O Ciclo dos Mortos
2 A morte, mais perto do que nunca
ETHAN:
Ficar trancado em casa. Esta é a única coisa que faço em momentos de tensão como esses.
Meu nome é Ethan Berman. Tenho 27 anos, e faço aniversário depois de amanhã. Era um professor de História bem-sucedido, até tudo isso acontecer.
Antes deste estrondo mundial acontecer, eu sempre dava uma olhada nos noticiários locais de Dallas — lugar onde vivo. Porém, depois de tudo isso, as redes televisivas começavam a dar alertas urgentes sobre viajar para Atlanta o mais rápido possível antes de que o apocalipse zumbi tomasse conta de todo o planeta Terra.
Todo dia, quando acordo, tenho de conferir a janela para ver o que está acontecendo lá fora. Mas, para que ver algo que você já está acostumado a ver? Mortos-vivos andando na rua, cada vez com mais carne e sangue entre seus dentes... bem, não é uma coisa muito legal de se ver.
Hoje não seria uma exceção. Quando levanto da cama, a primeira coisa que faço é checar o espelho. Olhos castanhos, cabelos da mesma cor, altura um tanto quanto grande, entre várias outras características e defeitos visuais meus. Além disso, meu quarto também está iluminado, o que dá a entender de que o Sol está clareando o dia. Quando penso nisso, sempre me alegro, pois quando eu era criança, minha mãe sempre cantava um trecho de uma música infantil para mim. Este dizia: "Não desanime-se não. O Sol está aqui para animar o seu dia!".
Logo após isso, vou para a sala. Coloco minha mão nas persianas para ver o que está havendo lá fora, mas não tenho coragem de abri-las. Por questão de segundos, penso: "por que faço isso?". Bom, existem milhares de respostas coerentes para esta pergunta, mas a única que vem à minha cabeça é: "porque você não pode mais viver aí".
Não sei porque o meu subconsciente me faz sempre pensar nesta resposta, mas não posso negar que é verdade: eu sempre olho para fora das janelas para ver se já posso sair daqui. Afinal, não tenho água e nem comida, já que as restantes acabaram ontem. E, sem água e sem comida, é um pedido para morrer — ainda mais num mundo em que você tem que conviver com mortos-vivos.
Bom, pensando nisso, o que eu faço? Espero uma pessoa bater na porta da minha casa, trazendo um galão d'água e uma sacola cheia de comida? Novamente, penso em uma resposta coerente para esta pergunta, e, novamente, outra resposta óbvia vem a minha mente: "procure novos locais para se refugiar."
"Vou seguir oque minha mente diz" penso. Abro uma pequena parte da persiana para conferir se há algum refúgio não muito distante daqui. Tenho que me esticar todo para ver se realmente há algum. Do lado esquerdo da minha casa, há uma delegacia. Se eu, ao mínimo, conseguisse chegar até lá, seria um baita de um alcanço, pois delegacias possuem energia própria, e eu poderia beber água e cozinhar alguns alimentos que eu poderia encontrar por lá.
Então, é isso. Já decido o que vou fazer. Irei pegar minhas coisas e irei para a delegacia o mais rápido possível. Vou para o meu quarto para ver se há alguma coisa para guardar em minha mochila para levar até o meu possível novo refúgio. Há uma faca, duas pistolas, uma .40, e uma espingarda de caça que herdei do meu pai, e que está presente na família desde a morte do meu bisavô. Guardo tudo na minha mochila, e vou até a sala de entrada da minha casa.
Penso no que irei fazer. Sair correndo? Atirar em todos os mortos-vivos para eles morrerem e eu, enfim, poder chegar são e salvo na delegacia? As duas ideias parecem ser bobas, mas opto pelo caminho mais fácil e o mais curto: sair correndo. Embora a minha idade dê falsas aparências, eu corro mais que muitos garotos por aí.
Abro a porta. Fico perplexo ao ver a rua por 5 segundos. Há cerca de uma dúzia de mortos-vivos lá fora. Não sei se irei conseguir chegar na delegacia salvo. Porém, estou disposto a arriscar...
...por essas e outras razões, começo a correr loucamente.
Quando vejo, já ultrapassei três mortos-vivos, tais que estão atrás de mim. Embora em alguns mitos os zumbis sejam classificados como seres extremamente lentos, eles te perseguem mais rápido do que o imaginável.
Pulo um morto-vivo que está caído no chão, alimentando-se de carne de veado.
Tenho de fechar os meus olhos para não ter que vomitar. Estes mortos-vivos são nojentos a ponto de fazer isto. Porém, dois segundos depois disso, me arrependi de não ter prestado atenção a onde estava indo.
Um morto-vivo me agarrou antes mesmo de eu pensar em qualquer tentativa de fuga dali. Logo, ele abriu a sua boca fedorenta e tentou avançar em meu pescoço. Se ele me mordesse, era fim de jogo pra mim.
Chuto sua perna para tentar me soltar... e ele me solta. O problema é que, acidentalmente, eu caio em outro morto-vivo que estava comendo carne de veado. Minha cabeça estava extremamente mal-cheirosa naquele momento, o que atrairia ainda mais os zumbis.
Ambos os mortos-vivos avançam para cima de mim. Por mais que eu tente, eles estão quase me mordendo. Minhas energias já estavam gastas demais. Um deles coloca suas mãos em meu pescoço e se prepara para me morder.
Porém, quando eu acho que tudo está no fim, observo uma faca jogando a cabeça do zumbi para longe.
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