O Controlador

3 Capítulo 3 - Escuridão


Ele chega na porta de sua casa, ainda está no mesmo lugar. Mesmo a cidade tendo crescido tanto, sua casa parecia parada no tempo.

Ainda bem que está de noite, poucas pessoas viram o menino com roupa de hospital. Acharam apenas um pouco estranho, mas deixaram para lá.

Theo tenta abrir a porta uma vez, mas está trancada. Toca na maçaneta mais uma vez, e então a porta abre. Ele entra rápido em sua casa, e fecha a porta atrás dele.

O menino consegue sentir todas as lembranças naquela casa, todas as mudanças de moveis, todas as coisas que ele perdeu. Todos os anos.

A única coisa que parecia não ter mudado era a poltrona de seu pai, ele senta na mesma e consegue sonhar.

Nightmare:

O primeiro sonho começa na escuridão, e então tudo é iluminado com dois faróis de carro. Seu pai está dirigindo um carro a alta velocidade, enquanto bebe muitas latas de cerveja.

–-Eles acham que são o que? – O homem já embriagado começa a falar sozinho. –NINGUEM! Eles são ninguém sem mim, eu sou o pai dessa família. Eles têm que me respeitar!

–-Pai... – O menino pensa, mas não consegue se ver.

–-Eu pago as contas desses idiotas! – Ele acelera mais o carro e pega outra cerveja.

O carro passa para a outro lado, um caminhão tem que passar pelo acostamento para não bater no carro. O caminhoneiro, passa buzinando e gritando para ele parar um pouco o carro.

–-VOU PARAR A SUA MÃE! – Responde o pai de Theo, acelerando cada vez mais o carro e bebendo cada vez mais.

O sonho parece se acelerar, mostrando quantos carros e caminhões passam pelo carro dele sem bater ou chegar perto. E quanto o pai dele não era o herói como ele se lembrava, ou tinha na sua ilusão de criança.

Até que seu pai finalmente bate o carro em uma placa qualquer. Morreu depois de voar pelo vidro alguns metros de distância do carro.

–-POR QUE? – O menino grita em sua mente e então acorda de súbito.

°§§°

Depois de beber um copo de leite para se acalmar do sonho, volta para a sala.

Passa um bom tempo tentando descobrir como se liga a televisão, mas depois que consegue ficar vendo o noticiário enquanto bebe seu copo de leite.

“Parece que um hospital das redondezas do Brooklyn teve um ataque terrorista ou algo do tipo, não é mesmo, Katryn? ” Diz o homem do noticiário passando para uma repórter que está no hospital.

O menino coloca seu copo de leite na mesa de centro, fica um pouco assustado. Aquilo não pode está acontecendo, todos estavam dormindo.

Os raios da manhã começam a surgir no céu.

“É parece que um terrorista e também um paciente do hospital atacou todos” A repórter responde o homem.

“Temos alguma imagem do ocorrido ou do paciente? ” O homem pergunta e a câmera volta para a repórter.

“A filmagem do hospital ainda não foi disponibilizada, a polícia ainda está vendo o que pode ser feito sobre as filmagens. Mas sobre o paciente temos imagens da própria ficha do hospital. ” A repórter responde e uma foto de Theo aparece na televisão. “Esse é o terrorista ou apenas um assassino sociopata. Ele tem 17 anos, pele escura, mora no Brooklyn e ficou em coma por longos anos. O louco até matou sua família...” Katryn continuou a falar, mas Theo já tinha parado de ouvir.

Louco? A tela de televisão começou a rachar. Matou sua família? A tela racha por completo e a televisão para de funcionar. Sociopata? Ele não sabia mais o que estava acontecendo, não se lembrava dessas coisas.

De repente vê vários raios e pontos vermelhos atravessando a janela de sua casa, até que vai desmaiando. Sua visão fica cada vez mais escura, até que não consegue ver mais nada, além de escuridão.