Bruno, Sam e Lydia entraram em uma sala cheia de garrafas, potes, tubos coloridos no teto e vários instrumentos de mistura. Aquele lugar cheirava a gasolina e o chão era meio escorregadio.

– Tem certeza que estamos no lugar certo? — perguntou Sam.

– Absoluta — disse Lydia — Conheço bem minha madrinha.

– Ela é meio maluquinha — disse Bruno — Deixa que eu falo, conheço ela a mais tempo que a Lydia.

Do nada, uma mulher de cabelos brancos longos, sai de baixo da mesa, usando um estranho óculos.

– Ok, ou tem alguém na minha casa, ou eu estou mesmo vendo espíritos — disse a mulher.

– Dinda, tire os óculos — disse Lydia.

A mulher tirou os óculos mostrando os olhos verdes.

– Lydia! — disse a mulher.

As duas se abraçaram.

– É bom te ver de novo! — disse Lydia.

Lydia virou a mulher para Sam e Bruno.

– Sam, essa é Anya, minha madrinha de nascimento — disse Lydia.

– E nossa tia — disse Bruno.

– Tia Anya sabe tudo — disse Anya — Bruno, essa é sua namorada que a Lydia falou?

– Tia! — disse Bruno.

– Mas você sabe escolher uma menina de classe, garoto! — disse Anya.

– Tia! Eu e a Sam não somos namorados! — disse Bruno — Somos só colegas!

– Oh — disse Anya — Muito bem, eu pelo menos acho que vocês dois ficam muito bem juntos!

– Você acha? — perguntou Bruno.

– Tia Anya sabe tudo — disse Anya — Pois bem, eu sei que vocês não mataram o intervalo de vocês só para virem me visitar.

– Estamos brincando de detetive — disse Lydia.

– Que ótimo! — disse Anya, animada — Eu adoro brincar de detetive!

– Ela é doidinha — sussurrou Sam.

– Eu te disse — sussurrou Bruno.

Lydia tirou duas garrafas da mochila.

– Bruno e Sam encontraram isso no porão da casa de Anúbis — disse Lydia.

Anya pegou as garrafas.

– Jura? A casa de Anúbis? — perguntou Anya — Victor já morreu?

– Você conhece o Victor? — perguntou Sam.

– Quando eu estudei lá, ele tinha uma cara de velho já — disse Anya, olhando as garrafas.

– Que idade você tem? — perguntou Sam.

– Só porque tenho cabelo branco não quer dizer que eu seja velha — disse Anya — Eu pinto meu cabelo de branco porque acho que é mais bonito. E eu tenho 31.

Sam olha para Bruno, que ria.

– Muito bem — disse Anya — Querem que eu veja o que é isso?

– Exatamente — disse Lydia.

Anya senta em uma cadeira de rodinhas e vai até a mesa. Ela abre um dos frascos e bebe.

– Tia! — disse Lydia — E se isso for venenoso?

– Se cada coisa que eu bebesse fosse venenoso, eu já teria morrido há 15 anos — disse Anya.

Bruno e Sam riem. Anya pára e sente o cheiro da garrafa.

– Isso é água oxigenada com alfazema e hidromel — disse Anya.

– Mas água oxigenada pode matar se alguém a beber! — disse Bruno.

Anya olha para os três e tira uma garrafa de debaixo da mesa. Assim que ela bebe tudo o que tinha na garrafa, ela bebe o outro frasco.

– Olha... — disse Anya, bêbada — Que... Que... Que tem no... Segundo frasco, sei não. Mas não é nada ruim.

– Acho melhor a gente já ir — disse Lydia — Obrigada pela ajuda, tia!

– De nada! — disse Anya, bêbada — Bruno, fica com a Sam!

– Tchau tia! — disse Bruno.

Bruno puxa Sam pelo braço, saindo do lugar. E... O sinal bate na escola. Os alunos vão entrando na classe de química, enquanto o sr. Sweet vai escrevendo coisas no quadro. Bruno e Sam sentam juntos em uma das bancadas e vão tirando os materiais.

– Muito bem, quero falar sobre o trabalho do mês — disse Sweet — Todos já chegaram?

Mia fecha a porta e volta a bancada.

– Obrigado Mia — disse Sweet — Bom, todos sabem que tem um trabalho por mês e eu já estou agendando. Anotem a data de entrega!

Mia e Max abrem os cadernos e começam a anotar.

– Seria bom se ele nos dissesse quanto vale cada trabalho — disse Max — Até hoje ele não disse nenhuma das nossas notas.

– Não seja um nerd, Max — disse Mia — Combina com você, mas nem tanto.

– E isso vale metade da sua nota — disse Sweet.

– Satisfeito? — perguntou Mia.

A classe soltou um suspiro de decepção.

– E eu quero que seja em dupla — disse Sweet.

A classe soltou um grito de alegria.

– Mia! — gritou um dos alunos — Faz comigo o trabalho! Eu preciso de nota em química!

– Foi mal, mas já tenho dupla! — gritou Mia.

Mia e Max se olharam e riram.

– Sim, os que estão a cima da média, podem escolher a dupla, mas quem está abaixo da média, eu irei escolher a dupla — disse Sweet.

– Qual é? — perguntou Nick.

Alguns riram.

– Senhorita Jonas, você pode escolher sua dupla, já que é nova e ainda não fez nenhuma prova minha — disse Sweet.

Sam olhou para Bruno ao seu lado.

– Eu faço com o Bruno — disse Sam.

– Muito bem, agora eu vou começar a explicar a nova matéria — disse Sweet — E sem celulares, senhorita Evans.

Enquanto Sweet explicava a matéria, Sam derruba sem querer o lápis. Bruno vê e quando ia juntar o lápis, os dois dão de cabeça. Eles começam a rir.

– Desculpe — disse Bruno, esfregando a cabeça e rindo.

– Não. Foi minha culpa — disse Sam, esfregando a cabeça e rindo.

Assim que eles param de rir, Sam pega o lápis e eles ficam se olhando. Mary observa a cena e tem uma ideia. Ela se vira para Nick.

– Tive uma ideia — disse Mary.

– Quando você não tem? — perguntou Nick.

– Vamos! — disse Mary — Essa agora é boa!

– Ok, fala — disse Nick — Mas só porque eu não gosto de química.

– É o seguinte, hoje a noite vai ter a festa da Juliana e da Raina, já que as duas começaram a namorar no mesmo dia — disse Mary.

– Sim e daí? — perguntou Nick.

– Você já viu o Bruno bêbado? — perguntou Mary.

– Sim, ele perde totalmente o controle, pensa que está entre as mulher mais lindas do mundo e quer beijar cada uma delas — disse Nick.

– Exato — disse Mary — Vamos embebedar o Bruno e eu vou fazer ele me beijar.

Nick dá um salto.

– Não! — gritou Nick — Isso não!

Ele percebe que todos estão olhando para ele, inclusive o professor.

– Como é, Nick? — perguntou Sweet.

Ele não sabe o que falar.

– Hã... Não, isso não é possível porque... Porque senão irá dar uma... Uma... Reação atômica e... E... E pode matar organismos importantes para os seres humanos? — perguntou Nick, envergonhado.

– Brilhante senhor Miller! — disse Sweet, animado — Brilhante! Essa é a resposta correta!

Nick se senta novamente, se sentido “o cara”.

– Viu só, eu sou brilhante! — disse Nick.

– Não se acha, Nicholas — disse Mary.

E... Trudy ia de lá para cá, levando tigelas de comidas para a sala, onde estava tendo uma festa com os alunos da casa de Anúbis e os outros alunos das outras casas. Eles dançavam, conversavam, gritavam e alguns comiam. Na parede havia uma faixa escrito: “Parabéns Louis e Raina” e outra faixa em baixo escrito: “Felicidades Julieta e Justin”. Louis e Raina estavam sentados em um dos sofás, conversando com outros alunos, enquanto Julieta e Justin faziam a mesma coisa no sofá ao lado. Julieta e Raina estavam uma olhando feio uma para a outra, fixamente, sem se mexer. Victor entra na sala e vê a festa.

– Mas o que é que está acontecendo aqui? — perguntou Victor.

Nick e mais alguns garotos o empurram para fora do lugar, fazendo todos rirem. Bruno, Sam, Mia e Max conversavam, quando chega Mary, segurando uma bandeja com vários copos.

– Olá pessoal — disse Mary.

– Mary? — perguntou Max — O que você está fazendo?

– O que eu pareço estar fazendo, Max? — perguntou Mary — Só estou ajudando a Trudy com as bebidas. Querem algo?

– Ainda não — disse Mia.

– E você Bruno? — perguntou Mary — Não quer nada?

– Não, eu ainda não quero nada — disse Bruno.

– Tem certeza? — perguntou Mary.

Todos olhavam para ela, Mary estava com um sorriso diabólico no rosto.

– Mary, você está bem? — perguntou Sam.

– Melhor do que nunca — disse Mary.

Ela vai embora.

– Isso foi sinistro — disse Max — Mia, quer ficar aqui? Eu recebi os meus DVDs da saga Star Wars.

– Vamos ver? — perguntou Mia.

– Você que manda! — disse Max.

Mia e Max saem da sala.

– Como eles podem trocar uma festa por Star Wars? — perguntou Sam.

– Eles são nerds — disse Bruno — Deixa eles.

Sam puxa Bruno para dançar e os dois ficam dançando por um bom tempo. E... Sam, cansada de tanto dançar, se afasta, indo sentar na mesa da sala de jantar. Os convidados iam indo embora e Bruno vê Sam sentada. Ele vai até ela.

– Ei, algum problema? — perguntou Bruno.

– Nada não — disse Sam — Só estou cansada... Foi uma festa boa.

– É... Com certeza — disse Bruno — Hã... Sam?

– Fala — disse Sam.

– Acha que a tia Anya tem razão? — perguntou Bruno — Tipo, acha que ficamos bem juntos?

Sam não se mexe após Bruno falar isso.

– Acho... Acho que sim — disse Sam — Eu pelo menos acho.

Bruno deu um suspiro.

– Quer saber? — perguntou Bruno — Eu não estou nem ai.

Bruno do nada, beija Sam. Mia e Max iam entrar na sala, mas Mia segura Max e aponta os dois, que ainda se beijavam.

– Você me deve 20 euros — sussurrou Mia.

Assim que eles haviam se beijado, os dois trocam olhares.

– Eu espero isso faz tempo! — disse Sam.

Eles voltam a se beijar e Mia e Max saem da porta.

– Sabe o que isso me lembra? — perguntou Mia.

– Não fala no que eu estou pensando — disse Max.

– Não é isso, idiota — disse Mia, socando o braço de Max — Eles precisam de uma música tema.

– Isso não é comigo — disse Max.

Mia pega o iPhone do bolso e conecta um cabo USB. Enquanto Sam e Bruno continuam a se beijar, Mia conecta o iPhone em um rádio e põe a música A Thousand Years, Pt. 2 de Christina Perri. Ela volta ao saguão.

– Bom, meu trabalho aqui está feito — disse Mia.

– Só você mesmo — disse Max.

Max a beija na testa e os dois vão indo para os quartos. E... É manhã. Sam vai descendo as escadas e quando chega a sala, vê que todos estão de pé, esperando ela.

– Hã... Bom dia? — perguntou Sam.

– Sua danada! — disse Julieta — Na nossa festa?

Sam fica perdida.

– Do que estão falando? — perguntou Sam.

– Estamos falando de uma garota que conseguiu finalmente o beijo de seu boy — disse Raina.

Sam olha para Bruno, que ria.

– Eu não disse nada! — disse Bruno.

Ela vê Mia indo em direção do rádio e tira o iPhone do cabo USB. Finalmente caí a ficha dela.

– Ah, sua safada — disse Sam.

Mia pisca para a amiga. E... O sinal bate na escola. Sam e Bruno entram de mãos dadas na escola e Lydia corre até eles!

– Finalmente! — disse Lydia — Eu já estava esperando isso faz um bom tempo!

– Lydia! — disse Bruno.

– Vou contar para a dinda! — disse Lydia.

– Não vai não, vá para a aula — disse Bruno.

Lydia resmunga e vai andando.

– Não devia tratar ela assim — disse Sam.

– Você sabe que é só brincadeira — disse Bruno.

Enquanto eles vão andando, o diretor Sweet observa o casal. Assim que a senhora Andrews passa por ali, Sweet a puxa pelo braço para uma das salas.

– Eric, o que está fazendo? — perguntou Daphne.

– Você viu a Samantha e Bruno? — perguntou Sweet — Estão de mãos dadas!

– E dai? — perguntou Daphne.

Os dois vão até a porta e olham o casal.

– Isso pode afetar a escolha! — disse Sweet — Se quando Victor a levar e Bruno estiver muito perto dela, ele pode desconfiar!

– Eric, deixe disso — disse Daphne — Eles são jovens, deixe eles aproveitarem a vida! Isso vai ser assim quando seu filho vier para a escola.

– Nem me lembre disso — disse Sweet — Edison vai namorar apenas garotas comportadas... Como Mia.

– Mas e Raina e Julieta? — perguntou Daphne — Elas são ótimas também.

– Victor disse que as duas estavam brigando por ciúmes — disse Sweet — Esse é seu amor jovem.

– Sweet, temos ainda duas semanas — disse Daphne — Acalme sua mente.

Daphne vai embora, deixando Sweet pensativo. Mia e Max vão ao lado de Bruno e Sam.

– Os figurinos chegaram! — disse Mia, animada.

– Sério? — perguntou Sam.

– Estão lá na sala de teatro — disse Max — Querem vir com a gente?

Eles vão correndo para a sala de teatro, onde veem várias caixas e o sr. Flamin tirando algumas roupas. Ele vê os alunos.

– Ah, são vocês — disse Flamin. Ele mostra um elegante terno antigo — O que acham?

– Isso ai não é para mim, não é? — perguntou Bruno.

– Claro que não — disse Flamin — O personagem principal é mais elegante do que isso. Eu vou ser o pai da Lily.

– O senhor Sweet autorizou que o senhor fosse o pai? — perguntou Sam.

– Sim, ele disse que apenas a Mia não pode participar — disse Flamin. Ele percebe Bruno e Sam de mãos dadas — Ah! Vejo que estão entrando no clima.

Sam e Bruno se olham e riem.

– Mia contou a vocês? — perguntou Flamin.

– Contou o que? — perguntou Bruno.

– Ora! Vocês vão se beijar! — disse Flamin.

– O que? — perguntou Sam, nervosa.

– Mas é claro! — disse Flamin — No final da peça, assim que tudo acaba, Thiago e Lily se beijam. Melhor já entrarem no clima!

Flamin sai da sala.

– Bom, acho que já entramos no clima — disse Sam.

Todos riram.

– Você!

Eles se viraram e viram Victor, com uma cara de zangado.

– Victor? — perguntou Bruno.

– Senhorita Jonas, pode me explicar porque foi ao porão da casa de Anúbis? — perguntou Victor.

Sam se desespera e olha para Bruno.

– Mas eu não fui! — disse Sam.

– Mentirosa! — disse Victor — A senhorita Evans me disse que viu você arrombando a porta do porão e entrando.

Mary estava na porta, observando.

– Victor, quem pode te garantir que a Mary não está mentindo ou envolvida nisso? — perguntou Bruno.

– Coisas me foram roubadas daquele porão — disse Victor — E tenho certeza que não a senhorita Evans por um bom motivo, Sam foi a última a dormir naquela noite.

Mary começa a rir.

– Victor, eu não fui a porão nenhum! — disse Sam, desesperada — Eu nem sei mesmo onde fica o porão!

– Então porque eu revistei seu quarto e encontrei isso? — perguntou Victor.

Ele tira um frasco do bolso. Era um dos frascos que Anya tinha bebido e tinha deixado o frasco com Sam.

– Você está encrencada, mocinha! — disse Victor.

– Você mexeu nas minhas coisas? — perguntou Sam.

– Eu tenho direito de mexer, caso algum aluno tenha roubado algo que me pertence! — disse Victor.

– Mas eu não peguei isso! — disse Sam.

Victor a pega pelo braço.

– Vem comigo, mocinha — disse Victor.

Victor leva Sam para fora da sala.

– Maldição! — disse Bruno — Como o Victor soube?

Mary sai do lugar.

– Temos que tirar a Sam dessa confusão — disse Max.

– Espera... Espera... Acho que todos esses anos vendo Star Wars me inspiraram a fazer um plano! — disse Mia.

– Essa é minha garota! — disse Max.

– Ok, então o que vamos fazer? — perguntou Bruno.

– Me sigam younglings — disse Mia.

– Não usa termos de Star Wars agora, Mia! — disse Max.

Os três saem da sala.