O Choro Das Ninfas
19 Capítulo 18
Notas iniciais
Warner
Chega ser engraçado o que me tornei. Ridículo e humano. Quem diria que alguém como eu, que estava no topo do mundo se tornaria um homem comum que deseja plenamente uma mulher. Se há uns anos atrás alguém me dissesse que eu seria esse homem, eu enfiaria uma bala em seu crânio. Mas cá estou eu, tentado salvar a mulher que mexe com a minha cabeça. Sou escudo entre a minha esposa e a mulher que eu quero.
Quando Marie entrou pela porta da frente em plena madrugada, eu sabia o que ela queria, o que ela pretendia. Ela quer descontroladamente me ferir, e para me ferir tem despedaçar Juliette. Ela sabe que Juliette sabotou o seu plano infalível de me ver morto, e ela veio até aqui á procura de vingança.
– Onde está a vadia?- Ela berra.
– Ela não está aqui.- Olho severamente para ela, e desejo que ela vá embora, se não eu terei que machuca-la.
– Eu tenho um quarto parecido com este…- Marie olha em volta.- Mas este quarto é velho, então não terá muitas passagens secretas.- Ela observa as estantes cheias de livros.- Aposto que ela está escondida ali dentro.
– Não tem ninguém aqui.- Estou ficando sem paciência.
Marie retira algo do bolso. Uma pequena bomba que não é capaz de grandes estragos, mas é capaz de destruir o quarto inteiro e incluído a passagem secreta que esconde Juliette.
– O quê tu pretendes com isso?
– O que eu pretendo? Não é evidente?- Um sorriso sorrateiro ganha forma em seu rosto.
– Tu não serias capaz.- Desafio-a.
– Não me desafies Warner, não tenho nada perder, prefiro morrer do que me tornar numa renegada. – Sorriso desvanece, e a indignação fica estampada no seu rosto. – Eu sempre dei o meu melhor para ser esposa modelo, trabalhei muito para poder estar ao teu lado, mas tu nunca te importaste comigo, sempre me ignoraste, e agora preferes a companhia de uma vagabunda do que a minha…
– Ela não é uma vagabunda.- Minha voz sai áspera e aguçada. Não admito que alguém fale desse jeito de Juliette, porque Juliette é única coisa boa neste mundo podre.
– Não era isso que eu queria ouvir… — Ela enfia a bomba na boca e segura-a com os dentes para que eu possa ver quantos segundos faltam para ela explodir com o quarto. 30 SEGUNDOS. Ela quer que eu faça uma escolha: Fugir — e voltar a ser o homem que sempre fui. Ou Morrer — Ao lado da mulher que eu… E eu fiz uma escolha. Salva-la.
Puxo Marie até mim, e sobreponho a minha boca contra dela. Aprofundo o beijo, e com a língua alcanço a bomba. Cuspo a bomba e esmago com o pé.
– Vocês começaram uma festa sem mim.- Adam surge na porta com um sorriso irónico pintado em seus lábios. Aposto que foi ele que trouxe Marie até aqui.
– Deixa de brincadeiras, e leva-a para longe de mim.- Berro.
– Calma maninho. Eu acabei de chegar.
Empurro Marie contra ele. Ele fica surpreso ao presenciar o meu súbito ataque de raiva, mas não aguento mais essa mulher intragável que tem o poder de amargar os meus dias. Estou tão cansado dela, e deste casamento de mentira. Mas apesar do meu cansaço, e apesar de todo meu eu desejar Juliette, eu não posso abandona-la a sua própria sorte e condena-la a uma vida de escravidão. Se eu aceitei este casamento tenho a responsabilidade de leva-lo até o fim, mesmo que não haja nada entre nós.
– LEVA-A PARA LONGE DE MIM.- Se eu ficar mais um minuto perto dela, eu posso magoa-la, porque a parte mais feia de mim quer ouvir seus gritos agonizante. Violar a sua alma, esfarrapa-la até não haver mais nada dentro dela.
Marie nem se quer olha para mim. Ela esconde o seu rosto contra o peito de Adam, e ele envolve-a em seus abraços.
– Estás assusta-la. Tem mais respeito pela tua esposa.- Ele está furioso e ansioso para começar uma briga.
E eu também quero começar uma, porque tenho ânsia destruir tudo e todos á minha volta. E eu sou ele, e não eu. A parte mais feia de mim escapuliu. E uma vontade de matar, torturar, estripar toma posse do meu corpo. Quero minhas mãos lavadas em sangue vermelho vivo. Quero devorar almas e sentir o gosto da carne em meus dentes. Eu tenho de empurrar toda a minha força vontade contra mim para não cometer atrocidades.
– Tira-a daqui se não eu vou… causar estragos nela.- Adam olha para mim e percebe que eu estou falando sério, e ele sai do quarto com uma Marie assustada.
Fecho a porta, e Juliette sai do esconderijo.
– James leve-a para fora.- Não olho para Juliette porque tenho medo de feria-la. Fecho a mãos em punho. Sinto o gosto de sangue em minha boca.
– Ele não pode levar-me para lado nenhum.- Ela fala como se tivesse em choque.
Olho para ela, e vejo lágrimas rastejar pelo seu triste rosto.
– Eu não queria magoa-lo… eu juro que não queria.- Silêncio.- Mas foi mais forte do eu.
Empurro Juliette do meu caminho, ela cai no chão e seu choro ganha voz. Encontro James inconsciente, seu corpo estremece, toco nele, e minha mão queima só de tocar na sua pele.
– O que fizeste com ele?- Berro em meio do desespero.
– Ele tocou em mim… e eu não conseguir quebrar o contacto.- Ela sussurra entre as suas lágrimas.
Juliette é letal.
Juliette é uma bela flor de belos espinhos.
E ela deveria estar morta, e eu deveria de mata-la.
Mas quem sou eu para julga-la? Se sou tão perigoso quanto ela.
***
Juliette é prisioneira daquele quarto, e aquele é seu único mundo, porque ela perigosa demais para o mundo de fora. Ela está em segurança dentro daquelas quatro paredes porque assim ela não será capaz de magoar ninguém, nem ninguém será capaz de magoa-la. É tão estranho eu quer protege-la depois de tudo o que aconteceu, mesmo sabendo que ela é uma ninfa, acho que no fundo eu sempre soube, mas eu quis negar o óbvio, ainda quero negar o facto de ela ser o que é. Só queria que ela fosse uma pequena menina que nasceu época errada. Mas como todas as mulheres ela carrega em seu sangue o poder das ninfas. Há mulheres que tiveram a sorte dessas capacidades não manifestarem – se nelas, mas Juliette não teve tanta sorte, é evidente que dentro dela há um enorme poder que pode causar a destruição. A minha destruição. Não sei se ela nasceu dessa forma, talvez não, porque ela não tem aparência de uma ninfa, cabelos vermelhos como fogo, ou loiros como ouro, nem olhos vermelhos da cor do sangue.Talvez o seu corpo esteja transformar-se aos poucos consumido pelo ódio e desespero. Mulheres que odiaram demais transformaram-se em monstros. Talvez ela odeia-me. Talvez odeie o mundo.
Bebo para esquecer o que sei e o que não quero saber.
Estou perdido, e não sei o que fazer. O certo era uma bala perfurar no coração de Juliette, mas para mim parece-me tão errado. Eu não era assim, eu era decidido, destemido, e não havia nenhuma dúvida que pairava sobre mim, mas desde que a vi naquele bar com face encharcada em lágrimas, nunca mais fui o mesmo. Pareço tolo. Um louco. Um desvairado. Só queria minha vida de volta, mas para tê-la de volta Juliette tem de deixar de existir, e eu já não consigo imaginar minha vida sem ela.
Adam senta-se ao meu lado. Observa-me e oferece-me um cigarro.
– Como está James?- Ele está preocupado com o rapaz, porque James é como se fosse um irmão para ele.
– Ele está bem.- Respondo rapidamente, e observo o fumo que sai do meu cigarro.
– Fico feliz em ouvir isso.
Ficamos em silêncio, enquanto ouvimos a música deprimente que vinha do rádio.
– Ela perigosa. – Diz Adam pensativo.- Ouvi a história do irmãozinho de Marie, ele ainda está estado choque. Não dorme porque tem medo que ela volte. E dia a após dia ele repete o mesmo: “ O monstro vai-me pegar, o monstro vai-me pegar”. Ele não diz o que ela fez com ele, mas coisa boa não foi de certeza, porque ele está tão apavorado que duvido que algum dia ele volte a ser o menino que foi… Ela deveria de estar morta.
– Eu cuido dela, e ela não fará mal a ninguém.
–Não percebes que o pai mandou-me para aqui para eu acabar com ela?
Solto uma gargalhada
. Eu nunca vou deixar que ele chegue perto dela.
– Se não acabares com ela, ela será o teu fim.- Ele fala como se eu tivesse prestes a perder racionalidade.
– Desde de quando te preocupas comigo? Nós nunca fomos próximos… E tu me odeias desde morte da nossa mãe. – Memórias surgem na minha cabeça sobre a nossa infância e de como Adam culpou-me pelo todo mal que caiu sobre a nossa família.
– É verdade que ainda te culpo pela morte da nossa mãe e de Eric, e fico muito feliz quando cometes erros, mas eu não te odeio, porque és o meu irmão.- Se ele soubesse a verdade acerca da morte da nossa mãe, e se ele soubesse a verdade sobre mim, ele odiar-me-ia.
– Não te preocupes comigo nem com a Juliette.
– Claro Warner, eu quase acreditaria em ti se eu não tivesse presenciado aquele súbito ataque de raiva contra Marie.- Ele está preocupado comigo.
– Foi uma vez sem exemplo.
– Delalieu não concorda contigo. É a maldição?
– Eu sou mais forte que a maldição.
Eu carrego uma maldição que a ninfa “27 de Outubro” descarregou sobre mim. O outro eu descontrolado, a parte mais feia, é tudo furto da maldição de 27 de Outubro.
Afinal eu e Juliette somos muito iguais.
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