O Confeiteiro
1 Bolo
Notas iniciais
Espero que gostem
O Confeiteiro
por Milk
Para o desafio dos 5 drabbles da And Allegra
Então ela veio ao meu encontro como pensei que faria, hesitante, porém curiosa para saber o que viria a seguir. Os pés descalços, apoiando todos o peso de seu corpo sobre os dedos, deixavam manchas no assoalho denunciando sua volta, silenciosa, mas anunciada. O cheiro peculiar se fazia presente no corredor deixando todo seu trabalho tácito inútil, pois aquele aroma inconfundível entregava seu paradeiro. Eu a via, num vestido de cetim infantil demais para um corpo adulto. Era transparente, azulado, quase branco, com o pingente de S que eu lhe dei caindo do pescoço.
Sonolenta e envergonhada, ela veio ao meu encontro como eu pensei que faria. Deixou a caixa sobre mesa de vidro da sala e virou-se para partir, tremendo o queixo como se uma corrente de vento gelado tivesse lhe estapeado a face, mas eu sabia que ela queria chorar, como queria… Talvez evitasse as lágrimas para que seus soluços não me acordassem. Ela não sabia que desde que abriu aquela porta e enfestou a casa com seu cheiro eu fiquei ciente de sua presença e estava a observando, no breu de outro corredor estreito, caminhar em direção a saída para talvez nunca mais voltar.
Também sabia que ao passar pelo corredor e olhar o meu quarto com a cama vazia, ela entraria; veria uma caixa sobre a estante com o seu nome na etiqueta e seus olhos se encheriam de lágrimas. Ela se vira, me vê na porta segurando a caixa que deixou na sala com o meu nome da etiqueta, fica vermelha, mas vem ao meu encontro como eu pensei que faria.
Abro a caixa que tenho em minhas mãos e vejo um bolo decorado escrito “eu te amo” com açúcar de confeiteiro. Quando volto a olhá-la, com um sorriso tímido, mas expressando minha gratidão, ela já está abrindo a caixa que segurava. Ao ler o que havia escrito no bolo que eu havia lhe dado, não conseguiu segurar as lágrimas que prendia até então.
“"Quer casar comigo?"
As caixas foram fechadas e colocadas num canto, ela me abraçou, encaixou a cabeça na curva do meu pescoço e molhou a camisa preta que eu vestia com suas lágrimas. Seu cheiro tornou-se mais presente, nos seus cabelos, nas suas roupas, nela, era dela aquele cheiro que eu tanto gostava. Um cheiro doce, tanto quando os bolos que nos reuniu quanto o beijo que veio a seguir, dizendo o sim exatamente como eu pensei que faria.
Foi assim, numa noite de primavera, que uma bailarina decidiu casar-se com um confeiteiro.
Notas finais
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