Enquanto o trem vai se aproximando da estação, um grande prédio aparece na janela. Devagar, o trem vai parando e assim, Samantha Jonas desce as escadas, levando consigo uma grande mala. O trem vai embora, deixando a garota sem reação. Assim que ela vai se afastando da estação, um carro chega na estrada. Um homem alto, loiro e usando um terno sai do carro.

-Samantha Jonas? — perguntou o homem.

-Sim, sou eu — disse Samantha.

-Entre no táxi que eu guardo sua mala — disse o homem.

Sam entrou no táxi e esperou o homem, que assim que guardou a mala, sentou no banco da frente e dirigiu o carro de volta a estrada. Enquanto o táxi ia para seu destino, Sam conversava com o homem.

-Eu nem acredito que estou aqui! — disse Sam — É tão empolgante! Eu sempre quis ficar em um internato!

-Eu ouvi dizer que é o mais caro do Reino Unido — disse o homem — Pelo menos dessa cidade.

-Quando eu tiver tempo, vou andar por ai — disse Sam.

-Você não é daqui, não é? — perguntou o homem.

-Eu sou americana, de uma cidadezinha na Carolina do Norte — disse Sam.

-Você deve estar nervosa — disse o homem — Quer que eu dê meia volta?

-Não! — disse Sam — Agora que eu atravessei o oceano, eu preciso continuar.

O táxi entrou em uma curva, onde entraram em um túnel de árvores. Após algum tempo, as árvores foram acabando e se revelou um grande prédio que parecia um castelo.

-É aqui Samantha — disse o homem.

Sam olhou para o prédio, encantada. O táxi parou assim que acabou o túnel de árvores.

-Bom, agora eu não posso continuar Samantha — disse o homem — O máximo que eu posso te levar é aqui.

-Está ótimo! — disse Sam. Ela tirou da bolsa algum dinheiro e deu ao homem — Muito obrigada.

O homem pegou o dinheiro, desceu do carro e tirou a mala do porta-malas. Sam desceu do carro e observou o homem ir embora.

-Boa sorte! — disse o homem.

Assim que o táxi havia sumido, Sam olhou para a escola, pegou a mala e foi caminhando para o pátio. Há vários alunos por lá, Bruno Potter, Max Williamson e Nick Miller caminham pelo campo.

-Quando vocês acham que vai ser o campeonato? — perguntou Bruno.

-O professor de Educação Física disse que vai ser daqui uns dois meses — disse Nick — E você Max? Vai participar?

-Eu? Olha... Não Sei — disse Max — Vocês sabem que eu não sou do futebol e daqui a pouco começam as provas.

-E você como sempre vai bem em todas — disse Bruno — O problema é que você precisa aumentar sua nota em Educação Física.

-Eu estou com 8,0 em Educação Física! — disse Max.

-Tudo se pode melhorar — disse Nick.

Enquanto eles vão caminhando, Sam vai olhando o lugar e não percebe que está andando de costas. Ela acaba esbarrando em Bruno.

-Opa! — disse Sam, se virando — Me desculpe!

-Não! Sem problema! — disse Bruno, se virando.

Bruno olha para Sam e os dois trocam olhares por vários minutos. Nick olha para os dois e vê que Bruno não se mexe.

-Bruno? Bruno? — perguntou Nick — Potter?

Bruno retoma a consciência.

-Com licença — disse Sam, paralisada — Onde... Onde fica a casa de Anúbis?

-Hã... É do lado da biblioteca — disse Max — Siga as placas.

-Obrigada — disse Sam.

Sam pega a mala caída no chão e vai seguindo algumas placas que Max havia falado.

-Nossa! — disse Nick — O que foi isso?

-O que? — perguntou Bruno.

-Você e aquela garota — disse Max — Você gostou dela não é?

-Vocês só podem estar brincando comigo — disse Bruno.

-Mas vocês ouviram não é? — perguntou Max — Ela vai ficar conosco na casa.

-Deve ser a garota que vai substituir a Nathalia — disse Nick — Nunca vi ninguém ficar só uma semana na escola e depois sair que nem a Nathalia fez.

-Bom, o Bruno já viu ela primeiro — disse Max.

-Vocês vão parar com isso? — perguntou Bruno — Ela não faz meu tipo e ainda por cima é americana!

-A Nathalia era americana e você amava ela — disse Max.

Bruno empurra Max para o chão.

-Silêncio Williamson — disse Bruno — E você com sua Mia? Quando vai pedir em namoro?

-Pedir em namoro? — perguntou Max, se levantando — Quem disse que eu...

-Max, fala sério! — disse Nick — Todos sabem que você e a Mia estão enrolando desde que chegamos aqui!

-E você e a Mary? — perguntou Max.

Todos se olharam.

-Ninguém fala mais nisso — disse Nick.

-Estou com você — disse Max — Bruno?

-Estou junto — disse Bruno.

Os três vão andando para dentro do colégio. Sam anda mais um pouco e encontra uma casa bem grande, velha e rústica com uma placa escrito: “Anúbis”. A garota bate na porta, que se abre sozinha. Ela entra na casa e chega em um saguão, com um grande candelabro de cristal. Há uma porta dupla a esquerda e uma escada em espiral a direita. Um homem velho vai descendo a escada, sem dar chance de Sam olhar o saguão melhor.

-A campainha está quebrada? — perguntou o homem.

-Não... Quer dizer... — disse Sam, tentando se lembrar — Eu não vi nenhuma campainha. Eu... Eu bati na porta.

Ele pára na frente de Sam.

-Então, depois que batesse na porta, você pensou que poderia ir entrando? — perguntou o homem.

-Mas... A porta se abriu sozinha — disse Sam — E se portas abrem sozinhas quer dizer que podemos entrar não é?

O homem parecia zangado.

-Hã... Olá, sou Samantha Jonas.

O homem tirou um relógio de bolso da jaqueta de couro.

-Você está atrasada — disse o homem — Cinco dias atrasada.

-Desculpe — disse Sam — Meus pais não faziam ideia de onde era essa escola.

-Eu não preciso saber...

-Victor Rodenmaar!

Os dois olham para o final do corredor, onde veem uma mulher do tamanho de Samantha, vindo em sua direção.

-Espero que esteja tratando nossa nova convidada com respeito — disse a mulher. Ela foi até Sam — Acho que respeito é o que falta nele.

Sam riu.

-Olá querida! Sou Trudy Rehmann, sua governanta. Bem vinda a casa de Anúbis. Sim, ela é um pouco mais assustadora que no folheto.

As duas riram.

-A propriedade Anúbis foi construída em 1890, embora não fosse chamada Anúbis, até 1922 — disse Victor.

-Victor! — disse Trudy — Ela não liga para essas coisas! Ela é adolescente. Tudo gira em torno do mundo dela e das bandas.

As duas riram novamente.

-Na verdade, eu gosto de história — disse Sam — É interessante saber sobre o passado.

-Bom, temos uma aluna com bom gosto por aqui — disse Victor — Que nem a Amélia.

-Venha por aqui querida — disse Trudy. Ela abre as portas duplas — Essa aqui é a sala de estar.

As duas entraram na sala e Sam ficou admirada.

-Nossa — disse Sam — É tudo com estilo antigo! Adoro esse tipo de casa!

-Aqui é onde eu sirvo o café da manhã e os jantares — disse Trudy, apontando uma comprida mesa no fim da sala — Deliciosos, criticados pelos moradores.

Sam olha um antigo quadro de um casal. Victor entra na sala.

-São o senhor e a senhora Frobisher-Smythe, os primeiros moradores desta casa — disse Victor — Eles morreram em um acidente muito trágico.

Trudy vai até Sam.

-Você deve ter amanhecido de bom humor hoje, Victor — disse Trudy. Ela se vira para Sam — Então, quer ver onde vai dormir?

-Você limpou lá hoje? — perguntou Victor.

-Sim, não faz muito — disse Trudy.

-Muito bem, me siga senhorita Jonas — disse Victor.

Eles saem da sala e indo para as escadas.

-Os quartos dos rapazes ficam aqui em baixo — disse Victor, subindo as escadas — Não queremos ninguém andando por ai depois das 21 horas. E todas as luzes as luzes são apagadas as 22 horas.

Victor aponta um quarto, que tinha uma visão para o saguão.

-Este aqui é o meu quarto, o qual obviamente, é proibido entrar — disse Victor.

Eles entram em outro corredor, que haviam várias portas. Sam olhou para uma outra, no canto do corredor.

-O que é ali? — perguntou Sam.

-É o sótão — disse Trudy.

Victor se aproximou delas.

-Subir ao sótão ou descer ao porão é estritamente proibido — disse Victor. Ele apontou uma das portas — Este aqui é o seu quarto.

Assim que eles entraram, Sam viu um canto do quarto cheio de coisas, junto com uma cama bagunçada e no outro lado do quarto, uma cama vazia, com várias prateleiras vazias e uma mesa de canto. Sam vê a foto de duas meninas na parede.

-Quem são elas? — perguntou Sam.

-Ah, são Nathalia e Mary — disse Trudy.

Victor pegou a foto.

-Nathalia foi embora — disse Victor.

Ele amassa a foto e joga em um lixo.

-A coitada teve que ir já que os pais dela se separaram — disse Trudy.

-E também porque ela jogou pavê de maçã na cara do diretor — disse Victor.

Trudy e Sam riram.

-Suas malas já chegaram — disse Victor — Fique a vontade para desfazê-las.

Sam sorriu para os dois, que saíram do quarto. E... Os alunos estavam saindo da escola. Amélia Stravinsky, Julieta Jarbardorre e Raina Stuart estavam descendo as escadas da escola e indo para a casa de Anúbis.

-Viram como o Justin ficou olhando para mim? — perguntou Julieta.

-Ele sempre olha — disse Raina.

-Não, ele olhou para mim com um olhar de apaixonado — disse Julieta.

-Você sempre diz isso — disse Amélia.

-Quando eu disse isso? — perguntou Julieta.

-Ontem quando saímos da aula — disse Raina.

-Ontem antes da aula — disse Mia.

-Ontem no café da manhã — disse Raina.

-Anteontem no jantar — disse Mia.

-Anteontem quando saímos da aula — disse Raina.

-Anteontem antes da aula — disse Mia.

-Anteontem no café — disse Raina — Quer que continue?

-Não, já podem parar — disse Julieta.

Mary Evans sai correndo da escola e olha para todos os lados. Ela pára na frente das três amigas.

-Vocês viram a Nathalia? — perguntou Mary.

-Quem? — perguntou Mia.

-A Nathalia Davis — disse Mary. As três se olharam — Tipo, nossa colega de classe e de casa desde o inicio do ano.

-A que saiu? — perguntou Raina.

-Ela não saiu — disse Mary — Ela ficou fora por um tempo porque ela pegou uma doença.

-Mary, estamos há um mês nessa escola — disse Julieta — Ela veio só na primeira semana de aula. Quem pega um resfriado de quase um mês?

-Não foi um resfriado — disse Mary — Porque vocês são tão idiotas a ponto de não perceberem que a Nathalia sumiu?

Mary vai embora, deixando as amigas com raiva.

-Me diga de novo porque eu não posso acabar com ela? — perguntou Mia.

-Porque senão você vai ser suspenso que nem o namorado dela — disse Julieta.

-O Nick? — perguntou Raina — Ele já estão juntos?

-É claro que não — disse Julieta — Ele não quer assumir, mas ele já foi suspenso por bater em um garoto mais novo que a gente.

As três riem e voltam a caminhar. E... Mary sobe correndo as escadas e vai até o seu quarto, esperando encontrar Nathalia.

-Nathalia, eu...

Mary encontra Sam.

-Olá! — disse Sam.

-Quem é você? — perguntou Mary.

-Sou Samantha Jonas, sou da América. Muito prazer!

-Não me interessa quem é você! — disse Mary.

-Mas você perguntou — disse Sam.

-Cadê a Nathalia? — perguntou Mary.

-Quem? — perguntou Sam.

Mary pega a mala de Sam e joga para fora do quarto.

-Ei! — disse Sam — O que está fazendo?

-Você não é minha colega de quarto! — disse Mary — Eu nem sei o que você está fazendo aqui! Cadê a Nathalia?

-Olha, vamos recomeçar isso. Eu sou Samantha, da América e... A menos que essa tal Nathalia esteja de baixo da cama, eu não sei onde ela está! O quarto estava vazio quando eu cheguei!

-Eu não acredito! — disse Mary.

Victor entra no corredor.

-Mary Evans, o que está havendo aqui? — perguntou Victor.

-É o que eu quero saber! — disse Mary — Cadê a Nathalia?

-Nathalia Davis foi embora há um mês — disse Victor.

-O que? — perguntou Mary — É impossível! Ela tinha ficado doente no inicio das aulas e por isso tinha faltado tanto!

-As suas aulas começaram há um mês e ela foi suspensa por uma semana por jogar pavê de maçã no diretor Sweet — disse Victor — Depois os pais dela se separaram e resolveram a tirar da escola e é por isso que a senhorita Jonas está aqui, para a substituir.

-Você está brincando comigo — disse Mary — Ela nunca jogaria pavê no diretor.

-Você não estava aqui quando isso aconteceu — disse Victor — Seus pais a levaram para fazer compras e é por isso que não se lembra.

Mary entra no quarto, olhando feio para Sam. Victor pega a mala e dá para Mary.

-O jantar irá ser servido em 10 minutos — disse Victor — Esteja lá.

E... Mary está na sala, junto com Max, Nick, Bruno, Louis Turner, Justin Wender, Raina, Mia, Julieta.

-Tem algo errado — disse Mary — Ela nunca iria embora sem me avisar.

-Mary, isso faz quase um mês! — disse Louis — Esquece isso!

-Se sua guitarra desaparecesse por um mês, você iria esquecer? — perguntou Mary.

-Não, eu compraria outra — disse Louis.

Todos riram, menos Mary, que jogou uma almofada na cara de Louis.

-Acho que ela se cansou de você — disse Nick — Você só percebeu que ela não estava aqui, hoje?

-Sim, foi de manhã — disse Mary — As coisas dela não estavam no quarto e eu pensei que ela ia vir na escola.

-Ela não vem faz quase um mês — disse Max — Talvez os pais dela...

-A mãe ou o pai — disse Mia — Os pais dela se separaram.

-Isso mesmo — disse Max — O pai ou a mãe dela talvez só tiveram tempo de pegar as coisas dela hoje!

-Você já perguntou para o Victor? — perguntou Raina.

-Já — disse Mary — Mas ele diz sempre a mesma história.

Sam chega na sala.

-Olá, sou Samantha Jonas, da América.

Todos olham para ela.

-Você! — disse Bruno.

-Ah... Oi — disse Sam.

-Vocês já se conhecem? — perguntou Mia.

-Nós vimos ela hoje de manhã — disse Nick.

-Na verdade, nós nos esbarramos — disse Sam.

-O jantar está pronto! — gritou Trudy, da cozinha.

Todos vão sentando nas cadeiras, enquanto Trudy trazia os pratos. Mary olha para a governanta e estica a perna para ela tropeçar. Trudy acaba tropeçando e deixa cair comida para todos os lados.

-Meu Deus! — disse Trudy.

-Guerra de comida! — gritou Nick.

Eles começam a jogar comida uns nos outros, até Mary derrubar um pote de molho em Sam.

-Opa! — disse Mary — Desculpa! Foi um acidente!

Sam se levanta rapidamente, com a roupa toda suja.

-Mary! — disse Bruno — Isso são modos?

-Mas foi um acidente! — disse Mary.

-Não existem acidentes — disse Mia.

-Você e suas frases sem pé nem cabeça, Mia — disse Mary.

-A culpa não é minha que você não entende — disse Mia. Ela se levanta e vai até Sam — Vem Samantha, eu te ajudo.

As duas vão para o saguão. Mia vai limpando a roupa de Sam com um guardanapo. Victor põe a cabeça para fora da janela e olha as duas.

-O que está acontecendo ai em baixo? — perguntou Victor.

-A Mary começou uma guerra de comida — disse Mia, limpando Sam.

Victor volta para dentro.

-Obrigada pela ajuda... — disse Sam, sem saber o que falar.

-Amélia.

-Isso, Amélia! — disse Sam.

-Me chama de Mia.

-E você pode me chamar de Sam.

-Acho que você vai precisar trocar de roupa — disse Mia.

-Também acho — disse Sam — Eu já volto.

-Eu te espero na sala — disse Mia.

Sam sobe as escadas, enquanto Mia volta para dentro da sala.