O Circulo

6 Capitulo 6 - Vida Nova


Não havia percebido que tinha caído no sono até que Piettra me acordou, ela havia assistido a minha “cena” em silencio, sentada na outra cama, mas de certa forma me sentia mais leve como se um peso tivesse sido tirado dos meus ombros. Agora olhando o quarto percebi que metade era pintada de laranja, com estrelas daquelas que brilhavam no escuro no teto, um tapete branco, e os mesmos moveis do meu lado, só que os dela eram pintados de branco, o lado dela também tinha uma janela, com pesadas cortinas brancas, o meu lado a cor da parede era branca, o piso nu, e os mesmos moveis de mogno com a diferença que não eram pintados.

― Ei, tudo bem? ― Perguntou ela.

― Tudo. Estou melhor... A parte do seu quarto ficou muito legal. ― Murmurei.

― Ah, obrigada! Posso te ajudar com a sua, se quiser. ― Disse ela.

― Ah, Claro. ― Me levantei indo até o que parecia um uniforme, tinha uma bermuda larga que ficava acima do joelho, xadrez de vermelho e preto, uma camisa de botões branca, um blusão de gola V preto com a insígnia do colégio, duas foices cruzadas e um “ CS “ no meio.

― Esse é o uniforme? ―Perguntei.

― É. Legal, né?

― Aham.

― Vá se arrumar, os outros estão esperando por você. ― Me virei pra ela e só então que percebi que ela estava com uma longa capa de seda preta, o capuz puxado pra trás.

― Pra que isso? ― Apontei para suas roupas.

― Pro feitiço. A professora ira lhe ajudar, já esta de noite, sabia?

― Eu dormi tanto assim?

― Não quis te acordar. ― Ela me jogou uma escova, que peguei no ar por reflexo. Fui até o banheiro, e escovei os cabelos, voltei para o quarto. Puxei o capuz pro rosto e saímos, os corredores encontravam-se cheios, o combinado eram se encontrar direto no local, que seria na floresta fora da escola, mal dava para enxergar ao longe por causa do nevoeiro mas Piettra parecia não se incomodar, ao chegarmos, todos seguravam uma vela, alternando de branco e preto, havia uma cesta cheia de ervas, e uma mulher que sacudia um traçado de alguma planta queimando pelo circulo, Piettra apertou minha mão e tomou seu lugar, parei observando. Todos haviam ido me ajudar, Piettra, Victoria, Jamie, Nathan, Nick... A mulher se virou pra mim.

― Olá, Alexia. ― Disse ela ainda encoberta pelo capuz.

― Olá.

― Venha, venha para o meio do circulo. ― Indicou ela, aonde havia um traçado de símbolos, fui até o meio, observando o desenho. Após ela ter terminado de queimar as ervas, começou a fazer a continuação dos intrincados símbolos, que faziam a volta por todos, por fim quando todos os preparativos pareciam estar prontos ela baixou o capuz, tinha cabelos loiros e cacheados, olhos verdes com o mesmo símbolo que o olho direito de Jamie tinha. E começou a falar:

― Hoje, precisarei da atenção de todos, imaginem um cadeado, e que vocês querem abri-lo, encontrem a chave. Foquem nisso, Alexia, foque no quanto quer ser livre, se libertar desta maldição. Deixe suas emoções fluírem. O que quer que aconteça, fiquem juntos. Não saiam do circulo! Muito menos de seus lugares. Estão todos prontos?

― Sim. ― murmuramos todos em uníssono.

Ela começou a acender as velas em sentido anti-hórario, recitando versos os quais eu não conseguia entender, os outros de olhos fechados repetiam a mesma coisa, quando ela chegou na última pessoa do circulo as velas tremeluziram e ficaram mais fortes, os símbolos acenderam como fogo, e correram como se seguissem um rastro de pólvora em minha direção.

― Concentrem-se! ― Disse ela.

Fechei meus olhos.

Pensamentos desgovernados corriam por minha mente, eu criança brincando, minha primeira visão de um espírito, meus pais assustados, os tratamentos, o instituto, minha avó, eles... á história, os últimos acontecimentos...

Eu quero ser como eles.

Eu quero poder protegê-los.

Eu quero retomar minha vida de onde parou.

Senti minha pele esquentar, e o vento ricochetear meus cabelos pra um lado e outro, o som das palavras começou a aumentar, virando uma cantiga. Minha pele começou a esquentar ainda mais, parecendo que estava queimando mas prendi o grito na garganta.

Eu não vou desistir.

E então aconteceu, senti meus joelhos tremerem e algo se romper dentro de mim, abri os olhos a tempo de ver um pilar negro a minha volta se dissipando, meus joelhos cederam e cai. Sentia meu corpo tremer, mas me mantive firme, tudo a minha volta ficou nublado e apaguei. Quando finalmente acordei, tudo parecia mais nítido, eu conseguia enxergar perfeitamente mesmo a noite, mesmo com o nevoeiro, olhei ao redor experimentando meus novos olhos, sentia o cheiro de madeira e folhas úmidas da floresta, abri um pequeno sorriso, me levantando devagar. Senti minhas costas ficar rígidas, e uma dor aguda cruzou por meu corpo, até que escutei o barulho de algo rompendo o ar, olhei por sobre o ombro e percebi, eram minhas asas. Enormes asas, até maiores do que eu, e eram... douradas. Afundei uma das mãos na ponta de uma delas, eram macias como penas. Todos abriram os olhos, sorri pra eles. Piettra abriu um largo sorriso, assim como quase todos, Nick me encarava sem dizer uma palavra, impossível de saber o que se passava.

― Seja Bem-Vinda, Alexia. ― Disse a mulher, se curvando com o punho fechado sobre o peito, todos fizeram o mesmo, retribui.

Percebi que Alexia já não parecia bem logo quando ela estava indo pro dormitório com Piettra, ela era péssima pra disfarçar as coisas, o que era bom e também ruim, decidi ir pra sala de música tocar um pouco, ficar sozinho e pensar. Ela não fazia ideia de que a família dela era uma das mais poderosas do nosso mundo, é claro que não. Ela era a filha desaparecida dos Laurenzzi, ela era Louise Bartole Laurenzzi. Fora roubada de sua família quando ainda era indefesa e amaldiçoada para jamais conhecer sua natureza, que tipo de monstro faria isso com um bebe? Havia perdido a aula de hoje devido á missão, adentrei a sala de musica, como supus estava fazia, caminhei até o piano me sentando na banqueta, o encarei por alguns instantes, não conseguia me concentrar. Caminhei até a janela, frustrado. Ao longe avistei a professora de feitiços, Athenodora. Abri a janela e saltei, abrindo as asas e pairando no ar, pousei ao seu lado, recolhendo as asas calmamente.

― Olá, Nick. ― Disse ela.

― Oi. Professora, irei direto ao assunto... Precisamos de sua ajuda para ajudar uma aluna nova.

― Uma aluna? Quem?

― Louise Lourenzzi. Bem, ela não sabe que é Louise porque foi roubada da família, bem você sabe da historia, os poderes dela estão trancados, acho que uma maldição.

― Vou pesquisar sobre isso, estejam ao cair da noite na floresta ao norte, na clareira. Peguem suas capas de ritual... ― Dei meia volta e fui atrás dos outros, após avisar isso a eles voltei pro meu quarto, a tarde passou voando e quando me dei por conta já estava vestindo a capa e indo encontrar os outros na clareira, Athenodora passou todas as regras e explicou o ritual. Aguardamos pacientemente até que Piettra chegasse com Alexia, quando elas chegaram, Piettra assumiu seu lugar assim como Alexia, que mesmo parecendo estar assustada aguentou, o ritual pareceu demorar uma vida, até que abri os olhos, a primeira coisa que vi foi Alexia, todo seu poder sendo liberado, as asas... lindas, assim como ela.

Observei meus amigos, pareciam tão pasmos quanto eu. Uma alegria estranha tomou conta de mim, tudo parecia estar se encaixando aos poucos, eu tinha medo que isso tudo não fosse real, que eu finalmente tivesse ficado louca, mas era. Eu sabia disso no fundo do coração, sei que isso é algo um tanto clichê para se dizer mas é a verdade, bati as asas com força uma única vez e quando dei por mim havia disparado em direção ao céu, não consegui me conter e ri feito uma criancinha, era maravilhosa a sensação do vento em minhas asas, tudo agora parecia mais nítido, mais claro, mesmo longe deles conseguia ouvir as risadas e o choro de Piettra. Nick foi o primeiro a alçar voo, as asas prateadas batendo fracamente atrás das costas, ele sorria.

― Bem, temos que buscar suas coisas, certo? Além do mais, agora não preciso te carregar, você é pesada. ― Disse ele em tom de provocação.

― Eu, pesada!? Ah mas você não disse isso!

― Se não gostou, venha me pegar. ― Ele deu uma piscadela e disparou céu acima, fui atrás dele, fizemos uma espécie de pega-pega no ar, era engraçado e quase impossível pega-lo, ele fazia manobras de esquiva ou simplesmente despencava céu abaixo com a gravidade o ajudando. Até que ele parou, fingindo estar sentado.

― A imortalidade caiu muito bem em você, assim como esse par de asas, não que você já não parecesse um anjo sem elas. ― Disse ele, em tom sério. Senti minhas bochechas corando, olhei pra ele sem saber o que dizer, que como resposta tombou a cabeça pro lado me observando, um sorriso brincando nos lábios. ― Quer dizer que essa língua afiada não tem nenhuma resposta espertinha no momento?

― Irritante. ― Revirei os olhos, tentando conter um sorriso.

― Irritante, é? Você é a primeira garota que me diz isso, se fosse outra estaria se jogando em cima de mim. ― Riu ele.

― E ainda é convencido! Fala sério.

― Estou falando sério. ― Disse ele.

Olhei pra baixo, Piettra e os outros abanavam e gritavam um “Venham já aqui!” Fiz um sinal de tchau pra ele, juntei as asas rente ao corpo e mergulhei, quando estava perto de pousar abri as asas planando um pouco e finalmente pousei. Piettra havia me dito que o nome da professora de feitiços era Athenodora, fui até ela e lhe dei um abraço.

― Obrigada, Sra. Athenodora. ― Me afastei.

― De nada, querida. Você tem que ir buscar suas coisas logo, certo?

― Vamos agora mesmo! ― Disse Vick.

Alçamos voo, dessa vez todos nós fomos o mais rápido que conseguimos, discutindo uma forma de não chamar atenção. Minha avó nem meus amigos poderiam saber da minha verdadeira natureza, pois é contra as regras do nosso mundo, eles iriam bater na porta de casa procurando por mim e puxando conversa, de forma que atraíssem a atenção de todos, eu e Nick iriamos entrar pela janela do meu quarto e arrumar minhas malas. Quando chegamos, o grupo se dividiu os outros foram apertar a campainha e desempenhar seu papel, eu e Nick fomos para meu quarto, quando pousamos na sacada observei Meg e Chris sentados em minha cama, Meg chorava abraçada nele. Precisei usar toda minha força de vontade para não entrar lá agora mesmo, Chris e Meg pareciam ter ouvido algo e correram pra fora do meu quarto, essa foi nossa deixa. Entramos e corri até a porta a trancando. Podia ouvir as vozes lá em baixo.

― Pegue as malas ai em cima do guarda-roupa! ― E assim começamos nosso trabalho, parecíamos dois furacões no quarto usando nossa velocidade sobre humana para arrumar as coisas mais rápido, joguei minhas roupas de qualquer jeito dentro da mala, enchi três em instantes, Nick colocava meus livros, caderno, notbook, etc. Havia terminado minha parte de forma que estava ajudando ele. Iriamos precisar de mais uma mala, corri até o quarto de Victoria e peguei uma mala grande que ela tinha, voltei e arrumamos as roupas de cama. No total deu Seis malas e uma mochila.

― Quanta coisa! ― Disse Nick, reclamando.

― Reclamão. Estamos prontos, os outros se saíram bem, em?

― Se saíram mesmo. Vamos comunica-los. ― Nick assoviou baixo, uma canção de quatro notas, e fez sinal para que eu saísse primeiro. Peguei três das malas e alceei voo novamente, Nick fez o mesmo. Demorou um pouco pros outros saírem, então esperamos.

E demoraram mais, começamos a nos preocupar e Nick decidiu ver o que era, Chris estava discutindo com Jamie, que obviamente não sabia o que fazer, até que uma ideia surgiu. Abri a porta do meu quarto com e a bati com força, foi o suficiente pros dois largarem correndo, peguei minhas coisas e desci pela janela.

― Vamos logo! ― Os outros abrem suas asas e alçamos voo, nossa volta para a escola é silenciosa, ao chegarmos Piettra me ajuda com as malas, vamos para nosso quarto e ela me ajuda a arrumar tudo, ela havia guardado a tinta em seu armário, então decidi seguir sua decoração, após um longo tempo arrumando minhas coisas, me sentei escorada na cama.

― Dia longo né? ― Disse Piettra jogada no tapete

― Bastante. ― Olhei para meu criado-mudo que constava com um papel. Estiquei o braço e peguei, havia meus horários de aula gravados lá. As aulas começavam ás 06:40 e iam até 11:55, em dia de palestra que eram todas as quartas-feiras a palestra começava ás 14:00 e terminava ás 16:00 educação física era ás 14:00 ás 17:00 na segunda, também tinha a opção de se juntar a clubes, máximo de clubes que se podia frequentar eram três os clubes eram: Natação, Música, Teatro, Fotos, Conhecimento, Esgrima, Armas em Geral, Sobrevivência, Luta... e assim se seguiam uma infinidade de opções. Os alunos poderiam pegar também missões, os do primeiro e segundo ano missões em grupo, do terceiro pra cima era opcional, grupo ou individual. As missões começavam a partir dás 22:00. Tinhamos aula de Introdução a Esgrima, Introdução a Artes Marciais, Introdução a Armas Brancas, Introdução a Armas de Fogo, Conhecendo a história, Espiritologia, Dememonologia, Introdução a Rituais, Conhecimento as Leis, Latim, Língua Estrangeira: Frances, Japonês, Alemão, Inglês. (Opção de duas línguas diferentes.), Primeiros Socorros, Decifrando Códigos, Educação Física.

― Vou escolher como língua o alemão. E como clubes, o da música, o de luta e o de sobrevivência. Vou encaixar o de música que é a 13:00 ás 14:00 ás terças com o de luta que é das 15:00 ás 16:40, e quinta o de sobrevivência, dás 17:00 ás 19:00. Alguém de vocês fazem parte de alguns desses? ― Perguntei anotando qual era minha escolha no lado de cada opção.

― Nick faz o de música, o Jamie e o Nathan fazem o de sobrevivência, a Vick faz o de luta. Posso ver seus horários?

― Claro. ― Estendi o papel pra ela. Após ela me entregar, peguei minha agenda da gaveta do criado-mudo e anotei os horários de aula e os extras. Além dos avisos.

― Melhor pedirmos permissão para irmos ao mundo inferior, você precisa passar na loja de armas da Dorothy e na Loja Especializada em foices, além de precisar comprar uma armadura pra você e alguns apetrechos.

― Tudo bem, vou pegar o dinheir...

― Louise. A gente não usa dinheiro humano, usamos rubis. Mais uma coisa que precisa saber, é que os donos da maioria das lojas são espíritos, nem todos são maus, sabia? Alguns cooperam conosco frequentemente. Precisa passar na sala da Magnolia para pegar seus livros. E precisa de cadernos. Ah, se quiser fazer uma variação no uniforme pode, como usar uma calça xadrez, abrigo xadrez, a bermuda mesmo, ou saia. Os sapatos é livre pra escolher. E ai vamos logo com isso? Se formos agora conseguimos chegar cedo o suficiente pra dormirmos um pouco.

― Certo. Mas... não tenho dinheiro, lembra?

― Você nem sabe o quão rica é. ― Ela riu ― Ah, e temos que perguntar da sua família, claro! Vamos logo! ― Piettra se levantou em um pulo e saiu me puxando junto com ela.

― Espera ai. Não é melhor tirarmos nossos uniformes agora?

― Ah! Verdade. Tem vergonha caso nos troquemos juntas?

― Não, tudo bem. ― Peguei uma regata branca com um bolso de coração no peito, vermelho, coloquei uma jaqueta de couro por cima, jeans pretos rasgados nos joelhos e coturnos, amarrei o cabelo em um rabo de cavalo alto e estava pronta, Piettra vestia uma regata cinza e calças de couro skynny com botas de montaria pretas. Saímos de nosso dormitório e fomos direto a sala de Magnolia. Batemos uma vez e esperamos que ela dissesse para entrarmos.

― Entrem.

― Tudo bem se formos até o submundo para comprarmos os materiais para a Louise? E ela precisa dos livros, e de uma customização de roupas.

― Ah, claro. ― Ela foi até um armário e o abriu ― Lado esquerdo roupas, direito livros.

― Obrigada. ― Fui primeiro nas roupas, peguei duas calças skinny xadrez, duas saias a gravata preta, que esqueceram de levar com o resto do uniforme, um moletom com a insígnia, uma camisa de manga comprida com a insígnia ambos pretos, e um colete, mais uma camisa branca e fechei aquela parte. Depois peguei os livros: Tipos de Armas, e suas funcionalidades, Conhecendo as leis, Introdução a Alemão, Introdução a Latim, A História do Submundo, Introdução a Rituais, Os códigos & suas mensagens, Demonologia, Espiritologia, e por fim fechei o armário com o pé segurando um monte de coisas.

― Deixa que eu ajudo. ― Dividi minhas coisas com Piettra.

― E... sra. Quando ela irá conhecer a família dela?

― Boa pergunta. Quando quer conhecê-los Louise? ― Refleti por um tempo.

― No fim de semana? O dia que conseguir.

― Ótimo. Irei entrar em contato com eles.

― Sra. Ela só tem dinheiro mortal.

― Ah, claro. ― Magnolia foi até a parede atrás de um quadro, fez alguns sinais e um pequeno compartimento abriu, nos entregou três saquinhos de couro cheios de rubis. ― Isso deve dar pra todas as despesas durante a semana, qualquer coisa que precisar me avise Louise.

― Obrigada, e... hum ― Puxei minhas aulas extras escolhidas que havia anotado do bolso e a entreguei. ― Já escolhi...

― Perfeito! Os professores serão avisados, acho melhor irem logo para o Submundo se quiserem chegar cedo.

― Tchau Magnolia! ― Dissemos ao mesmo tempo e saímos, voltamos pro nosso quarto, onde arrumei meus livros e as roupas, os corredores estavam cheios de gente chegando de missões e indo. Deviam de ser 02:30 da manhã, quando estávamos nas escadarias, Nick passou por nós com um garoto de cabelos castanhos e olhos cor de marfim e verde.

― Onde vão a essa hora? ― Perguntou Nick arqueando as sombrancelhas.

― Ao submundo fazer compras! ― Disse Piettra animada.

― Vamos com vocês, está tarde para duas moças irem ao submundo sozinhas. ― Disse o garoto ― Ah, me chamo Brandon. ― Disse ele olhando pra mim ― Você é a Louise né?

― Que eu saiba sim. ― Dei de ombros, ele riu. Com isso fomos nós quatro, decidimos ir caminhando pela floresta até um portal que dava para o Submundo.

― Gente a Ise não sabe atravessar portais ainda. ― Disse Piettra ― Ah, tudo bem se eu te chamar de Ise?

― Pode sim, ta, como se atravessa um portal?

― Bem, foque que quer chegar ao submundo, você vai sentir um leve desconforto porque é sua primeira vez atravessando um, depois acostuma, é uma ventania danada lá dentro, e cuide aonde vai cair.

― Certo. ― Brandon foi primeiro, Nick de segundo e eu de terceiro, Piettra iria por último. O Portal dentro era um borrão de cores escuras, vento ricocheteava meus cabelos a todo o tempo, parecia que eu estava voando mas sem asas, quando cai, senti algo duro em baixo, fiquei olhando o portal por um tempo. Até que ouvi um barulho, e Brandon dobrado de tanto rir, olhei com cara de interrogação pra ele e olhei pra baixo, então que percebi que havia caído em cima de Nick e estava com o cotovelo apoiado no nariz dele.

― Ai! Qual seu problema comigo!? ― Falou Nick, irritado. Me levantei de um pulo.

― Bem, você que ficou parado em frente a onde o portal fica!

― Bem, você parece um ganso desajeitado pra cair de um simples portal.

― Nick?

― Que foi? ― Disse ele se levantando.

― Vai a merda. ― Brandon a essa altura chorava de tanto rir da cena, Piettra aterrizou de pé, olhando nós três de um pro outro sem entender absolutamente nada.

― O que aconteceu aqui? ― Perguntou ela

― Essa desajeitada me derrubou! ― Disse Nick, revirei os olhos pra ele.

― Vo...você ti...tinha que ver! ― Disse Brandon entre risos. Piettra soltou um risinho também.

― Bem-Vinda ao submundo Ise. ― Virei-me para o que deveria de ser a cidade. O céu era um tom escuro com nuvens onde brilhava uma lua sangrenta, todas as construções eram em estilo rústico, e antigo, ao longe viam-se diversas colinas, um rio corria de baixo de uma ponte de pedra mais adiante, e dava-se para avistar algumas tavernas e lojas mais adiante.

― Vamos. ― Disse Nick, e com isso o seguimos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.