O Chapéu Nunca Erra

2 A arriscada decisão


Ainda mal humorado, Leonel subiu para o seu quarto, não querendo trocar nenhum tipo de contato com seus pais. Depois que a bruxa fora embora, Madison voltou para o cômodo de trás da casa, recolheu a mesa, e limpou as bancadas da pequena cozinha. Apesar de tentar esquecer o que acabara de acontecer, a imagem da maçaneta girando sozinha não saía de sua mente. Os longos dias de trabalho já estavam deixando sua cabeça alucinada, pensou.

No segundo andar da casa, Leonel se sentara na borda da estreita janela, que dava para uma ruazinha calma de Hallow. Era inevitável que a voz da mulher permanecesse reproduzindo na sua mente tudo o que ela havia dito agora a pouco. Essa história de bruxo... E depois a da bruxa, que fez com que a porta se abrisse sozinha.

O estresse foi passando conforme os pensamentos iam fluindo.

Ele se identificou com a estranha mulher, que chamaria a atenção de todos do bairro se alguém a visse. Ele gostou do jeito com que ela disse tudo aquilo, como ela se comportava, e até mesmo como se vestia. Nunca havia visto alguém tão diferente assim. E adorou o que viu.

Demorou para passar pela sua cabeça, mas ele se lembrou de um fato muito importante: o que acontecera mais cedo no parque. Era inexplicável o que o brinquedo fez quando Leonel olhou para a menina travessa. Ele se negava a acreditar no que escutara da bruxa, mas se lembrava de fatos realmente inexplicáveis que já acontecera em sua vida. Será que a bruxa e seus vizinhos, todos eles estavam certos em dizer que ele é anormal?

Quando o ponteiro do relógio em cima do criado-mudo de Leonel estava quase chegando no doze, ele decidiu ir domrir. Talvez acordaria e descobriria que fora tudo um sonho.

Mas o sono não chegava. Os pensamentos não o deixavam em paz. A voz da estranha bruxa soava repetidas vezes em sua cabeça...

Depois de um bom tempo repassando todas as informações em sua mente, foi então que ele se lembrou. Tinha guardado a carta da senhora no bolso de sua calça.

O menino se levantou, com pressa, e procurou a calça que deixara jogada no soalho do pequeno quarto. Enfiou a mão nos dois bolsos e sentiu a carta, dando um suspiro de alívio. Rapidamente se sentou na cama e abriu o envelope.

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS

Diretor: Alvo Dumbledore (Ordem de Merlim, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos)

Prezado Sr. Greene,

Temos o prazer de informar que V. Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários. O ano letivo começa em 1° de setembro. Um encargado irá lhe entregar todas as informações necessárias para sua viagem a Hogwarts.

Atenciosamente,

Alvo Percival Wulfrico Brian Dumbledore

O Diretor

Ele abriu o evelope e procurou alguma coisa que lhe informasse algo mais. Encontrou mais dois pedaços de pergaminho.

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS

Uniforme

Os estudantes do primeiro ano precisam de:

1. Três conjuntos de vestes comuns de trabalho (pretas)

2. Um chapéu pontudo simples (preto) para uso diário

3. Um par de luvas protetoras (couro de dragão ou similar)

4. Uma capa de inverno (preta com fechos prateados)

As roupas do aluno devem ter etiquetas com seu nome.

Livros

Os alunos devem comprar um exemplar de cada um dos seguintes:

Livro padrão de feitiços (1ª série) de Miranda Goshawk

História da magia de Batilda Bagshot

Teoria da magia de Adalberto Wafling

Guia de transfiguração para iniciantes de Emerico Switch

Mil ervas e fungos mágicos de Fílida Spore

Bebidas e poções mágicas de Arsênio Jigger

Animais fantásticos & onde habitam de Newton Scamander

As forças das trevas: Um guia de autoproteção de Quintino Trimble.

Outros Equipamentos

1 varinha mágica

1 caldeirão (estanho, tamanho padrão 2)

1 conjunto de frascos

1 telescópio

1 balança de latão

Os alunos podem ainda trazer uma coruja OU um gato OU um sapo.

LEMBRAMOS AOS PAIS QUE OS ALUNOS DO PRIMEIRO ANO NÃO PODEM USAR VASSOURAS PESSOAIS.

A última carta fora escrita em um pedaço de pergaminho rasgado. Leonel não entendia como cabia o que estava escrito ali, em um pedaço de pergaminho tão pequeno. Com certeza tinha mgia ernvolvida no fato dele conseguir ler tudo o que fora escrito. Das três cartas, essa era a única que não tinha o brasão no topo. A letra, no entanto, era a mesma.

Querido Sr. Greene,

Se está lendo isso, lamentavelmente nosso plano deu errado. Enfeiticei a carta para que esse pedaço de pergaminho aparecesse somente se algo desse errado. No entanto, não me surpreende que algo de mal tenha passado com seus pais trouxas, e nosso plano. Entendo que seja dificil para eles acreditar no mundo bruxo. Espero que você sim, entenda. Tenho a certeza de que, como qualquer bruxo, você sente, no fundo, que não pertence ao mundo trouxa. E que sente a magia nas profundezas do seu coração. Portanto, não se preocupe. Ainda tem sua vaga. Hogwarts nunca abandona os que pertecem a esse lugar.

Você tem até o dia 31 de agosto para ingressar na escola. Mas, antes de tudo, você precisa comprar tudo o que é necessário. Irei detalhar todas as instruções:

Primeiramente, esse pedaço de pergaminho está enfeitiçado, tudo o que está escrito aqui sumirá no instante em que você terminar de lê-lo. O mesmo, terá de entregar a quem eu lhe pedir, no momento em que eu lhe pedir. Ele irá mostrar outra mensagem, correspondente a quem o leia. É isto.

Seu próximo destino é o caldeirão furado. Na porta de sua casa, deixei um animal esperando até que você saia. Ele o acompanhará até o caldeirão furado. Ao chegar, terá de entregar o pergaminho ao bruxo Melancia. Ele o ajudará a chegar ao Beco Diagonal.

No Beco Diagonal, sua primeira parada deve ser o Banco de Gringots. O ministério da Magia fornece uma quantia de galões exata e suficiente para todos os nascidos-trouxas comprarem o necessário. Mais uma vez, terá de entregar o pergaminho a um duende. Ele fará todo o serviço.

Por fim, comprará tudo o que foi mencionado na lista que você também recebeu. Livros: Floreios e Borrões; Uniforme: Madame Malkin; Caldeirão, frascos, balança: Boticário; Varinha: Olivanders; Telescópio: Melancia. Caso algum funcionário não lhe dê a exigida atenção, também pode mostrar-lhes o pedaço de pergaminho, se quiser.

Depois de tudo comprado e arrumado, o próximo passo é pegar o Expresso de Hogwarts. O mesmo bruxo do caldeirão furado já foi comunicado e irá lhe ajudar, também, a sair de lá. Então, seu destino é Estação de Kings Cross, plataforma 9 3/4. Para chegar, não precisa ter medo. É só seguir reto e direto, entre as plataformas 9 e 10. Não se preocupe, não irá bater nem nada. É um portal seguro. Se tiver nevoso, é sempre recomendado passar correndo.

A última recomendação é: não perca o trem.

Aqui te esperamos.

Atenciosamente,

Prof. Minerva McGonagall

As letras foram sumindo aos poucos quando ele terminou de ler a última palavra, deixando Leonel com raiva, querendo ler mais uma vez, para processar cada detalhe. A carta era agora um mero pedaço de pergaminho, sem utilidade.

Ele se deitou na pequena cama e olhou para o teto, pensando em todas as informações que seu cérebro recebera nas últimas horas. Era quase impossível, mas depois de ler tudo aquilo, concordou consigo mesmo que não tinha como duvidar. Porque alguém pregaria uma peça dessas com ele? E porque organizariam tão bem uma brincadeira? Seja lá quem o fizera, contara a história muito bem.

Se caso tudo aquilo fosse verdade, ele teria que sair de casa com o tal animal que o esperaria na porta. O menino olhou na estreita janela de vidro. Aí estava uma gata malhada, mirando a janela do quarto do menino. As chances de ser uma coincidência eram pouquissimas, pensou Leonel.

Antes de tomar qualquer decisão, ele repassou tudo o que sabia de si mesmo. Seus pais nunca lhe contaram muito bem, mas ele sabia que nascera em algum lugar da Espanha. Nas férias de verão, há 11 anos atrás, Madison e Cade decidiram adotar o bebê orfão, durante uma viagem para o país ibérico. Isso é tudo que ele sabia. Além de ser a "aberração" de Hallow. Desde o momento em que chegara, ele era chamado assim pelos vizinhos asquerosos. Já não aguentava ser visto como uma anormalidade. Pela centésima vez, se lembrou do que havia passado naquele dia. De que, horas atrás, queria ter morrido, junto com seus pais, e nunca ter vindo à Inglaterra.

Ele olhou para o malão que seus pais guardavam em cima do seu guarda-roupa. Seria difícil tirá-lo de cima silenciosamente, sem que seus pais acordassem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.