Notas iniciais
Pessoal, se tem alguém que por um acaso ainda não odeia o Mago das Trevas, depois deste capítulo eu acho que vai mudar de ideia e passar a odiá-lo. Boa leitura!

O olhar de Misuki está fixo nas árvores em que, tem a mais absoluta das certezas de ter visto um Cavaleiro e, seu coração começa a temer de que, seja um inimigo de seu Soberano, seu amor...

Inúmeras vezes, o Mago das Trevas havia lhe dito o que aconteceria se, por um acaso, um dos muitos inimigos que ele tem descobrisse sobre ela e a capturasse, e, por este motivo, é que um poderoso escudo protege a casa onde vive, ´para que nenhum dos inimigos de seu amor se aproxime dela.

E se isso realmente aconteceu?

E se algum mago que luta contra a única pessoa que se importa com ela descobriu o que ela significa para o Mago das Trevas?

O que fará?

Ama o Mago das Trevas mais do que qualquer coisa no mundo e, por mais que não concorde com as coisas que ele faz, com alguns de seus pensamentos, não quer, em momento nenhum, ser usada contra ele.

Se seu amor quer ser o Soberano de Merat, que seja, e, que quando suas ambições forem saciadas, possa viver feliz ao lado dele, como sempre sonhou.

O fato de estar se dando conta de que não quer ser usada como uma arma contra seu amor só faz o medo dentro de si aumentar.

Se for mesmo um inimigo de seu amor e Soberano, terá forças para lutar?

Esta é uma pergunta que não sabe responder...

Como uma Maga da Casa da Água, é claro que sabe manipular bem seus poderes mas, como faz anos que não os usa, não sabe se é capaz de vencer uma batalha. A diferença entre saber usar os poderes e saber como se ganha uma luta, pode ser a diferença entre a vida e a morte nestes tempos de guerra e, isso, ela sabe como ninguém.

Seus olhos não desgrudam da direção em que vira a sombra de uma pessoa e, percebe, para seu alívio que não há mais sinal de quem quer que tenha aparecido em seu refúgio...Sua prisão...

Percebendo que é inútil continuar ali, Misuki volta a entrar em casa, indo para seu quarto e se deitando em sua cama, como costuma fazer todas as vezes que seu amado a deixa.

Por anos vive esta vida, por anos, tem de suportar vê-lo partir todas as vezes que ele sacia seus desejos carnais mas... Dessa vez, é diferente... Dessa vez, o Mago das Trevas está partindo para um mundo totalmente desconhecido... Distante...

Não sabe nem ao menos onde se localiza esta tal de Terra...

Sente, em seu coração, como se um pequeno abismo estivesse se formando entre ela e seu amor... E, algo em seu interior lhe diz que esse abismo pode aumentar cada vez mais...

Por alguma razão desconhecida, seu coração lhe diz que essa viagem não apenas do Mago das Trevas, como também dos Mensageiros da Morte e de todos os Magos que lutam contra seu Soberano para este mundo chamado Terra, é o início de algo grande... Algo que decidirá para sempre o destino de Merat!

*****

Lícia anda pelas ruas de um pequeno vilarejo do reino da Água. Disfarçada, a fim de não ser reconhecida, teve de recorrer a um disfarce. Uma roupa brega e que, se não fosse o fato de estar cumprindo uma ordem dada pessoalmente por seu Soberano, jamais cogitaria a hipóteses de usar.

Está usando um vestido longo azul turquesa, de corte simples e bastante modesto, que vai até seus pés e com um busto demasiado solto, com uma gola alta que a deixa simplesmente ridícula.

Seus longos e belos cachos ruivos estão escondidos em um chapéu de palha que a protege do sol escaldante. Em seus pés, uma sandália rasteirinha branca.

Seus olhos estão atentos a cada movimento da pacata aldeia, a procura da pessoa que o Mago das Trevas quer que ela capture. Sorri ao se lembrar que, fora encarregada desta pequena e simples tarefa porque ela é a pessoa em quem ele mais confia e, tarefas deste porte, só para os melhores Mensageiros da Morte e, decididamente, ela é a melhor! Não existe em Merat servo Mago das Trevas mais cruel, mais forte e mais impiedoso do que ela!

Seus olhos amendoados e cruéis se fixam nas crianças que brincam alegremente pelo pequeno vilarejo, enquanto que os adultos nem ao menos parecem notar a sua presença, graças a seu disfarce brega e horrendo.

Seu Soberano lhe dissera exatamente em detalhes as características da pessoa que ele quer que ela leve até sua presença e, graças a isso, ela será capaz de reconhecer a pessoa assim que a vir. E, se tem uma coisa que ela sabe executar com perfeição, são as tarefas que Seu Soberano lhe encarrega de cumprir.

Só falta ela cumprir mais esta tarefa e, partirá, ao lado do Mago das Trevas para o mundo chamado Terra, para se unirem aos Outros Mensageiros da Morte na busca pelo Coração dos Quatro Elementos.

A cada passo que dá nessa maldita aldeia, sente-se mais emburrada por não aguentar mais este maldito disfarce. Prefere suas roupas curtas e provocantes pois, graças a elas, em um momento de batalha, pode se mover com perfeição e, em uma luta, isso é muito importante, fora que gosta de ver os homens todos a seus pés, o que, graças a essas roupas bregas, não vem acontecendo.

Seu olhar continua passando por todas as pessoas que, continuam não notando sua presença. Seu rosto já começa a se enfurecer por estar demorando a encontrar quem precisa, e, paciência, decididamente não é uma de suas virtudes.

Vê um parque, repleto de crianças e, seus lábios se curvam em um sorriso ao ver que, finalmente, a encontrou.

A menina, de cinco anos de idade, tem a pele tão branca que, chega a ser quase pálida, possui olhos vermelhos e, cabelos cor de rosa que vão até o meio das costas da menina. Ela usa um vestido alaranjado todo enfeitados com lacinhos vermelhos, que Lícia acha simplesmente ridículos, porém, isso não vem ao caso no momento.

Abaixa-se para ficar mais fácil se aproximar da criança e, usa a voz o mais doce que consegue:

– Alexya!

A menina olha na direção de Lícia que sorri para ela e, a Mensageira da Morte chama a menina com as mãos, fazendo sinal para que ela venha a seu encontro.

*****

Terra...

Em um bairro modesto da pequena cidade onde Markhos e Belinda vivem, uma garota de aproximadamente dezessete anos anda pelas ruas, olhando para as pequenas lojas. Esta jovem possui um metro e sessenta e oito centímetros de altura, pele clara, um rosto fino e meigo, seus olhos são verde claros e seus cabelos longos e ruivos, até a altura da cintura, com uma franja na testa. Usa uma regata preta e uma saia vermelha um pouco acima dos joelhos, meias pretas até o joelho e um all star preto.

A jovem para em frente a um café cosplay e, entra na modesta loja, escolhendo uma mesa e se sentando nela.

A loja é bem simples, e, como diz o nome, vende produtos para os jovens otakus e otomes fazerem seus cosplayers, além de servir de lan hause e lanchonete.

Para atender a recém chegada cliente, uma jovem com uma aparência infantil surge, com um sorriso terno em seu rosto. A funcionária é alta, magra e não possui muitos atributos físicos, sua pele é clara. Está usando uma roupa de um personagem de anime bem fofo, assim como uma peruca cor de rosa, que faz parte de seu estilo cosplay.

– Boa tarde, Hyomin! – fala a jovem funcionária com um sorriso simples – Já fez o seu pedido?

– Oi Lin! – responde Hyomin com alegria – Já fiz sim, pode anotar.

Lin anota o pedido da amiga e a deixa em seguida, deixa a presença da amiga, voltando alguns minutos depois com o lanche de Hyomin, um suco de abacaxi com hortelã e um sanduíche natural.

Faminta, a ruiva começa a atacar o sanduíche, enquanto Lin vai para a porta atender outros clientes que acabam de chegar. E, para surpresa de Hyomin, uma das pessoas é Belinda, uma das professoras em seu colégio. A professora Belinda está acompanhada por um rapaz e duas moças e, uma delas, Hyomin não deixa de notar, parece bastante ferida.

– Por que paramos aqui? – pergunta Cat, olhando para o ambiente da loja frequentada pelos jovens – Não há lugares como este em Merat.

– Shhh! – pede Belinda, levando o dedo indicador aos lábios em sinal de silêncio – Não diga esse nome aqui! Combinamos que em minha casa você contaria sua história, mas antes precisamos algumas ataduras para que eu possa cuidar dos ferimentos de sua amiga em minha casa com os remédios adequados. E, apesar deste lugar ser um café cosplay é possível encontrar o que preciso aqui. Esta loja vende uma infinidade de artigos.

Embla quer perguntar o que são remédios mas, acha que permanecer em silêncio seja mais útil, já que os dois terráqueos pediram para que não falassem de Merat até chegarem à casa da mulher chamada Belinda.

A jovem e bela Maga da Casa do Ar se sente completamente constrangida, por estar se apoiando em Markhos que, além de salvar sua vida, fora gentil em lhe oferecer sua ajuda. Nunca fora do tipo que se sente bem sendo ajudada pelos outros, pois, é muito independente para tal.

Belinda se aproxima de Lin e pede a ela algumas ataduras e, em seguida as duas deixam a loja, sob o olhar curioso de Hyomin, que termina de tomar o seu lanche e olha sorrindo para sua amiga Lin.

– Escuta, Lin, você já terminou seu turno no trabalho, certo?

– Sim. – responde Lin, sem entender a pergunta da ruiva.

– Ótimo, então vem comigo!

E, sem dizer mais nada, Hyomin arrasta Lin para fora da loja e começa a seguir o grupo de Belinda pelas pacatas ruas do bairro, sem que eles ao menos se deem conta.

– Que pensa que está fazendo? – pergunta Lin, sem entender porque está bancando a espiã.

– A professora Belinda estava muito misteriosa! E, parece que não queria que ninguém lá no café escutasse o que aquela moça de cabelos negros estava dizendo, fiquei curiosa.

– É feio escutar a conversa dos outros!

– E acha que me importo? E além do mais, a professora Belinda estava com uma cara estranha e, eu realmente quero saber o que está acontecendo. Agora deixa de conversa e vamos, não quero perde-los de vista.

A pequena discussão faz com que elas cheguem a uma rua que vira em duas direções diferentes e, para decepção de Hyomin, ela perdera a professora Belinda e as estranhas pessoas que a acompanhavam de vista.

– Droga! – reclama a jovem – Discutir com você fez com que eu os perdesse de vista, Lin!

– Sinto muito. – Lin dá de ombros.

Hyomin fica parada, pensando no que fazer quando, vê um jovem de aparência um tanto exótica se aproximando. O que mais chama a atenção dela são suas vestes, repletas de cintos.

– Hoje é dia de aparecer gente estranha pelas ruas. – comenta a jovem, como quem não quer nada.

– O que? – Lin não consegue entender o raciocínio da amiga.

– Olha aquele cara ali! – aponta Hyomin.

– Escuta, sua mãe não te ensinou que é feio apontar? – fala Lin, reparando que as duas conseguiram chamar atenção do estranho – Agora o moço tá vindo pra cá, seja gentil e peça desculpas.

– Tá louca, é? E por que eu faria isso?

O jovem Ecnard se aproxima das duas com um ar superior e, o olhar da ruiva chama bastante sua atenção. Não gosta da forma como ela o olha, e, não fosse por ter uma missão a cumprir, ensinaria a ela uma lição, a fim de que ela aprenda que não deve encarar dessa forma um Mensageiro da Morte.

– Está olhando o que, terráquea? – pergunta Ecnard, com arrogância.

– O que te importa? – Hyomin responde em desafio, não vai ser tratada como qualquer coisa por esse garoto.

As palavras da ruiva soam como ofensa para Ecnard e, o jovem perde o controle, fazendo surgir em suas mãos uma esfera de fogo. Ele sorri de forma sinistra para Hyomin.

– Vamos ver se você vai bancar a durona agora, menininha terráquea!

*****

Merat...

Lícia, trajando as suas vestes tradicionais e provocantes, assim como uma bota negra de cano alto até os joelhos, carrega a pequena Alexya em seus braços, enquanto caminha por um descampado do reino do Ar, indo para o local em que Seu Soberano ordenou que ela o encontrasse, já com a criança em seu poder.

Não demora muito e encontra o Mago das Trevas esperando por ela. O olhar do Mago mais perigoso que já pisou em Merat recai sobre a criança adormecida nos braços se sua melhor Mensageira da Morte e, um sorriso demasiado cruel estampa os lábios do Mago das Trevas, ao ver que mais um de seus planos caminha para ser executado com perfeição.

Aumentando o ritmo de seus passos, Lícia se aproxima do Mago das Trevas, entregando para ele a criança adormecida.

– Fiz conforme as suas ordens, meu Soberano. – fala Lícia, com um sorriso plenamente satisfeito em seus lábios – E entrego-lhe a criança Alexya.

O Mago das Trevas, com um sorriso que é pura crueldade em seu rosto pega a criança dos braços de Lícia e a deita no chão, para então colocar suas mãos no tórax da pequena criança. Imediatamente, as mãos do vilão começam a emitir um intenso brilho negro e, ao mesmo tempo, nuvens escuras começam a tomar conta do céu, e raios começam a cair de forma estrondosa.

O mesmo brilho que está nas mãos do pior homem que Merat já conheceu começa a tomar conta do corpo da pequena Alexya, enquanto o mago das Trevas continua com seu encantamento, até que, o brilho negro desaparece, assim como os raios do céu, que somem de forma tão abrupta quanto começaram e, o azul de um belo dia de sol volta a tomar conta do descampado.

– Acabou? – questiona Lícia.

– Sim. – responde o Mago das Trevas – Agora é só esperar a chegada daquela pessoa.

– Não vai mais esperar! – uma voz masculina se faz ouvir.

Lícia volta a pegar a criança adormecida em seus braços e, os dois olham para trás e veem um homem de pele branca, estatura mediana, olhos negros, músculos bem torneados, seus cabelos são negros. Usa uma calça preta com uma blusa branca e, seu olhar, desesperado, não sai da criança adormecida nos braços da malvada Lícia.

O Mago das Trevas encara o recém-chegado com o mais cruel dos sorrisos, enquanto parece se divertir com o olhar desesperado do homem, que recaí sobre a criança.

– Há quanto tempo, Andrew. – a voz do Mago das Trevas é repleta de deboche e crueldade – Sabia que você viria.

Por um momento, Andrew desvia o olhar da filha e, seus olhos azuis encontram-se com os olhos negros do homem mais temido de Merat.

– Seus problemas são comigo, desgraçado! – esbraveja Andrew, a voz repleta de ira – Deixe a minha filha em paz! Mande sua cachorrinha de estimação soltá-la!

– Isso lá são modos de tratar seu Soberano, Andrew? – continua o Mago das Trevas, sem deixar de sorrir um único instante.

– Você não é e nunca será o meu soberano, maldito! Já disse, covarde, que te enfrento quando bem entender, não tenho medo de você! Agora largue de ser um covarde e deixe minha filha em paz! Ela é inocente!

– Não se dirija dessa forma a meu Soberano, Andrew! – Lícia se intromete no meio da conversa.

– Deixe-o, Lícia. – fala o Mago das Trevas, ainda sorrindo de forma cruel – Daqui a pouco Andrew baixará a crista e se curvará a minha vontade.

– Eu nunca farei uma coisa dessas, Max...

– NÃO OUSE PRONUNCIAR ESTE NOME!!!!! – a fúria do mago das Trevas é evidente – Eu sou o Mago das Trevas! Meu nome de batismo ficou para trás e nunca mais deverá ser pronunciado!

– Não o temo! – continua Andrew, encarando o homem sem medo – Te enfrento em uma batalha quando bem entender! Mas antes, solte Alexya! Ela é inocente, não tem nada a ver com seus problemas comigo!

– Não vamos lutar, Andrew! – o Mago das Trevas volta a sorrir – Ao contrário, neste momento, você se curvará a mim, irá jurar sua lealdade e passará a ser um Mensageiro da Morte, passando a obedecer todas as minhas ordens.

– Acaso está louco? – continua Andrew – Jamais me uniria a um propósito tão sujo quanto o seu! Prefiro a morte a me unir a você e me tornar um Mensageiro das Morte!

O olhar do Mensageiro da Morte é desviado propositalmente de Andrew para Alexya, que continua dormindo nos braços de Lícia, que sorri de forma triunfante.

– É mesmo, mas e quanto a morte da sua filha? – as palavras do mago das Trevas saem repletas de crueldade.

Ao ouvir tais palavras, o rosto de Andrew se torna branco feito um fantasma.

– O que quer dizer com isso? – Andrew quase não encontra voz para questionar.

– Simples, Andrew. Usei uma magia antiga e poderosa, das trevas, em sua pequena Alexya e, no coração dela, há uma semente explosiva, e, você sabe que isso funciona como uma bomba, meu caro. Uma palavra minha e a semente explode, levando a vida de sua Alexya. E então, qual é a sua resposta.

– Por que faz isso? Pode muito bem usar magia das trevas para me tornar seu escravo, como fez com muitos outros, não precisa da minha filha.

– Porque no seu caso, quero ver seu olhar de desespero, matando e destruindo em meu nome, Andrew. É um capricho mas, como bem sabe, sou um homem que gosta de realizar os meus caprichos. Não há nada neste mundo que eu queira e que não consiga. Você será meu, caso contrário, mato Alexya neste instante. Basta uma palavra. Responda-me agora, pois estou ficando impaciente!

Sem conseguir se conter, Andrew dá por si derramando lágrimas por sua filha. Esse homem vil e cruel a está usando para força-lo a seguir sua vontade e, ama tanto Alexya que não tem escolha. Para ele, a vida de sua única filha vem em primeiro lugar. E, para completar seu desespero, sua pequenina acorda e, ao vê-lo, se desespera e tenta em vão, se soltar dos braços da cruel Lícia, que a segura sem muito esforço.

Sorri para a filha e, diz em seu pensamento que irá salvá-la, custe o que custar e, não importa o que tenha que fazer, afinal, um pai não mede esforços pelos seus filhos e, Alexya é tudo o que tem no mundo.

E, por ela, por Alexya e por esse amor imenso que sente por ela, faz a última coisa que se imaginara fazer na vida. Sem deixar de derramar suas lágrimas e engolindo todo o seu orgulho, se ajoelha diante do Mago das Trevas e sua voz se faz ouvir:

– Estou aqui para servi-lo, meu Soberano.

A risada do Mago das Trevas ecoa pelo descampado de forma cruel e impiedosa.

Notas finais
CONTINUA....