O Começo do Fim - Gregos e Romanos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acampamento Júpiter — Oakland Hills
As construções romanas do Acampamento Júpiter eram iluminadas pelos primeiros raios de sol daquele dia. Frank e Hazel andavam pelas calçadas, indo em direção ao refeitório para tomar o café da manhã junto com os outros semideuses. Os dois eram acompanhados por diversos lares, que andavam de um lado para o outro, sem ter algo específico para fazer. Ao longe, Reyna vinha com sua capa roxa presa as costas, com o mesmo jeito confiante de andar de sempre.
A maioria dos semideuses já estavam sentados em volta das mesas, comendo cheeseburguers e batatas fritas. Hazel e Frank sentaram numa das poucas mesas vazias do refeitório, afastando algum faunos que tentavam pegar alguns trocados.
Reyna entrou no refeitório e por um instante todos ficaram em silêncio, com os olhos focados na pretora. Ela deu um suspiro e perguntou:
– Alguém viu o Max?
Todos ficaram em silêncio, e outros voltaram a comer, sem muito interesse no garoto que não agradava ninguém. Frank foi um deles, o que levou Reyna a continuar:
– Eu não o vejo desde ontem depois do jantar. Isso é sério!
Hazel ajeitou-se na cadeira e olhou para os outros, esperando uma resposta. Como ninguém disse nada, ela respondeu:
– A ultima vez que eu o vi foi ontem antes de dormir, na frente dos estábulos com alguém, mas não me lembro com quem. Era um rosto conhecido.
– Nos estábulos? – Reyna perguntou, aproximando-se de Hazel.
– Sim – a garota de cabelos encaracolados respondeu.
– Consegue se lembrar se ele estava com algum cavalo? – a pretora continuou, sem esconder a ansiedade na voz. – Talvez foi fazer as suas consultas costumeiras.
– Quando o vi ele estava na frente dos estábulos, conversando com um menino conhecido. Ele já nos visitou algumas vezes...
– Harry! – gritou alguém.
– Isso! – Hazel exclamou. – Era ele mesmo!
– Harry Smith, filho de Febo – Reyna disse, lembrando-se do garoto. – Mas o que ele estaria fazendo aqui? Que eu me lembre, a última vez que ele apareceu no acampamento foi há dois meses para nos trazer a mensagem dos gregos. Por que ele estaria aqui novamente? E com Maxilian, que como vocês já sabem, odeia os gregos assim como Octavian odiava.
– Isso está muito estranho – Frank disse, comendo mais uma de suas batatas fritas. – Maxilian nunca saiu sem avisar. Ainda mais ele que sempre segue todas as nossas regras de saída e entrada. Eu nunca confiei nesse cara. Para mim ele é uma réplica de Octavian.
Reyna apenas o encarou, concordando silenciosamente. Ela sentou-se na me-sa separada para os pretores. Como Jason ainda estava no Acampamento grego, ela sentou-se ali sozinha, ainda pensando no sumiço de Maxilian, o substituto de Octavian, o antigo Áugure do Acampamento Júpiter.
Todos já estavam saindo do refeitório quando o barulho fortíssimo de uma explosão ecoou pelo vale. Alguns semideuses correram para fora do Portão Decumaniano, a tempo de ver uma multidão de ciclopes atravessando pequeno Tibre, brandindo suas clavas e bastões.
Uma tropa de legionários entrou em forma e avançou na direção dos monstros, segurando suas espadas, protegendo os corpos atrás dos escudos. Reyna começou a gritar ordens, liberando mais guerreiros para a linha de frente. Frank transformou-se em uma águia e voou sobre os ciclopes, tentando ataca-los pelas costas quando chegasse nas ruínas do Túnel Caldecott, recém-destruído por uma explosão. Hazel pegou sua espada da cavalaria e entrou em forma junto com a legião, ficando ao lado dos outros centuriões. Hannibal, o elefante de guerra do acampamento, entrou em combate.
Após alguns segundos de preparo, os ciclopes se chocaram nos escudos dos legionários, produzindo um baque seco. Em perfeita organização, todos abriram os escudos e atacaram os monstros mais próximos, matando a maioria. Hannibal derrubou uma fileira de ciclopes, atirando alguns com sua tromba. Frank pousou atrás dos monstros e transformou-se num urso pardo, derrubando ou cortando os inimigos com suas enormes patas. Quando por fim a Primeira Coorte entrou no combate, os ciclopes foram dizimados, deixando apenas dois guerreiros feridos, que foram levados pelas águias de prontidão.
– Como isso aconteceu? – Reyna perguntou, assumindo a liderança dos legionários. – O disfarce do túnel era...
A pretora mal terminou de falar quando as ruínas de concreto do túnel foram arremessadas longe por gigantes, desta vez muito mais fortes do que os ciclopes. Frank que ainda retornava transformou-se novamente na águia e pousou do outro lado do pequeno rio, em segurança.
– Não saiam da formação! – Reyna gritou, recuando alguns passos para se alinhar aos centuriões.
Os gigantes deram um salto pelo curso do rio e caíram violentamente sobre a Segunda Coorte. Os guerreiros que estavam mais atrás começaram a ataca-los, mas sem muito sucesso. Com o buraco aberto bem no meio da formação, os legionários se dissiparam, atacando aleatoriamente os gigantes, que se defendiam facilmente das espadas, arremessando guerreiros para os lados, dando trabalho para as águias que seguravam os corpos antes que caíssem no chão.
Reyna rolou pela grama, evitando ser pisoteada por um dos gigantes. Aproveitando a distração do monstro de quase três metros de altura, Hazel cortou sua panturrilha com a espada, provocando um grito de dor do gigante. Hannibal bateu com força sua cabeça na perna do gigante, derrubando o monstro no leito do rio, jogando água para todos os lados. Alguns legionários da Primeira Coorte atacaram o monstro em diversas partes, enquanto um deles perfurava o seu peito com uma lança, acertando o coração. O gigante começou a se dissipar lentamente enquanto todos corriam para ajudar os outros grupos, que estavam com sérios problemas e ferimentos.
– Como isso foi acontecer? – Reyna repetiu, olhando para os legionários da Segunda Coorte que tentavam levar os corpos feridos para dentro do Portão Decumaniano, onde estariam mais seguros.
Hazel correu junto com Frank para cima de outro gigante, deixando Reyna sozinha ali, analisando qual grupo mais precisaria de sua ajuda. Quando por fim decidiu, alguém caiu por cima dela, derrubando ela na grama. Rapidamente ela se virou e reconheceu quem estava ali: Maxilian, o Áugure do acampamento. Ao mesmo tempo em que ela olhou para o seu rosto, uma série de flechas passaram por cima dos dois, e só então Reyna entendeu o que havia acontecido.
– Maxilian, você me salvou! – ela disse.
– Quase que não, minha pretora – disse o garoto de cabelos castanhos, ajudando Reyna a se levantar novamente. – Temos um bom trabalho pela frente! – continuou, apontando para os centauros que invadiam o acampamento, segurando os seus arcos.
Então eles haviam lançado as flechas. Reyna segurou firmemente sua espada e correu com Maxilian para cima dos homens-cavalo, seguindo os passos do elefante que sempre estava alerta, protegendo os seus amigos. Iluminado pela luz do sol, ela conseguiu ver o Argo II e nele Jason, o que a fez sorrir e recuperar as esperanças perdidas.
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