O Conto dos Dois Irmãos

3 Capítulo 2 - Além do Vilarejo


Notas iniciais
Oi, espero que aqueles que leram os outros capítulos tenham gostado o suficiente para estar lendo esse huhahaha. Bom, sem mais delongas, o capítulo (reparem que minha capacidade de criar títulos continua, bem... Duvidosa hehe)

Os irmãos desceram a colina pelo caminho de terra batida que chamavam de estrada até uma parte menos íngreme do terreno onde havia algumas casas, a maioria com telhado de palha, mais simples que as casas do vilarejo.

Eles haviam estado ali em poucas ocasiões, e na maioria delas para acompanhar o pai enquanto ele vendia os peixes que havia pescado a mais e que não foram vendidos para o comércio da aldeia. Também passavam por ali quando vez ou outra o pai os levava para caçar — embora não fosse um exímio arqueiro, construía armadilhas tão bem para peixes quanto para coelhos, esquilos e galos selvagens

Em frente à menor das casas estava uma das pouquíssimas pessoas que conheciam fora do vilarejo, Gertrudes, uma senhora rechonchuda que estava sentada relaxadamente sobre sua cadeira de balanço. Sempre que o pai levava peixes ela trocava por ovos e, dependendo da quantidade, até mesmo por um galo ou uma galinha inteira de sua pequena granja. Eles a conheciam pois nas poucas vezes que acompanharam o pai nas vendas, ela os contava histórias, ou ficavam brincando com Helga, sua única neta — provavelmente adotiva, mas os dois achavam indelicado perguntar.

– Olá meus amorzinhos — A senhora cumprimenta dos dois com sua voz fina — Edward, querido, pode balançar minha cadeira, por gentileza? — Pergunta ela, sabendo o quanto o garoto gosta de fazer isso.

– Mas é claro, dona Gertrudes — responde, posicionando-se sobre um dos pés da cadeira, de modo que para balançá-la tem que balançar a si próprio junto, e os dois riram enquanto balançavam.

Após pararem, a senhora os pergunta:

– Mas onde está o pai de vocês? Eu gostaria de comprar alguns peixes ou um galo selvagem vivo, se ele pudesse pegar para mim...

"Ela não sabe." foi o primeiro pensamento de Edgard "Claro que ela não sabe, como saberia?"

– Edward, vá brincar com Helga... Deixe-me conversar a sós com dona Gertrudes — Ele sabia que o irmão não era bobo, Edward obviamente sabia o que os dois iriam conversar, mas também não queria vê-lo sofrer mais ainda com aquela situação... Edward olhou agradecido para o irmão... Realmente não queria falar da morte da mãe ou do adoecimento do pai. Pensar já era doloroso o suficiente. Assim que o irmão mais novo saiu de perto, o mais velho contou a dona Gertrudes o ocorrido.

– Fazem seis meses... — ele parou e deu um suspiro. Não queria chorar, precisava ser forte pelo irmão — Nossa mãe... Ela morreu afogada. — A dor era eminente em sua voz... O semblante Gertrudes entristeceu-se com a notícia. — Edward viu tudo, não conseguiu içá-la de volta ao barco... Ele se culpa até hoje.

– Que Deus a tenha... Pobrezinho do seu irmão, imagino como está a cabecinha dele... — Gertrudes disse com tristeza

– E agora nosso pai está doente... — sua voz fraquejou — A única chance dele está na Árvore da Vida — Ele mostrou-a o pergaminho.

– A Árvore da Vida... — Falou ela, sonhadora — Ouvia histórias dela quando era tinha a sua idade... Segundo a lenda, ela fica além das montanhas mais longínquas do norte e dos Reinos dos Gigantes, na borda do mundo, onde vemos o céu acima e abaixo do chão no horizonte.

– Sim... — O Curandeiro os havia dito que a Árvore ficava muito ao norte, mas jamais comentou sobre gigantes ou a borda do mundo. "Talvez ele não acredite nessas histórias..." pensou Edgard, que compartilhava, até certo ponto, o pensamento cético do Curandeiro

– Vocês podem continuar pela estrada... Ela passa entre algumas montanhas e dá a volta nas Terras dos Gigantes... Acho que vai dar num vilarejo próximo às Montanhas Geladas, aqui — Ela apontou para um vilarejo desenhado no mapa. Tal vilarejo possuía uma estrada que desaparecia e reaparecia pelas bordas do mapa, dando muitas voltas. Uma viagem de no mínimo cinco dias, pensou Edgard "Dois dias para atravessarmos as primeiras montanhas e mais três para dar a volta no resto da Cadeia..."

– Obrigado pela dica... Não estava conseguindo me orientar direito por esse mapa, nossa aldeia não aparece nele... Até mais, dona Gertrudes.

– Tchau, meu amorzinho... Não quer levar um de meus frangos, caso sintam fome?

Edgard respondeu que não com um aceno de cabeça... Não queria prejudicar o sustento daquela senhora que sempre lhes fora tão querida.

– Vamos Ed — Chamou ele, cumprimentando Helga, com quem Edward brincava, com um aceno de cabeça.

– Se cuidem, crianças. Estarei rezando pelo pai de vocês. — Gertrudes despediu-se. — Façam uma boa viagem.

Os dois caminharam um pouco descendo a estrada antes de Edward falar novamente:

– Obrigado... Quer dizer, por não me deixar falar... — Edgard respondeu apenas pousando a mão no ombro do irmão menor.

Os dois continuaram caminhando e estavam chegando a uma ponte quando ouviram um som angelical... Um som que os fazia lembrar fortemente de sua infância, o som de uma Harpa... O instrumento que sua mãe tocava... os dois desviaram da ponte e foram até uma pequena casa a beira do córrego, na qual um homem tocava tranquilamente sua harpa. Ao ver os dois chegando ele para e sorri de modo jovial:

– Gostariam de tentar tocar um pouquinho?

Antes que Edgard responda que não, pois nunca haviam aprendido de fato a tocar qualquer instrumento que fosse, Edward já passava habilidosamente os dedos por entre as cordas... Ele estava tocando a música que sua mãe tocava quando os punha para dormir.

– Como você?... — Edgard não chegou a terminar, de tão impressionado. Edward parou, o músico batia palmas para ele enquanto dizia "Bravo, Bravo!"

– Eu não sei... Eu só... Eu só estava pensando na mamãe... — Edward dizia a verdade. Nunca tinha se dedicado de fato, sabia apenas uma coisa ou outra que sua mãe lhe falara, e mesmo assim tocou como se fosse um instrumentista experiente

– Sinto muito... Ela deve ter sido uma ótima harpista... — Comentou o senhor. "Como ele sabe?" pensou Edgard "Não o conhecemos, como pode saber de nossa mãe?" Então ele reparou no rosto do irmão. Era por isso que o harpista sabia... A tristeza e a saudade no olhar de Edward não podiam ser mais evidentes.

– Era sim... Obrigado — Edward agradeceu, pois sentiu que deveria... Indiretamente, aquele homem confirmou o que Edward pensava ser apenas um delírio provocado pela sua tristeza... "Eu sempre estarei com você, filho..." Essas palavras ressoavam em sua mente. Não fora um delírio, afinal.

– Vamos, Ed? — Edgard chamou o irmão mais novo, que respondeu acenando positivamente a cabeça — Obrigado pela música, senhor... Até outro dia.

– Boa viagem para vocês, crianças. foi um prazer ter ouvido este garotinho tocar — respondeu o senhor novamente em seu tom jovial, enquanto voltava a tocar aquela música suave que tocava antes de os irmãos aparecerem.

Então os dois se despediram e atravessaram o córrego, molhando-se até a altura dos joelhos. A água estava gelada, mas eles já estavam acostumados por terem crescido numa vila pesqueira — Embora não soubesse nadar, era comum Edward molhar os pés na beira dos rios e do mar.

A época do ano também os ajudava; o início de outono ainda tinha uma temperatura agradável, embora o sol já passasse a maior parte do tempo bem inclinada para o sul, dando ao dia inteiro uma impressão de fim de tarde. "É por causa da latitude... Nossa posição a Terra faz com que o sol sempre pareça inclinado para o sul." O pai dos irmãos adorava ensiná-los sobre astronomia, mostrava as constelações que mantinham os marinheiros em seu rumo certo... Mesmo não sendo um navegador — não passava mais que dois dias fora pescando — gostava de passar aos filhos o conhecimento que seus pais lhe passaram... Absorto nesses pensamentos, Edgard quase não percebeu que o caminho estava bloqueado.

No meio da estrada, havia um carro de mão como o que eles haviam usado para transportar o pai, só que este estava sujo, virado e sem uma roda... Dentro dele estava aninhado um homem em estado deplorável, todo sujo e caindo de bêbado. Eles sentiram o cheiro — uma mistura azeda de álcool e de alguém que precisa urgentemente tomar um banho — metros antes de chegarem no indivíduo, que contemplava o céu com seus olhos vítreos e desfocados enquanto tentava pateticamente entoar uma canção.

– Com licença... — Edgard falou educadamente, tentando não enrugar o nariz com aquele cheiro fétido — O senhor poderia livrar a passagem? Precisam... — Antes que pudesse terminar, o bêbado deixou de prestar atenção. Agora ele parecia muito mais interessado no vômito seco na própria roupa. "Deplorável." Foi a única palavra que ocorreu a Edgard.

– Vamos dar a volta, Ed... Tem uma trilha aqui do lado — ele apontou um caminho entre as árvores, tal trilha dava em algo que parecia uma área descampada alguns metros a frente.

Edward não fez objeções, apreciando a ideia de saírem logo de perto daquele homem repugnante... Os dois seguiram então pela pequena trilha cercada por algumas árvores e um pequeno lago ornamental com alguns peixes. A trilha levava a um terreno mais baixo, claramente um campo de feno, já que haviam fardos espalhados por toda a extensão daquele que era um dos poucos terrenos planos daquela região acidentada.

Os dois já estavam a ponto de descer para o terreno quando ouviram um latido raivoso vindo do outro lado do campo... Em dois segundos um enorme e amedrontador cão de guarda estava latindo para os dois, tentando inutilmente subir ao nível deles. "Ótimo..." pensou Edward "Um cachorro assassino e sanguinário, tudo que a gente precisava agora!"

– Edward, chame a atenção dele... — O garoto olhou para o irmão como se ele fosse doido — Ele não consegue subir, enquanto ele estiver distraído com você eu passo. Depois eu chamo e você passa...

– Ah, agora fez sentido... — comentou Edward — Ok, mas não vamos atravessar o campo todo, ele pode acabar perdendo o interesse ou vendo que tem mais uma pessoa passando... Vamos usar esses fardos de feno como abrigo.

Edgard não tinha pensado nisso... As vezes esquecia o quanto o irmão mais novo era inteligente.

– Boa ideia. Vamos lá. — Disse ele, afastando-se do irmão, se preparando para descer e correr até um dos fardos de feno. Edward posicionou-se do outro lado daquela espécie de degrau gigante e gritou a plenos pulmões

– Ei! Vem aqui, seu saco de banha! — chamou, e o cão foi em sua direção quase como se estivesse... Ofendido? Edgard não parou para pensar nesta absurda hipótese, desceu e correu até um dos fardos de feno mais ou menos no meio do campo, silencioso como uma sombra. Após assumir seu posto, colocou os dedos na boca e soltou seu melhor assovio para cachorros. "Isso aí só tem tamanho... Inteligência zero mesmo..." pensou, pois assim que Edward parou de chamá-lo e Edgard assoviou, o cão esqueceu-se completamente da existência do mais novo, que agora corria velozmente e sem fazer barulho, como o pai os havia ensinado. Para poupar tempo, ele abandonou o próprio plano e correu toda a extensão do campo, aproveitando que o cachorro estava tão compenetrado no irmão. Mas não deu certo. Enquanto subia para o outro lado do terreno, escorregou e caiu de costas no chão, sentindo todo o ar ser expelido a força de seus pulmões.

–Huh — Gemeu, com uma leve noção de que o cachorro perdera o interesse em Edgard. O cão agora corria em sua direção, com os dentes afiados a mostra e prontos para dilacerá-lo até a morte enquanto Edgard corria atrás do cachorro tentando, sem sucesso, chamar sua atenção aos berros... Não conseguia gritar alto o suficiente, ou talvez o cachorro não quisesse mais atacá-lo... Independente de qual fosse o caso, Edward levantou-se com as forças renovadas pelo medo, e no último milésimo de segundo escapou do cachorro, que agora latia feito louco, incapaz de alcançar sua presa. Ao ver o irmão conseguindo se salvar, Edgard rapidamente mudou o seu rumo e pulou com destreza para cima da formação de pedras. O cão só percebeu novamente sua presença quando Edgard já está junto do irmão e fora de perigo.

Edward também só notou que o irmão já estava ali quando este segurou-o com força pelos ombros e encarou-o com seus penetrantes olhos azuis... Seu rosto estava vermelho e Edward tinha impressão de que não era simplesmente por ter corrido tanto

– Nunca, Edward, NUNCA mais pense em fazer algo assim de novo!! — Edgard mal terminou de gritar quando puxou o irmão para um abraço. Edward estava tão atônito que demorou alguns segundos para retribuir aquele gesto de amor fraternal... Só agora havia percebido o quanto deixara seu irmão preocupado. Eram raras as situações em que o irmão mais velho chorava, principalmente depois da morte da mãe — ele se obrigava a ser forte pelo irmão e pelo pai, que havia entrado em depressão durante as primeiras semanas sem a esposa — e ele estava claramente a beira das lágrimas com aquela situação. Edward também percebeu que o irmão mais velho não estava gritando por ele ter mudado o plano, afinal ele podia ter tentado subir num fardo de feno e caído do mesmo jeito... Edgard gritava com ele por que não suportaria perder o irmão mais novo.

– Desculpe... Não vou mais te assustar desse jeito, ok? — Edward prometeu, tentando reconfortar o irmão mais velho. O rosto de Edgard já havia voltado ao normal quando levantaram.

– Vamos mais a frente, lá deve ser mais fácil de chegar na estrada... — disse Edgard, observando que a estrada ao lado deles virava uma ponte para transpor a junção de dois rios; um pequeno, que os dois teriam de atravessar andado com a água nas canelas e outro maior, que ele avaliaria como atravessar quando estivessem mais próximos.

Os dois escorregaram por um pequeno barranco de pedras e atravessaram o riacho, que lhes batia nas canelas... Certamente seu volume subia muito na época de degelo. Na outra margem havia um paredão de pedras recoberta pelos galhos secos de uma hera morta, que os irmãos usaram como escada. Quando chegaram ao topo, depararam-se com uma bela cachoeira que caía num rio maior que o outro que haviam atravessado a pé. Este rio passava por entre escarpadas que os dois poderiam usar como caminho...

Edgard levou um susto quando olhou para a estrada...

– Destruída. — foi a primeira coisa que disse. De fato, onde deveria estar a continuação da estrada que daria a volta nas montanhas, havia um grande amontoado de pedras, provavelmente muito soltas e lisas para serem escaladas...

– O que fazemos agora? — perguntou Edward, desanimado

– Vamos tentar subir essa cachoeira... lá em cima vive alguém, quem sabe seja de alguma ajuda... — Edgard apontou para uma construção de madeira sobre a queda da água... "Mas por onde?..." Edward foi mais rápido; como se lesse os pensamentos do irmão, disse

– Por ali! — Ele apontou para uma parede de pedras parecida com a que eles haviam escalado pela manhã, para entrar no Vilarejo. Ficava do outro lado do riacho, e antes que Edgard pudesse problematizar isso, o mais novo já estava pulando de uma escarpada para outra.

– Vem logo, Ed! — Apressou-o Edward. Edgard atravessou então o rio e ajudou o irmão menor a subir para o nível da parede natural de pedras. Quando estava se preparando para subir também, ouviu a voz de Edward:

– Tem uma corda aqui! Espera um pouco! — E segundos depois uma corda foi jogada de cima da pequena escarpada. Edgard agarrou-se nela e subiu, e quando chegou ao mesmo nível do irmão, os dois escalaram o paredão, que Edgard julgava ser dois metros mais alto que o do Vilarejo.

Quando chegaram ao topo, viram-se em frente a uma pequena casa com telhado de palha, no qual um homem trabalhava. Ao lado, existia uma criação de coelhos e um caminho que Edgard suspeitava um dia ter sido usado para levar até a estrada, que pelo visto, não existia mais a partir daquele ponto onde estavam as gigantescas pedras. Do outro lado, estava o rio que desaguava na cachoeira, com uma bizarra ponte levadiça acoplada a algo que parecia uma gigantesca roda de carroça, como uma roda d'água sem pás. Do outro lado do rio, havia um pequeno rebanho com cinco ovelhas.

– Com licença -Edgard chamou a atenção do homem que arrumava o telhado — Poderia nos dizer onde podemos volta para a estrada? — Perguntou, esperançoso.

– Sabia que não podiam ser comerciantes em busca de lã ou coelhos... É uma pena. Enfim, a estrada foi destruída com as chuvas e o degelo... Fazem alguns meses que estou praticamente isolado nessa montanha! Se estiverem mesmo precisando atravessar as montanhas, terão de dar a volta nessa... Dizem que a estrada está intacta mais a diante.

– Dar a volta?! Não temos todo esse tempo, moço! — Edward reclamou. Sabia que o homem não poderia fazer nada, mas talvez tivesse alguma dica.

– Bom... Vocês podem pedir ajuda a Rudolph e Gilda, eles vivem mais ao lado, atrás daquelas pedras ali — Ele apontou para uma formação mais acidentada.

– Legal, eles são tipo guias das montanhas? — Perguntou Edward, animado. O homem fez uma cara de dúvida, como se estivesse decidindo o que falar

– Quase isso... — Falou cautelosamente — Agora, só quero ver vocês darem um jeito de atravessar a ponte que o Inventor fez. — Disse ele, voltando a trabalhar no telhado de palha.

Edgard não lembrava de ter visto o Inventor algum dia, mas sabia que era o excêntrico homem que construíra a ponte de alavanca e o elevador a manivela perto de sua casa. Quando tinha a idade de Edward, passava horas tentando entender como aquelas coisas funcionavam, por isso decidiu analisar melhor aquela ponte.

– Parece que a ponde desce se girarmos aquela roda, não importa o lado... Deve ter sido feita para trabalhar com a força da água, mas está inacabada...

– Hummm.... — Edward entrou na roda e começou a andar. Conforme a roda girava, a ponte ia descendo, confirmando a suspeita de Edgard.

Agora só precisavam dar um jeito de os dois atravessarem... Após alguns segundos pensando, Edgard teve uma ideia... Era ridiculamente tosca, mas deveria funcionar.

– Não pare, Ed — Pediu Edgard, quase rindo com a própria ideia... Ele atravessou a ponte e carregou um dos carneiros junto na volta. Quando já estava perto, pediu para que o irmão liberasse o espaço e então soltou o bicho ali. Por fim, deu um tapa nas ancas do animal que baliu indignado, mas começou a andar, como Edgard queria. Edward riu com a cena

– Pobrezinho, Ed! — e então voltou a rir.

Os dois atravessarem então a ponte movida a carneiro e acenaram em agradecimento para o homem que, se percebeu o ato, não deu importância. Desceram um pequeno barranco e subiram em algumas pedras mais altas até chegarem na formação que o homem os havia mostrado. O espaço de chão plano entre um lado e outro era pouco, e os dois teriam de se arrastar de costas para as pedras para passar. Mas não havia problema nisso. Era a primeira vez que contemplavam de fato toda a beleza que aquele outono trazia; Todas as árvores com exceção dos pinheiros estavam alaranjadas, reforçando a impressão de final de tarde que aquele sol baixo provocava mesmo ao meio dia.

– É tão bonito... — Edward disse, impressionado pela magnífica visão que tinha daquele ponto.

– É mesmo... — Edgard lembrava o quanto o pai gostava de mostrar-lhes coisas assim... E com a lembrança do pai, também veio a pressa. Edgard rastejou-se pela parede das rochas, com Edward seguindo-o de perto. Os dois não ouviram o barulho que estava vindo do outro lado das rochas, então não se preveniram e levaram um tremendo susto, pois sentado numa enorme cadeira estava uma massa humanoide desproporcionalmente grande... Tinha no mínimo 3 metros de altura. A cabeça parecia muito pequena para o corpo, as pernas eram muito curtas e os braços demasiadamente compridos. De suas costas arqueadas brotavam cogumelos e outros fungos. E, com toda aquela horrível aparência e tamanho, aquela coisa estava... Chorando?

Edgard não acreditava no que seus olhos estavam vendo... Não pela criatura estar chorando, mas por que deixara de acreditar nessas lendas quando tinha a idade de Edward. "Mas não são lendas" Pensou ele, sem saber se deveria ficar empolgado ou com medo... Na dúvida, assumiu uma posição protetora e cautelosa na frente do irmão "Eles existem, afinal... Estou diante de um legitimo Troll das Montanhas!"

Notas finais
Espero que tenham gostado, e peço que continuem lendo por que o final é realmente surpreendente... Mal posso esperar pra escrever os capítulos 7 e 15, hehe (acho que são esses, pelo menos...) Acho que vou demorar mais que uma semana por capítulo, enfim... A facul consome tempo demais '-' Bom, em todo caso, até o próximo capítulo :D