Mary lia um uma grande pilha de papeis.

– Isso é perda de tempo! — disse Mary.

– Mais ensaio, menos reclamação senhorita Evans! — disse Flamin.

Todos da casa de Anúbis estavam na sala de teatro, ensaiando a peça.

– Temos um mês para ensaiar isso — disse Flamin — Na próxima semana iremos experimentar os figurinos, então emagreçam para quando chegar o dia da peça, vocês não reclamem que a roupa está apertada.

– Ele me chamou de gorda? — perguntou Julieta.

– Ju, agora não — disse Justin.

– Alguém viu o casal principal? — perguntou Mia.

Sam estava no banheiro, se olhando para o espelho. Alguém bate na porta. Lydia entra no banheiro, com uma mochila.

– Eles te liberaram? — perguntou Sam.

– Eles não encontraram a minha mochila na casa de Rá — disse Lydia — Eu escondi em outro lugar.

– Mas e o Victor? — perguntou Sam.

– Já que ele não encontrou a mochila, o sr. Sweet disse que não tinha motivo para me punir — disse Lydia — O Victor ficou uma fúria.

As duas riram.

– Mas o que você pegou? — perguntou Sam.

Lydia tira da mochila dois pequenos papeis, que estavam meio enrolados

– Olha isso — disse Lydia.

Sam pega um dos papeis.

– “Aquele que possuir o coração mais puro de minha casa, deverá ser entregue a mim para que ele possa ser imortalizado nos cristais do tempo” — leu Sam — “O tempo máximo é de três meses. Sem mais nem menos”.

As duas se olharam.

– O que isso quer dizer? — perguntou Sam.

– Eu venho investigando faz um tempo — disse Lydia — Victor e parece que mais alguns professores estão envolvidos. Tem algo a ver com Anúbis e um tal elixir de algo.

Lydia entrega o outro papel para Sam.

– “Cuidado com a borboleta azul” — leu Sam — “Nut está de volta e tentará impedir isso”.

– Meu irmão disse que você estava investigando alguma coisa sobre Nut — disse Lydia — Achei que isso lhe interessaria.

– Eu sabia — disse Sam — Eu sabia que Victor sabia de alguma coisa.

– Você também já desconfiava? — perguntou Lydia — O que você sabe?

– Teve uma noite que uma borboleta azul pousou na minha janela — disse Sam — No outro dia, eu encontrei ela morta. O Victor a matou! Ele sabia de alguma coisa!

– Talvez essa Nut possa ter virado uma borboleta para proteger quem fosse escolhido por Victor — disse Lydia — E pelo o que está escrito aqui, vai ser um dos moradores da casa de Anúbis.

– Mas pode ser qualquer um — disse Sam.

– Não — disse Lydia — Aqui diz que precisa ser um coração puro, quer dizer que não tenha nenhuma maldade.

– Quem, na casa de Anúbis, não tem nenhuma maldade no coração? — perguntou Sam.

E... Os alunos estão fazendo prova na sala de francês, com a senhora Andrews.

– Vocês tem mais cinco minutos — disse Daphne.

O tempo vai passando e o sinal da escola toca.

– Larguem as canetas e me entreguem a prova — disse Daphne.

Os alunos foram levantando e entregando as provas para a professora. O diretor Sweet estava na porta, cumprimentando a turma. Assim que Sam saiu, ele olhou por um bom tempo a aluna. Após toda a turma sair, o diretor entra na sala.

– Daphne, precisamos conversar — disse Sweet.

– É claro — disse Daphne.

Sweet fecha a porta e senta em uma das classes.

– Victor descobriu o que estava faltando — disse Sweet.

– E o que era? — perguntou Daphne.

– Os papeis que Anúbis nos enviou pela taça — disse Sweet — Eles sumiram!

– Mas vocês descobriram quem pegou? — perguntou Daphne.

– Victor diz que foi a aluna Lydia, mas nós reviramos cada centímetro da casa de Rá e não encontramos nada! — disse Sweet — E se não há provas, não posso fazer nada. Alguns alunos como testemunhas não fazem nenhuma diferença.

– Mas o que ruim pode acontecer de algum aluno saber o que está escrito lá? — perguntou Daphne.

– Daphne, isso é muito sério! — disse Sweet — Os alunos vão começar a investigar e podem descobrir sobre o sacrifício. Temos mais um mês para entregar a garota a Anúbis e daqui um mês irá ter a peça, onde Victor vai executar todo o plano. Precisamos nos preparar e torcer para ninguém desconfiar de nada ou não entender o que estava escrito nos papeis.

E... Os alunos vão entrando na casa de Anúbis e Bruno viu Lydia subindo em árvores. Ele foi até ela.

– Lydia, o que está fazendo? — perguntou Bruno.

– Vou investigar mais sobre os professores — disse Lydia.

– Se pendurando em uma árvore? — perguntou Bruno.

– Isso? — perguntou Lydia — Não, isso é para eu ver o Justin.

– Justin? — perguntou Bruno — Justin Wender? O namorado da Julieta?

– Ele é lindo, não é? — perguntou Lydia.

Bruno suspira e entra para na casa. Indo diretamente para o seu quarto. Trudy estava na cozinha, fazendo o jantar, com Raina e Julieta ajudando. As duas se olhavam feio, enquanto Trudy ia de lá para cá.

– Julieta, me ajude a cortar os legumes — disse Trudy — Raina, misture o molho para o macarrão.

Julieta e Trudy vão para o outro lado da cozinha, enquanto Raina misturava o molho em uma tigela de vidro. Do nada, Raina derruba a tigela no chão, assustando Trudy e Julieta.

– Raina! — disse Trudy — Porque você derrubou a tigela?

– Porque eu quis! — disse Raina — Tivemos que cancelar a festa do meu namoro com o Louis porque outro casal também começou a namorar.

– Ninguém mandou começar a namorar justo no mesmo dia que nós — disse Julieta — E eu e o Justin somos muito mais fofos juntos do que você e seu comprador de jóias.

– Ah é? — perguntou Raina.

Raina avança em Julieta, onde as duas começam a brigar, puxando o cabelo de cada uma ou se chutando. Elas acabam indo para a sala, onde haviam vários alunos.

– Briga de garotas! — gritou Nick.

As garotas continuavam a brigar, enquanto alguns alunos torciam e gritavam. Victor entrou na sala correndo.

– O que está acontecendo aqui? — perguntou Victor.

Sendo ignorado, Victor tenta separar as garotas, mas é jogado para a mesa. Louis e Justin entram na sala e conseguem separar Raina e Julieta. As duas estavam com as roupas rasgadas e com os cabelos bagunçados.

– Pelo amor de Deus! — disse Louis — Acalmem-se as duas!

– Isso é loucura! — disse Justin.

Victor se levanta.

– Vocês duas, no meu escritório, agora — disse Victor — E sugiro que vocês as levem, porque tenho medo que voltem a brigar na escadaria.

Louis e Justin vão acompanhando Victor, segurando Raina e Julieta. No final, estavam as duas sentadas um do lado da outra, na frente da mesa de Victor, com Louis e Justin as vigiando.

– Quer dizer que essa palhaçada de briga foi por causa de namorados? — perguntou Victor — Vocês quase quebraram a minha perna!

– Mas não quebramos — disse Raina.

– Silêncio! — gritou Victor — Uma semana de detenção na escola e aqui na casa também. É claro que seus pais irão ser avisados e eu quero que nenhum dos casais se veja até a semana da detenção acabar!

– Não! Isso é justo! — disse Julieta.

– Ju, agora não — disse Justin.

– Obrigado senhor Wender — disse Victor — Agora, vão para seus quartos e não quero saber de mais brigas.

– Mas nós ficamos no mesmo quarto! — disse Raina.

– Vão ter que conviver com isso! — disse Victor — Estão dispensados.

Louis e Justin vão levando Raina e Julieta para os quartos, quando as duas se olham e voltam a brigar, se jogando no chão. Elas se batiam e puxavam o cabelo uma da outra, e os garotos foram jogados contra a parede, sem chance de conseguir afastar as garotas. Trudy estava sentada na poltrona do saguão, falando ao telefone.

– Sim, quatro de quatro queijos e calabresa — disse Trudy.

Victor vai descendo a escada.

– Victor, querido, me diga outro sabor de pizza que você goste — disse Trudy.

– Pizza? — perguntou Victor — Mas e o jantar?

– Raina derrubou a tigela com o molho e depois elas derrubaram todo o macarrão no chão — disse Trudy — É pouca comida para muita gente.

Victor suspirou.

– Peça uma vegetariana para mim — disse Victor.

– Ok — disse Trudy. Ela volta ao telefone — E ponha mais uma vegetariana ai.

E... Mia, Sam, Max e Bruno estavam no quarto de Mia e Sam. Havia uma caixa de pizza em cima de uma das camas e os alunos iam pegando mais pizza. Mia estava digitando algo em seu notebook, com Max ao seu lado.

– Muito bem — disse Mia, digitando — O senhor Flamin me enviou algumas fotos dos figurinos que vamos experimentar na próxima semana.

Mia vira o notebook, mostrando várias roupas e alguns vestidos.

– Eu não vou usar vestido? — perguntou Sam.

– Claro que não — disse Max — Sua personagem pula, corre e faz malabarismo.

– Sério? — perguntou Sam.

– Não... Fica só com o corre e pula — disse Max — Quem usa vestido vai ser a Raina e a Mary.

– Espera, e você Max? — perguntou Bruno — Qual é seu papel?

– Eu vou cuidar dos figurinos, mesmo que eu não goste — disse Max.

Mia fecha o notebook e puxa Bruno e Sam.

– Vocês dois aqui — disse Mia — Encenem a cena que a Lily e o Thiago chegam na indústria e ela acha que ela acha que ele quer usar o poder dela.

– Lily, eu juro... Eu não tenho nada a ver com isso! — perguntou Bruno.

– Thiago, eu confiei em você! — disse Sam — Eu confiei em você! Eu amei você! Eu te amava!

– Não vai com eles! — perguntou Bruno — Acredita em mim! Eu quis te proteger! A culpa foi daquele cara! Eu te imploro! Não vai com eles!

– Só que agora eu não tenho opção — disse Sam — Mesmo que você tenha me trazido até aqui, eu não vou deixar eles machucarem o Lucas e a Anna. Adeus Thiago.

Alguém bate na porta. Trudy abre a porta, vendo os alunos.

– Olá — disse Trudy — Já terminaram de jantar?

– Sim, já vamos levar os pratos lá para baixo, Trudy — disse Sam.

– Ok, continuem ensaiando — disse Trudy.

Trudy fecha a porta e a turma se olha. E... Victor escreve coisas em um caderno. Ele pára e suspira, olhando para Corbierre.

– Falta um mês, Corbierre — disse Victor — Em um mês, tudo voltará ao normal. Mas e se não voltar? O que vamos fazer sem o elixir? E se nos descobrirem?

O pássaro continuava parado.

– Sim, nada vai dar errado — disse Victor — Nunca deu. Samantha será sacrificada e ninguém nunca irá saber o que aconteceu. Nunca...

Victor sorri e volta a escrever. E... Victor está no meio do saguão de entrada.

– São 22 horas! Vocês tem precisamente cinco minutos! — gritou Victor. Ele tira um alfinete do bolso — Depois eu quero ouvir este objeto, caindo!

O alfinete cai, fazendo um som suave. Victor pega o alfinete e volta para seu escritório. Após um bom tempo, Sam sai do quarto. Ela abre a porta do corredor e sai lentamente. Sam desce as escadas e percebe que Victor já estava roncando. Ela vai para o corredor do quartos dos meninos e bate em uma das portas. Bruno abre a porta.

– São três horas da manhã — sussurrou Bruno — O que foi?

– Vem comigo — disse Sam.

Sam puxou Bruno para fora do quarto e foram para a porta da escadaria. Ela pega um grampo de cabelo e vai tentando arrombar a fechadura.

– O que você vai fazer? — perguntou Bruno.

A porta abre e os dois descem a escada até o porão.

– Que lugar é esse? — perguntou Bruno.

– É o porão — disse Sam — Foi aqui que a Lydia achou os papéis.

– Que papéis? — perguntou Bruno.

– Depois te mostro — disse Sam.

Eles vão mexendo nas coisas.

– Procure algo suspeito — disse Sam.

– Tudo aqui é suspeito! — disse Bruno.

– Fala baixo! — disse Sam.

Os dois se separaram, procurando coisas.

– Deveríamos ter trazido uma lanterna — disse Bruno.

– Acho que isso são poções — disse Sam — Isso bate com a descrição do tal elixir que a Lydia disse.

– Quer levar algo? — perguntou Bruno.

– Mas como vamos examinar? — perguntou Sam.

– A madrinha da Lydia tem um laboratório — disse Bruno — Podemos ir lá amanhã talvez na hora do almoço.

– É muito longe? — perguntou Sam.

– Não, podemos ir a pé, se quiser — disse Bruno.

– Ok, então pegue um ou dois frascos — disse Sam.

Bruno escolhe dois frascos, mas acaba derrubando uma mesa cheia de frascos, livros e materiais no chão. Isso faz um estrondo e acorda Victor, que estranha o barulho.

– Bruno! — disse Sam.

– Foi mal! — disse Bruno — Vamos sair antes que o Victor chegue!

Os dois saem correndo, sobem a escada, fecham a porta e percebem o movimento no escritório de Victor. Bruno e Sam correm para o quarto de Bruno, enquanto Victor chega ao saguão, ele percebe a porta aberta do porão. Ele vai descendo e liga a luz do lugar, vendo o estrago que Bruno havia feito, vários vidros quebrados, com os líquidos todos misturados. Sam sai correndo e volta para o seu quarto, vendo que Mia estava acordada.

– Sam, aonde você estava? — perguntou Mia, sonolenta — Ouviu o estrondo?

– Faz silêncio — disse Sam — Amanhã eu te conto.

Mia volta a dormir e Sam guarda os frascos no guarda-roupa. Victor fecha a porta do porão e vê que Trudy havia acordado.

– Victor, o que você estava fazendo lá em baixo? — perguntou Trudy — E a essa hora? Fez um barulhão.

– Não fui eu — disse Victor — Alguém foi lá em baixo e derrubou uma das mesas.

– Porque alguém derrubaria uma das mesas? — perguntou Trudy — Tem certeza de que não foi um animal?

– É claro que não! — disse Victor — Se fosse um animal eu saberia!

– Bom, volte a dormir — disse Trudy — Amanhã você limpa aquilo.

Victor volta ao escritório e vai revirando papéis atrás de papéis.

– Quem é Corbierre? — perguntou Victor — Quem está atrás de mim? Quem quer me parar?

O pássaro continua parado. Victor tira uma pilha de papéis de uma gaveta e sorri.

– Aqui — disse Victor — Esses pirralhos pensam que são mais espertos que eu. Eu tenho uma carta na manga para vocês.

Sam abre a porta do quarto e olha para o escritório de Victor. Ela fecha a porta rapidamente e senta na cama.

– Sam, vai dormir! — disse Mia, sonolenta — Amanhã tem aula.

– Eu achei algo no porão do Victor! — disse Sam.

– O que? — perguntou Mia, sonolenta — As poções de todos os tipos?

– É isso? — perguntou Sam.

– Charles disse que pegou um dos frascos lá em baixo — disse Mia — Ele nunca bebeu, mas ficou guardado com ele. Uma vez ele disse que aquilo quase envenenou um dos colegas dele e o Victor nunca soube.

– Isso está começando a ficar interessante — disse Sam — Você me ajuda a desvendar esse mistério.

– Talvez — disse Mia — Me deixa dormir.

Mia se virou para a outro lado e Sam deita na cama, pensando no que havia acontecido.