O Começo de um Final Feliz
3 Confinados
– Mas o q... Tinha que ter dedo seu nisso! – bradou David, olhando para Will. De repente, seus olhos pousaram na morena e sua expressão era mais perdida que a de um cego em tiroteio – Belle???
– E aí? – perguntou na maior cara de pau, pisando nas cinzas do papel para apagar o que restara do fogo.
– Mas... Enfim, conversaremos sobre isso no caminho para casa – suspirou pesadamente enquanto empurrava Will para uma cela.
– Espera, por que ele é preso e eu vou para casa?
David deu de ombros e respondeu:
– Sei que você é inocente. Esse sujeito deve tê-la influenciado
– Fui eu que tive a ideia de invadir a delegacia para queimar um documento meu. Ele só me ajudou.
O xerife pareceu ter levado uma bofetada e começou a tentar argumentar:
– Mas esta é sua primeira infração, já esse aqui é um arruaceiro...
– Os dois para casa ou os dois em cana – insistiu determinada.
– Belle... – choramingou um suplicante David, mas ela apenas se dirigiu para dentro da cela vazia, fechou o portão e aguardou de braços cruzados até que David o trancasse – Tudo bem, vai ficar aqui até o efeito do álcool passar – suspirou pesadamente enquanto trancava a cela, apagou as luzes e foi embora.
Na manhã seguinte, Belle se levantou, mas logo se atirou de volta na superfície dura que servia de cama, pois o peso de todo seu corpo parecia ter ido para a cabeça. Virou-se de lado e só faltou vomitar as próprias tripas no chão.
– Merda – murmurou, tendo finalmente noção da situação na qual se encontrava.
– Puta merda! – berrou Will, que provavelmente acordara com o som da jovem vomitando.
A morena voltou a deitar-se virada para cima e fechou os olhos, na esperança de abri-los novamente e ver que tudo não passara de um pesadelo, mas a porta da delegacia logo se abriu.
– Meu Deus! – ouviu a voz de Emma, mas não seu deu ao trabalho de abrir os olhos.
– Falei – desta vez era David quem falava.
– Achei que estivesse brincando.
Belle sabia muito bem do que se tratava a conversa: Emma não acreditou quando papai contou que prendera a adorável Belle. E quem acreditaria? Revirou os olhos e sentou-se, tomando o cuidado de não pisar na poça de vômito. Will, novamente, roncava a sono solto.
– Belle! O que você estava pensando? – exclamou a loura e a bibliotecária logo a fuzilou com os olhos; aquilo não era volume para se falar com quem está de ressaca.
– Que eu precisava corrigir o maior erro da minha vida.
– Queimando a certidão de casamento? Belle, tem o registro no computador.
A morena pulou e se pendurou nas barras de sua cela. Com os olhos arregalados numa expressão maníaca, disse num tom frio e sério de quem estava esgotada demais para suplicar:
– Emma, deleta.
– Eu não pos...
– Deleta! – retrucou mais energicamente – Não faça minha detenção ser em vão! Ninguém sabe da existência dessa cidade, não seria uma afronta ao Obama se você me fizesse esse favor. Você sabe o que o Rumple fez comigo... todo mundo sabe.
Ao final da frase, a expressão de Belle era totalmente suplicante, capaz de partir qualquer coração. Emma suspirou pesadamente, sentou-se à escrivaninha e ligou o computador.
– Tudo bem – disse por fim.
– Obrigada – suspirou aliviada.
Naquele instante, um esbaforido Jefferson adentrou a delegacia.
– Emma! Disseram-me que a B... Ah, meu Deus! – exclamou como se fosse desmaiar ao ver a morena dentro da cela – Eu pago a fiança!
– Não precisa, eu já ia soltá-la – disse Emma, segurando-se para não rir da expressão de Jefferson.
A loura adiantou-se até a cela de Belle e destrancou-a. A moça mal pôs os pés para fora e foi puxada para um abraço de urso protetor de Jeff, que olhava indignado para Emma, como se não pudesse acreditar que ela se atrevera a colocar tal criatura angelical no xilindró.
– Deixe-me arrumar a bagunça que fiz – disse, tentando em vão se soltar dos braços do amigo.
– Não, está tudo bem. Vá para casa tomar um banho e... Jefferson, eu não vou atirá-la dentro da cela de novo! – acrescentou olhando o homem que ainda apertava a bibliotecária e as duas começaram a rir.
– Chapeleiro? – disse uma voz vinda das sombras e todos se viraram para olhar.
– Valete? – indagou ao localizar Will ainda dentro de sua cela.
– Conhece esse traste? – perguntou David – Então leve-o também. Estou cansado da cara dele.
~*~*~
Killian seguia rumo à delegacia, mas deteve-se ao se deparar com Belle saindo de lá, um braço dado com Jefferson, outro com Will. Esses homens do País das Maravilhas são um pé no saco, pensou enquanto a via dar um abraço em cada um e se afastar. Encarou-a sem discrição nenhuma, tanto que quando a morena se aproximou, perguntou num tom bem-humorado, apesar de sua aparência cansada:
– Que foi? Quer abraço também?
O susto de Killian foi tão grande que ele até se engasgou, fazendo Belle lhe dar um tapinha nas costas e se afastar rindo. Quando se recuperou, rumou à delegacia e, ao adentrá-la, deparou-se com David limpando o chão de uma das celas com cara de nojo e Emma juntando vários papéis espalhados pelo chão.
– O que é isso? Passou um furacão por aqui?
– Sim – respondeu David – Furacão Belle.
– O quê?
– Ela resolveu dar um jeito, apesar de meio ilegal, de anular o casamento com o Gold – disse Emma, depois lhe explicou a história em detalhes.
– Então – começou pausadamente, após ter ouvido tudo com muita atenção – Ela não está mais casada com o Crocodilo?
Emma deu de ombros e ele sorriu, despertando a desconfiança da xerife.
– Posso saber por que toda essa felicidade?
– Oras, ninguém merece ser casada com o Crocodilo – respondeu dando de ombros e logo se pôs a ajudar na arrumação.
~*~*~
Como aos sábados a biblioteca fechava mais cedo, Belle aproveitou para visitar a nova prefeita – e sua amiga – Mary Margaret, ou Branca de Neve – seu verdadeiro nome – para ver o bebê Neal e pedir computadores para a biblioteca. Ao final da conversa, Mary percebeu que não havia praticamente nada para preparar um jantar decente e perguntou se Belle poderia tomar conta de Neal enquanto ela ia às compras.
Cerca de meia hora após a saída da mãe, Neal começou a choramingar, levar as mãozinhas ao seio de Belle e fazer barulhinhos de sucção com a boca. Desesperada e quase chorando junto, Belle deu um pulo ao ouvir a campainha e, tendo a certeza de que a dona da casa se esquecera da chave, foi logo abrindo a porta e dizendo:
– Já não era sem tempo, o Neal quer... mamar – a última palavra saiu em modo automático, já que ela travara ao ver Killian parado à porta.
– Quem não haveria de querer? – murmurou olhando de soslaio os seios da morena, mas não tardou a dar um alto pigarro para disfarçar – Ela costuma a deixar uma mamadeira no micro-ondas quando sai.
Ele foi logo adentrando o loft e se dirigindo ao micro-ondas. Abriu-o e, com um sorriso vitorioso, tirou de lá uma mamadeira. Belle logo fechou a porta e foi até onde Killian estava esquentando o leite. Ao notar que o bebê tinha os olhos fixos no pirata, fez menção de passá-lo a seus braços, mas ele se esquivou.
– Que foi? Não gosta de bebês?
– Gosto, só não sei como segurá-los com isso – ergueu o gancho.
– Tsc, tira esse gancho e senta no sofá – ao ver que ele não mexera um músculo sequer, acrescentou em tom autoritário – Agora.
Killian tratou de tirar o gancho, deixou-o sobre a mesinha de centro e sentou-se no sofá com cara de quem não estava entendendo nada. O micro-ondas apitou, Belle tirou a mamadeira de lá, conferiu se a temperatura do leite estava boa e foi até o pirata.
– É só apoiá-lo aqui nesse braço – disse ajeitando Neal no braço maneta de Killian e deixou a mamadeira em sua mão.
– T – tem certeza? – perguntou com um adorável olhar de insegurança raríssimo de se ver.
Belle sorriu e assentiu com a cabeça.
– Confio em você.
O pirata levou a mamadeira aos lábios inquietos do bebê e juntamente à Belle, fixou o olhar apreensivo em Neal. Quando a mamadeira já estava pela metade e Killian concluiu que não o mataria acidentalmente, virou-se para Belle com um sorrisinho de criança que acabara de fazer uma descoberta incrível e a morena não teve como não retribuir o sorriso.
– Viu? Eu disse que ia dar tudo certo! – disse empolgada e deu um leve aperto, sem malícia nenhuma, na coxa dele.
Os olhares de ambos se cruzaram como não faziam há anos. Belle sentiu os cabelos da nuca se arrepiarem e se Neal não estivesse presente, teria pulado no colo de Killian e arrancado suas roupas.
– Volt...
Os dois se sobressaltaram com David e Mary Margaret parados à porta. Eles, por sua vez, se espantaram com o “retrato de uma família feliz” em seu sofá.
– Mas que progresso! – exclamou Mary, desistindo de tentar terminar sua frase anterior.
– A Emma passou semanas tentando colocar o Neal no colo do Gancho e nada.
– Falando em Emma, ela não vem jantar. Ela foi resolver sei lá o que com a Regina e as duas vão jantar com o Henry depois. Porém, trouxemos comida para um batalhão, então... Vocês. Vão. Ficar – terminou a prefeita em tom autoritário, depois foi até os dois pegar Neal, que terminara sua refeição – Agora vou pôr esse guloso para arrotar e, com sorte, dormir. Podem se sentar à mesa.
– Aqui – disse Belle pegando o gancho e passando-o a Killian.
– Obrigado.
A bibliotecária foi logo se oferecendo para ajudar o xerife a pôr a mesa, mas ele recusou gentilmente a ajuda e insistiu para que os convidados se sentassem enquanto ele dispunha sobre a mesa a quantidade absurda de comida que haviam comprado. Os quatro comeram e conversaram por um bom tempo, até que Belle percebeu que já passava das onze.
– A conversa está ótima, mas preciso ir – começou, levantando-se.
– Eu te acompanho – exclamou Killian, colocando-se de pé num pulo.
– Não preci...
– Aceita, Belle – insistiu Mary – Pode ser perigoso voltar sozinha a essa hora.
Belle se despediu do casal, fez menção de abrir a porta para sair, mas a amiga exclamou:
– Espera!
A morena congelou no lugar e virou-se lentamente para a anfitriã, que lhe estendeu um embrulho. Belle abriu-o e deparou-se com uma garrafa de vinho rosé.
– David me falou para mantê-la afastada do álcool, mas achei que merecia esse mimo por me ajudar tanto com o Neal.
– Obrigada.
– E eu? – perguntou Killian com uma expressão vitimizada – Eu também ajudei!
– Não sabíamos que você estaria aqui.
– Eu te dou um pouco – disse Belle, dando de ombros.
– Metade da garrafa.
– Um gole.
– Uma taça.
– Feito.
Os dois riram ao final da negociação, David e Mary Margaret se entreolharam, depois olharam para os dois de um modo que os deixou constrangidos e um silêncio sepulcral se abateu sobre o quarteto antes de todos dizerem em uníssono:
– Boa noite.
Belle e Killian caminharam em silêncio até a biblioteca, mas ao chegarem à porta, Killian perguntou:
– Quando pretende abrir o vinho?
– Agora, por quê?
– Posso cobrar minha taça?
– Claro – a morena sorriu, destrancou a porta e abriu espaço para que ele passasse.
Enquanto caminhavam, Killian observava tudo ao redor. As coisas estavam bem diferentes de como eram no dia ele reencontrara Belle e ela o nocauteara com uma estante de livros. O lugar parecia mais claro, as prateleiras maiores e mais cheias de livros que, por sinal, pareciam estar em melhor estado.
– Você deu um trato aqui, hein?
– Obrigada. Em breve vou abrir o andar de cima também, tenho vários planos para ele.
– Acho que nunca estive lá.
– Quer ver?
Ele assentiu com a cabeça e, empolgada, a bibliotecária apertou o botão do elevador, que, por sinal, não era mais manual. Os dois entraram, as portas se fecharam e, após três segundos de subida, o elevador parou. Ambos se entreolharam em silêncio por algum tempo até Belle começar a esmurrar todos os botões do painel.
– Ah, não! Não, não, não...
– Claustrofobia, amor?
– Não, mas como vamos sair daqui?
– Ligue para alg...
– Meu celular ficou no balcão!
– Tem o meu – disse ele, puxando o pequeno aparelho no bolso, quando se lembrou de um detalhe – Descarregado.
– Ótimo! – bufou a morena, atirando-se de qualquer jeito no carpete do elevador.
– Veja pelo lado bom – disse Killian, sentando-se calmamente ao lado dela.
– E tem lado bom nisso? – retrucou.
– Você trouxe o vinho.
Belle piscou desorientada e surpreendeu-se ao perceber que estava abraçada à garrafa embrulhada. Tratou de pegá-la, tirar a rolha com os dentes e tomar um longo gole antes de passá-la a Killian.
– O bom é que se tomarmos a garrafa toda, podemos ferrar no sono – ou fazer coisa mais interessante, pensou, mas achou mais prudente omitir este trecho da frase – e acordar com alguém nos resgatando.
– Claro, a Emma vai sentir sua falta e virar a cidade do avesso – disse ela com a voz embargada e um tom nada apropriado de provocação. Diabo de vinho que sobe rápido!, pensou ao reparar em como suas palavras haviam saído, mas aquilo não a impediu de puxar a garrafa de volta.
– Filha, se você estiver esperando pela Emma se dar conta do meu sumiço, prepare-se para uma morte lenta e dolorosa neste elevador.
A morena riu tanto que até se engasgou com o vinho. Passou-lhe de volta a garrafa e perguntou suavemente:
– Por que diz isso?
– Vamos, Belle, você é inteligente! – disse em tom brincalhão e cutucou-a levemente nas costelas – Se todo mundo vê, imagina você!
– Hm...
– Anda, fala em voz alta!
– Ela não te ama.
– Bingo!
– Você a ama?
O homem parou de rir na hora, engoliu em seco e lhe devolveu a garrafa.
– Eu lhe fiz uma pergunta, Sr. Jones – insistiu antes de tomar outro gole.
– Não amo. Eu venho me perguntando se um dia já amei, ou se estive mentindo para mim mesmo esse tempo todo.
– E para que insistir num relacionamento se não há amor e, aparentemente, nunca haverá?
– Bem, eu, porque sou idiota – começou, tomando a garrafa das mãos dela – A Emma eu já não sei.
– Sei lá, vai ver é porque o sexo é bom – Merda de vinho!, sua consciência berrou enquanto seu rosto parecia ter alcançado a temperatura de 50°C.
– Que sexo?
Após um segundo de silêncio, os dois caíram na gargalhada. Belle tomou o último gole da garrafa e suspirou:
– Mal sabe ela o que está perdendo.
Num movimento brusco e ágil, Killian a puxou para seu colo e Belle, sem hesitar, passou os braços em volta de seu pescoço.
– Belle, eu jamais a teria abandonado na floresta daquele jeito. Foi obra da...
– Regina, eu sei. Eu passei um bom tempo procurando você e o Rumple nunca apareceu. E, mesmo se tivesse aparecido, eu teria escolhido você.
Os dois permaneceram em silêncio por alguns instantes, então começaram a aproximar seus rostos, suas respirações começando a se mesclar entre si...
E despencaram no carpete, ressonando suavemente no sono mais pesado de suas vidas.
~*~*~
Eram duas e meia da manhã e os bares da cidade já estavam fechados. Caminhava trôpega pelas ruas desertas, louca por uma dose dupla de uísque e para se livrar dos malditos saltos agulha altíssimos. Inconscientemente, tomou a direção do porto e, ao avistar um grande navio ancorado, pensou:
– Hm... deve ter goró.
Não hesitou em adentrá-lo e abriu a primeira cabine que encontrou. Não havia bebida nenhuma ali, mas a visão do homem lindo e possivelmente nu – um lençol o cobria da cintura para baixo – a deixou sedenta por outra coisa. Fez menção de sair de mansinho, antes que o estranho acordasse, mas ele abriu os olhos e, após dois segundos de pura desorientação, arregalou os olhos e sentou-se sobressaltado.
– Você? – perguntou como se estivesse diante de uma assombração.
– Eu – respondeu sorrindo displicentemente.
– O que está fazendo aqui?
– Vim procurar bebida e acabei achando algo melhor.
– Andou bebendo, não é?
– Hmm, que perspicaz!
– Seu hálito está chegando aqui.
– Oh! – exclamou com uma expressão ofendida e começou a avançar em direção à cama, cobrindo a boca com a mão – Tem uma bala para me oferecer, ou prefere que eu pule o beijo e ponha a boca logo onde interessa?
– O que deu em você? E... e... que roupa é essa?
– Não gostou? – perguntou fazendo biquinho e, num rápido movimento, tirou seu microvestido azul-escuro. Como ele era todo aberto nas costas, ela dispensou o uso de sutiã, mas encontrar-se sem calcinha foi uma surpresa até para si mesma. Devo ter esquecido em algum lugar, pensou dando de ombros – Problema resolvido!
– Você está louca? Quer que o crocodilo nos... ou melhor, me mate?
– Croco... Ah, é assim que você chama o Gold? – perguntou rindo e ajoelhou-se na beira da cama, fazendo o capitão se encolher – A única coisa que eu gosto naquele velho é o dinheiro. Ele já tem mais chifres que um veado, um alce e um touro juntos.
– Essa não é você.
– Tem certeza que me conhece?
Antes que ele pudesse responder, ela se enfiou sob as cobertas e, com muita satisfação, constatou que o homem estava de fato nu – e muito feliz em vê-la.
Na manhã seguinte, saiu silenciosamente da cama, olhando quase com afeto para o homem que lhe proporcionara uma noite tão incrível. Colocou o vestido, apanhou os sapatos, mas em vez de calçá-los, segurou-os e seguiu em direção à porta nas pontas dos pés.
– Já vai? – resmungou o capitão sonolento, fazendo-a se assustar e derrubar os sapatos no chão.
– É preciso, querido.
– Onde aprendeu a fazer todas aquelas coisas, Belle?
– Belle? Sério? Você também me chamando por esse nome? Cara, meu nome é Lacey!
E saiu da cabine, não sem antes notar a expressão de pavor no rosto dele.
~*~*~
Belle arregalou os olhos suando frio. Estava com a cabeça deitada sobre o peito de Killian e o choque não a deixava se mexer. A noite de Lacey não se tratava de um sonho: era uma lembrança.
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