O Controlador

2 Capítulo 2 - Acorde


A verdade estava um pouco mais clara enquanto ele estava em coma, ele sabia que seus familiares sempre viam lhe visitar. Ele sabia como eles sofriam.

Anos foram passando, e ele praticamente cresceu dentro de um coma. Já estava com 17 anos e não acordava. O hospital queria manda-lo para outro hospital fora de New York, mas a família conseguiu que isso não acontecesse brigando na justiça.

Tudo isso ele conseguia ver e entender, a única coisa que não era nítida era seu pai. Em sua mente seu pai sempre vinha visitar ele, mas isso não é verdade.

°§§°

Como em um dia normal, sua mãe –já idosa- estava rezando do lado de sua cama e chorando muito. Mas isso mudou rápido, quando o coração do menino entrou em disparada. Ela gritou por ajuda, os paramédicos correram e foram salvar Theo.

Porém, seu coração parou e por longos minutos a mãe ficou chocada sem saber o que fazer. Uma paramédica tentava acalmar a mulher, mas ninguém iria conseguir tirar esse sofrimento.

De repente seu coração volta a bater e sua respiração, seus olhos vão abrindo aos poucos. Sua mão começa a se mover, todos seus movimentos voltam tão rápido e de forma milagrosa que todos os paramédicos e médicos que estavam de plantão se assustam.

Rápido voltam a atender o menino, fazendo perguntas simples.

–-Qual seu nome? – Pergunta um paramédico.

–-Theo. – Ele responde de forma seca.

–-Onde você mora? – Pergunta outro paramédico.

–-Brooklyn. – Ele responde ainda seco

–-Qual o nome da sua... – A paramédica é interrompida pelo menino.

–-Onde está minha mãe? – Ele pergunta ainda sem muita expressão em seu semblante.

–-Estou aqui, meu filho. – Ela responde indo até ele, atravessando entre os paramédicos.

–-Mãe... – Ele fala tocando seus cabelos já brancos. –Onde tá o papai? – Ele pergunta e sua mãe fica com um olhar triste.

–-Filho, ele morreu. Num acidente de carro. – Ela diz.

–-O que... como? – Seu coração volta a acelerar e os paramédicos vão controla-lo.

–-Pedimos que a senhora fique por um tempo fora do quarto, temos ainda que fazer alguns testes. –Alertou uma paramédica.

°§§°

Depois de um tempo fazendo testes, ele já estava “estável” para eles. Seus familiares já tinham chegado e tudo estava bem, já estavam até revezando para conversar com ele.

No momento ele estava falando com uma de suas irmãs, foi nesse momento em que tudo começou a mudar.

Um assaltante chega no hospital já atirando para o teto sala de espera. Gritos e mais gritos do lado de fora do quarto.

–-O que está acontecendo? – Ele pergunta um pouco assustado.

–-Deve ser um assaltante. – Sua irmã responde um pouco triste, mas parece já acostumada.

–-Temos que ir lá, nossa família pode estar em perigo. –Ele diz tentando se levantar.

–-Não podemos... –Ela vai segura-lo. –É melhor ficarmos aqui e não reagirmos. – Ela advertiu, mas então ela é jogada contra a parede por algo invisível, ou melhor a mente do menino.

Ele se levanta e vai até sua irmã, balança seu corpo, mas ela não responde.

–-Depois eu volto para te dar remédio. – Ele diz e então sai do quarto. Tudo volta a se destorcer.

Deep Vision:

–Recepção do hospital, 2015-

Entrei na recepção e já vi o ladrão apontando a arma para todos. Tinha que chamar atenção dele de alguma forma.

–-Ei! Quer ver um truque de mágica? – Disse indo na sua direção. Minha mãe tentou me impedir, mas eu continuei andando.

–-Cala boca, retardado. – Ele respondeu enquanto recebia dinheiro de algumas pessoas, não entendi porque ele foi assaltar esse hospital. Claramente as pessoas ali não tem muito dinheiro.

–-Vou interpretar isso como um sim. – Disse e então abaixei minha cabeça, no mesmo instante ele caiu no chão, desacordado. –Tandan! – Todos acharam meu truque muito legal, mas ficavam falando como estavam doentes e como queriam que a dor parasse.

–-Calma, eu vou acabar com essa dor. Por dentro. – Fechei meus olhos e quando abri, todos estavam sorrindo e me agradecendo, mas de repente eu senti um frio. Pisquei os olhos e todos estavam deitados dormindo, achei melhor não os acordar, devia fazer parte do processo de passar as dores.

Fui embora, para a minha casa.

Truth:

–Recepção, 2015-

Quando ele entra na recepção, ninguém repara nele, todos estão muito assustados com o ladrão. Mesmo que já estejam acostumados com tanta violência acontecer com você e diferente de ver notícias na televisão.

–-Ei! Quer ver um truque de mágica? –O menino pergunta e o ladrão dá um sorriso torto.

Ele vai andando em direção do ladrão, ainda com aquela roupa de hospital estranha. Todos que estão na recepção estranham o menino, e sua mãe tenta impedi-lo.

Theo olha rapidamente para sua mãe, e então ela o larga, como se tivessem controlado sua mente.

–-Cala boca, retardado. – O ladrão responde não ligando muito para o menino, não iria nem atirar nele, não tinha motivos para atirar em um doente mental.

–-Vou interpretar isso como um sim. – No momento em que ele diz isso, todos ficam ainda mais apavorados, e o assaltante continua sem ligar. Então ele cai duro no chão, todos os pacientes e pessoas que estão na recepção olham para o menino sem entender o que está acontecendo.

Ele encosta na bancada da recepção, as atendentes olham para ele. Parecia estar com dor de cabeça, mas apenas estava lendo a mente das pessoas. Elas sentem muita dor, de todo o tipo de dor.

–-Calma, eu vou acabar com essa dor. Por dentro. – Theo diz isso baixinho, só as atendentes ouviram e não acharam aquilo normal. Quando ele fechou os olhos e abriu, todos já estavam iguais o ladrão. Desacordados, frios no chão, mas ele ainda estava delirando, só quando voltou a si viu todos deitados, mas pensou que estavam dormindo o esperado de alguém como ele pensar.

Então ele vai embora, deixando todos do hospital inteiro, desacordados.