londres. Fiquei tão obcecada em finalizar que meu pai teve que ameaçar confiscar meu carro para que eu largasse.”

“Ainda não finalizou?” Ela me olhou, chocada.

“Você já?” Assenti, e ela cutucou meu braço.

“Então me ensina a encontrar o Mundo Escondido que todo mundo fala?” Ri da cara fofa que ela fez.

“Tudo bem, eu ensino.” Naquele momento, a campainha tocou. “Depois que a gente comer.”

Levantei do sofá e fui receber a comida. Logo organizamos tudo na mesa e começamos a comer enquanto ela me contava sobre os outros jogos que costumava jogar, e nós trocamos experiências. Parei para observá-la por alguns segundos quando ela me contava como havia conseguido ganhar do irmão em um jogo de luta e, sem me controlar, comecei a rir. Ela parou no meio de uma frase e me olhou, confusa.

“Por que está rindo?” Respirei fundo, parando de rir.

“É que-- eu nunca imaginei que isso fosse possível. Eu estou conversando sobre video games com uma garota.” Sua expressão confusa se desfez e ela sorriu, me provocando.

“Preconceituoso.” Neguei, sorrindo.

“Não. Só estou dizendo que é muito raro. A Lizzy até joga fliperama, mas não jogos de console. Normalmente quando eu queria jogar com alguém, eu tinha que chamar o Chris.”

“Agora pode me chamar.” Nos encaramos por alguns segundos — a mensagem implícita na frase dela ficando evidente — até voltarmos nossa atenção para a comida. “Ok, eu estou curiosa para abrir meu biscoito. Nunca tenho sorte com as frases. Quase sempre é um agouro.” Rimos e ela pegou o biscoito.

Imitando-a, peguei o meu e quebrei, tirando o rolinho de papel de dentro. Ela também quebrou o seu, mas, ao invés de abrir seu papel, me olhou com expectativa.

“Quer saber o meu primeiro?”, perguntei, e ela assentiu. Desenrolei o papel e li: “‘Pare de procurar eternamente; a felicidade está bem ao seu lado.’” Ela sorriu.

“O seu foi bom. Agora o meu.” Ela desenrolou o papel e leu em silêncio.

“Não é justo; eu li o meu em voz alta.” Ela sorriu de forma enigmática.

“Parece que os nossos combinam”, e me entregou o papel. Senti meu rosto esquentar quando li o que estava escrito lá: ‘O amor está mais próximo do que você imagina.’

“É, combinam.”

Logo depois tiramos a mesa, e ela me puxou para a sala. Não precisava nem falar para eu saber o que ela queria: jogar. Nos acomodamos no tapete da sala e começamos. O resto da tarde se passou nisso: Mario, grunhidos de frustração e risos. Depois de algumas horas, ela tinha conseguido ir bem mais além no jogo do que já conseguira em Londres. Ensinei o caminho secreto para o Mundo Escondido, e ela ficou chocada ao ver o quanto era simples. Juro, há muito tempo não me divertia daquele jeito. Ela era linda, fácil de conversar, e eu me sentia mais atraído por ela a cada sorriso que ela dava. Me sentia hipnotizado pelo jeito que ela mexia no cabelo, a forma como mordia o lábio inferior e franzia as sobrancelhas quando estava concentrada. Seu perfume era o melhor cheiro que eu já havia sentido na vida; era como um ímã me puxando em sua direção.

Tentei ignorar essas sensações e me concentrar no seu progresso no jogo, mas a cada hora que passava isso ficava mais difícil. Em certa altura, eu mal olhava para a televisão, só observava suas expressões enquanto jogava. Quando ela terminou uma das fases, me olhou com um sorriso, mas logo se inclinou para mim e beijou meu rosto. Aquilo quebrou o controle que eu vinha construindo a tarde toda.

Segurei levemente seu rosto para que não se afastasse e a beijei. Senti suas mãos afagando meu rosto de leve e suspirei. Aprofundei o beijo e levei minha mão até seu pescoço e acariciei, sentindo sua garganta vibrar com um gemido. Depois do que pareceu horas para mim, nos afastamos e ela me abraçou. Mesmo surpreso e ainda ofegante, retornei o abraço, afagando seu cabelo e suas costas, mas aquilo me preocupou.

“Tudo bem, Meggie?” Ela me soltou do abraço e me olhou nos olhos, assentindo.

“Sim. É que você é a primeira pessoa com quem eu me sinto tão confortável assim em muito tempo.” Dei um sorriso de canto e beijei levemente seus lábios.

“Você também.” Ela sorriu, mas seus olhos se desviaram para o relógio pendurado na parede atrás de mim.

“Já está ficando tarde. Eu tenho que ir. Seu pai chega em pouco tempo, não é?” Olhei o relógio e confirmei.

“Sim.”

Ela levantou e eu a imitei, seguindo-a até a porta.

“Obrigada por hoje”, ela disse, vestindo o casaco. “Me diverti muito.” Concordei.

“Eu não me divertia assim há anos.”

“Podíamos repetir, mas na minha casa dessa vez.”

“Pode ser. Escolhe um dia que eu vou, se não for atrapalhar.” Ela negou.

“Claro que não vai atrapalhar, bobo. Adoro sua companhia e meu irmão nunca está em casa.” Assenti e ela me beijou, se despedindo. “Até depois.”

“Até.”

Ela sorriu, saindo logo em seguida. Pouco depois, ouvi o motor do carro ligar, acelerar e sumir. Voltei para a sala ainda meio em estado de transe — era assim que ela sempre me deixava — e me deitei no tapete da sala. Fechei os olhos, sentindo o cheiro dela em todo lugar, como se ela ainda estivesse ali. Era uma felicidade indescritível: meu coração acelerava como um louco só em lembrar seu sorriso, seus beijos. Abri os olhos e encarei o teto, conformado com a minha ‘sina’.

“É”, pensei em voz alta, “parece que eu me apaixonei de verdade.”


***

E aqui estamos para a apresentação de mais um personagem.

Meggie Scott

Notas finais
E então? Admitam, Greg está evoluindo, né? Já estão shippando eles dois? Reviews!!!! ^^ Próxima leitura: Todo Mundo Odeia DFN