O Circulo
4 Capitulo 4 - Mentiras
Me levantei, decidida de que era uma ideia incrivelmente idiota e inconsequente, mas segui em frente, abri caminho entre as pessoas, indo até o sofá e olhando para os lados, verificando se havia algum sinal deles. Fui em direção a saída, fazia pouco tempo que os havia visto, não deveriam de estar longe, após procurar por um tempo estava prestes a adentrar o local novamente, foi quando escutei o barulho de algo urrando, vinha de um beco próximo ao bar, caminhei com cuidado sentindo um frio na barriga terrível, caminhei em silencio sem fazer barulho algum e ao me aproximar, espiando perto da parede os encontrei, os quatro em um circulo ao redor de algo, caminhei devagar me escondendo atrás das latas de lixo, olhei novamente afim de enxergar o que eles cercavam até que vi o corpo de uma mulher caído no chão, imóvel. O pavor tomou conta de mim, eles haviam a matado? Por quê? E foi então que aconteceu, uma mulher saiu de dentro dela, mas a cor era inteiramente negra, os olhos... roupas... cabelos... tudo. Ela olhou pra eles, sibilando.
― E então, Katrop... uma das dez Black Shade , se entregara por bem ou teremos que captura-la? ― Falou o garoto de cabelos loiros, tinha uma voz dura e calculada, falava em tom de ameaça, mas isso não pareceu deixar a mulher com medo, ela saltou pra cima dele tão rápido que o atirou longe, mas ele era rápido também, deu um mortal no ar e caiu agachado retirando algo das costas que pareciam duas mini-foices, as segurava uma em cada mão, os outros mostraram as suas armas também, outros tipos estranhos de foices e se iniciou a luta, eu estava paralisada pelo medo. O que estava ocorrendo? Tinha vontade de sair correndo mas uma parte de mim via a beleza naquela luta por sobrevivência, a beleza dos movimentos, não era possível. Eles eram implacáveis, mas a mulher era muito rápida e ágil, foi então que a situação se complicou, os dois garotos atacaram ao mesmo tempo e ela agarrou os dois no ar, os jogando longe e bateram na parede com um som estranho de ossos quebrando, ali ficaram, a mulher foi em direção a eles, mas a garota de cabelos lilás atacou, a mulher acabou desviando e olhou pra ela em quanto abria a boca e um liquido verde jorrava acertando a barriga da jovem, que gritou de dor caindo no chão, por fim a mulher se virou para a garota pequena de aparência delicada, com um sorriso malvado no rosto, a garota gritava pelo que deveria ser a parente.
― VICK! VICK! ― Gritava ela em desespero, a garota que antes estava se debatendo encontrava-se imóvel no chão.
― Ninguém vai te ajudar, queridinha. ― Sibilou a mulher, sua voz parecia com cacos de vidro raspando, a garota parecia apavorada, e isso foi á gota de água, em um movimento me levantei, mesmo sem ter a mínima ideia do que fazer, sai do meio das lixeiras e adentrei mais o beco parando a poucos metros da cena.
― Pois esta errada, eu irei. ― Respondi sem pensar, algo se agitava dentro de mim, o que eu poderia fazer contra aquilo? Eu no mínimo iria morrer ali, que idiota.
― Mais um bichinho para eu brincar? ― Sibilou. A Garota parecia perplexa me observando, a mulher sorriu e correu em minha direção em uma velocidade incrível, era isso... eu iria morrer por minha estupidez, tudo que fiz foi colocar as mãos pra frente, tentando impedir o impacto ou sei lá, mas ela não chegava, o que chegou foi um estrondo horrível e o som de um grito, abaixei as mãos, olhando. Ela não estava mais lá, a garota estava encolhida em um canto de olhos arregalados, baixei os olhos para minhas mãos que soltavam fumaça.
―Mas... Mas o que!? ― Comecei a sacudi-las.
― Vo... Vo... Você... Quem... é você? ― Disse a garota.
― Ela foi embora? ― Perguntei olhando para os lados. ― Estamos seguras?
― Se ela foi embora? Com certeza! Você a fulminou. ― Disse ela de olhos arregalados.
―Eu... o que? ― Perguntei.
― Como o que? Suas mãos... elas começaram a soltar faíscas e BUM! Um raio saiu delas, atingiu ela e a mandou pro Submundo, direto!
― Eu estou louca, né? De vez... certo? ― Me belisquei. ― Não, isso não é um sonho... o que esta havendo aqui? Quem são vocês? O que era aquilo? E porque estas me olhando assim? Sou uma pessoa comum! ― Minhas mãos tremiam.
― Como você não sabe? Espera... Ah, meu Deus! ― Disse ela parecendo ainda mais perplexa.
― Conversamos depois sobre isso, meu nome é Piettra e o seu?
― Alexia. ― Falei me aproximando com cuidado. ― Eles parecem muito mal. Ela os observou assumindo um tom verde de quem estava enjoada.
― Tudo bem? ― Perguntei.
― É só que... não sei o que fazer pra ajuda-los! Não tenho como levar todos eles pra casa, Oh céus! ― Pensei por um instante.
― Tudo bem, eu... te ajudo, só preciso ligar pros meus amigos e vamos levar eles pra casa da minha vó.
― Mas você nem me conhece, e mesmo assim vai me ajudar? ― Perguntou ela.
― Bem, não posso deixar você assim, nem eles, certo?
― Obrigada. ―Murmurou ela, olhando pro chão em quanto se levantava.
― Não me agradeça.
― Olha, meio que só você pode nos ver e tal, vou explicar tudo assim que der, não comente nada com esse seus amigos.
― Hãm, ok. ― Tirei o celular do bolso e mandei uma mensagem a ambos.
Não estou me sentindo bem, irei pra casa, por favor eu imploro que se divirtam mesmo assim, relaxem que deve ser só algo que comi, pegarei um taxi. – Lexi
Enviado.
― Vamos? ― Falei, como resultado ela foi em direção a irmã, a pegando gentilmente no colo.
― Trabalho pesado, ai vou eu. ― Fui em direção aos garotos, colocando um braço de cada um por cima de meu pescoço, segurei-os pela cintura e assim fomos, andamos por um bom tempo até que encontramos um taxi, fiz sinal para Piettra entrar na frente com a irmã, coloquei os dois no banco de trás e fechei a porta, indo me sentar no banco do carona, o homem me encarava como se eu fosse maluca.
― Pra... ér, onde Srta? ― Perguntou.
― Rua Willam Chelf, 250. ― Respondi.
― É pra já! ― E assim o motorista arrancou com o carro, sempre sendo cuidadoso ao dirigir, e parando em todos os sinais, o exemplo perfeito de motorista, suspirei.
― Olha... da pra ir mais rápido por favor? ― Perguntei.
― Sim, Sim. ― Olhei pra trás, observando eles, Piettra parecia muito preocupada com a garota, virei pra frente tentando manter o pânico controlado.
― Mais... rápido, por favor! É urgente. ― Com isso ele realmente pisou no acelerador, quando finalmente chegamos abri as portas de trás, segurando os garotos e Piettra abriu a dela segurando a garota, o homem pareceu assustado, agradeci e entreguei o dinheiro.
― É ai que você mora? É lindo. ― Comentou Piettra.
― Me mudei á muito pouco tempo, minha avó mora ai, abri os portões e adentramos o local.
― Olha, Piettra... á minha janela é aquela do meio no segundo andar. ― Apontei.
― Estou pensando em um meio de conseguirmos entrar por lá, mas não sei como já que é uma altura muito alta. ― Ela observou pensativa.
― Esta trancada? ― Perguntou.
― Sim.
― Os deixe ai e apenas a destranque, eu cuido do resto. ― A observei por um instante, sem saber o que fazer ao certo mas por fim concordei e entrei correndo na casa, nenhum sinal de minha avó, subi as escadas correndo e fui até meu quarto, fechei a porta com o pé e a tranquei, corri para a porta-janela e a destranquei, saindo na sacada e fazendo um sinal de positivo. Piettra lá de baixo assentiu, e fechou os olhos por um instante, o ar reverberou ao redor e então enormes e elegantes asas cor de rosa pálido brotaram de suas costas, observei em choque aquilo, ela bateu asas apenas uma vez e se atirou em direção a porta-janela, passando por mim de asas juntas ao corpo.
― Pode coloca-la em cima da cama. ― Corri para pegar um colchão no armário e o coloquei no chão, depois peguei vários edredons fazendo outra cama improvisada no chão. Ela saiu de novo, trazendo os garotos.
― Coloque um em cada cama improvisada... ― E assim ela fez, depois sentou-se na cama por um instante.
― Vo... Você é um anjo? ― Perguntei. Ela olhou pra mim e riu.
― Não, sou uma ceifadora.
― Não tenho a mínima idéia do que seja isso. ― Falei.
― Com o tempo vai saber, eu preciso de Alecrim, Arnica, Calêndula e Rosmaninho, também de água, algo pra amassar... um pote, e uma garrafa vazia.
― Não conheço nenhuma dessas plantas mas o resto posso conseguir, minha avó tem uma estufa com todo tipo de ervas, pode encontrar o que procura lá, fica atrás da casa.
― Ok, espero que consiga achar mesmo, pode conseguir o resto pra mim?
― Claro. ― Com isso cada uma saiu pra um lado diferente, abri a porta e corri para a cozinha tomando cuidado para não fazer barulho, procurei até achar uma garrafa de vidro longa e vermelha que deveria servir, um pote estranho de madeira que deveria ser um pilão com um gral dentro. Peguei duas garrafinhas de água e corri pro quarto com os utencílios, os colocando no chão e arredando os puffes pra um canto, Piettra chegou segurando um monte de ervas estranhas e as despejou ao lado dos utencílios, em seguida começou a misturar as coisas e adicionar outras, não necessariamente nessa ordem, baixei os olhos observando a roupa que eu ainda estava, tirei os sapatos ficando de pés descalços e tirei o casaco, revelando meu vestido. Soltei o cabelo o ajeitando com os dedos, quando me virei percebi que Piettra me fitava.
― Bonito vestido, Alexia. ― Comentou.
― Obrigada, hum... pode me chamar de Lexi. É como todos me chamam...
― Lexi. ― Disse ela, abrindo um pequeno sorriso. ― Certo.
― Quer ajuda ai? ― Perguntei.
― Ah, não... obrigada. ― Ainda havia um punhado de ervas que ela não havia usado, mas o primeiro frasco estava pronto. Em quanto isso fui até o banheiro pegando uma bacia pequena e uma toalhinha, voltei pro quarto começando a limpar os ferimentos de todos aos poucos.
― Preciso passar isso pela barriga dela. ― Mostrou algo que parecia uma pasta, no pilão. ― E isso é pra eles, vou ter que por as costelas no lugar antes que cicatrizem ou isso vai dar problema.
― Ah... ok. Eu posso passar seja lá o que for isso, na barriga dela em quanto você, hum... quebra as costelas deles de novo? ― Perguntei.
― Certo. ― Ela me entregou a mistura, e tentei abrir a placa de couro corruida pelo que parecia veneno, até que achei as fivelas e aos poucos fui tirando a “armadura” até que ficasse somente a regata preta, levantei a blusa que estava meia rasgada, e olhei a barriga, estava em carne viva e com algumas bolhas, engoli em seco, comecei a passar a mistura, chiava de encontro a pele, do outro lado do quarto eu escutava o barulho de ossos voltando pro lugar, era agonizante só de ouvir. Quando acabei de passar a mistura, coloquei um pano molhado sobre a testa dela.
― Daqui um tempo a mistura vai endurecer, e quando tiver parecendo uma tabua quebre ela e a tire aos poucos, ela vai estar bem melhor. ― Disse Piettra, terminando de por as costelas do garoto loiro no lugar, ambos os garotos estavam sem camisa, e pingando suor, a respiração irregular. ― Você pode ir enfaixando o Nathan? ― Disse ela apontando para o garoto de cabelos castanho-escuro.
― Claro. ― Fui até minha caixa de primeiros socorros e peguei o material necessário, fui até o garoto e o coloquei sentado contra a parede, enrolei sua barriga por inteiro apertando de forma que ficasse imóvel, para não permitir movimentos bruscos, quando acabei Piettra trouxe o outro garoto e levou o que se chamava Nathan para o lugar que estava anteriormente. Fiz o mesmo procedimento, e ela me entregou a garrafa.
― Os faça beber, a mistura esta pronta. ― Disse ela em quanto eu pegava a garrafa. ― E Lexi...
― Oi?
― Obrigada. ― Sorri pra ela e assenti, foi complicado os fazer beber já que estavam desacordados, o primeiro foi Nathan e depois o loiro. Estava apertando mais a faixa dele quando ele começou a tossir e tentou se levantar de supetão, o mantive no lugar.
― Ei, devagar ai garoto. ― Com isso ele focou os olhos, e me observou em silencio, depois olhou ao redor vendo Nathan acordando também, e Piettra quebrando a mistura na barriga da outra.
― Quem... é você? E o que aconteceu? ― Essa última parte foi direcionada a Piettra.
― Cara, não consigo nem me mexer direito. ― Reclamou Nathan.
― Apertei demais? ― Perguntei.
― Meninos. ― Disse Piettra. ― Katrop era mais forte do que imaginávamos, se lembram da luta, certo? Ela jogou vocês longe em um determinado momento, foi feio de se ver, vocês ficaram inconscientes... e... Vick interferiu quando ela ia matar vocês, mas foi atingida na barriga pelo veneno dela, eu estava apavorada... Me desculpem. Quando vi o que ela havia feito com Vick... eu surtei, entendem? E...
― Piettra, você foi forte, não saiu correndo nem nada. ― Falei.
― Lexi... ― Começou ela, mas voltou á história. ― Bem, ela apareceu saindo do meio das lixeiras, acho que havia nos seguido, bem na hora... e foi ela quem matou Katrop, ela atirou um raio direto em Katrop... a fulminou. Mas ela não sabe como fez isso, e não sabe nada sobre nós... ― Disse Piettra, em quanto eu baixava os olhos para minhas mãos.
― Isso é loucura. ― Disse Nathan. ― Algo não se encaixa, como uma ceifadora pode morar no mundo mortal?
― É o que temos que descobrir. ― Disse o loiro. ― Me chamo Jamie.
― Alexia. ― Murmurei segurando a mão que ele havia estendido e balançado duas vezes antes de soltar.
― Conte-nos sua história. ― Disse Nathan.
― Eu... esta bem. Que eu saiba não sou adotada, meus pais são as pessoas mais normais que poderiam existir e trabalham demais, desde pequena eu via coisas estranhas... vultos, fantasmas... acho. E eu contava pra eles, que pareciam horrorizados e isso resultou em muitos tratamentos e remédios, a ultima tentativa foi me mandar para o Internato Fallen Angel em Morgan. Foi aonde conheci meus melhores amigos, Meggie e Christian. Os que vocês viram comigo, minha avó era a única que me entendia, ela nunca duvidou de nada, e por isso fugi pra cá, tenho dezesseis anos. E nunca fui normal, de certa forma... nunca me encaixei em lugar nenhum, sabem? Acho que é isso... me chamo Alexia Crawford, e... sei lá, acho que isso resume minha história.
― É uma boa possibilidade você ser adotada, porque é proibido filhos de ceifadores com humanos, é uma das nossas leis mais rigorosas, gostaria de conversar com sua avó, mas não hoje. Ela tem jeito de quem sabe de algo, e é claro que espíritos iriam atrás de você, tem uma grande probabilidade de você pertencer á classe S, meu Deus... porque fizeram isso com você? ― Disse Piettra.
― Não... Não sei. ― Foi a vez de Nathan falar.
― Ceifadores, são seres imortais que tem como função a “administração em geral” das almas humanas, isso tudo ocorre no mundo inferior a onde adultos e crianças vivem, já que a maioria dos adolescentes quando atinge idade suficiente para irem a escola preparatória acabam morando lá. Vivem em uma hierarquia, que esta organizada como: Classe Superior, Alta, Média, Baixa e Inferior. Mas quando não estamos falando em termos formais, chamamos de Classe S, A, M, B, I. Os de classe S são os mais poderosos e cada grupo tem uma característica que os diferencia de outros, a força, o poder... tudo em geral. Mas os membros da classe S e A é muito fácil diferencia-los por causa dos olhos, os membros da classe S tem olhos de cor diferentes, os da A tem um pentagrama no olho direito.
― Uau... isso... é muito pra absorver. ― Falei, me sentia tonta.
― Isso é o básico que você precisa saber por em quanto, e outra coisa... é raro ter um poder extra, e isso exige muito controle pra não o usar de maneira errada. ― Continuou ele.
― Tudo... bem. ― Falei. ― Todos vocês tem asas?
― É claro. ― Disse Jamie. Quando ele tirou o cabelo de cima dos olhos em um gesto impaciente notei o pentagrama no olho direito.
― Você é da Classe A? ― Perguntei, e como resposta tive um pequeno sorrisinho.
― Acertou. Nathan? ― Perguntou.
― Classe M. ― Disse o garoto, levantando o braço.
― Eu e minha irmã também somos da classe M... ― Disse Piettra.
― Legal. ― Murmurei.
― Ah, cara... o Nick vai nos matar. ― Disse Nathan.
― Nem me fale. Ele vai nos dar a maior bronca dizendo “Eu avisei que era meu grupo que deveria ter ido” e blá. ― Dessa vez quem falou foi Jamie.
― Ele poderia ser mais amigável, leva as missões a sério demais. Bem, como quase tudo, que tipo de cara dispensa friamente a Merethy? Cara! ― Disse Nathan.
― Bem, esse é Nick sendo Nick. ― Disse Victoria, se sentando com uma expressão de dor.
― Vick! Disseram os três em uníssono.
― Acharam mesmo que eu iria ficar mal por causa desse aranhãozinho? ― Percebi que ela tentava ser valente para não os assustar, mas ainda estava pálida demais.
― Eu... vou tomar um banho rápido, sintam-se em casa, por favor. Podem ir buscar comida se quiserem. Só descerem as escadas, atravessaram a sala e dobrar a esquerda. ― Peguei uma roupa e fui para o banheiro fechando a porta, tirei o vestido e o coloquei no cabide, tomei um banho rápido cuidando para não molhar os cabelos, vesti uma regata branca e por cima um moletom listrado de branco e preto, coloquei meu abrigo preto e escovei os cabelos, os deixando soltos, me fitei no espelho por um instante.
― Uma ceifadora...? ― Murmurei. Voltei para o quarto, todos estavam comendo, e bebendo café.
― Obrigada por tudo, Alexia. ― Disse Victoria, sentada em minha cama.
― Não precisa agradecer. ― Sorri.
― Eu trouxe comida pra você também, Lexi. ― Disse Piettra em um pulo, pegando um prato com dois pedaços de bolo e café.
― Obrigada, Piettra. ― Peguei o prato com cuidado e me sentei escorada na cama, comecei a comer, os que já tinham acabado conversavam entre si, sobre ir embora para a Escola e relatar o ocorrido a Magnolia.
― Hum, acho que ainda não estão em condições de vocês sabem, voarem... podem ficar aqui hoje, ou o tempo que for preciso. ― Comentei, fitando o prato.
― Bem... nesse caso podemos ir amanhã de manhã, certo? ― Disse Pittra fitando os outros, que concordaram.
― E vamos ter que levar a Alexia. ― Comentou Victoria.
― Espera, me levar pra onde?
― Pra Cross Fire, é claro. Nossa escola... você também quer descobrir quem é, certo? ― Jamie falou.
― Certo...
― Resolvido. ― Piettra bateu palmas. Levantei-me, pegando meu violão, um cobertor e travesseiro, abri a porta-janelas saindo para a varanda.
― A onde você vai? ― Peguntou Piettra
― Vou tocar um pouco, durmam ai, Piettra durma na minha cama junto com Victoria, boa boite. ― Sorri. E fechei a porta-janela antes que protestassem, me sentei na poltrona, colocando o travesseiro em minhas costas e tapando minhas pernas, puxei o capuz para cima, e apoiei o violão no colo, observei por alguns instantes a lua no céu, até que comecei a tocar Let It Go do The Neighbourhood, cantando baixo. Três musicas depois, meus olhos estavam pesando como cortinas prestes a serem fechadas, larguei o violão no chão, observando a lua até deixar a escuridão me engolir.
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