O Chamado de Nymeria
5 Capítulo V - A visita
Notas iniciais
Uma semana havia se passado após a resolução do caso do assassinato de Alturus de Azevedo quando Eddie, numa tarde ensolarada de domingo, resolveu visitar Úrsula na Rua Magnólia. A rua estava incomumente agitada e Eddie reparou nisso enquanto subia as escadas e bateu na porta de Úrsula.
“Entre”, disse ela de dentro da casa. Eddie abriu a porta e viu Úrsula deitada no sofá de roupão e um fino cachimbo que pendia de sua mão estirada fora do sofá. “Como vai Eddie?”, disse como num automático.
Eddie se sentou na poltrona e esperou Úrsula sentar devidamente no sofá, e após fazê-lo, ele disse: “Vou bem. Sempre nos finais das investigações, temos que esperar um tempo para sabermos se vamos sofrer algum atentado por termos nos metido com outras pessoas pelo o que fazemos. Já se passou uma semana, então acho que podemos esquecer isso”.
“Querido Eddie, eu já lhe disse que Bruno apenas usou de um plano bem elaborado e que não usou de grandes extensões para que não pudesse ser queimado. Aqueles dois homens que me atacaram na Rua Quatro Folhas foram apenas um ataque desesperado por Bruno para acabar comigo. Eles foram pagos para apenas um serviço e agora estão presos”, disse Úrsula se esparramando no sofá.
Após conversarem sobre as tensões que se desenrolavam no oeste da cidade e as aulas extracurriculares que Eddie conseguiu incluir na faculdade sobre a cultura e a política dos druidas, Eddie quis saber sobre os casos que Úrsula cuidava no momento.
“O dinheiro que recebi de Gabriel é o suficiente para ficar tranqüila por um tempo. Você sabe que gasto pouco, então resolvi ficar um tempo trabalhando por conta própria. É um caso que foi arquivado a uns três anos atrás sem resolução. Resolvi desvendar essa caso sem ter que sair de casa, pois há muitas informações que já me auxiliam”.
“E do que se trata?”.
“Um homem ouviu seu pai, que estava no quintal de casa, dizer um “bom dia” e tomar um tiro que atravessou seu coração. Quando o homem foi acudir seu pai, ele não encontrou nenhum vestígio de quem poderia ter sido o assassino e o homem também não conhecia nenhuma rivalidade que seu pai poderia ter para ser assassinado desta forma. Todos os outros casos a policia pode perfeitamente tomar conta”.
“Você quer alguma ajuda?”.
“Não precisa. Meu caro Eddie, eu sei que é bom botar a mão na massa e se exercitar mentalmente, mas você deve focar em suas aulas. Eu sempre agradeci por toda ajuda nas investigações com suas pesquisas, com seus conhecimentos sobre política e sua agilidade, mas você não deve se meter tanto em perigo. Você é precioso para mim”, disse Úrsula não esboçando nenhuma reação mais dominante que um aparente tédio.
Eddie conhecia Úrsula por anos e sabia que aquelas palavras, por mais que desprovidas de emoção, tinha um tom verdadeiro. “Sim, é verdade, é muito bom poder participar destas historias tão fabulosas e poder ver você usando de sua observação e dedução para resolver crimes e prender criminosos. E eu espero continuar acompanhando, mas bem que você poderia me auxiliar nas minhas aulas extracurriculares”.
“Eu gostaria bastante. Depois de metermos com o Culto de Nymeria, seria interessante falarmos sobre os druidas”.
“Por falar nisso, o que aconteceria se eles soubessem de todas as nossas pesquisas e resolução de um caso que era diretamente ligado ao culto? Pois mesmo sendo um membro de tão pouco poder, o caso envolvia um membro antigo e de como um novo membro havia sido extorquido pelo culto”.
“Se você fez o que diz que fez quando pesquisou mais a fundo sobre o culto, então seu nome não será mencionado e eles não saberão o uso do culto por Bruno. Levando em conta que ele foi rapidamente preso, podemos levar em conta que o culto não se moveu para salva-lo das grades. A não ser que Bruno fale algo sobre isso, o que eu acho difícil, então não precisamos mais nos preocupar com isso por enquanto. Por isso, conte-me mais sobre sua vida e de como eu posso aconselhá-lo em algo”.
Ambos ficaram o dia todo conversando e tomando café, como muito tempo eles não faziam.
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