Notas iniciais
Juro solenemente não fazer nada de bom.
Minha primeira fic no universo maravilhoso de Harry Potter!
Só pra ambientar vocês, essa história se passa no primeiro ano dos Marotos, mas os personagens principais estão no sétimo ano, okay? Os nossos amados Marotinhos farão algumas participações, mas eles não são o foco aqui.
Os casais principais ainda não estão definidos.

Certamente aquele era o grupo mais disfuncional que o mundo bruxo já vira. Uma japonesa perita em artes marciais, que quebraria o pescoço de qualquer idiota num piscar de olhos, um sarcástico arrogante, um doce de pessoa e uma escocesa esquentada. Não faziam nem quarenta minutos que tinham embarcado o trem que os levaria para a escola, e já estavam metidos em encrenca.

— Jack, como caralho você conseguiu roubar a calcinha da McGonagall?! — a garota ruiva berrou, não se decidindo se estava brava ou achando graça naquilo tudo.

— Pelas barbas de Merlin, abaixe isso! É repugnante — Kurome, a japonesa, pediu, desviando o olhar daquela peça de roupa.

— Belo monitor-chefe… — ironizou Sam, enquanto espiava pela janelinha na porta da cabine.

— Eu sou demais, eu sei! — gabou-se, balançando o pano no ar. — Que acha, Irina? — dirigiu-se para a ruiva — Esta será a bandeira do Salão Comunal da Grifinória!

— Você está louco, se McGonagall entrar lá e vir isso… — Sam tentou argumentar e enfiar uma grama de bom senso na cabeça oca daquele patife, em vão.

— Ah, ela não vai tirar de lá, já tenho tudo planejado — garantiu. — E ela não sabe que fui eu, estava usando a cara de um lufano que vi num anuário antigo de Hogwarts quando roubei isso.

— Você é péssimo — Irina revirou os olhos com um sorrisinho, jogando-se no banco ao lado de Kurome. A morena jogou as pernas por cima das da amiga, ainda evitando olhar as peças íntimas da McGonagall.

— Oh oh, lá vem o dragão! Esconda isso! — Sam alertou para Jack, que enfiou a peça de roupa dentro do bolso interno das vestes da escola. Com cara de anjos, Sam e Jack se sentaram nos bancos de frente para as duas garotas, que permaneceram paradas.

— Jackweel, estava te procurando! — McGonagall bradou assim que abriu a porta da cabine, vermelha de raiva.

— Precisa de algo, professora? — Jack indagou, se levantando com uma expressão cínica estampada em seu rostinho aristocrático.

— Alguém… — McGonagall corou mais ainda ao olhar para os outros presentes na cabine — Roubou algo de mim… Preciso que me ajude a encontrar esse aluno!

Jack assentiu, arrumando suas vestes e seguindo a professora. Antes de sair pela porta, ele lançou um olhar de divertimento aos amigos, que prendiam o riso.

— Isso é… — Irina começou, soltando uma risada alta.

— Incrível — Sam completou, balançando a cabeça enquanto ria.

— Inacreditável… — Kurome revirou os olhos — Em sete anos, nunca pegaram ele! Apronta tudo o que dá na telha e ainda assim tem a confiança cega da McGonagall. Esse cara é simplesmente inacreditável!

Não importava quantas vezes já tivessem comido aquela mesma comida, jamais enjoariam da comida de Hogwarts.

Da mesa da Sonserina, Kurome ouviu Jack choramingar porque a comida desaparecera, ao passo que recebia um soco pronto de Irina. Ignorou os dois grifinórios e se dirigiu até a porta dupla enorme do Salão, onde Sam a esperava para que pudessem ir embora dali. Notavelmente, eram os dos mais anti sociais do grupo.

Jack teve que conduzir os alunos do primeiro ano aos dormitórios, e entreteu-se com dois garotinhos que contavam-lhe como sua amizade surgira de uma pegadinha com um sonserino de cabelos ensebados. Jack soube na hora que eles eram pequenos aprendizes seus, e era sua função guiá-los na maravilhosa arte das pegadinhas.

Mal notou que Irina o seguia ao fim do grupo, as mãos enfiadas nos bolsos da capa, mascando um chiclete com uma feição agressiva no rosto. Fez cara feia para um garoto gordinho que a encarava constantemente.

— Que é?! — esbravejou, inclinando a cabeça para o lado.

— Nada! — o primeiranista gaguejou e correu para se esconder no meio do grupo de alunos.

— Irina, quer parar de assustar eles? — Jack exigiu, fitando a amiga por cima do ombro. Tinham acabado de chegar às escadarias.

— Fósforo! — a criança de belos cachos negros que caminhava nos calcanhares de Jack brincou, fazendo uma careta para ela.

— labareda! — o outro, de óculos e cabelos espetados, entrou no jogo, mostrando-lhe a língua.

— Parem, parem — Jack pediu, prendendo o riso. Irina estava tão vermelha como seus cabelos, e ficou ainda mais quando viu Jack sussurrar algo para suas duas mini versões.

— Quer morrer, seu cretino?! — como num piscar de olhos, Irina puxou a varinha do bolso interno, encarando o amigo com um olhar desafiador. No mesmo segundo, Jack ergueu a varinha no ar também. Os primeiranistas apressaram-se em se abaixar, cobrindo a cabeça com os braços, temendo um possível confronto alí. Jack fez um movimento com a mão, balançando a varinha. Um sorriso maldoso surgiu em seu rosto.

— Irina, quer deixar essas coisas pra mais tarde? Podemos resolver isso à sós — brincou. Todos, até os mais inocentes, perceberam a malícia nas palavras do mais velho.

— No dia que seu pau for maior que seu nariz, conversaremos a respeito — finalizou, subindo no parapeito de pedra da escada. A carranca deu lugar à um sorrisinho após ver a cara de confiança de Jack sumir. Virou as costas para ele e pulou.

Os pobres calouros ficaram estáticos, e a primeira reação foi a de uma garotinha ruiva que soltou um grito estridente, foi o estopim para todos correrem para a beirada da escada ver onde a ruiva mais velha tinha ido parar. Havia sumido pelas escadas que se moviam, e ninguém mais a achou.

Na manhã seguinte, no horário em que o Salão Principal estava mais vazio, Kurome subiu das masmorras. Sempre tomava café da manhã naquele horário, não gostava muito de interação com outras pessoas, achava desnecessário ter que sorrir e dar bom dia pra cada ser vivo (ou morto, no caso dos fantasmas de Hogwarts) que passava por ela.

Comia calmamente à mesa da Sonserina quando uma presença conhecida se projetou ao seu lado, levando-a a erguer o olhar para a pessoa que se sentara ali.

— O que quer aqui, corvino-sabe-tudo? — questionou, erguendo a sobrancelha.

— Não posso mais dar bom dia para minha querida amiga? — brincou, apoiando o queixo na mesa.

— Se quiser ter seu braço quebrado, pode — a morena enfiou o último pedaço de bolinho de framboesa na boca. Sam soltou uma risada rouca enquanto escondia o rosto entre os braços.

— Qual deles acha que vai acordar mais tarde? — o garoto propôs, referindo-se aos dois amigos grifinórios.

— Aposto um nuque na Irina — Kurome o olhou de soslaio.

— Fechado — sorriu Sam, levantando-se junto com a asiática. Partiram juntos para os jardins. Fazia um dia frio, nuvens pesadas cobriam os céus, anunciando que dias de chuva não estavam tão distantes assim. Sam sentou-se apoiado no tronco de uma árvore tão velha quanto o próprio tempo, e Kurome o acompanhou, sentando ao seu lado com as pernas cruzadas.

A morena olhou para o céu, cinza, obscuro, frio. Ela preferia assim. Odiava sol, calor e claridade. Detestava mosquitos, pernilongos e todos esses insetos irritantes que só apareciam quando fazia calor. Talvez tenha sido por isso que foi jogada nas profundezas da Sonserina, combinava mais com ela.

— Os testes de Quadribol da Corvinal serão semana que vem, estamos sem apanhador desde que o Wills saiu — Sam desabafou, suspirando.

— Boa sorte. Ainda bem que o time da Sonserina está completo, e em sua melhor formação, devo dizer.

— É suspeita a falar isso, Capitã — o corvino revirou os olhos enquanto a amiga soltava uma risadinha. Ela tinha sido nomeada capitã do time de Quadribol da Sonserina ano passado, quando, após seu time ser totalmente massacrado, ainda assim venceu um jogo sozinho no quinto ano, superando os pontos ganhos pelo pomo de ouro que o outro time apanhara. Ela era uma excelente artilheira, e seu time fora escolhido a dedo. — Melhor irmos para a sala, não é? Tenho Transfiguração agora.

Com um aceno de sua varinha, um papel saltou para fora da bolsa de Kurome, exibindo seus horários. Um sorriso largo cresceu em seu rosto ao avistar a matéria para qual iria.

— Feitiços.

— Quem é essa professora? — Sam ergueu as sobrancelhas ao ler o nome da professora de Defesa Contra as Artes das Trevas por cima do meu ombro. — Não a vi na mesa dos professores ontem...

— Talvez ela não tenha chegado a tempo e...

— Na verdade, ela apenas não gosta de jantares muito cheios — uma voz gélida soou aos ouvidos dos dois, que estremeceram dos pés á cabeça. Sam engoliu em seco, paralisado. Seu corpo não se mexia, parecia que seu cérebro tinha pifado e seu corpo não lembrava mais como se mover. Ao seu lado, Kurome não estava muito diferente. Suas mãos suavam frio e os pelos da sua nuca estavam ouriçados. Passando pelo meio dos dois, eles apenas puderam ver as costas da mulher que falara, e ouvi-la falar: — Não vão se atrasar pra aula, okay?

E saiu. Deixou-os sozinhos e paralisados ali, no meio do jardim. Por mais que tivessem permanecido quietos, ambos compartilhavam o mesmo pensamento.

Aquela mulher tinha algo de errado.

Notas finais
O que acharam? Se não tiver gostado, pode comentar, estou aberta á criticas construtivas, ameaças de morte apenas por e-mail. Se você gostou, me diga, comentar não faz o dedo cair, sabia?
Malfeito feito!