O Coração Da Noite
2 Roob
Pela primeira vez o sonho teve cores.
Eu estava cambaleando cansado aos pés de uma cordilheira. Acima de mim, erguia-se a maior das montanhas das redondezas. Em seu cume, uma tempestade se formava. Raios e Trovões cortavam o céu. A tempestade se esgueirava em funil até tocar o topo do monte.
Um grito agoniante cortou o céu. O profundo Arrrg! vinha, provavelmente, do topo do monte. Quando quis dar o primeiro passo para subir o monte, o sonho mudou.
Estava agora lá em cima. Bem no centro da tempestade. O tornado em funil girava à minha volta. Estava parado no que parecia ser as ruínas de um templo antigo. Colunas e paredes negras se reuniam em pilhas, como se alguém estivesse se preparando para reconstruir o lugar. Mas o centro do templo abandonado era o lugar mais assustador. Em pé no mármore negro, estava um homem corpulento, musculoso. Não podia ser humano, embora tinha a aparência. Ele tinha uns 3 ou 4 metros de altura e tinha em seus ombros o nada. Bom, não exatamente não segurava nada, mas em seus braços ele tinha estrelas. Como se estivesse segurando o próprio céu. E eu tinha uma ligeira impressão de que era exatamente isso que ele fazia.
Eu já tinha ouvido histórias de um gigante, bom não era gigante era... hãn... Titã! Isso, um Titã que segurava o céu em seus braços. Qual era o nome mesmo? Era... Altas? Não, era Atlas. E pela sua expressão, não gostava nem um pouco do seu trabalhinho.
Com um relâmpago, um figura tremeluziu das sobras e apareceu diante do Titã. A figura era nada mais do que a mulher que eu tinha visto na asa do avião. Usava um vestido negro como a noite. Andava ao redor de Atlas, rindo:
– Olá vizinho — disse, com a mesma voz sombria que eu ouvira — Como estás?
A pergunta soou ofensiva, e o Titã respondeu furioso:
– Gabe-se da liberdade. Se não estivesse preso neste fardo, faria você em pedaços!
A ameaça de nada adiantou. A senhora parou na frente do Titã, boqueando um pouco minha vista. Riu-se do fardo do "vizinho":
– Como ousas falar assim com sua futura Senhora? Logo estarás liberto deste fardo. Prometo-lhe, serás chefe do exército meu e de meu irmão. — Ao pronunciar a palavra irmão, um vento gélido percorreu o meu corpo. A voz masculina que eu ouvira em meus sonhos riu, diretamente lá do céu.Ao ouvir a risada, a Senhora deu um leve sorriso. — Isso mesmo irmãozinho. A volta de nosso pai está chegando!
Pelo tom de voz, sabia que "a volta do nosso pai" não seria nada bom. O Titã, Atlas, apenas se ajeitou em seu fardo. Assim, a senhora pareceu notá-lo novamente. Com um súbito olhar, uma névoa negra percorreu o corpo dele. O grito que ele entoou foi de puro terror. Eu comecei à entrar em pânico. Em meio à tantos gritos pavorosos, ele parou. Por um momento achei que tinha morrido, mas ele se moveu mais uma vez. Ainda atordoado pelo sofrimento, ele gritou mais uma vez:
– NIX, SUA DEUSA MALDITA!!!!! — gritou, recuperando o fôlego. O que de nada adiantou. A senhora, Nix, apenas riu. Uma risada de puro prazer pelo sofrimento de Atlas.
Com um trêmulo, ela desapareceu. Deixando para trás um rastro escuro da noite e um Titã aflito.
Eu acordei aflito. Eu suava frio. Por um momento pensei que ainda estava no cume da montanha. Então percebi que estava num quarto de Hotel. Meu pai já estava pronto e gritava para eu acordar:
– Acorda! Acorda! — dizia ele, com paradas minúsculas para retomar o fôlego — Hoje vamos visitar o Templo de Atena! O Paternon!
Após o banho, me arrumei e desci correndo para junto de meu pai. Ele estava arrumado com trajes de explorador. Levava consigo sua maleta de Explorações. Logo após descer, meu pai chamou um táxi e nós embarcamos
Assim, entrei num táxi para encontrar meu passado...
Fale com o autor