O Começo de um Final Feliz
4 A Missão
Pouco depois de Belle ter acordado, o elevador voltou a funcionar com um tranco que despertou Killian. Quando as portas se abriram, a morena se levantou e saiu sem dizer nada.
– O que houve?
– Não sei, pergunte à Lacey.
O homem engoliu em seco.
– Então você se lembra.
– Eu fiz tanta merda quando era Lacey que acabei bloqueando as memórias, mas, ultimamente, elas têm voltado.
– Belle, eu...
– Foi só uma vez?
– Foi. Assim que você disse que se chamava Lacey, entendi o que estava acontecendo.
– E precisou de um nome para entender?
– Pensei que você tinha finalmente se dado conta de que o Crocodilo não prestava, tivesse exagerado um pouco na bebida...
– Exagerado um pouco na bebida? Aquilo estava mais para “possuída pelo demônio”! Desde quando sou vulgar daquele jeito?
– Não pensei muito bem; na hora, tudo que existia para mim era você em meus braços.
– Não pensou muito bem? E qual a justificativa para todos esses meses sem me contar?
– Temia sua reação.
– E quão bem eu estou reagindo agora?
– Bem.... Você ainda não derrubou nada em mim.
– Mas irei se você não sumir da minha frente em meio minuto.
– Belle... — chamou em tom suplicante, dando um passo na direção dela.
– Esquece que eu existo – sibilou perigosamente e ele avançou mais um passo, fazendo-a gritar – SAI!
Killian desistiu e se retirou. Belle desmoronou sobre uma caixa, perguntando-se por que sua felicidade durava sempre tão pouco, mas antes que pudesse se afogar em suas próprias lágrimas, ouviu uma voz conhecida no térreo:
– Belle?
– Já vou! — berrou, fungou algumas vezes, secou as lágrimas apressadamente e disparou escada a baixo, para não correr o risco de ficar presa novamente.
Chegando ao andar de baixo, deparou-se com Paige – ou Grace, seu nome na Floresta Encantada e pelo qual seu pai ainda a chamava -, filha de Jefferson. Tinha provavelmente e mesma idade de Henry e estava bem maior do que Belle se lembrava. Assim que viu a bibliotecária, a garota correu até ela e abraçou-a, chorando copiosamente.
– Querida, o que houve?
A menina não conseguia falar, então Belle a levou para seu apartamento e preparou um chocolate quente. Convidou Paige para sentar-se ao seu lado no sofá, passou-lhe uma caneca e soprou a sua antes de perguntar:
– Melhor?
A garota bebericou seu chocolate e assentiu com a cabeça. As duas tomaram suas bebidas em silêncio e, ao terminar, Paige limpou o bigode de chocolate e contou a história:
– Hoje acordamos com uma luz muito forte vindo de um dos quartos da mansão. Corremos até lá e vimos que era um dos chapéus do papai. Mas o único que era mágico tinha sido destruído, só tinham sobrado os chapéus normais. A coisa começou a funcionar do nada... E sugou meu pai. Quando dei por mim, ele e o chapéu já tinham ido.
Jeff! Ah, não!, pensou com o rosto enterrado nas mãos, um nó enorme se formando em sua garganta. Porém, precisava se manter firme para acalmar a garota, que estava aos prantos novamente. Respirou fundo, ergueu a cabeça e usou o tom de voz mais sereno que conseguiu:
– Mais alguém sabe disso? Já avisou os xerifes?
– Não. Você é a pessoa que eu e meu pai mais confiamos, quis lhe contar primeiro. A Emma pode ser boa para encontrar pessoas, mas meu pai não está na cidade e não deve estar nem nesse mundo, então acho que sua inteligência seria muito mais útil.
– Obrigada, Paige. Prometo que vamos encontrar seu pai, mas precisamos de toda a ajuda que pudermos obter. Faça o seguinte: vá a mansão, pegue algum pertence dele e leve até a Regina, ela pode fazer um feitiço localizador. Eu vou falar com a Emma, pedir uma busca por toda a cidade, só por precaução, e ver se encontro algo nos livros que possa ajudar.
– Ok – disse Paige, colocando-se de pé num pulo.
– Então, mãos à obra!
~*~
Algumas semanas se passaram. Nenhum sucesso na busca por Jefferson, mas Belle continuava empenhada em cumprir a promessa que fizera à filha de seu amigo. Paige fora para a casa da família que a adotara durante a maldição, mas era constantemente visitada pela bibliotecária.
Mary Margaret devolvera o posto de prefeita à Regina e voltara a fazer o que realmente amava: lecionar. A cidade passara a abrigar Úrsula, Cruella e uma ressuscitada Malévola. Killian e Belle trabalharam juntos para libertar as fadas que Rumple aprisionara no Chapéu Mágico, mas assim que conseguiram, a morena voltou a ignorá-lo; não se importava com o fato de ter dormido com metade da cidade, mas o fato de justamente ele não ter percebido que havia algo de errado com ela e ter se aproveitado da situação... aquilo doía demais.
E havia também Will Scarlet. O ex-Valete de Copas carregava um coração tão partido quanto o de Belle e, apesar de ele não compartilhar sua triste história com a morena, os dois acabaram se aproximando e encontrando consolo nos braços um do outro, o que fez o relacionamento entre Will e Killian piorar exponencialmente.
Numa tranquila manhã de domingo, Killian resolveu dar um pulo na biblioteca. Ainda não pensara numa desculpa plausível para aparecer lá, mas improvisaria uma na hora. Adentrou o estabelecimento, feliz pelo mesmo se encontrar aberto, mas sua felicidade não durou nem cinco segundos.
– Posso ajudar? — perguntou Will atrás do balcão. Killian apenas olhou-o com cara de Que merda é essa?, fazendo-o acrescentar com um sorrisinho vitorioso – A Belle estava dormindo tão profundamente que fiquei com dó de acordá-la.
– Oh, mas que namorado in-crí-vel você é! — ironizou com um tom afetadamente afeminado.
– Está com inveja da Belle, presumo, mas, desculpa, meu chapa, essa não é minha praia.
– Meu chapa, se essa fosse a minha praia, você definitivamente não faria meu tipo.
– E não é? Com todo esse delineador, pensei que...
O pirata avançou na direção do balcão bem na hora que uma sonolenta, porém impecavelmente arrumada, Belle apareceu.
– Algum problema, rapazes?
– Nenhum, amor – respondeu Will e Killian se afastou um pouco.
– O que você quer, Killian? — perguntou cruzando os braços. O pirata olhou feio para Will, fazendo-a acrescentar – Querido, você poderia me trazer um café do Granny´s?
Will pareceu relutante em deixá-los a sós, mas cedeu ao primeiro biquinho da morena e saiu, não sem antes se despedir da namorada com um beijo casto nos lábios que fez o rival bufar.
– Alguma pista sobre o paradeiro do Jeff?
– Não.
– As Rainhas das Trevas estão aprontando?
– Não.
– Então o que você quer?
– Eu... — olhou ao redor em busca de alguma desculpa – Quero pegar um livro.
– HA! — exclamou rindo – Essa é nova!
Killian olhou-a parecendo extremamente ofendido.
– E então? – perguntou ela após um minuto de silêncio sepulcral.
– Então o quê?
– Que livro você quer?
– Er... — ele abriu um sorrisinho amarelo, que logo se transformou em sorriso sedutor – Eu estava pensando em aceitar uma sugestão da bibliotecária.
– Eu sugiro que você vá até aquela seção ali – e indicou um corredor com a cabeça.
– Obrigado, milady – respondeu, fez uma mesura e dirigiu-se ao corredor indicado. Chegando lá, descobriu que se tratava da seção infantil – Sério, French?
– Oras, só estava pensando no seu grau de alfabetização, Jones – respondeu serenamente, mas estava rindo por dentro.
– Pois para sua informação, sou muito bem alfabetizado.
Belle contornou o balcão e foi se juntar a ele. Apanhou um livro bem grosso – mas ainda da seção infantil – e colorido e passou-o ao pirata.
– Leia este. — O pirata apanhou o livro de cara feia e ela prosseguiu calmamente – É sério. São nossas histórias nas versões que praticamente todo mundo conhece. São as adaptações da Disney.
– Disney?
– Já assistiu a alguma animação?
– Oi?
– Temos um longo trabalho a fazer – suspirou pesadamente e saiu andando.
Sem entender nada, ele deu de ombros e a seguiu, folheando o livro e fazendo caretas ou expressões de aprovação ao comparar os personagens do livro às pessoas que ele conhecia.
– Ei! — exclamou ao chegar em Peter Pan – Eu não tenho esse queixo, muito menos esse cabelo... Deus, eu sou muito mais bonito!
Belle não aguentou e começou a rir. O pirata continuou passando as páginas e seus olhos brilharam ao chegar em A Bela e a Fera.
– Você está bem parecida. Mas seus olhos são mais bonitos.
– Obrigada – murmurou encabulada.
– Essa Fera está bem melhor que o Crocodilo. Na forma de príncipe então, nem se fala!
– Killian... — sibilou, com os olhos se estreitando perigosamente.
A morena chegou a um empilhado de caixas com DVDs que pretendia colocar no primeiro andar da biblioteca. Separou os clássicos da Disney e entregou-os a ele.
– Tome.
– Isso não é coisa de criança?
– Nunca é tarde para se apreciar animações, principalmente essas.
– E onde vou ver isso?
– Na casa da Emma. Se quiser ver sozinho, peça emprestado o DVD portátil do Henry.
– Certo. Obrigado.
– Disponha. E cuide muito bem deles!
– Cuidarei com a minha vida.
Ele notou que, apesar dos cabelos castanho-avermelhados impecavelmente presos dela, uma mechinha fina lhe caía sobre o rosto. Era um charme, mas o pirata não se conteve e colocou a mecha atrás da orelha da morena, que corou, desviou o olhar e murmurou:
– Vou pegar uma sacola para você.
Afastou-se antes que ele pudesse dizer qualquer coisa e quando voltou com a sacola, Will já estava de volta, um copo de café em cada mão e os dois se encaravam quase a ponto de rosnarem um para o outro feito dois cães raivosos.
– Aqui – disse segurando a sacola aberta para que Killian pusesse os DVDs dentro dela.
– Obrigado – respondeu, tentando ignorar a existência de Will.
– Divirta-se.
Belle esboçou seu melhor sorriso “de bibliotecária para cliente” e o homem permaneceu imóvel, obrigando-a a estreitar os olhos com cara “Sai logo daqui!”.
~*~
Killian passou o dia assistindo às animações e, por mais que nem todas as historias procedessem, eram ótimas e capazes de encantar pessoas de todas as idades. As músicas, então, eram incríveis e grudavam fácil na cabeça.
– Por onde esteve o dia todo? — a voz de Emma saiu pelo celular, praticamente de madrugada.
– Estava me atualizando no universo Disney.
– Podia ter me chamado para assistir com você!
– Eu queria – ficar sozinho, pensou, mas concluiu a frase de outro jeito – me concentrar.
– Hmmm... Mas e aí, o que achou?
– Ótimos, apesar de minha aparência e história do desenho que eu apareço não condizerem em nada com a realidade.
Do outro lado da linha, a loura riu.
– E tem mais uma coisa que me incomoda – prosseguiu ele – Dos heróis com seus finais felizes, a Belle real é a única que ainda não conseguiu o seu. O Rumplestiltskin não era a Fera certa.
– É. Mas quem sabe o Will não dê um jeito nisso?
– Aquele ladrãozinho de quinta? HA, faz-me rir!
– Quem, então?
Após um breve, porém sepulcral, silêncio, o pirata desligou o celular, planejando dizer à namorada no dia seguinte que o aparelho descarregara.
~*~
– Ficou sabendo? — perguntou Ruby, livrando-se do avental, sentando-se em frente à amiga e surrupiando uma de suas fritas.
– O quê? — perguntou, bebericando seu chá gelado.
– As fadas arranjaram uma solução para conseguirmos sair da cidade.
– Mentira!
– Mas tem um porém.
– Iiihhh, tava demorando...
– É só por água.
Antes que Belle pudesse fazer qualquer comentário, a filha de Jefferson adentrou correndo o estabelecimento.
– Belle! Belle! Acho que vi meu pai!
– O quê? Onde?
– Na TV. Estava passando uma reportagem em Nova York e o homem parado atrás da repórter... Se não era ele, era um clone, até minha família adotiva comentou!
Em circunstâncias normais, Belle pediria para ver a reportagem e analisaria cada quadro para ver se o sujeito poderia ser de fato Jefferson. Porém, estava tão cansada de não ter pista nenhuma sobre o paradeiro do amigo, que decidiu mergulhar de cabeça na primeira que aparecesse. Já até deixara uma cópia das chaves da biblioteca com Ariel para que ela a substituísse caso precisasse viajar.
– Vou investigar.
~*~
– Eu estava mesmo querendo falar com você – disse Belle quando Killian depositou os DVDs sobre o balcão da biblioteca – A Úrsula ajudou mesmo a recuperar o Jolly Roger?
– Sim, por quê?
– Preciso de uma carona até Nova York.
O pirata arregalou os olhos. Aquilo lhe pareceu muito estranho, mas a ideia de viajar no Jolly Roger com Belle... Aquela era uma chance que ele não poderia perder.
– Quando partimos?
– Sério? — ela arqueou uma sobrancelha – Assim tão fácil? Não vai nem me perguntar o motivo da viagem?
– No caminho eu pergunto — percebendo que Belle não estava satisfeita com a resposta, acrescentou – O que eu tenho feito de útil na cidade? Só sigo a Emma e o David feito cachorrinho.
– Então vem comigo. Preciso te dar uma coisa.
Novamente, o pirata não entendeu nada, mas tampouco hesitou em aceitar o que fosse que ela estivesse oferecendo. A morena contornou o balcão e ele a seguiu até o lado de fora. Ela trancou a porta e saiu andando e, quando Killian se deu conta, estavam em frente à loja de Gold.
– Anda, bebe isto! — disse, tirando um frasco minúsculo do bolso e passando-o ao homem.
Achando melhor nem questionar, Killian rapidamente entornou o conteúdo do frasquinho na boca. Apesar da cor azul-berrante, o líquido tinha gosto de chá de pêssego. Virou-se para Belle, que estava destrancando a porta, e perguntou:
– Bom. Do que é feito?
– Vários ingredientes da loja e um fio do meu cabelo – capturou a careta dele pelo canto do olho e repreendeu – Era isso ou um pedaço de unha, gota de saliva, ou de sangue.
– Cabelo está ótimo!
A morena sorriu serenamente e fez sinal para que ele entrasse na loja antes dela. Assim que Killian o fez, se lançou atrás dele e trancou a porta. Parecia não querer que ninguém os visse ali. Rumou para trás de um mostruário e o pirata, que a observava com uma expressão hipnotizada, despertou de seu transe e perguntou:
– E posso saber por que diabos tive que beber seu cabelo?
– Porque eu selei a loja com um feitiço que só permite ao proprietário e a mim...
– Entendi. E a única coisa capaz de ludibriar o feitiço é esse projeto de Poção Polissuco?
Ela sorriu num misto de surpresa e encantamento; provavelmente não estava esperando pela referência a Harry Potter. Quando encontrou o que queria, rapidamente escondeu o objeto às costas e caminho pé ante pé até Killian, que arqueou uma sobrancelha curioso. Ela lhe passou a redoma que continha nada menos que...
– Minha mão?
– Não vou andar por aí com um pirata maneta – retrucou e cruzou os braços.
– Mas eu uso a pró...
– Para que ficar com uma prótese sem movimento se pode ter sua mão de volta?
– Da última vez não deu muito cert...
– Porque deixou a tortura psicológica do Rumple afetar você. Não há nada errado com a mão.
Aquilo era verdade, mas, ainda assim, Killian não tinha certeza se queria arriscar. Abriu a boca para tentar argumentar e, como se lesse seus pensamentos, Belle disse:
– Você precisa confiar em si mesmo. Eu confio. E, na remota possibilidade de você perder o controle, eu mesma arranco sua mão de novo.
Ela o ganhara. Como sempre. Sorriu, olhando-a nos olhos, devolveu-lhe a redoma e disse:
– Tudo bem – lembrou-se de uma pergunta que Emma lhe fizera quando ele apareceu com as duas mãos para um encontro e a repetiu – E como vão me chamar agora? Capitão Mão?
– Seus feitos vão muito além de um acessório que você usa ou deixa de usar. Para mim, Capitão Killian é mais que suficiente.
Aprenda a ser uma boa namorada, Emma, pensou abrindo um sorriso abobalhado para Belle depois de ter recebido aquela resposta. A morena sorriu de volta, mas poucos segundos depois, seu sorriso congelou no rosto e deu lugar a uma expressão de incerteza e aflição. Que beleza, sabia que viria um “porém”, pensou cruzando os braços e fazendo cara feia para ela.
– Não tenho magia como o Rumple, então não posso recolocar sua mão do jeito rápido e indolor que ele usou.
– Ah, meu Deus! Vai o quê? Costurá-la de volta?
– Não – retrucou estreitando o olhar perigosamente, provavelmente porque ele não estava levando a situação tão a sério quanto deveria – Mas vai doer.
Killian respirou profundamente, procurou assumir a expressão de seriedade que Belle esperava dele e disse:
– É um sacrifício que precisa ser feito.
Belle puxou-lhe a mão – a que já estava presa ao corpo –, ficou segurando e disse, enquanto sua mão livre puxava do armário uma poção verde-água:
– Pode apertar se quiser.
– Claro – disse sorrindo ao fechar seus dedos em volta da mão pequena e delicada da morena. Observou tranquilamente enquanto ela pingava uma gota da poção em sua mão inerte sobre o balcão e outra em seu braço esquerdo, de onde o gancho caiu. Ela deve ter exagerado, pensou enquanto a mão flutuava suavemente em direção ao toco de braço.
Killian nunca estivera tão errado em toda sua vida. No instante em que a mão se fundiu ao braço, ele pôde sentir seus ossos, veias e afins crescendo e aquilo queimava mais que fogo. O pirata logo se dobrou de dor e falhou em sua tentativa de não apertar a mão de Belle, que observava com uma expressão de partir o coração, como se estivesse sentindo a dor dele no próprio corpo. Cerca de dois minutos depois, a dor cessou. Seus joelhos quase cederam, mas ela o segurou. Como alguém tão pequeno consegue ser tão forte?, pensou, se escorando em Belle e morrendo de vergonha pela dor excruciante ter lhe arrancado algumas lágrimas dos olhos.
– Sinto muito – murmurou ela.
– Não tinha outro jeito, amor.
Respirando fundo, ele se aprumou e começou a abrir e fechar os dedos da mão recolocada. Lentamente, levou ambas as mãos à cintura de Belle, segurou-a com firmeza e, completamente recuperado do momento de fraqueza, disse em tom baixo e com um sorrisinho maroto:
– Você deveria ver o que eu faço com as duas mãos. Aliás, ver não, sentir.
Prendeu a respiração e fechou os olhos à espera da bofetada, mas ela nunca chegou. Intrigado, abriu os olhos lentamente e deparou-se com Belle petrificada, mais pálida que o normal e de olhos fixos num ponto atrás de Killian. O pirata olhou na mesma direção que ela, mas não viu nada anormal.
– Belle, o que foi?
Sem dizer nada, ela caminhou até uma estante. Respirou fundo e apontou para um pequeno globo de vidro da prateleira de cima.
– Aquilo não estava ali. Estava na prateleira de baixo.
– O q...?
– Anda, arrasta essa estante!
– Êêêê, devolveu a mão para me escravizar?
Antes que pudesse perder duas mãos, dois olhos e dois dentes, achou melhor obedecê-la. Assim que a estante foi empurrada, a bibliotecária se ajoelhou e puxou uma tábua solta do assoalho. Depois de revirar o esconderijo avidamente e não encontrar nada, virou-se para Killian, com o rosto quase translúcido.
– Eu tinha deixado a adaga aqui.
O pirata levou alguns instantes para absorver o conteúdo da frase e só então percebeu a gravidade da situação.
– E agora?- O Will terá que vir conosco.
Fale com o autor