O Chefe
5 O Sogro
Notas iniciais
O Sogro
Coloquei Não é um jogo para tocar mais uma vez, enquanto estava deitado no escuro do meu quarto, choramingando. Estava fazendo uma semana desde o pior jogo da minha vida, que gerou toda a confusão entre Jacob, Emmett e eu, depois ocasionando mais caos entre Isabella e eu.
Acho que aquele foi o namoro mais rápido da história, não que tivéssemos terminado de fato. Afinal, a garota estava me evitando, não respondia minhas mensagens, não atendia minhas ligações e fugia de mim na escola.
Ela era boa naquilo, em ficar longe do meu alcance, o que só me torturava, pois queria que ela voltasse a confiar em mim depois de toda a minha burrada. Eu esperava que ela ao menos estivesse lendo minhas mensagens, escutando as gravações de voz em sua caixa postal e lendo as cartas que deixava para ela em seu armário.
Porra, mais um pouco e eu poderia ser considerado um stalker! Só não ia até a casa dela por temer O Chefe, Charlie poderia acertar uma bala em mim.
— Hey, Bonequinha, você casaria comigo? — cantei junto a música, soluçando enquanto chorava.
Eu já sentia uma falta absurda de Bella, não só de beijá-la e tocá-la, não era apenas físico, era saudade de absolutamente tudo. Ela era a garota por quem eu estava apaixonado e não tê-la perto de mim doía, doía ainda mais por saber que tinha sido um escroto com ela, antes mesmo dela ser minha namorada.
Deveria ter quebrado a cara de Jacob da primeira vez que ele falou algo desrespeitoso sobre Bella, mas fui um idiota, um perfeito babaca. Ela tinha total razão em estar com raiva de mim, apenas queria que ela me perdoasse.
— Edward? — minha mãe chamou por mim, colocando a cabeça para dentro da porta. — Tem certeza de que está bem, querido? — indagou preocupada.
— Tô sim — menti, enxugando as lágrimas do meu rosto.
— Sério mesmo? O som vindo daqui era bem preocupante, parecia que um gato estava sendo morto.
— Não tem gato nenhum — resmunguei. — Só quero ficar na fossa, tá bom?
— Bella precisa de um tempo, Edward — mamãe disse, ela e meu pai sabiam de tudo, eu tinha contado para eles depois de Bella me deixar na escola na semana anterior. Os dois também não estavam nada contentes com tudo, principalmente por eu perder o jogo daquela semana. — Mas, sei que ela logo vai te desculpar por sua babaquice.
— Mãe! — exclamei injuriado.
— O quê? — Ela deu de ombros. — Você foi um grande idiota, filho, sabe muito bem disso.
Revirei os olhos para aquilo, sabia que ela estava certa, mas bem que mamãe podia me defender.
— Olha, tem certeza de que não quer ir com seu pai, Clary e eu para São Francisco para o fim de semana?
— Tenho — confirmei, tudo que eu não precisava naquele momento era de uma viagem em família, eles iriam aquela tarde e só voltariam na manhã seguinte. Estavam indo assistir uma peça que Clary queria muito ver, mamãe já tinha cogitado cancelar, mas minha irmã ficou muito ofendida com essa ideia e eles mantiveram a viagem.
— Sei não — mamãe sussurrou. — Não confio em você sozinho, Edward.
— Sei me cuidar, mãe — resmunguei.
— É, mas ainda não me convence — ela afirmou. — Ficava mais tranquila quando tínhamos de sair e você ficava na casa do Emmett.
Funguei, pensando que além de ter perdido Isabella, eu também tinha perdido meu melhor amigo. Emmett não me atendia, muito menos respondia minhas mensagens, assim como sua irmã.
— Bem que eu queria poder ir pra lá — murmurei. — Acho que nunca mais vou ter um amigo como Emmett, ou uma namorada como Bella.
Mamãe riu.
— Mãe!
— Seja menos dramático, Edward — ela pediu. — Isso tudo vai se resolver, certo? Agora, última chance de ir com a gente para São Francisco.
— Não, mãe, não quero ir — falei pela milésima vez. — Me deixa aqui curtindo a fossa. — Peguei o celular e coloquei Não é um jogo para repetir de novo.
— Tá bom — mamãe concordou. — Não apronte nada, certo?
— Não vou aprontar nada — prometi.
Ela foi até mim na cama, me dando um beijo na testa e saiu. Algum tempo depois meu pai apareceu me mandando tomar cuidado, então Clary falando que eu devia parar de ouvir aquela música, porque já estava cansando e foi embora também.
Eu estava quase pegando no sono, depois de chorar mais um pouco, quando a campainha tocou. Dei um pulo da cama, assustado. Sai do quarto rapidamente, sonhando que fosse Bella à minha porta, porém, para minha grande surpresa, era Charlie.
— Cha-Charlie — gaguejei ao vê-lo na varanda da minha casa, com aquele olhar letal.
— Não se esqueça de que é Chefe para você, Cullen — ele me corrigiu.
— Cla-Claro, Chefe! — me corrigi prontamente. — O que veio fazer aqui? — perguntei temeroso, olhei por cima do ombro dele, vendo sua viatura e lá dentro um Emmett emburrado se encontrava.
— Isabella está péssima — ele disse, cruzando os braços na frente do corpo. — Só fica trancada no quarto chorando e ouvindo a mesma música de rock, mal come e nem quer ir para a aula, está indo obrigada.
Engoli em seco, era como eu estava, a mesma forma. Só que, saber que Bella estava tão mal daquele jeito me fazia sentir um monstro, pois era tudo minha culpa.
— Enfim. — Charlie suspirou. — Vim aqui para resolver essa situação.
— Você quer que eu pare de tentar qualquer contato com Isabella? — indaguei nervoso, não queria perdê-la de vez, não aguentaria.
— Não.
Não?
— Não? — questionei, surpreso.
— Não! — Charlie respondeu. — Estou aqui para fazer o Isabella voltarem as boas.
Puta que pariu!
Aquilo era mesmo sério?
— De verdade?
— Sim.
— Não está brincando comigo, né?
— Não, Edward, eu não estou! — respondeu irritado. — Se continuar me questionando irei embora e não te ajudarei a reconquistar Bella.
Selei minha boca.
— Ótimo, melhor que fique calado, afinal você faz isso muito bem.
Foi impossível permanecer calado naquele momento.
— Chefe, sei que errei com o lance do Jacob, irei me punir por isso pelo resto da minha existência, eu juro!
— Você foi um cretino deixando aquele moleque falar o que bem entendia da Isabella, Edward.
— Eu sei.
— Não me interrompa!
— Desculpe.
— Como estava falando, você não deveria deixar Jacob falar nada de Isabella, deveria ter dito para mim, Emmett, para ela mesma, ou sei lá, feito a porra de uma justiça com suas própria mãos. No lugar disso preferiu ficar quieto, sendo que Isabella era a irmã do seu melhor amigo. Porra, como você é estúpido, garoto!
— Foi mal, Chefe — falei, olhando para meus pés.
— Vamos logo! — exclamou.
— Vamos para onde? — Chequei meu bolso, o celular eu tinha colocado lá antes de sair do meu quarto, mas peguei do suporte próximo a porta minhas chaves do carro e de casa, como o dinheiro de emergência que meus pais deixavam em um vaso na mesinha do hall de entrada.
— Primeiro temos que fazer algo, antes de fazer de fato você reconquistar Isabella.
Charlie saiu andando na frente, tratei de segui-lo, fechando a casa e correndo para alcança-lo. Emmett saiu do carro quando paramos junto deste, me olhando aborrecido.
— Ainda não te perdoei por ter escondido aquelas coisas de mim, Edward — ele foi logo falando.
— Eu sei, sinto muito — disse. — Fui um babaca.
— Pior do que você só o Jacob — ele disse, fechando suas mãos.
— Espero que possa me perdoar um dia, Emmett — falei sinceramente. — E que possamos voltar a ser amigos.
Charlie bufou.
— Deixe de ser tão piegas, garoto — ordenou. — Entrem no carro! — Ele contornou sua viatura, indo para o banco do motorista.
Olhei para o banco de trás, naquele momento me dando conta de que Charlie me faria dar uma volta no banco de trás da sua viatura. Ele estava me levando para uma sessão de tortura.
— Vai, entra! — Emmett abriu a porta para mim, com um sorrisinho debochado no rosto.
— Nada legal — disse para mim mesmo, entrando na viatura, Emmett bateu a porta com força. A sensação de estar lá dentro não era nada bacana, piorou quando vi o sorrisinho debochado de Emmett refletido no rosto de Charlie.
— Só faltava algemá-lo, pai — Emmett falou ao voltar para o carro.
— Vocês estão indo me torturar? — perguntei apreensivo.
— Bem que deveríamos — Charlie disse. — Mas, não, estamos indo até a casa de Jacob.
— Por quê?
— Por que você faz tantas perguntas? — Charlie reclamou, continuando a dirigir.
Ninguém falou nada até a casa dos Black, só Emmett que de vez em quando falava algo sobre algemas e arma de choque. Quando o carro parou diante a casa, Charlie mandou com que saíssemos, o obedecemos e o seguimos até a entrada. Ele tocou a campainha, um Jacob só de toalha abriu a porta, arregalando os olhos em pavor.
— V-Vo...
— Não precisa dizer nada — Charlie falou, o olhar dele para Jacob era pior do que o que lançava para mim, me senti um pouquinho bem com isso. — Quero apenas que escute, Jacob Black. — Vi Jacob engolir em seco. — Eu poderia processar você por difamação, por ficar falando obscenidades a respeito da minha filha por ai, eu poderia quebrar sua cara, poderia fazer muita coisa, me entende? Mas, o que vou fazer vai ser bem pior, vou viver na sua cola até você deixar essa cidade, garoto. Serei sua sombra, seu pior inimigo, estarei sempre por perto e você viverá com medo, muito medo.
Jacob estremeceu.
— E em um único vacilo eu acabarei com você, de uma forma que nunca imaginou. — Jacob engoliu em seco. — Então, Jacob, acho bom você tomar cuidado com o que faz, sempre olhar duas vezes para o lado antes de atravessar a rua, não fumar, não beber, ir a igreja todo domingo, ficar bem longe dos meus filhos, não dizer uma única palavra sobre Isabella, sequer pensar sobre minha garota, ou as consequências serão muito graves, entendeu?
— Sim, entendi sim — Jacob falou baixinho, claramente ele voltaria correndo para o banheiro, devia estar todo borrado.
— Bom, muito bom, Jacob Black. — Charlie apertou o ombro dele, fazendo Jacob engasgar com um sufoco de dor. — Eu também acho que você deveria ficar quieto sobre nossa conversa, entendido?
— Sim, senhor!
— Excelente. — Charlie soltou o ombro dele, dando um tapinha no rosto de Jacob. — Foi bom conversar com você, agora se lembre, tranque bem sua porta, nunca se sabe de onde vem o perigo.
Jacob assentiu ainda em pânico, Charlie se afastou. Emmett mostrou o dedo do meio para Jacob, eu pensei em dar um soco nele naquele instante, mas achei melhor não abusar da boa vontade de Charlie, por isso só falei:
— Fica longe da Bella!
Dito isso eu segui Charlie, ouvindo Jacob bater a porta.
— Deveríamos ter quebrado a cara dele, pai — Emmett falou quando voltamos à viatura. — No mínimo.
— Pelo menos você deu um soco nele semana passada.
— Porque você foi frouxo e não fez antes — Emmett falou para mim.
É, ele estava completamente certo.
— Ok, Edward — Charlie falou comigo. — Isabella está no shopping com Renée, não foi nada fácil fazê-la aceitar sair de casa, não temos muito tempo até elas voltarem. O que pretende fazer?
Não precisei de muito tempo para pensar.
— Podemos voltar para minha casa? Preciso pegar algumas coisas lá.
***
Terminei de escrever o último bilhete, colocando no lugar que ele deveria ficar. Respirei fundo, vendo se estava tudo em ordem, aparentemente sim, só faltava Isabella voltar do shopping. Eu estava tão inseguro, se minha ideia fosse muito patética teria minha chance de reconquistá-la arruinada.
Ouvi passos no corredor, o que me deixou tenso, era ela.
— Não quero comer nada, só quero ficar sozinha! — Bella gritou para alguém, enquanto seguia até seu quarto.
Talvez ela não fosse ficar muito contente por eu estar no quarto dela, mas Charlie tinha me dado a liberação. Quando a ouvi mexer na maçaneta liguei a música, deixando Não é um jogo começar a tocar, a diferença era, eu tinha me gravado cantando a canção, sem música por trás, não teríamos tempo de fazer aquela edição, era somente minha voz crua soando por meu celular, era horrível, diga-se de passagem.
Isabella apareceu na entrada do seu quarto, me olhando em choque.
— O que você está fazendo aqui, Edward? Isso é você cantando?
— Sim, sou eu cantando — confirmei. — E vim até aqui pedir perdão, Bella. — Cai de joelhos no chão diante dela. — Fui muito burro não tendo feito nada sobre Jacob antes, nunca irei me desculpar suficiente com você sobre isso, mas prometo tentar.
— Não sei se... — Ela fechou a porta atrás de si. — Não sei se devemos voltar, Edward. Você me magoou muito.
— O que posso fazer para a mágoa passar? Quer que seu pai atire em mim? Ou quer que eu ande nu pela cidade em forma de penitência? — Ela sufocou uma risada. — Ou você pode atirar em mim, enquanto ando nu pela cidade. Tanto faz, eu faço o que você quiser, Bella.
Ela negou com um aceno de cabeça, seus olhos por fim parando sobre sua cama onde as quatro caixas se encontravam.
— O que significa isso?
— São presentes para você — falei, me colocando de pé.
— Não quero presentes. — Empinou seu nariz.
— Acho que vai gostar desses, de qualquer forma, apenas dê uma olhada. — Estiquei o primeiro bilhete para ela, hesitante Isabella o pegou.
Ela o desdobrou e o leu em silêncio, sabia exatamente as palavras que tinha escrito ali.
“Eu não me apaixonei por você à primeira vista, me apaixonei por você um pouquinho ao longo do tempo, sem nem mesmo me dar conta disso até o instante que me dei conta de que só conseguia pensar em você. Hoje eu não sei mais como é não estar apaixonado por você, nem quero saber, sentir isso me faz feliz. Então, me desculpe por te deixar triste, eu não queria apagar seus sorrisos, sou apaixonado por eles também.”
Isabella me encarou, antes de me devolver o bilhete, repassei o segundo. Ele dizia:
“Eu te dei minha coroa no baile, quero que tome para si agora todo meu coração, ele é seu, só seu. Não me devolva-o, nunca, quero que cuide dele por mim, um dia você me deixará cuidar do seu?”
Ela apertou seus lábios em uma linha fina, logo passei o terceiro bilhete para ela.
“Lamento não ser um cara perfeito, juro que irei melhorar, juro que irei me esforçar ao máximo para merecer você. Irei te tratar como a garota incrível que é, irei te fazer a mulher mais feliz da Terra, do Sistema Solar, de toda a Gálaxia! As alienígenas irão te invejar.”
Bella riu baixinho ao ler aquele. Sorrindo entreguei o último bilhete para ela.
“No último jogo eu fiz um acordo com o destino, se eu perdesse não te pediria em namoro. Eu perdi e mesmo assim te pedi em namoro. Por quê? Porque não queria te perder, como não quero te perder agora. Falei que estou apaixonado por você? Bom, vamos chamar isso de amor. Talvez seja cedo? Sim, mas eu já desafiei o destino uma vez, o desafiaria mil outras vezes por você, porque te amo.”
Parei de respirar, nervoso demais enquanto a via lendo o último bilhete. Ela o passou para mim, sem me olhar.
— Isabella?
— O que tem nas caixas? — perguntou.
— Pode abrir e ver — declarei.
Ainda sem me olhar ela caminhou até perto de sua cama, abrindo uma caixa. Bella arfou quando viu uma das minhas camisas de futebol, então ela abriu as outras três, encontrando o restante das minhas camisas.
Ela olhou para mim por fim.
— Por quê?
— São todas suas. — Sorri para ela. — Você já tinha uma, achei que deveria ficar com as outras quatro.
— Não faz sentido — sussurrou, a ponta do seu nariz estava vermelha, ela segurava o choro. — Como vai jogar sem suas camisas, Edward?
— Se você continuar sendo minha namorada poderei vir buscá-las antes do jogo, além de te levar ao campo também.
— Não entendo nada de futebol.
— Vou te ensinar cada detalhe.
— Realmente não me importo com isso.
— Você não precisa aprender caso não queira, nem precisa ir aos jogos se não quiser, apesar de que eu amei você ter estado lá nos últimos jogos.
— É, antes de ouvir Jacob falar mal de mim e não fazer nada sobre isso.
— A ideia de atirar em mim enquanto ando nu pela rua ainda está de pé.
— Não estou brincando, Edward! — se queixou.
— Nem eu! — afirmei. — Faço o que quiser para que me perdoe.
— Você me ama mesmo? — perguntou baixinho.
— Já pensei no nome de todos nossos filhos, isso quer dizer algo? — Ela caiu numa gargalhada. — É sério.
— É, quais serão?
— Anthony, porque você já falou que gosta do meu segundo nome. E Renesmee...
— Como?
— É a mistura de Renée e Esme, pois você ia querer o nome da sua mãe, eu ia querer a da minha, nós iriamos brigar e resolveríamos unir os nomes.
— É muito estranho, Edward.
— Não fale mal do nome da nossa futura filha — chamei sua atenção, ela riu mais.
— Só dois?
— Sim — confirmei. — Você já falou mais de uma vez que só quer ter dois filhos.
— Não me lembro de ter dito isso para você.
— Não diretamente para mim, mas já falou em alguns jantares.
— É, quando você era só o amigo gostoso do meu irmão.
— Ainda sou gostoso?
— Um gostoso que merece uns tapas por me fazer sofrer.
— Pode me bater. — Abri os braços para ela.
Pensei que ela iria me abraçar, mas Bella só pegou meu celular que estava atrás de mim sobre seu criado mudo, pausando minha gravação cantando.
— Promete que nunca vai tentar ser um cantor — ela pediu.
— Prometo.
— Certo, você será um jogador e eu irei em todos os jogos possíveis.
— Você irá? — indaguei, percebendo o que aquilo significava.
— Irei... Quer dizer, irei se você fizer uma última coisa.
— Pode dizer, eu faço qualquer coisa, já disse.
Ela me lançou um sorrisinho malicioso.
— Tira a camisa, Edward.
— Você adora me ver sem camisa, não? — Tirei a camiseta que usava prontamente, largando-a sobre o chão.
— Adorar? Bom, digamos que eu amo! — exclamou, me fazendo sorrir. — Assim como te amo também, camisa 12. — Segurou em meus braços, se esticando na ponta dos meus pés para me beijar.
Sorri ao sentir os lábios dela nos meus, segurando em suas costas e a puxando para mim, enquanto suas mãos delicadas pousaram em meu peito. Bella sorriu também, mas logo nós dois estávamos perdidamente entregues ao beijo, tomando um do outro.
— Mas que... Isabella, Edward!
Era Charlie, claro.
Soltei Isabella, que bufou e revirou os olhos.
— Que bela forma de retomar um namoro — ela reclamou.
— Que história é essa de você ficar sem camisa no quarto da minha filha? — Charlie me indagou furioso.
— Foi só por um momento, pai — Bella justificou, enquanto eu pegava minha camiseta e tornava a vesti-la.
— Me desculpa, Chefe — pedi, ele xingou.
— Pelo visto vocês se acertaram — falou.
— Nos acertamos sim! — Bella sorriu para mim, sorri para ela, entrelaçando nossas mãos, Charlie suspirou.
— Isabella, saia.
— Mas...
— Saia — ele ordenou.
Ela largou minha mão, pisando firme para fora do quarto, batendo a porta com força ao sair.
— Che-Chefe...
— Só eu vou falar aqui — Charlie declarou. — Se sente.
Achei melhor não sentar na cama da Bella, ficando na cadeira da sua escrivaninha.
— Eu gosto de você, Edward.
Arregalei os olhos.
— Gosto de você desde que te conheci, você é como um filho para mim desde então, sabe? Praticamente te vi crescer nos últimos anos, era parte da família. Por isso foi um grande choque quando soube de você e da Bella, porque eu temi que se vocês se afastassem, como aconteceu essa semana, teria minha filha triste e não teria mais você aqui.
Dei um sorriso.
— E bom, você sendo como um filho para mim não deveria se afastar. Por isso estou sendo tão rigoroso, porque não quero que Bella se machuque, no caso acabe mais machucada e quero que você leve essa relação a sério. Quero o melhor para os dois, pois ambos são importantes para mim, não quero ninguém longe ou triste. Você está me entendendo?
— Sim, Chefe.
Ele inspirou fundo.
— Não precisa mais me chamar assim.
— Só consigo lhe chamar assim agora.
— Ok, que seja.
— Eu também gosto de você, Chefe — falei alegre, em saber que Charlie não me odiava. — É muito bom saber que você não me odeia. — Ele riu.
— Não abusa, eu ainda sinto um pouquinho de raiva de você sim.
— Que tal se eu parar de lhe chamar de Chefe e te chamar de sogrão?
— Quer morrer?
— Isso é um não?
— Bom que percebeu.
Eu levantei da cadeira.
— Não assisti ao jogo universitário da semana passada, você por acaso o gravou, Chefe?
— Com certeza.
— Podemos assistir?
Charlie sorriu.
— Vamos nessa.
Antes que pudéssemos sair do quarto de Bella ele disse:
— Ah, nunca mais fique sem camisa no quarto da minha filha, ou eu vou usar minha arma em você.
Engoli em seco.
— Entendido, Chefe.
— Que bom que entendeu, agora vamos assistir ao jogo.
Na sala encontramos com Bella e Emmett, podia ouvir Renée na cozinha.
— Podemos voltar a ser amigos, cara! — Emmett me esmagou em um abraço. — Bella falou que posso te desculpar agora.
— Bom ser seu amigo de novo, Emmett! — comemorei.
— Então, que tal a gente sair? — Bella me perguntou.
— Edward vai assistir ao jogo de futebol comigo — Charlie respondeu, já com o jogo na TV e sentando em seu sofá.
— Podemos sair depois — falei para ela, Bella revirou os olhos.
— Estou sendo trocada pelo meu pai?
— Ninguém mandou você não gostar de futebol — Charlie falou, Emmett tinha tomado um lugar no sofá também. — Senta logo, Edward!
Olhei para Bella, que deu de ombros, apontando para o sofá.
— Senta logo, melhor eu entender que agora vocês são amiguinhos de novo.
— Obrigado por entender. — Beijei a bochecha dela, Bella sussurrou em meu ouvido.
— Vou tá lá em cima, usando só uma das suas camisas, sem nada por baixo.
Quando ela me soltou vi seu sorriso perverso. Bella piscou para mim, indo em direção à escada. Quis segui-la, desesperadamente.
— Edward? — Olhei para Charlie, ele parecia estar prevendo minhas intenções. — Sente — ordenou entre dentes.
Me arrastei até o sofá, sentando ao seu lado. Deveria obedecê-lo, ele era meu sogro e o chefe.
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