O Cheiro do Vento
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Kagura caminhava com dor. Doía, o sangue quente escorria por seu corpo, a visão estava embaçada. Caminhava sem rumo, estava num campo de flores. Ajoelhou-se.
— M- maldição. — Sussurrou. — Meu corpo não fará o que eu quero que ele faça. A ferida se abriu.
As flores brancas ao seu redor ficaram banhadas do seu sangue.
Eu não tenho muito poder restando para curar isso.
O vento soprou suavemente, tocando seu rosto com carinho, levando pétalas sujas com seu sangue no ar. Sentia o shouki (miasma) corroendo seu corpo.
Está quieto. Ninguém por perto. Isso termina aqui? Tudo por mim mesma...
O vento lhe acariciava de novo. Parecendo confortá-la. Seus olhos estavam pesados, estava cansada.
Essa é a liberdade que eu procurei.
Sentiu uma presença, quando ergueu os olhos Sesshoumaru estava parado a sua frente, mais perto do que jamais esteve. Seu olhar era o de sempre, frio e intenso.
— Sesshoumaru... — Disse pausadamente, em choque com a surpresa.
— Eu segui o cheiro de sangue e shouki. — Disse ele friamente.
Ela sorriu.
— Entendo. Você estava esperando o Naraku. Você está desapontado que eu não seja o Naraku?
— Eu sabia que era você.
Seu coração palpitou. O vento soprou parecendo sentir a alegria que Kagura sentia ao ouvir aquelas palavras.
— Entendo. — Ela abaixou o rosto, se sentindo mais fraca.
Então você veio, sabendo que era eu.
— Você está indo embora?
— Sim, é o suficiente. — Ela respondeu.
Juntando suas ultimas forças Kagura levantou o corpo, para olhar Sesshoumaru nos olhos, para pelo menos naquele último momento poder transmitir seus sentimentos.
— Eu te vi... Uma última vez...
Kagura sentiu o vento a levando, ela não sentia mais dor, seu coração estava feliz, ela estava livre, em paz.
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500 anos depois
Mira ficara até tarde na escola presa com os estudos. Quando o ônibus se aproximava de seu bairro o sol já tinha se posto e o céu já estava todo negro.
O ônibus vazio, ela sentada na janela olhava pra fora. Sentia um grande vazio dentro de si. Não sabia por que se sentia assim.
Estava passando por um grande parque naquele momento, com bastante vegetação. Por um impulso se levantou e pediu pra descer.
O vento frio da noite a acalmava. As folhas das árvores farfalhando. Suspirou com um sorriso nos lábios. Escutou um barulho estranho ao longe. Eram grunhidos. Seguiu o som, até se deparar com um homem todo branco, matando criaturas estranhas no meio das árvores. Usava um kimono tradicional branco com vermelho, o cabelo era branco, os olhos joias amarelas, matava criaturas estranhas, parecendo vir dos antigos contos japoneses.
Estava com medo. O homem matava monstros, mas nada garantia que ela não seria a próxima. Antes que pudesse correr ele a viu.
— F- Fomos vistos Sesshoumaru-sama! — Gritou uma criaturinha verde perto dos pés do homem.
— Ah. — Murmurou sem conseguir se mover.
Ele caminhou em direção a ela, sem expressar nenhuma reação. Mira fechou os olhos, esperando que fosse atacada. Nada aconteceu. Abriu os olhos devagar, ele ainda estava diante dela. Era inegável a sua beleza. Seus olhos apesar de inexpressíveis, parecia demonstrar um pouco de surpresa.
— Kagura? — Perguntou ele.
Por algum motivo que ela não sabia, seu coração acelerou, sentiu um frio no estômago. Ela não respondeu.
— É verdade, Sesshoumaru-sama. — Disse a criaturinha verde segurando um bastão com rostos esculpidos. — Ela tem a mesma aparência daquela mulher. Mas... Mas não pode ser ela... Kagura morreu 500 anos atrás.
500 anos? Pensou Mira.
O homem que aparentemente se chamava Sesshoumaru se aproximou dela e a cheirou. Mira ficou vermelha.
— O cheiro é diferente.
Sesshoumaru se virou e saiu andando.
— S- Seshoumaru-sama? Vamos deixá-la viva? Ela é uma testemunha.
Sesshoumaru continuou andando, ignorando o pobre pequeno.
— Seshoumaru-sama! Me espere! — Ele saiu correndo atrás do seu mestre e os dois sumiram no escuro.
Mira chegou no colégio cedo na outra manhã. Ainda não tinha entendido o que havia acontecido na noite anterior. Aquele Sesshoumaru que conhecera não lhe saia da cabeça. Mas não podia matar aula por causa daqueles acontecimentos inéditos. Ele era belo e perigoso, mas Mira não podia ignorar. Iria voltar ao parque naquele dia.
Na saída da escola seu coração estava agitado com a ansiedade de reencontrá-lo. Quando caminhava para o portão um de seus amigos a chamou.
— Kelvin. — Ela respondeu quando percebeu ele chamando.
— Oi Mira. — Ele estava com o rosto muito vermelho. — Eu, eu... Eu queria falar com você.
— O que é?
Ele coçou atrás da cabeça.
— Você... Você aceita... sair comigo?
Mira teria ficado mais surpresa se não tivesse tão distraída.
— Kelvin!
Sesshoumaru.
— Me desculpa, Kelvin. Eu não posso.
Kelvin ficou sem graça, olhou para um lado, depois para o outro.
— T- Tudo bem. Eu entendo.
— Eu preciso ir agora. Depois conversamos direito. — Mira saiu correndo.
Não havia ônibus naquele horário, foi correndo a pé. Quando finalmente chegou no parque não havia nada. Correu por todos os lugares. Ele não estava lá. Ela nunca mais o veria. Ficou mais decepcionada do que imaginou que ficaria.
No outro dia voltou a escola, ainda triste.
— Mira! — Chamou Marcela, sua amiga, no portão, ao lado de Wanessa.
— Marcela, Wanessa.
— Bom dia. — Disse Marcela animada.
— Bom dia. — Respondeu Mira com um suspiro.
— Por que essa tristeza toda? — Perguntou Wanessa. — É sobre a declaração do Kelvin?
— Nã- Não é nada disso!
— Sabe, o Kelvin é um cara legal. — Afirmou Marcela.
Elas continuaram conversando enquanto se caminhavam para a sala.
— E você deveria dar um pouquinho mais de atenção a ele. Nunca vi você interessada por ninguém. Ou já tem alguém que você gosta?
Sesshoumaru.
Ela abaixou a cabeça.
Naquela tarde, sem nenhuma esperança, voltou ao parque. O sol estava laranja, o vento a tocando docemente. O tipo de situação que a deixava em paz. Mas não naquele dia. Estava triste. Se sentou em um banco e suspirou. O vento soprou de um jeito diferente. Quando olhou pra cima Sesshoumaru estava diante dela. Seu coração palpitou.
— Sesshoumaru!
— Kagura.
Ela hesitou.
— Não me chamo Kagura.
Os olhos dele se estreitaram.
— Como se chama?
— Mira.
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