O Choro dos Corvos
7 Velhos Tempos
Notas iniciais
Enquanto Ibuki estava caído ao chão, seu rosto parece querer gritar com a dor, ele segurava a parte que restou de seu braço arrancado pressionando o sangue.
Estava insuportável para um simples homem tal dor, não era nem perto do que ele já havia sentido. Velhas cicatrizes? Sim, Ibuki havia velhas cicatrizes em seu corpo, todas elas feitas pelo seu rival, um inimigo em comum, mas agora não é hora de continuarmos com o triste fim de Ibuki Kouji, e sim vamos a um salão não longe dali.
O Salão tinha 4 metros quadrados, feito de pedras polidas bem colocadas (de forma que não há frechas entre elas). Havia apenas uma porta, era a entrada, ela ficava chumbada numa parede, a porta parecia ser feita de aço bem trabalhado. No meio dessa sala, Pássaro Negro encarava sua única visita, não tão esperada. Fúria dos Ventos estava ali, ele segurava a Kensakebi de Pássaro Negro presa a bainha em uma das mãos.
— Por que está me seguindo? — Perguntava Pássaro Negro, com relutância em encarar sua lâmina.
— Quê? Está perguntando por que estou lhe SALVANDO? — Com sarcasmo na voz, Fúria dos ventos indagou, oferecendo a espada de volta a Pássaro Negro — Precisa pegar e ir, um Kouji está precisando de sua ajuda.
— Não espere que eu lhe agradeça, Fúria dos Ventos. — Pássaro Negro sorri, pegando sua espada de volta, ele avança até a porta de Aço
— Espere ai, Pequeno Pássaro. — Fúria dos ventos vira-se para ele, e solta uma gargalhada — Ta até lembrando os velhos tempos não é? Você preso, eu salvando e um Kouji em perigo.
— Velhos tempos? — Murmura Pássaro Negro segurando firme a bainha de sua espada, ele a retira e olha para sua Lâmina — Velhos tempos.
Inicialmente, posso dizer que Pássaro Negro não é a pessoa certa para se lembrar de seu passado, tantas mortes não é? Mas agora irei contar uma nova história! Sim, outra história! O passado de Pássaro Negro não é tão sombrio assim, a muitas coisas boas além de tanta morte e destruição, há algo além da podridão de sua mente, um simples suspiro de liberdade, e essa é a história que irei lhes contar hoje.
A alguns anos atrás, existiam um grupo de espadachins os Hakaiken, os destruidores de espadas. Eram um grupo de quarenta vezes, quarenta soldados, que não conheciam o medo, remorso, ódio ou amor. Esses guerreiros tinham um juramento, livrar o mundo dos Onikens. Naquela época, os Hakaiken eram um grupo grandioso e glorioso, trabalhavam como mercenários e saqueadores. Pássaro Negro nesta época, lutava como um mercenário também ao lado de seus únicos amigos, as únicas pessoas que lutavam por ele e com ele, seus irmãos de sangue: Fúria dos Ventos e Mamoru Kouji.
Indo ao que interessa, certo dia, Pássaro Negro foi capturado pelos Hakaiken. Ele ficou preso a uma grande árvore no centro de um acampamento desses guerreiros, Fúria dos Ventos e Mamoru Kouji, entraram no acampamento disfarçados. Mamoru eliminou os guardas que vigiavam naquela noite, e Fúria dos Ventos libertou Pássaro Negro. Seria tão simples assim, mas ao pegar sua Kensakebi, Pássaro Negro percebe que caíram em uma armadilha. Os três são cercados por vinte Hakaikens, todos eles com armaduras pesadas feitas de aço, com contornos demoníacos. Vinte Guerreiros totalmente prontos para Mata-los.
Os Guerreiros avançaram, Fúria dos Ventos fica entre Mamoru e Pássaro Negro, os dois conseguem parar as armas dos Haikakens facilmente, e ficam lá defendendo Fúria dos Ventos, enquanto ele pega sua Flauta e começa a tocar uma pequena melodia. Em instantes, um vento forte começa a cercar os três, separando-os dos guerreiros, um pequeno furacão. Os Haikakens recuam, eles não conseguiam ver além do pequeno furacão. Apenas uma aura negra que começava a crescer, junto com chamas que pareciam ter vindo do inferno. O furacão desaparece e eles veem a sua frente. Pássaro Negro envolto por uma aura sombria e dezenas de corvos rodeando o local, os Corvos pegam fogo e caem sobre o acampamento, iniciando um incêndio. Os corvos haviam pegado fogo pela aura incandescente de Mamoru. Ele não era um Oniken, mas havia conhecimento de tal técnica. Com o incêndio e as auras, os três espadachins conseguiram acabar com os Vinte Haikakens sem muito esforço, suas espadas cortavam-nos como papel. Esses são os velhos tempos de que Fúria dos Ventos se referia, o banho de sangue entre os três. Três grandes irmãos, unidos por um propósito único, Destruir.
O grupo se debandou a alguns anos depois, por conta de outra história mais a frente.
Voltando a Ibuki, ele estava rastejando até sua espada, ele não podia agüentar mais a dor do seu braço arrancado, estava perto de desmaiar. Ao conseguir alcançar sua espada ele vê pés a sua frente, estava caído aos pés de seu oponente, um chute acerta sua face e ele cai para trás novamente, cuspindo sangue. Sua boca se enche do seu sangue, seus olhos se reviram, e ele percebe que está chegando a sua hora. Mais um passo de seu oponente em sua direção, e a espada dele desce até o corpo de Ibuki, um golpe perfeito. Sangue jorra para todos os lados pintando as paredes do local, vidro despedaçado cai se espalhando pelo chão. Ibuki abre seus olhos, mas não estava acordado.
— Nada foi para você, nada é para você e nada resta para você... Para sempre.
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