O Coração Dos Quatro Elementos
11 A Primeira Batalha na Terra
Notas iniciais
Um sorriso de alívio estampa os lábios de Embla ao ver o irmão. Tanto, que a Maga da Casa do vento não percebe a mudança do olhar de seu irmão, fruto da magia de controle evocada pelo Mago das Trevas. Lágrimas de alívio começam a inundar o rosto a mulher, ao mesmo tempo em que ela dá um passo em direção ao irmão.
– Enzo... Que bom...! Que bom que você está bem...! Fiquei receosa... Tive medo de que alguma coisa de ruim tivesse acontecido a você, meu querido irmão...!
O olhar frio como o gelo de Enzo continuam encarando Embla, que dá mais um passo em sua direção. Não entende como ela pode sorrir por estar cara a cara com um inimigo e, por um pequeno instante, chega a pensar que esta maga está louca. Então, ele olha bem no fundo dos olhos dela e, algo naquele olhar o perturba profundamente, de uma forma que ele não sabe explicar. Mas, ele logo trata de tirar esse pensamento de sua cabeça, pois, esta maga é uma inimiga de Seu Soberano, e, deve ser tratada como tal.
– Quando você chegou, Enzo? E por que não me procurou? Tive medo de que algo ruim tivesse acontecido a você.
– Do que está falando, maga que luta pela justiça?
Só então Embla nota o olhar frio e distante de seu irmão, e, não é capaz de entender o que está acontecendo.
– Enzo... O que está acontecendo...?
Enzo não dá ouvidos a irmã e se prepara para ataca-la, evocando fortes correntes de vento que começa a envolver os dois braços do Mensageiro da Morte.
– Não sei do que você está falando, maga que luta pela justiça! Eu vim em busca do Coração dos Quatro Elementos, e, não irei parar enquanto não encontrar a pedra suprema e entrega-la ao Meu Soberano!
– Mensageiro da Morte?! – os olhos de Embla se enchem de lágrimas – Enzo... Você não é um Mensageiro da Morte...! Você é meu irmão...! Nós lutamos juntos pela justiça, Enzo!
– Pare de falar bobagens, sua louca! Eu sempre fui e sempre serei um Mensageiro da Morte! Sirvo ao Meu Soberano, o Mago das Trevas!
– Enzo... Por favor... Você precisa se lembrar... Sou eu, Embla... Sua irmã...
Ouvir o nome faz com que Enzo se lembre da ordem dada por Seu Soberano: tirar a vida da maga chamada Embla. E, sem pensar duas vezes, o Mensageiro da Morte parte para o ataque, com o único objetivo de cumprir a ordem dada por Seu Soberano, e tirar a vida da maga a sua frente.
O homem usa o seu poder e evoca a força de sua Casa, desprendendo as correntes de vento de seu braço e lançando-as em direção a Embla, que dá um salto para trás, a fim de evitar ser ferida pelo ataque do irmão.
A Maga da Casa do Vento não consegue conter as lágrimas de tristeza enquanto tenta se esquivar do ataque do irmão, querendo, de forma desesperada, que isso acabe e que o irmão acorde e se lembre de quem ele realmente é.
El não é capaz de atacar e, somente se esquiva dos golpes do irmão.
E, enquanto Embla só é capaz de desviar dos golpes do irmão, Enzo não tem compaixão e continua atacando a sua adversária. O Mensageiro da Morte envolve as suas duas pernas por poderosos tornados, toma impulso, dá um salto e se lança na direção de Embla, chutando a irmã com todas as suas forças, atingindo as costelas dela e jogando-a longe.
Embla grita de dor ao mesmo tempo em que leva as mãos ao local atingido pelo irmão, a dor aumentando cada vez mais.
E, enquanto o combate de irmãos é travado, Markhos e Belinda assistem a cena petrificados, sem compreenderem o que está acontecendo, já que não são capazes de enxergar o poder mágico dos irmãos.
Embla reúne todas as suas forças para se manter de pé, e, com os olhos encharcados por lágrimas de pura dor, percebe que não tem escolha a não ser a de lutar contra o irmão, a pessoa que mais ama neste mundo.
Enxuga as lágrimas, morde os lábios e encara o irmão, disposta a tudo para fazer com que o irmão volte a realidade e se lembre de quem ela é, e, principalmente, pelo que ele luta!
– Enzo... Eu sinto muito.... Eu não quero lutar contra você... Mas eu não tenho escolha...
E, após dizer estas palavras, a maga da Casa do Vento começa a se concentrar e, seu corpo inteiro começa a ser envolvido por correntes de vento, a força do poder do elemento que controla começa a emanar de seu corpo.
O poder emanado pela maga da casa do vento não surpreende e muito menos assusta, e, o Mensageiro da Morte volta a atacar a irmã, envolvendo suas mãos com correntes de vento e começando a ataca-la com uma sequencia de socos em uma velocidade muito rápida, que é defendida com habilidade por Embla, que é capaz de prever e bloquear cada golpe do irmão.
Para ela, não é tão difícil conseguir prever e bloquear os golpes de Enzo, pois, cresceram e treinaram juntos a vida inteira, e, por este motivo, ela conhece como ninguém a técnica de luta do irmão.
Enzo continua atacando a irmã, sem se importar com o fato de ela conseguir bloquear com perfeição todos os seus golpes. Em seu olhar, a ausência total de qualquer tipo de sentimentos e em seu coração somente a ordem dada pelo Mago das Trevas: “acabar com a vida da maga chamada Embla”.
Mais uma vez, ataca a maga, tentando acertar nela um chute, porém é bloqueado mais uma vez. Seus olhos se enchem de fúria ao ver a forma como é bloqueado por sua adversária.
Totalmente furioso, o Mensageiro da Morte usa muito de seu poder, criando um tornado poderoso, uma forte ventania, tão intensa que começa a quebrar alguns galhos de árvores.
O tornado se torna tão poderoso que os dois terráqueos que assistem a luta são capazes de vê-lo e ficam cada vez mais aterrorizados com o combate surreal que se segue bem diante de seus olhos.
Sem pensar duas vezes, Enzo lança o tornado na direção da irmã, que é pega totalmente desprevenida pelo ataque do irmão. A Maga da Casa do vento tenta desviar do tornado, porém, o poder do irmão está muito mais forte, como que se de alguma forma o Mago das Trevas o tivesse aumentado no momento em que o enfeitiçara.
Embla grita de dor ao ser atingida de forma letal pelo irmão, sendo jogada longe pelo impacto do golpe. Suas vestes se rasgam parcialmente e começa a perder sangue, vendo seu líquido vital começar a escorrer pelos seus ferimentos.
Ao ver o estado em que conseguiu deixar a sua adversária, Enzo gargalha de prazer, sabendo que não tardará a cumprir a ordem de seu Soberano, e que falta muito pouco para tirar a vida desta mulher.
Seus olhos frios e sem qualquer tipo de sentimentos encaram o corpo caído de Embla, e, com um sorriso cruel em seus lábios, dá um passo em direção a irmã, até se aproximar dela e pisar em suas costas.
– E agora, maga que luta pela justiça, chegou o seu fim!
*****
Merat...
No castelo do Mago das Trevas, Tom segue decidido em direção as masmorras, andando pelos corredores anormalmente vazios, visto que a maioria dos Mensageiros da Morte já rumaram para o mundo chamado Terra, a fim de procurar e encontrar o Coração dos Quatro Elementos.
Chega a porta da masmorra e a abre sem muito esforço, para encontrar Tommy acorrentado, com o corpo todo ensanguentado devido ao castigo imposto pelo Mago das Trevas.
Ao ver a porta da masmorra se abrindo, os olhos cansados se Tommy se erguem e o Mensageiro da Morte se surpreende ao ver quem acabou de chegar.
– Você. – fala Tommy, a voz fraca devido ao corpo ferido.
– Esperava outra pessoa? – a voz de Tom é pura ironia.
O Mensageiro da Morte adentra o aposento e se coloca na frente de Tommy.
– Não. – a resposta de Tommy é seca.
– Uma coisa me intriga muito, Tommy.
Tommy não precisa adivinhar o que intriga o companheiro, porque é óbvio demais.
– Não tenho resposta para o que você quer saber. – fala Tommy, após um longo momento de silêncio.
Tom apenas dá de ombros.
– É uma pena, Tommy, porque eu realmente gostaria de saber o que te fez ir contra o nosso Soberano para tentar proteger aquela menina.
A simples menção da menina faz com que Tommy se lembre daquele olhar e de como fora tolo ao deixar uma força e um sentimento completamente estranho o tomar e o fazer ir contra seu Soberano. E, por conta de sua insensatez, recebera do Mago das Trevas o castigo merecido e, jurara a si mesmo que, se o destino o colocar novamente frente a frente com aquela menina, que irá matá-la com as suas próprias mãos.
E, o silêncio de Tommy faz com que Tom continue o seu discurso:
– Sabe, Tommy, de todos os Mensageiros da Morte que servem ao Nosso Soberano, você sempre foi o que eu mais admirei, você sempre foi o meu exemplo, alguém que eu procurava me inspirar, até mais do que a Lícia, que foi a primeira Mensageira da Morte. Você sempre foi cruel e impiedoso com seus inimigos e, essa é uma qualidade que sempre admirei em ti. Mas hoje, você lutando para proteger uma inimiga levou toda esta admiração por água abaixo, e, como seu amigo, como alguém que sempre te admirou, gostaria de saber porque isso aconteceu.
– Como eu já te disse, não sei porque isso aconteceu, mas, te digo uma coisa, Tom, que, no momento em que eu cruzar o caminho daquela menina novamente, irei matá-la com as minhas próprias mãos.
Nisso, a porta da masmorra se abre e surge o Mago das Trevas, com sua imponente e ameaçadora presença, sorrindo para os dois Mensageiros da Morte de forma sinistra.
– Acho bom que você esteja mesmo pensando desta forma, Tommy. – a voz do Mago das Trevas é cruel.
– Meu Soberano verá. – fala Tommy. Sua voz desprovida de qualquer emoção.
Um sorriso maléfico estampa os lábios do mago mais perigoso que Merat já conheceu e, com um movimento de mãos, as correntes que prendem Tommy as paredes desaparecem, e, o Mensageiro da Morte caí no chão.
O homem sente os pulsos e tornozelos dormentes, devido ao tempo que passou acorrentado, mas, tenta ignorar o desconforto, e se coloca de pé, pronto para voltar a servir o seu Soberano.
– Ordeno que vocês dois se preparem. – a voz do Mago das Trevas é impaciente – Amanhã, assim que o sol nascer, os dois partirão para a Terra, para se juntarem aos outros Mensageiros da Morte na busca pelo Coração dos Quatro Elementos.
– E assim será, meu Soberano. – diz Tom, fazendo uma reverência e com um sorriso confiante em seus lábios.
Sem dizer mais uma única palavra, o Mago das Trevas se retira das masmorras deixando os dois homens sozinhos.
– É melhor você ir banhar-se, trocar estas vestes ensanguentadas e descansar para partirmos para o Mundo chamado Terra amanhã.
E, após dizer estas palavras, Tom deixa a masmorra e a presença de Tommy, a fim de se preparar para o dia seguinte.
Cansado, Tommy também deixa a masmorra e se dirige a seus aposentos, a fim de seguir os conselhos de Tom e tentar repousar, para recuperar as forças para o dia seguinte.
Vai direto para seu quarto de banhar, nos fundos de seu aposento, onde começa a tirar as vestes ensanguentadas e rasgadas e a expor o seu corpo, banhado em seu sangue e repleto de ferimentos em carne viva, fruto do castigo dado por Seu Soberano.
Após se livrar das vestes, mergulha em uma banheira com água quente e sente seus ferimentos arderem de forma demasiada enquanto a água não demora a se tornar vermelha devido a seu sangue.
E, ao sentir a ardência em sua pele, seu ódio apenas aumenta. Ódio de si mesmo por ter tentado proteger aquela maga, ou projeto de maga, pois, nem ao menos sabe o que ela é.
A única coisa que sabe, é que, por alguma razão desconhecida a ele, aquela menina possui olhos idênticos aos seus e que, alguma coisa naquele olhar mexeu com ele naquele momento.
Mas isso não importa mais! Pagara o castigo por sua desobediência e agora aprendera a lição! Nunca mais irá contra o Mago das Trevas! Nunca mais! E, quando encontrar a menina novamente, irá matá-la com as próprias mãos!
A água da banheira se torna totalmente vermelha devido a seu sangue e, não demora muito para que precise trocar a água. Por três vezes, troca a água, até que finalmente todo seu corpo está limpo, sem mais uma única gota de sangue, embora a dor de seus ferimentos continue insuportável.
Termina o banho, deixa o quarto de banhar enrolado em uma toalha, evitando ao máximo o contato do tecido com sua pele. Em seus aposentos, se livra da toalha e encara por um longo momento os seus ferimentos em carne viva, amaldiçoando a responsável por seu atual estado e reiterando o seu juramento de matá-la com as suas próprias mãos.
Por conta dos profundos ferimentos causados por seu Soberano, decide dormir desnudo, a fim de evitar o desagradável contato do tecido com seus ferimentos e, tendo este pensamento em mente, deita nu em sua cama, evitando também os cobertores, e, sem se importar com a fria brisa do vento da noite em Merat.
Não demora muito para ser dominado pelo sono e, na escuridão da noite, e cansado após tantas torturas, começa a sonhar.
Vê o Reino do Fogo em sua época mais grandiosa, a última Casa a sucumbir ao poder do Mago das Trevas. E, também vê uma grande propriedade, a mais bela que já viu. Nesta propriedade, um casal está de costas para um menininho. O homem vira para o menino e sorri, afagando seus cabelos negros. A mulher é a segunda a se virar e, ela tem em seus braços uma menina recém-nascida. E, embora seus lábios estejam curvados em um sorriso, seus olhos estão repletos de lágrimas.
A mulher entrega a recém-nascida ao menino ao mesmo tempo em que o sonho se esvai e Tommy acorda ofegante, suando a assustado.
CONTINUA...
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